Relendo vermelho e sentindo o peso de uma lágrima que quer precipitar. Porra, como é triste o fim de um amor. Achava que amores não acabavam. A ideia de uma vida após a morte é cristianismo enraizado. Amores acabam. Amores secam e morrem. Talvez precise renovar meu olhar, ver a morte como parada obrigatória de um ciclo esse sim infinito. Num boteco da avenida um violão e uma voz masculina cantando baladas que nasceram em alguma noite recifense. Penso em lágrimas negras. Caem, saem. Dói. Dia desses, dirigindo, deixei que Gal se repetisse algumas muitas vezes. Suas notas agudas me rasgando e a melodia me acolhendo. Amores passarão. Procuro a música. Abro vermelho 2. Ela me diz: é o astronauta da saudade com a boca toda vermelha. Hoje tive saudade. Esse sentimento que não tem tempo de se justificar. Pensei em escrevê-la. Palavras do passado, remetente presa à história. Destinatária perdida noutro tempo. Amar talvez seja caminhar. Por vezes, lado a lado, com calma, e é bom. Por vez, encruzilhando. Duas retas se encontram por um breve momento. Aquele instante, aquele ponto, o atrito máximo, o início do universo. Meu sangue, vermelho, já tem seus novos desejos. Antes, também. Você também. Quis dizer: quando lembro de você, quero chorar. Assim sei que continua sendo muito maior do que os tecidos do meu coração-bomba comportam.

















