Havia algum tempo que a vida de Amadeus tinha sido encontrada por um furacão de notícias. Sua cabeça parecia estar a quilômetros por hora, a insônia havia se tornado sua melhor amiga. E consequentemente com a perda do sono seu corpo passara a sofrer e definhar, sua insanidade era a mais cabal e parte dele sabia que talvez ele nunca mais voltasse a si. Mas o que poderia ser fácil para um mafioso? Era um caminho frio, complicado e principalmente solitário. A culpa pelo sangue que havia sido derramado por suas mãos, as vozes daquelas pessoas em sua mente, ele nunca poderia encontrar a paz. Não por não acreditar em divindades ou algo assim, mas porque ele não se achava merecedor da redenção, ele merecia mais o inferno do que qualquer um porque pelo simples fato de viver ele havia transformado dezenas de vidas num inferno. Porém quando ele ouviu que, de alguma forma, sua ex esposa havia conseguido sobreviver tudo pareceu mudar. Era como se os pesos que estavam acorrentados aos seus pés, o puxando para o fundo do oceano, de repente tivessem sido soltos, o permitindo arriscar a tentativa de ver o sol mais uma vez. E bem, aquilo o deixara mais perturbado que nunca. Ele deixara Nova Iorque para trás, e também deixará lá parte de seu coração. Mas como ele poderia explicar? O que supostamente poderia dizer para fazê-la entender?! Então a deixara, da maneira mais covarde que podia, sem dizer adeus pois sabia que nunca seria forte o suficiente para fazê-lo. Amadeus passara a noite inteira acordado, tentando extrair informações sobre sua ex com um rival que supostamente sabia onde ela estava. Infelizmente ele não soubera o bastante ou não resistira por tempo suficiente para sobreviver. E torturando aquela pobre criatura Chev havia conseguido quebrar três de seus dedos, sendo obrigado a usar um curativo na mão. As olheiras fundas e escuras foram o bastante para entregar sua motivação ao entrar na pequena cafeteria. Ele pediu um expresso e acabou tomando ali mesmo, sentado, perdido em seus devaneios. Ainda sem se encontrar em seus pensamentos decidiu levantar-se para pagar a bebida que havia consumido. Talvez por conta do sono estivesse tão desatento e desorientado, porém a combinação o levara ao encontro de outro corpo. Ele sentiu a bebida quente entrar em contato com sua pele e não pode reprimir uma careta de dor. Irritadiço ele fitou a pessoa em sua frente, pronto para mostrar toda a sua insatisfação pelo acontecimento mas então ficou simplesmente mudo. Era como se tudo tivesse parado. A dor, seu coração, sua respiração e o mundo a sua volta. Era ela, London, ali, em sua frente, em carne e osso.—- London? — ele franziu o cenho e continuou a encarando.— Cazzo, dall'espressione em seu rosto posso ter certeza que estou acordado e não estou alucinando.— disse tão somente, simplesmente não sabia o que falar.
London não sabia o que fazer, como agir, a cabeça dela era um turbilhão de coisas passando em apenas um segundo, ela estava se sentindo tonta, ela estava sentindo como se tudo que ela estivesse lutando nesse ultimo mês, toda a sanidade, todo pedaço que tinha se recomposto na verdade tivesse sido ignorado, porque diabos ele tava ali? Ela tinha tantas perguntas passando pela cabeça e não conseguia colocar pra fora nenhuma delas, ela se esqueceu de onde estava, o que estava fazendo, tudo o que ela conseguia ver era ele, era o homem que tinha roubado seu coração de uma maneira como ninguém tinha feito, a pessoa pela qual ela desistiria de tudo só pra ter uma vida ao lado dele, mas lembrar o abandono, o descaso, ter todos seus sentimentos ignorados sem mesmo saber o motivo ainda lhe perseguia, ela não conseguia ficar feliz em vê-lo, ela na verdade não conseguia sentir nada além de suas mãos tremendo e seu coração disparando, aquilo não tava certo, porque diabos tendo o mundo inteiro porque diabos naquela cidade? Porque diabos naquele café? Porque diabos naquela tarde? Ela estava mais confusa que qualquer coisa - Talvez se fosse alucinação acabaria sendo mais fácil de encarar, coisa que infelizmente não é. - ela falou dando um passo pra trás, qualquer proximidade que teria dele ia fazer com que ela enlouquecesse mais ainda, era horrível estar ali e não abraça-lo, por mais que estavam em um café ela assim que viu quem era conseguiu sentir o cheiro dele, era único, era provavelmente o que se tornou o perfume favorito dela e que estava lhe enlouquecendo aos poucos, ela fechou os olhos se apoiando na mesa em que estava sentada, ela não conseguia respirar direito, ela só queria respostas, das perguntas que não conseguia formular. London não percebeu mas tinha algumas lágrimas nos olhos, só percebeu quando uma escorreu e ela virou o rosto limpando rapidamente. - Porque você foi embora? Eu realmente não importei pra você assim? Eu errei em alguma coisa? Porque você me destruiu assim? Pelo menos ta feliz? - ela soltou de uma vez, não eram todas as perguntas que tinha mas era o que sua cabeça conseguiu formular para que fizesse sentido, a voz dela era carregada de pesar, de arrependimento, de dor, de tudo o que ela tinha passado no último mês.