Depois do evento especial de Jogos Ferozes, Rohan decidiu almoçar no restaurante que um de seus colegas de trabalho tinha indicado. Jå podia sentir o dia se arrastando. Rohan adorava passar um tempo com os fãs, tirar fotos e responder suas perguntas, mas o estresse de sua vida pessoal misturado com a sua falta de privacidade no mundo da fama o desanimava às vezes. Rohan achou então que o almoço o faria bem, junto com uma pausa pelo resto do dia.
O restaurante era grande e bastante caro, mas Rohan queria experimentar algo diferente. Ele sentou-se em uma das mesas do primeiro andar e logo estava folheando o menu, quando de repente um dos garçons apareceu e disse-lhe que nĂŁo precisava sentar-se ali, e que o segundo andar tinha opçÔes mais confortĂĄveis. O homem com certeza tinha o reconhecido, mas Rohan nĂŁo iria reclamar. Seu novo lugar era prĂłximo Ă varanda, com uma vista agradĂĄvel.Â
Ele pediu algo com frango e recostou-se na cadeira enquanto esperava, bebericando o vinho que o garçom tinha deixado ali. Estava mexendo no seu celular, tentando responder alguns fãs no Twitter, quando notou uma sombra tapar o sol que vinha do lado de fora. Um menino estava ali, reclamando que Rohan tinha roubado seu lugar.
Rohan olhou para os dois lados, tentando ter certeza de que estava falando com ele, mesmo que o garoto que se aclamava âmuito mais rico que Rohanâ olhasse diretamente pra ele.
â Ă sĂ©rio isso? â Rohan perguntou, nĂŁo sĂł pro menino que reclamava, mas tambĂ©m pros cĂ©us que estavam o castigando com aquele destino. Algumas pessoas Ă sua volta começaram a sussurrar umas para as outras e, seja lĂĄ quem o outro fosse, o pessoal do restaurante parecia interessado naquele argumento, tentando chegar perto para escutar a conversa dos outros. â Eu nĂŁo vi seu nome escrito aqui. â Rohan deu sua desculpa automĂĄtica. Como quando roubava o ultimo pedaço da sobremesa de seu irmĂŁo.Â
Quase tropeçando em outras mesas, o garçom chegou correndo. O homem suava e tremia de nervoso. âDesculpe senhores. Houve um engano. E-EuâŠâ
â TĂĄ tudo bem. â Rohan levantou-se rapidamente, querendo que aquilo acabasse logo. â Eu procuro por outro lugar. â Ele olhou para o outro menino, que ainda estava ali parado. â Desculpe por ter usado minha bunda nĂŁo-tĂŁo-rica-quanto-a-sua para sentar-se na sua cadeira rica.
De repente, Lucas percebeu que talvez tivesse sido rude de mais. Desnecessariamente rude de mais. Arrependeu-se instantaneamente assim que o garçom chegou correndo e se desculpando e o homem na mesa começou a se levantar, deixando seu copo de vinho.  â NĂŁo! Espera! â Exclamou apressado, dando um passo na direção dele e segurando seu ombro gentilmente. â Eu tive um pĂ©ssimo dia ontem e hoje de manhĂŁ, cara. Me desculpa. Juro que nĂŁo foi minha intenção magoar vocĂȘ. â Virou-se rapidamente para o garçom, que ainda estava parado ali. â Ou vocĂȘ. â Enfim, sacudiu a cabeça, voltando a encarar o rapaz com quem quase começara uma discussĂŁo tremenda. â Olha, senta aĂ. Vamos almoçar juntos, tĂĄ bom? Eu admito, fui um idiota. Mesmo que a sua bunda nĂŁo seja tĂŁo rica quanto a minha, ela Ă© tĂŁo bonita quanto, e vocĂȘ pode se sentar aqui comigo. â Começou a apontar freneticamente para a cadeira, a fim de que o menino mudasse de ideia sobre ir embora. Ăs vezes, Lucas se dava conta do quĂŁo babaca poderia ser e sentia vontade de bater com a prĂłpria cabeça contra a parede. Aquele homem nĂŁo tinha feito nada para ele e, alĂ©m de tudo, era muito bonito; tinha de admitir. â Podemos nos conhecer melhor durante esse almoço. NĂŁo me diga que vai recusar essa oportunidade. â Fez um biquinho, em seguida dando alguns tapinhas nas costas do desconhecido. â Eu pago sua comida, se quiser.  â Pouco lhe importava as pessoas ao seu redor olhando para eles como se tivessem grandes pontos de interrogação estampados no rosto, Lucas sĂł queria que o rapaz o perdoasse por ter sido tĂŁo estĂșpido sem motivo algum. â O que me diz? â Apontou novamente para a cadeira, insinuando que queria muito que ele se sentasse no lugar de antes.