Bola de Cristal: palpites e análises do Brasileirão 2013
Tentar prever qual será a classificação final do Campeonato Brasileiro é quase impossível. Fora o equilíbrio entre as equipes, este ano, dois ingredientes complicam ainda mais a análise: a Copa das Confederações e a janela internacional de transferências.
Mesmo assim, aceitei o desafio. Antes dos palpites, uma pequena observação. Separei meus ‘chutes’ em cinco categorias bem auto-explicativas: ataque ao título, Libertadores, ‘meiúca’, ameaçados e degolados. A ordem das equipes importa. Se um time, por exemplo, ocupa a lista como o último dos degolados, significa que ele certamente cairá.
Sem mais delongas, vamos a eles:
- Corinthians: bom elenco, excelente técnico e muita consistência tática. Passada a experiência traumática da Libertadores, o Timão tem tudo para recuperar sua hegemonia recente no futebol nacional. Entra como um dos grandes favoritos ao título. Caberá a Tite substituir Paulinho à altura caso ele saia e lidar com o ego dos recém-chegados, como Pato, se quiser mesmo levantar o caneco.
- Atlético-MG: sensação do momento, o Atlético não pode ser esquecido entre os considerados favoritos. Reforçado, mais entrosado e experiente do que em 2012, o time de Cuca entra forte na briga pelo título. Pode se complicar na competição se for longe na Libertadores e deixar o Brasileirão de lado. Fora isso, é candidatíssimo.
- Fluminense: disse bem outro dia Lúcio de Castro, no Bate-Bola 1ª edição, da ESPN, que não podemos ‘ignorar quem tem o cinturão’. E o dono do caneco, de fato, não pode ser esquecido. Até lhe retirarem o título, o Tricolor é o atual campeão brasileiro. Tem como ponto forte a manutenção do técnico e do elenco vencedor. Apesar disso, no primeiro quadrimestre, não mostrou bom futebol e sofreu com constantes lesões de seus principais nomes - Deco, Fred e Thiago Neves. Briga para manter a taça, mas ainda vai sofrer com outro revés. Sem o Maracanã nos primeiros meses da competição, o Fluzão é mais um ‘sem-terra’ no Brasileirão.
- Grêmio: tivesse técnico e esquema tático em vez de ‘profexô’ e ‘pojetu’, o Tricolor brigaria pelo título. Sofrerá também com as indefinições quanto a seu mando de campo com os problemas da Arena Grêmio no início do campeonato. No papel, é o segundo melhor time do País. Falta alguém que faça a equipe jogar. Luxemburgo, definitivamente, não faz.
- Cruzeiro: um dos mais reformulados para 2013, a Raposa parece estar no caminho certo, apesar de só ter tido três jogos grandes no ano (duas vitórias e uma derrota contra o Atlético). Marcelo Oliveira conseguiu dar padrão tático à equipe e vem contando com boas atuações de Dagoberto, Borges e Everton Ribeiro nesse início de temporada. A zaga ainda vai receber Dedé, que acaba de estrear. Falta, ainda, aparecer a estrela de Diego Souza. Com o retorno da força do Mineirão, chega para brigar entre os primeiros.
- Internacional: Dunga surpreendeu no seu segundo trabalho como técnico e levou o Campeonato Gaúcho. É bem verdade que o Colorado sofre, assim como o Cruzeiro, da desconfiança de não ter enfrentado adversários de peso até o momento. No entanto, o ex-técnico da Seleção tem conseguido extrair o melhor de D’Alessandro. Fez até Forlán, finalmente, mostrar seu bom futebol em terras tupiniquins. Apesar de não ter mais o mesmo elenco de qualidade de outras temporadas, o Inter pode beliscar uma vaga continental.
- São Paulo: Em crise desde a eliminação na Libertadores, o São Paulo entra no Brasileirão como um grande ponto de interrogação. Tem bom elenco, mas contrário ao que muitos dizem, não possui bom treinador. Ney Franco não mostrou serviço e, pior, parece não controlar o grupo. Recentemente, ainda, diretoria e Luís Fabiano resolveram se desentender. Os problemas internos impedem o São Paulo de almejar algo a mais. Pode brigar por vaga na Libertadores, mas não deve chegar longe.
- Botafogo: Campeão Carioca sem contestação, o Botafogo é um dos que poderiam surpreender no Brasileirão. A equipe tem padrão tático e alguns diferenciais, como Lodeiro e Seedorf. Mas já começa a competição com o elenco evitando concentração por problemas salariais. Outro problema que deve afastar o Fogão das primeiras posições é a profundidade do plantel. Sem muitas opções, Oswaldo pode sofrer para escalar o time se o Departamento Médico estiver lotado.
- Coritiba: Comandado pelo maestro Alex, o Coritiba também chega ao Brasileirão como campeão estadual. Manteve o experiente Deivid e tem outros bons talentos. Mas sofre do mesmo problema do Botafogo: elenco escasso. Pode ter desempenho acima da média se fizer do Couto Pereira um caldeirão.
- Santos: o Santos, talvez, seja o time de mais difícil análise neste momento. Terá Neymar para a sequência do Brasileirão ou não? Com o craque, tem chances de almejar algo além do meio da tabela. Mas, mesmo com ele, precisa de reforços e da motivação de Muricy para tentar resolver os problemas do time. Sem ele, sofrerá inicialmente, mas, com os caminhões de dinheiro que chegarão à Baixada Santista, o treinador pode ter muitos reforços. Em ambos os casos, vai precisar de trabalho. E Muricy, apesar de ser um dos melhores técnicos do país, parece não mais querer trabalhar no Santos.
- Flamengo: a política da nova diretoria rubro-negra é clara: arrumar a casa, depois contratar. Por isso, o Flamengo entra no Brasileirão com um elenco mediano. E essa deve ser sua posição final na tabela ao fim da competição. Marcelo Moreno, sozinho, não resolverá os problemas da equipe. O Flamengo sofrerá no início, também, do mesmo problema do Fluminense: não ter onde jogar no Rio. Pode resolver o problema promovendo jogos em locais onde têm muita torcida, mas não é a mesma coisa que um Maracanã lotado.
- Ponte Preta: surpreendente no Paulista, a Ponte tem um bom time e, se mantiver todas as peças do elenco, entraria forte no Brasileirão. Mas, todos os destaques da equipe já são alvos dos grandes times. O zagueiro Cléber deve ir para um dos quatro grandes de São Paulo. Cicinho é outro que não deve ficar. Completa, fica tranquilamente na ‘zona morta’ do campeonato. Esvaziada, pode flertar com o rebaixamento.
- Goiás: outro que chega como campeão estadual, o Goiás tem em Araújo - aquele Araújo - sua grande aposta para o Brasileirão. Campeão também da Série B, tem jogadores atuando acima da média, como Júnior Viçosa e Neto Baiano. Mas ainda é pouco se quiser conquistar algo a mais no campeonato.
- Vitória: apesar do massacre no Campeonato Baiano, o Vitória é um time fraco. Aposta em Renato Cajá como o grande articulador da equipe e isso não pode ser boa coisa. Tem como ponto positivo a defesa e boas atuações do goleiro Deola. Mas é pouco para uma competição como a Série A. Tende a ficar na meíuca, mas tem grandes chances de ser ameaçado pela degola.
- Atlético-PR: o elenco não é forte, apesar do excelente trabalho de Ricardo Drubscky. Poderá sobreviver na Série A porque abdicou do estadual para se concentrar exclusivamente na Copa do Brasil e no Brasileirão. No entanto, sem a Arena da Baixada, que passa por reformas para 2014, o Furacão perde força. Se não abrir o olho, volta à Série B.
- Vasco: Paulo Autuori terá que fazer mágica para extrair algo de bom do atual elenco do Vasco. Sem grandes reforços - a saída de André é reforço para o Santos -, o Gigante da Colina corre sério risco de rebaixamento em 2013. Além do elenco pífio, liderado pelo inconstante Carlos Alberto, o Vasco ainda conta com a diretoria mais incompetente do país. Só se salva com o bom trabalho do técnico e o apoio da torcida. É outro que, se não ficar esperto, joga a Série B em 2014.
- Criciúma: sem grande elenco, o Cricíuma é outro que sofrerá para permanecer na Série A neste ano. O time é repleto de jovens e a pouca experiência pode atrapalhar. As poucas peças de reposição são outro problema. Mesmo assim, tem um grupo mais entrosado que seus concorrentes diretos (abaixo) e deve apostar sua manutenção no conjunto.
- Náutico: a situação está feia para o Timbu. Nem mesmo no estadual conseguiu se sobressair, perdendo ainda nas semifinais para o Santa Cruz, que acabou campeão. A única esperança é fazer do Estádio dos Aflitos um verdadeiro caldeirão, conquistando o máximo possível de pontos em casa. Mesmo assim, ao que tudo indica, o Náutico deve passar a mandar seus jogos na nova ‘Arena’ Pernambuco. Ruim para o time, sério candidato ao rebaixamento.
- Portuguesa: sem grande elenco e com os problemas já conhecidos: torcida exigindo cabeças da diretoria e jogadores. Mesmo assim, foi campeã da Série A2 do Paulistão. Pouco para quem almeja algo no Brasileirão. O grupo modesto vai ter dificuldades frente aos adversários e vai precisar do apoio da torcida, no Canindé, se quiser sobreviver. Não creio que o terá.
- Bahia: Humilhado no estadual, com elenco desmontado e troca no comando técnico, o Bahia entra como rebaixado no Brasileirão. Terá que trabalhar, e muito, para permanecer. De positivo, pode ter só o retorno da Fonte Nova, com seus 55 mil lugares. O problema é saber se a torcida vai abraçar o time para mantê-lo na Série A.