Foi aqui que eu peguei ódio pela minha escrita, acho tão vergonhosa a forma que escrevo, tão sem emoção e vida. Mas meu maior ódio é pelos desenvolvimentos e acontecimentos, tão cringe 😩
As portas do aposento foram escancaradas de forma violenta por um homem loiro que estava ofegante. A leve brisa que adrentava pela sacada agitava as finas cortinas refrescando o quarto, em meio aos brancos lençóis desalinhados os respingos de tom carmesim e as pétalas douradas se sobressaiam, tudo estava calmo no cômodo que agora se encontrava vazio. Deu alguns passos pelo quarto, confuso, ainda tentando entender tudo o que se passava, se forçava a lembrar de alguma coisa que tenha acontecido para levar até aquilo, mas não se recordava de nada. Para ele era tudo tão repentino, mas não é exatamente assim que o seu irmão é? Alguém inconstante de ações imprevisíveis, Thor sempre o viu como uma tempestade de verão que chega de súbito, muda tudo rapidamente e some da mesma forma em que chegou. Mas nesses poucos dias Thor aprendeu que esse tipo de visão era equivocada, as tempestades podem até serem rapidas, mas é possível vê-las e formando no horizonte. E é justamente por isso que Thor tão avidamente buscava em suas memórias, os sinais estavam lá, ele só não os enchergava.
Ao ir para a varanda foi recebido pela suave brisa e o belo céu estrelado, era uma noite calma e agradável.
Vazio. Novamente estava tudo vazio, não importava onde procurasse ele não estaria lá, isso o frustrava e deixava seu coração cada vez mais pesado.
Sobre o resguardo da sacada repousava um livro acompanhando de muito mais pétalas ensanguentadas do que havia na cama, na capa o desenho de yggdrasil estava manchado de sangue, aquele era um livro do qual Thor se lembrava bem pois Loki sempre estava com ele durante sua infância.
Apertando o livro em suas mãos o loiro olhava para a cidade logo abaixo com um olhar inquieto, em seu pensamentos só se fazia uma pergunta: Para onde ele foi?
Deixou o livro no resguardo, respirou profundamente para se livrar dos pensamentos e voltar a procurá-lo, estava pronto pra chamar o martelo e voar sobre a cidade até que ouviu uma respiração ofegante que acabara de chegar ao cômodo, assim que se virou pode ver Sigyn apoiada na porta do quarto com um semblante tão preocupado quanto o seu. Antes que as palavras saíssem de sua boca ela o respondeu com um sinal negativo.
A resposta era amarga e o deixava cada vez mais inquieto, de seus punhos cerrados pequenas faíscas brilhavam.
— Sigyn você passou todos esses dias ao lado dele, deve saber de algum lugar em que Loki possa ter ido.
— Eu sei de alguns poucos, mas não tenho certeza se ele iria para qualquer um deles.
— Continue procurando nesses locais. Irei para a bifrost, em um estado tão fraco ele só conseguirá sair de Asgard se usá-la.
Thor não esperou por uma resposta, chamou Mjolnir e saiu sobrevoando a cidade de Asgad deixando para trás Sigyn no quarto vazio.
A luz da lua era a única ajuda que Sigyn tinha para iluminar seu caminho em meio a floresta, a tempos havia deixado o palácio montada em um cavalo para procurar Loki. A velha cabana era o único lugar que conseguia pensar onde ele estaria.
Quando passou por uma familiar árvore morta acelerou ainda mais o galope da montaria, em poucos minutos pode adentrar o pequeno descampado em meio a mata. Ao chegar na cabana desceu do cavalo e o deixou pastando ali.
Adentrou no casebre abandonado onde mais uma vez apenas o vazio a esperava. Ainda não se dando por vencida andou pela casa até chegar a porta dos fundos, assim que a abriu pode ver.
No meio do jardim, um homem de madeixas pretas como as penas de um corvo estava rodeado por lindos girassóis enquanto as pétalas soltas voavam no ar sendo carregadas pelo vento.
A voz de Sigyn saiu abafada quase como um sussurro.
No momento que ouviu o seu nome o homem se virou para a mulher que o chamou. O coração de Sigyn acelerou, sempre que o via isso acontecia.
— Por que você se foi? Você sumiu do banquete, te procuramos em todos os lugares.
Nenhuma resposta veio dos lábios do homem.
— Não Sigyn... eu decidi que não voltarei mais.
Demorou para que Sigyn o respondesse, pois o nó em sua garganta não permitia, o que criou esse nó não foram as palavras de Loki, mas sim a sua expressão. Ele parecia tão triste, solitário e ferido, doía vê-lo assim.
— Não posso mais permanecer aqui.
— Por que não pode? Você e Sif estão se dando bem, é só questão de tempo até... que os ramos... comecem a morrer...
Sigyn se interrompeu quando se deu conta de algo
— Loki, não é ela... quem você realmente ama?
Loki fechou os olhos e respirou fundo, só então ele os abriu, com um brilho triste no olhar ele fitava diretamente a mulher.
— Há muitos séculos atrás uma pessoa me trouxe a esse jardim, ela queria que eu também visse as flores, pois essas se tornaram as suas favorita. Vi-
Loki colocou uma mão no peito enquanto o seu rosto se contorcia de dor, logo em seguida tossiu pétalas como as das flores que o rodeava. Mesmo com a dor aguda ele continuou a falar.
— Visitamos muitas outras vezes esse lugar, mas com o passar do tempo as visitas se tornaram menos recorrentes, até que ela se esqueceu daqui. Porém eu não esqueci, não consegui, eu continuei voltando.
Após terminar de falar o homem caiu de joelhos abraçando o próprio corpo, mais lágrimas escorriam pelo seu rosto pálido à medida que vomitava as pétalas douradas. Vê-lo sofrer a machucava, ela simplesmente não conseguia deixá-lo.
— Loki por favor me deixe te ajudar, eu posso tirar as flores, você vai ficar bem. Eu prometo.
A voz dela saia em um tom triste e trêmulo, suas mãos suavam e o seu coração batia inconsolável. Ela sabia que a doença dele estava a um passo do terceiro estágio.
O moreno levantou a cabeça para a olhar nos olhos.
— E isso a qual custo? Ao custo das poucas memórias ao qual dou valor? Ao custo do único amor que já tive?
De olhos cerrados e com seu corpo já quase sem forças, ele a deu um sorriso amargo para ela.
— Sigyn, desista. Desista de mim como todos os outros, até eu mesmo já desisti. Não se importe comigo.
Seus olhos se fecharam por completo, seu corpo caiu pra frente, apenas para ser segurado pela mulher antes que atingisse o solo.
Com ele desacordado em seus braços ela deixou as lágrimas escorrerem pelo rosto. Chorou como não fazia a anos, um choro cheio de dor e melancolia.
Ela o deitou na grama do jardim. Assim pode admirar o rosto do homem enquanto passava os dedos pelas negras mexas.
— Não posso te deixar, por mais que tentasse nunca conseguiria.
Suas lágrimas molharam o rosto dele quando ela lhe deixou um beijo casto em seus lábios.
— Por favor me perdoe Loki.