ai, não me olha agora não. deixa eu tirar uma fotografia da sua pele escorrendo como um vulcão. me permita fotografar o momento exato em que você irá embora de mim e de nós como uma fogueira de são joão que se apaga quando acaba a festa. tá doendo, mas eu queria preceder o tempo e te marcar na história. na minha história. eu quero continuar a amar você e aquilo que você representou pra mim. eu não quero te odiar. eu não quero dissecar a minha raiva nas suas costas, muito menos te excluir do meu perdão - embora você não se importe se o tem ou não. deixa eu clicar você beijando outro na minha frente. me deixa registrar o microssegundo que você deixou de me amar e de colocar os olhos sobre os meus e de me querer. me permita registrar na memória você indo embora de mim como quem faz uma prece a algum deus que ficou apenas nas elucidações sobre religião. minha religião era você e hoje eu te dou tchau, dispenso, deixo fluir. não olha agora. eu tô me desmanchando e desmanchando tudo que fomos. pode ir.












