axelhrtn·:
— flashback;
Não esperava que suas palavras funcionassem, contudo, não era como se tivesse outras para exteriorizar no momento, não tinha sequer argumento o suficiente que explicasse o que fizera. Cerrou os olhos assim que a voz magoada quebrou o silêncio da espera por uma réplica, um suspiro escapando dos lábios entreabertos ao voltar a mirar o rosto delicado contorcido em uma expressão diferente do que costumava ver. “É a única justificativa que tenho.” A soltura dos dizeres fora feito baixinha, tinha certo temor em a afastar se elevasse o tom. Contemplando a face entre suas mãos, questionando-o por um motivo, viu-se incapaz de fundamentar o que fizera, não tinha como explicar os atos impensados de uma noite embriagado; Axel não costumava refletir nas consequências de nada. As lágrimas que rolavam pela pele da jovem apenas o deixavam mais nervoso, não estava acostumado com aquilo e definitivamente não queria estar a fazendo chorar. “Porque eu sou um idiota, ok?” Retorquiu simplesmente, seus dígitos devagar deslizaram pelas lágrimas, limpando seus rastros devagar das feições alheias. “Não sei fazer isso, Lux, não sei como não ferrar as coisas e quanto mais eu tento, mais eu… me desculpa, tá legal? Eu juro que tô tentando não ser que nem meu pai.” Desceu o rosto para que juntasse as testas, seus lábios quase alcançando os dela, mas não o fez, ao invés disso, murmurou. “Vou tentar mais, eu prometo…” Axel não estava acostumado a implorar por nada, deixou a frieza característica em seu semblante de lado ao acrescentar, mantendo a distância entre as faces mínima. “Mas não termina comigo por causa de um erro estúpido, por favor.” Afinal, não queria perder o que tinham ou tornar-se o seu pai destruindo tudo ao seu redor, esperava fazer melhor que aquilo; esperava também não voltar a se sentir solitário do modo que sentia-se antes de Lux, não que alguma vez admitisse aquilo.
odiava estar naquela situação, não era do tipo que chorava por coisas banais como traição, sempre havia seguido em frente qualquer que fosse a mágoa. mas daquela vez era diferente, não esperava que ele realmente o fizesse, portanto não havia se preparado para a decepção que teria ao descobrir o que acontecia debaixo de seu nariz. ela não impediu que ele a tocasse, tampouco pareceu estar gostando, apenas parou ali, estática, encarando qualquer ponto que não fosse os olhos do namorado - ou seria ex? - ela já não sabia. “se não sabe, por que não terminou comigo logo? era fácil, axel, você só me dizer que queria sair com outras pessoas, não fazer isso enquanto ainda estava comigo.” a frase saíra quase como um sussurro de seus lábios, pois lhe doía dizer aquilo. terminar o relacionamento não havia passado por sua cabeça até esse momento, achava que estavam felizes afinal, nunca imaginou que seria o contrário. fechou os olhos assim que sentiu sua testa colar na dele, ainda sem querer encará-lo, já era constrangedor demais que ele a visse chorando daquele jeito, não podia deixar-se levar pelo olhar que sabia ter poder sobre si. “eu...” ela começou, mas percebeu que não sabia o que dizer. queria terminar? tudo estava tão confuso. “eu não sei.” disse por fim, meneando a cabeça devagar. suas mãos subiram até as dele, repousando ali por alguns segundos até tirá-las de seu rosto. ela afastou-se do toque alheio, virando de costas para que não o encarasse. “tem certeza que deveríamos continuar? depois disso? não existe mais confiança.”















