“Tento me manter sempre a mesma quando é sobre como lidar com pessoas rindo de mim.” o olhou de volta com um ar sério, porém sorriu também, cada vez mais percebia o quanto sentia falta do outro e de momentos descontraídos com ele. “Ah, ela ia conseguir lidar com as pessoas, é tipo ela ir pra outro ninho de cobras.” sua brincadeira saiu ácida, mesmo que não tivesse pensado muito ao falar. Seus olhos se desviaram dele assim que o ouviu, mantendo eles na paisagem em sua frente pensando sobre aquilo, suspirou antes de voltar a falar em um tom baixo. “Você consegue muito mais sendo um deles mesmo que de mentira, do que sendo uma empregada.” deu de ombros com a resposta simplificada. Só então voltou seu olhar para ele, de sobrancelha erguida com a justificativa dele. “Talvez pode não parecer, e eu entendo, mas eu não sou tão egoísta pra me aproximar de você porque quero ficar bem comigo mesma sem me importar realmente em como você fica nisso.” queria acreditar no que falava, até a pouco tempo achava isso, mas dada as circunstâncias, o nível de seu egoísmo não podia nem ser medido. Sentiu o gosto amargo com a lembrança, mas tentou voltar a focar apenas naquele momento. “Eu nunca menti pra você… e isso é algo considerando que minha vida é uma mentira, mas eu não mentiria pra você, jamais.” balançava a cabeça em negativa pra enfatizar o que dizia, era verdade afinal o que dizia, se desconsiderasse a aposta que era um caso extremo, fora isso, não mentiria para ele, lembrou no entanto de quando o encontrou no outro dia e franziu o cenho. “Ok, eu menti uma vez, eu esbarrei em você de propósito porque fiquei muito nervosa e não sabia como te chamar do nada então…” fez uma careta, esperava que ele não interpretasse mal, estava sendo sincera e sabia que talvez o esbarrão tivesse parecido estranho. “O que quero dizer é, eu quero de verdade, voltar a ser sua amiga, não por consciência ou sei lá, eu só… sinto muito a sua falta e quero você de novo na minha vida e em ta na sua vida. Talvez não dê pra ser como exatamente antes e eu vou entender, mas podemos ser algo novo.” soltou o ar ao terminar de falar, deixando a sugestão no final para caso ele não sentisse como se pudessem retornar com aquilo. Seus olhos se mantinham fixos nos do outro, atentos em como ele reagiria. “Você faz muita coisa, não sei como consegue.” comentou, mas logo sua expressão foi pra uma de preocupação. “O Zac ta bem?”
“Acho que devia ter um pouco mais de piedade.” O balancear de cabeça demonstrava certa indignação falsa, acrescentando ao sorriso brincalhão. “Nossa... Tá venenosa.” A risada acompanhou sua sentença, recordando dos momentos aos quais se juntavam para zombar dos outros riquinhos tão diferente à eles, era difícil em Lancaster encontrar pessoas que pudessem participar naquilo. Mesmo que, no final, Mia fingia encaixar-se em tal mundo. “Mas o que você consegue é de verdade? Se só tá conseguindo por fingir ser outra pessoa?” Questionou, sua face de seriedade demonstrava que não compreendia os atos alheios. Soltou o ar ao perceber o clima entre eles tornar-se denso à medida que adentravam no assunto temido. “Não pode me culpar por pensar isso, você não pareceu se importar muito como eu ficava nisso tudo antes.” As palavras eram sinceras, não estava tentando a atacar ou tornar aquilo uma briga, apenas preferia ser sincero e dizer o que passava em sua mente e tão reprimido em seu peito do que fingir que estava tudo bem. Observou as íris castanhas que o encaravam, tentando ver alguma sinceridade nesta, verdade era que Weston não sabia se podia confiar no que ela dizia, contudo, queria que ela estivesse sendo verdadeira, talvez por esse pensamento assentiu em concordância. “Eu acredito em você.” Ofereceu um pequeno riso nasalado com a próxima confissão de Mia. “Bem, eu vou ser sincero e dizer que desconfiei, foi muita coincidência.” De olhos estreitos observou-a se explicar, decidindo por dar um voto de confiança na mesma, afinal, não via razões para que ela estivesse tentando tanto se aproximar se não fosse por motivos genuínos. “Acho que podemos tentar, certo? Todo mundo merece uma segunda chance.” Enfeitou os lábios com um levíssimo sorriso. “Ah, ele tá bem, só tá tendo alguns problemas com a péssima acessibilidade pra cadeirantes na escola, disseram que iam fazer algo a respeito, mas sabe como é...”