XV – A Carta para Deus (02/05/2025)
[Parte cinco – 2025]
Estou tentando matar uma charada.
As palavras não vêm de forma fácil,
Mas os sentimentos, estes vêm de forma intensa.
As palavras deveriam me fazer feliz se eu passasse a brincar com elas.
Mas elas ficam em um documento digital enquanto o meu peito arde em chamas.
Não existe nada e ninguém ali, apenas um café e um cigarro mentolado.
Um espaço vazio dedicado às coisas que eu deveria amar mais.
Eu tentei recomeçar,
Reconectar.
Eu tentei.
Mas o arquétipo solitário ainda está aqui.
De todos os cortes vividos,
O pior deles é o medo das coisas que estou perdendo.
Fui ressuscitada várias vezes,
Das cinzas eu me coloco de pé.
Eu fingia que era menor,
Pois estaria em apuros se soubessem da minha grandeza.
Dessa forma, finjo que estou bem,
Pois se eles souberem, estarei em perigo iminente.
Estou confusa, com medo, mas tenho me comportado.
Eu sacrifiquei o que mais queria pensando que isto me faria ser a mais corajosa.
E desde que o bondoso pastor virou as costas para mim por causa de sua moral inquestionável e dos dízimos não pagos,
Eu parei de perder tempo.
Eu não digo nada a nenhum filósofo,
Eu falo diretamente com Deus e meus ancestrais.
Não dirijo a palavra a nenhum mortal.
Meu silêncio é ensurdecedor.
Você é bom em charadas?
Estou tentando matar uma.
Três palavras e duas sílabas.
Me disseram que não sou invencível.
Eu tenho vivido com a batalha perdida há muito tempo.
A guerra ainda está ali.
O mundo gigante parece mais opressor agora.
Todos os dias, eu faço um trabalho ingrato.
Enquanto assisto ao meu pai me apagar da vida dele,
Tal qual ele fez com o seu irmão.
O único caminho possível é passar pela provação,
E desta vez, eu me recuso a perder.
Eu me recuso a ser um joguete nas mãos do destino.
Me recuso a viver à mercê da hipocrisia
Dos sábios que mal seguem seus próprios ensinamentos.
Eu não tenho nada a perder.
Eu estou fingindo que esta aflição e angústia não estão me matando.
Eu estou fingindo que a solidão não está corroendo meus ossos,
Apenas porque esta é a única que conheço.
Eu sei como é estar sozinha.
A vida e o amor são meus direitos de nascença.
E dessa vez, clamo por ambos.
Eu estou farta de me sentir como um fardo,
E isso me deixa acordada à noite.
E toda vez que amo e me apego, todos vão embora.
E desde que o bondoso pastor virou as costas para mim por causa de sua moral inquestionável e dos dízimos não pagos,
Eu parei de perder tempo.
Você é cego ou o quê?
Não vê que estou sangrando?
Não estou fingindo, não é performance.
Consegue ver a súbita dor em meus olhos?
Consegue ver além do seu mundo?
Consegue ver que eu grito por ajuda em meu silêncio?
Você é bom em charadas?
Estou tentando matar uma.
Três palavras e duas sílabas.
Deus, em nome de Jesus, você está aí?
Quais lições você quer trazer agora?
Eu não quero me machucar e ficar bem tão rápido.
Eu não acho que eu precise me quebrar inteira e ser consertada.
Deus, eu te pedi a carreira, eu almejo a honra e o amor.
Meu desejo não é egoísta, a questão é que quero crescer.
Deus, eu não entendo.
Eu não compreendo os sinais e nem este afastamento.
Consigo assimilar os ensinamentos do tempo kairós,
Porém não dou a garantia da minha sobrevivência.
Contudo, existem duas coisas que quero e eu as terei.
Eu quero ser a maior estilista que este país já viu;
Meu compromisso é com a honra aos que vieram antes de mim.
Deus, eu quero ser amada. Não permita que eu seja deixada ao léu em uma vala.
Por favor, Deus, eu tenho um sinal em mãos e uma charada a resolver.
Ouça-me.
Três palavras e duas sílabas.













