Conrad sorriu com o jeito da menina, porque era impossível se manter sério na presença de uma pessoa tão alegre e simpática quanto Ottarsdóttir. “Hum…Você é aquela que gosta de plantas, não é?” Brincou, apenas para ver a sua reação indignada. Ou talvez, ela conseguisse perceber a brincadeira em sua voz, uma vez que o grifino nunca fora um bom ator. “Estou brincando.” Disse, após poucos segundos. “Sei que você é Ottarsdóttir. Não é todo mundo desse colégio que me proporciona a chance de estudar com um animal fantástico.” Explicou, em uma risada curta, esperando as instruções da garota para o que iam fazer em seguida.
Aqueles que a conheciam a ponto de saber o quão intensa era a relação dela com a irmã, suspeitariam de que a última frase proferida pela lufana era uma enorme blasfêmia. Ser confundida com a irmã não era algo que a desapontaria, de jeito algum, pois além de amá-la como ninguém, a admirava de um modo ímpar, logo, ofender-se por ser confundida com Eydís era a última coisa que poderia passar pela cabeça dela. “Ouch.” brincou, colocando a mão sobre o peito, mas não conseguindo manter a seriedade por muito tempo, logo rindo por saber que ele, assim como ela, também estava brincando. “Pois é, eu sou uma ilustre presença em sua vidinha, não sou?” disse, jogando levemente o cabelo para um lado, ato este acompanhado por - mais uma - risada. “Tudo bem, vamos lá. Antes de eu te explicar sobre qualquer tipo de animal fantástico, você precisa desconstruir muitos pré-conceitos que tem, como por exemplo... uh... ah! É claro: supor que qualquer tipo de excreção é, necessariamente, nojenta. Pode ser nojento, mas tem todo um tabu construído, te dizendo para achar nojento, quando na verdade é algo extremamente importante para a anatomia do animal. Foi um exemplo esdrúxulo, mas cabe em muitas situações, acredite.” riu baixo, recordando-se da falha tentativa inicial de quando decidiu quebrar estes preconceitos. Eventualmente conseguiu - e ainda está conseguindo -, mas levou tempo. “E ter bastante paciência. Não apenas com o animal, mas consigo mesmo. Leva tempo para desconstruir preconceitos, e se você se cobrar por isso, por ter que apressar as coisas, vai te fazer mal, e você mal é a última coisa que quero, tá bem?” pegou a mão dele, falando extremamente sério, por ter seu senso de mãe falando mais alto. “E com o animal... bem, uns são mais complexos de entender do que outros, mas juro que se você der tempo ao tempo, isso tudo vai valer a pena.” e tudo isso serviu como uma introdução. Ela queria que ele tivesse noção do que ele estava fazendo, sem enganá-lo falando que é uma coisa completamente diferente. Ela não gostava disso, gostava de ser sincera. “Agora eu te pergunto: acha que consegue? E, mais importante: é isso mesmo que quer?” disse por fim, esperando no fundo de seu coração de que a resposta dele fosse positiva à ambas as questões.