Repertório infindável de dolorosas piadas
Aqui estou eu, mais uma vez, pensando em você. Acredito que eu esteja neste estado há, pelo menos, seis anos e nem sei quanto tempo irá perdurar, e se vou sair disso algum dia. Do fundo meu coração, eu queria muito não ter cruzado a linha, delimitar-me no meu canto, no meu quadrado, sem maiores aflições ou frustrações de se aventurar numa estrada de mão única.
A minha razão entende, mas o coração, não. A luta é incessante e eu me sinto cada vez mais ofegante em buscar algo que não encontra possibilidade neste mundo, ou nesta vida. Por vezes, eu penso que teria sido melhor ter me tratado mal, pois assim, o trabalho de te esquecer seria mais fácil e a dor abrasiva seria sentida de uma só vez. Mas, teu jeito único e cada característica que lhe é inata, não fez com que isso acontecesse. A tua gentileza se transformou em anestesia, fazendo com que a dor fosse sentida com menos intensidade, mas que perdura até o presente momento.
Surge em mim a vontade de lhe contar novamente sobre tais sentimentos, mas uma dúvida paira: será que você entenderia novamente? A estrutura que nos sustenta aguentaria mais este elemento ou partiria nos levando ao chão? Ou o pior cenário possível: você sairia de lá para não ter risco de se machucar?
Eu não sei mais o que fazer ou escrever para resolver essa questão.