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Opinião #7
Sandman Neil Gaiman
Terminei de ler a série principal de Sandman, do Neil Gaiman. As 75 edições mensais (+ algumas edições extras) foram compiladas nesses 4 tijolões com cerca de 1.7Kg cada um e um total de 2.458 páginas. Sandman originalmente foi publicado de Outubro de 1987 até Janeiro de 1996. Recentemente está sendo publicada a série em umas edições de capa cartonada em comemoração aos 30 anos da série (capas lindas por sinal).
Seria chover no molhado falar o quão genial e maravilhoso é essa série. Foi uma experiência de fato.
Eu apenas tinha lido alguns arcos e histórias fechadas e finalmente consegui ler tudo de uma só vez.
A cada fim de arco (são 10 no total) eu ouvia o podcast Os Escapistas. Eles fizeram uma série em que cada episódio (ou dois episódios) comentavam sobre um arco, acompanhando a publicação da edição de 30 anos aqui no Brasil. Além da análise super bem feita da história, eles fazem análise das capas e até diversas curiosidades e comentários sobre correlações de personagens. Muita coisa que eu não tinha me atentado fui saber ouvindo os episódios. Diversas vezes voltei nas páginas pra ver o que eles estavam comentando. Recomendo fortemente seguir eles.
Tá rolando gravação de uma série pela Netflix em que o próprio Neil Gaiman está envolvido. Torcer para chegar próximo do glamour dos quadrinhos.
Agora é recuperar o fôlego e embarcar na leitura das minisséries Noites Sem afim, Caçadores de Sonhos, Prelúdio e o spin-off da Morte. Bons sonhos.
Opinião #6
O Árabe do Futuro Riad Sattouf
É uma história em quadrinhos autobiográfica em que o escritor, Riad Sattouf, conta a sua história de vida. Riad Sattouf se tornou conhecido principalmente pelo seu trabalho na Charlie Hebdo (a revista francesa que sofreu atentado em 2015) durante 1 década. Recebeu duas vezes o prêmio principal do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, que é o maior festival de quadrinhos da Europa. Nasceu em 1978, na França. Filho de mãe francesa e pai sírio.
Aqui no Brasil foram lançados 3 volumes da história, separados por anos. O primeiro de 1978-1984, o segundo de 1984-1985 e o terceiro de 1985-1987. O nome para o título da história ele explica em uma entrevista para o jornal El País:
A ideia do título surgiu porque meu pai, que tinha uma origem muito pobre, conseguiu terminar seus estudos na França graças à escola e quis devolver ao mundo árabe o que ele considerava que este tinha lhe dado. Ou seja, queria contribuir para educar o árabe do amanhã... o árabe do futuro. Ele era partidário de um mundo aberto, livre da religião, mesmo sendo paradoxal, porque não era exatamente um democrata, podemos dizer que era uma espécie de fascista árabe, acreditava que a democracia não servia para nada, estava obcecado pelos governantes que controlavam seus países com mãos de ferro, como Gadafi, como Hafez al-Assad.
Os 3 volumes de ‘O Árabe do Futuro - Uma juventude no Oriente Médio (1978-1984)/(1984-1985)/(1984-1985)’ contam através dos olhos do pequeno Riad, a história do seu pai, Abdel-Razak, um sírio que foi para a universidade em Paris e lá conheceu Clementine. Seu pai aceita um trabalho para lecionar na Líbia e depois na Síria - os dois países estavam passando por severos regimes autoritários liderados por Muammar al-Gaddafi e Hafez al-Assad, respectivamente.
Um período nômade da vida do pequeno Riad, mostra todo o autoritarismo e religiosidade dos países islâmicos no qual ele passou a infância. A história tem um certo humor na hora de mostrar certas coisas, como as punições que os alunos levavam dos professores. As escolas doutrinam as crianças politicamente e religiosamente. Uma das coisas bem marcantes é ódio aos judeus e o racismo com os negros, dos moradores do vilarejo no qual viveu.
A dificuldade de se ajustar aos valores islâmicos e as crises de sua mãe, por não aguentar mais as restrições e condições precárias no vilarejo no qual vivem, são aspectos da história que a tornam mais palpáveis e até em alguns momentos identificáveis.
5 estrelas.
Segue links para a compra dos 3 volumes. Lembrando que comprando por estes links me ajuda bastante.
O Árabe do Futuro. Uma Juventude no Oriente Médio (1978-1984) https://amzn.to/2MM3sMH
O Árabe do Futuro 2. Uma Juventude no Oriente Médio (1984-1985) https://amzn.to/2sYAY9g
O Árabe do Futuro 3. Uma Juventude no Oriente Médio (1985-1987) https://amzn.to/2WA6eJy
REFERÊNCIAS
CAETANO, Maria João. Riad Sattouf aprendeu a ser o árabe do futuro na Síria dos anos 1980. Disponível em: https://www.dn.pt/artes/interior/riad-sattouf-aprendeu-a-ser-o-arabe-do-futuro-na-siria-dos-anos-1980-5464802.html. Acesso em: 01 fev 2019.
CHRISAFIS, Angelique. Riad Sattouf interview: ‘I didn’t want to be the guy of Arab origin who makes comics about Arab people’. Disponível em: https://www.theguardian.com/books/2016/sep/30/riad-sattouf-interview-graphic-novelist. Acesso em: 01 fev 2019.
DIAMOND, Ana. How A French Kid Tried to Assimilate in the Middle East. Disponível em: https://www.theatlantic.com/international/archive/2016/09/arab-of-the-future-syria-libya/497849/. Acesso em: 01 fev 2019.
THE ARAB OF THE FUTURE. THE ARAB OF THE FUTURE: A Childhood in the Middle East. Disponível em: http://thearabofthefuture.com/. Acesso em: 01 fev 2019.
Opinião #5
Em 2011 tive a oportunidade de ir no cinema Odeon - que é um cinema de rua aqui no Rio de Janeiro - assistir Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, do David Fischer. Curti pra caralho. Depois disso assisti o filme mais umas 3 vezes, pelos menos. Sempre que vejo acho ele incrível.
Algum tempo atrás tive a oportunidade de comprar a trilogia Millennium. Esse filme do David Fischer, foi baseado no primeiro livro da trilogia (cabe citar que o escritor original, o Stieg Larsson, morreu e após isso, continuam a franquia literária, ou seja, existem mais livros sobre a Millennium, mas que não são escritos pelo escritor original). Eu fiquei com esses livros guardados na prateleira por algum tempo, mais longo do que eu pensava, e enrolando para ler, pois são livros bem grandes e eu ficava pensada "bem, vou ler várias coisas mais curtas na frente e depois leio eles". Até que eu resolvi parar e ler de fato.
O primeiro livro, li lembrando de várias coisas que aconteceram no filme, achei que o filme fez uma adaptação bem legal do livro, apesar do livro ter detalhes excelentes. A trilogia Millennium são livros de investigação, e como o próprio título em português do primeiro, se trata de homens que não tem nenhum amor pelo sexo feminino. Hoje mais em aparente temos mais conversas sobre esse assunto, mas acredito eu que o Stieg Larsson quando concebeu os livros, além de uma história incrível, tinha uma série de denúncias de agressões que o sexo feminino foi sofrendo durante os séculos. No terceiro livro, há vários começos de capitulo falando sobre guerreiras que foram muito importantes para a defesa de cidades, que hoje são relegadas a notas de rodapé.
Sobre a história da trilogia. O primeiro livro tem inicio, meio e fim. Sobre a investigação de um suposto assassinato de uma sobrinha de um ricaço, que esta desaparecida há quase 40 anos. Os personagens principais na historia são o repórter Mikael Blomkvist, um dos sócios da revista mensal Millennium e a Lisbeth Salander, hacker e gênio. É basicamente um livro de investigação em que te prende em todo momento, e você não consegue parar de ler, sério. São descobertas improváveis que vão acontecendo, que vão te prendendo a cada pagina. Todo o livro é surpreendente. Não tem como ir citando partes do livro sem dar spoiler.
O segundo e o terceiro livro ALERTA DE SPOILER são uma história só. O final do segundo livro acaba em aberto, continuando no terceiro. Lisbeth após os acontecimentos do primeiro livro, está muito rica, dá um rolé pelo mundo. Voltando descobre que a Millennium está envolvida em uma matéria bombástica sobre trafico de mulher da ex-União Soviética para a Suécia. Nisso, o responsável pela matéria e futuro livro, é morto e também mais uma pessoa que era responsável por Lisbeth. Ela é imediatamente culpada pelos assassinatos. Esses dois livros abrem toda a vida de Lisbeth, desde uma infância horrível, o pai espancava a mãe e que depois ficou problemas cerebrais que a tornaram deficiente. Lisbeth foi internada numa clinica infantil, por motivo que você tem que ler no livro. É tudo incrível como o livro conta toda a história, te deixando vidrado com cada pagina.
Melhor leitura do ano, sem duvidas.
5 estrelas.
Lembrando. Sou associado da Amazon, se você comprar pelos meus links, além de ficar feliz com seus livros, me ajuda bastante.
Os Homens Que Não Amavam As Mulheres https://amzn.to/2s1U6TH
A Menina Que Brincava Com Fogo https://amzn.to/2rQPoI6
A Rainha do Castelo de Ar https://amzn.to/2V9c3gg
Opinião #4
Mulher-Maravilha George Pérez
A Mulher-Maravilha está bem em alta, com um filme de sucesso e vindo com histórias muito boas nos quadrinhos. Eu gostei muito da fase do Brian Azzarello e do Greg Rucka, que foram basicamente escritas de 2011 até 2017 (no meio disso outros escritores botaram a mão e escreveram coisas que eu não me interessei e não li).
Diana foi criada pelo doutor William Moulton Marston e sua primeira aparição foi na revista “All Star Comics” #8, em 1941. Na época foi estabelecido que ela foi moldada no barro e a deusa Afrodite deu vida a ela. Muita coisa continuo no cânone como por exemplo Steve Trevor caindo na ilha. Desde sua criação até o clássico absoluto, Crise nas Infinitas Terra, a princesa nunca teve histórias tão relevantes. Da década de 40 até a década de 80 teve altos e baixos nas suas histórias. Até que morreu e renasceu de forma espetacular nas mãos de George Pérez, que convenceu a DC Comics a cuidar do recomeço da Mulher-Maravilha. Pérez com a ajuda de outras pessoas tão competentes quanto ele, como Greg Potter, que somou a mitologia adicionando que as Amazonas eram reencarnação de mulheres assassinadas ao longo da pré-história.
Ao longo das edições 1 até a 24, Pérez trabalhou junto com Greg Potter, Len Wein e Karen Berger.
Um dos pontos bem interessantes foi mergulhar a fundo na mitologia grega, mostrando o panteão olimpiano e suas intrigas. O ponto alto dessa fase está no segundo volume, que reúne a história "Desafio dos Deuses", em que Diana é forçada a enfrentar monstros mitológicos. Sensacional.
Aqui no Brasil essa fase foi recentemente publicada em 4 volumes de capa mole. No "Lendas do Universo DC". A Panini está utilizando esse alcunha para publicar histórias clássicas da DC, para uma nova geração de leitores e de uma forma acessível e barata.
Segue links para a compra dos 4 volumes dessa fase maravilha. Lembrando que comprando por estes links, me ajuda bastante.
Mulher Maravilha, Vol. 1 - Lendas do Universo DC https://amzn.to/2BjErEz
Mulher Maravilha, Vol. 2 - Lendas do Universo DC https://amzn.to/2ToQF5X
Mulher Maravilha, Vol. 3 - Lendas do Universo DC https://amzn.to/2Khw930
Mulher Maravilha, Vol. 4 - Lendas do Universo DC https://amzn.to/2TuCWKy
Opinião #3
Justin Gauthier
Eu ouvi falar pela primeira da Gauthier no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) de 2018. Logo nas primeiras folheadas já me interessei pela obra.
O tema, mais atual impossível. ‘Justin’ é diferente de tudo o que eu já havia lido em quadrinhos até o momento. No quadrinho a Gauthier se propõe a falar sobre a questão de identidade de gênero (assunto bem em voga nos tempos de hoje). O assunto tem sido estudado, compreendido e muito tem se discutido a respeito. Tornar o tema um quadrinho, torna-o mais acessível para mais pessoas. A história é contada de forma fluida, um pouco rasa, mas mesmo assim sem perder a importância.
Na história Justine (depois Justin) nascida no sexo feminino, mas se identifica como sendo do sexo masculino. Um dos momentos do quadrinho o personagem até fala “todo mundo sabe que eu sou um menino, menos os meus pais”. A história mostra a luta de Justin para ser aceito socialmente. O enredo se propõe a informar que nem todas as pessoas têm o privilégio de se encaixar em uma caixinha
5 estrelas.
Recentemente me tornei associado da Amazon e estarei com certa frequência (espero) falando a respeito do que tenho lido e postando link para a compra do produto. Lembrando que comprando direto do meu link você vai estar me ajudando a ganhar uma pequena comissão.
Justin - https://amzn.to/2S56ld5
Opinião #2
Batman Tom King
Um dos escritores de quadrinho mais famosos no momento, é o famigerado Tom King. Meu primeiro contato com ele foi lendo O Xerife da Babilônia, que conta uma história situada em Bagdá pós-queda de Saddam Hussein. Muito se comenta sobre seu antigo emprego na CIA ter contribuído para a pegada realista na história policial. Após ler e me maravilhar com O Xerife da Babilônia, resolvi ir atrás de mais coisas do cara. Comecei a ler Senhor Milagre escrito por ele (por favor, leiam é maravilhoso. Mais para a frente preciso fazer uma resenha a respeito) e o Batman dele.
Batman dispensa apresentações. Veio de uma fase bem regular nas mãos do Scott Snyder, eu gosto bastante da Corte das Corujas e algumas coisas que foram feitas depois, mas em um geral, ficou bem aquém do que eu esperava.
Aqui no Brasil a fase do Tom King no herói, está saindo em uma revista mensal com apenas o título dela (quase não há mais mix de revistas nas bancas).
Minha expectativa nessa nova fase do Batman estava nas alturas. Na primeira edição me surpreendi, foi incrível aquilo que já me foi apresentado logo no comecinho. A aparição de novos poderosos tentando serem heróis, Gotham e Gotham Girl. Foram acontecendo momentos bem ok, até o fim do primeiro arco, na edição #6. Me deixando meio para baixo, pois minha expectativa estava bem alta. Os volumes seguintes, na minha humilde opinião, foram piorando. Desde duelo com o Bane, Coringa e Charada e um pedido de casamento para a Mulher-Gato.
O senhor King ainda está escrevendo as revistas e espero muito ainda me surpreender lendo, mas em um geral, tem sido uma leitura bem morna.
3 estrelas.
Se você ficou interessado em ler essa fase do Batman, compre pelos links abaixo, que me ajuda e você ainda consegue desfrutar da obra.
Batman, Vol. 1: I am Gotham https://amzn.to/2qbCXWB
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Batman, Vol. 3: I am Bane https://amzn.to/2Sgy6A0
Batman, Vol. 4: The War of Jokes and Riddles https://amzn.to/2D4wchP
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Batman, Vol. 6: Bride or Burglar https://amzn.to/2D1vEt5
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Opinião #1
Eu uso esse meu blog como um depósito de coisas que eu escrevi há um tempo, e coisas que escrevo bem de vez em quando. Um amigo me convidou para escrever resenhas de quadrinhos para um site que ele trabalha, mas apenas para 2019, como praticamente toda semana eu estou lendo algo, e é bem difícil de eu conseguir fazer uma resenha de algo que li meses antes, resolvi começar a treinar com essa fase do Punho de Ferro que acabei de ler e que gostei muito.
O Imortal Punho de Ferro Matt Fraction, Ed Brubaker e David Aja.
A fase do Fraction + Brubaker + Aja foi escrita entre os anos de 2006 até 2008 e reuniram 16 edições + 1 anual. Aqui no Brasil foi publicada tanto em um mix, tanto em 3 volumes encadernados. O que já chama atenção de primeira são as artes do David Aja, que são incríveis. Sempre levo em altíssima estima algo escrito pelo Matt Fraction, desde que eu li a fase dele no Gavião Arqueiro (também desenhada pelo David Aja).
A história se foca em mostrar o legado do manto do Punho de Ferro. Mostra diversos Punhos de Ferro do passado, inclusive uma mulher muito fodona. Um dos pontos mais importantes na história é contar a história do Randall, o Punho de Ferro anterior ao Danny, e que ele está diretamente ligado ao Danny, pois ele treinou o pai do Danny, e toda a fortuna da Corporação Rand veio do Randall.
Randall passou a vida toda fugindo. Ele acidentalmente matou uma das 7 armas imortais - existem 7 cidades celestiais, e cada cidade possui a sua arma imortal. Randall em algum momento conhece o pai do Danny, e logo se torna um tipo de mentor, conta para ele a respeito de K'un-L'un e tudo o mais.
Acontecem confrontos do Punho de Ferro contra o Serpente de Aço e contra a Hidra. A Hidra na história está tentando destruir com K’un-L’un, já que nesse período vai acontecer uma convergência em que as 7 cidades celestiais vão estar em uma espécie de sintonia. Quando acontece essa convergência, as cidades celebram realizando um torneio em que cada arma imortal de cada cidade lutam entre si.
Acontecem muitas coisas interessantes, mostra uma rebelião interna, com mulheres guerreiras, para derrubar o governante de K’un-L’un, que era corrupto. Até no final as armas imortais se unirem para derrubar os planos da Hidra.
Ótima leitura. Divertido, empolgante e se aprofunda bastante na mitologia do Punho de Ferro. Além de mostrar amigos do Danny, como o Luke Cage e a ex-namorada, Misty Knight.
5 estrelas.
Conversei: Rafael Parra (DEUSCASTIGA, Ataque Periférico, 43% Burnt Records)
Salve, Rafael! Nos conhecemos há pelo menos uns 7 anos. Na época você tocava no Ataque Periférico, que sou muito fã. Conte-me como foi à época com o Ataque. Pode crer né, Matheus? Faz muito tempo que a gente se conhece, desde aqueles shows na garagem de Realengo, né!? Era bem legal aquela época… Bom a época com o Ataque foi tudo! Praticamente tudo que eu conheço de banda e mundo eu aprendi naqueles anos, era muita correria! A gente curtia fazer e agitar as coisas, embora eu ainda ache que daria pra ter feito mais, mas a grosso modo: 1 demo, 2 discos, 1 tour na gringa, 2 tours no nordeste, 1 no sul, uma penca de shows em São Paulo, Minas Gerais e interior do Rio de Janeiro. Deu pra viver bastante e intensamente a banda. Ainda tem as amizades que ficam em todo o canto e com a galera da banda , Klotz e Valcimar, por exemplo, fazem parte do cotidiano do DEUSCASTIGA. Um é baixista e o outro está sempre que pode com a gente nos ensaios e ainda paga de produtor (risos). Brincadeira. Ele está firme na firma!
Sim, Garagem de Realengo! Era mesmo. Falando em Garagem de Realengo, lembro de ter assistido uma apresentação da DEUSCASTIGA ainda como uma dupla e sem vocalista, acho que em um show em tributo ao Raiva, se não me engano. Vocês chegaram a fazer mais algum show ainda como uma banda instrumental? Qual foi a motivação para por um vocalista?
Como dupla acho que fizemos 2 shows, ambos na garagem mesmo. Um com o Itsari, Indexterity e mais uma galera, e o outro foi com o Ayat Akrass. Infelizmente não tocamos no show do Raiva, acho que provavelmente não tocamos porque não queríamos tocar novamente na garagem e também nessa época a gente não estava na pegada de nada. A banda era mais um jeito de testar os equipamentos que a gente estava comprando pra montar o estúdio e passar o tempo! O Thiago não queria compromisso sério com banda naquele momento e eu tinha o Ataque que ocupava bastante do meu tempo. Quando o Ataque acabou eu resolvi que era hora de trazer o DEUSCASTIGA à tona porque o bagulho era muito intenso, eu e Thiago estávamos com tempo e já tínhamos a maioria dos sons que foram gravados no ‘Im Alive Fucking Dead’, só que antes da gente começar de vez e chamar o Anderson pra cantar, eu ainda inventei o Against, das cinzas do Ataque, éramos: Eu, Athos, Ricardo e Wagner, do Liberpensulo! Foi tudo muito rápido, gravamos uma demo, fizemos alguns shows memoráveis e acabamos do mesmo jeito que começamos, do nada!! (risadas). A motivação de colocar um vocalista foi de ter uma banda NORMAL mesmo, pois naquele momento a gente achou que dava pra ser uma “Banda Normal com bateria, baixo, vocal e guitarra” e tinha um brother que eu sabia que se animaria de tocar um grind! Nós já havíamos tocado juntos numa banda chamada ENFADO, na época que a galera de Bangu entrou de cabeça no grind, nós estávamos ali naquele turbilhão: Cripple Bastards e toda a qualidade de banda boa da época. Então conversei com o Thiago, que até então não conhecia muito bem o Anderson, e colocamos ele na banda… e de cara caiu como uma luva na parada.
Verdade, eu estava nesses dois, Ayat Akrass é muito bom! Lembro-me da Against. Vi um show lá na Planet Music e teve outro que tocamos juntos lá em São Gonçalo. Uma das músicas da Against tem até participação do Rodrigo, do Dead Fish, não é? Conheço também a Enfado, apesar de nunca ter assistido a um show. Mas e com relação a esse novo disco, quais são as expectativas? Isso, o Rodrigo participa sim… gravamos o vocal dele na cozinha da casa do Athos! Época legal… Bom, com relação ao disco novo do DEUSCASTIGA, a expectativa é de lançar e tocar bastante pra divulgar! Espero também que o pessoal curta assim como a galera dos selos curtiu! Já temos alguma coisa agendada, uma mini tour está por vir no sul* e uma mini tour aqui no rio* pra marcar o lançamento. Você está com um selo que é um dos envolvidos no lançamento do disco, qual foi o motivo de você ter montado o seu próprio selo?
Pensamos no selo (43% Burnt Records) para fomentar os nossos lançamentos, porque no começo desse projeto achamos que seria bem difícil arrumar algum selo pra nos ajudar na empreitada e tal. Também pra ter um controle maior da nossa discografia e um número de discos maior pra poder vender/trocar nos shows, isso juntando banda e selo. Acabou que, no meio do processo, arrumamos mais selos e patrocínios do que conseguiríamos imaginar! Foi ótimo porque a distribuição ficou bem ampla, abrangendo boa parte do Brasil, indo pra América do Sul e Europa.
Imagino. Sei como é complicado descolar selos pra financiar um lançamento. Obrigado pelo bate papo, rafa. Gostaria de deixar algum recado para os fãs da DEUSCASTIGA e/ou algum adendo que você gostaria de comunicar com relação a esse novo ciclo da banda.
Bom gostaria de agradecer o suporte dos selos envolvidos no lançamento: 43% Burnt Records (RJ)/Rotthenness Records (SP)/Terceiro Mundo Chaos Discos (PR)/Zuada Records (CE)/Noise Mesmo Records (MS)/BreakVuadô (RJ)/Guadalupe Distro Records (RJ)/Unundeux (ALE)/Crecerrecords (URU)/ParaTodxsTodo(ARG), e a todo mundo que curte a banda! O novo ciclo também chega junto com o single, que colocamos pra audição dia 15 de abril, pra quem ainda não escutou segue o nosso link!
http://deuscastiga.bandcamp.com/track/single
Entrevista feita em 04/2014, antes do início de ambas as tours.
Conversei: Gabriel ‘Bibo’, vocalista do Crime Passional
Conversei com o Gabriel “Bibo”, vocalista do conjunto de música roque Crime Passional a respeito do conjunto dele, sobre o EP que foi lançado virtualmente a cerca de 1 ano, sobre cena carioca e muito mais. Confiram:
Se passando 1 ano desde o lançamento do 1° EP do Crime Passional, quais tem sido as respostas do público com relação as canções? Então cara, eu tava ontem no ônibus pensando nisso. 1 ano do lançamento. As respostas foram bem positivas na época, muita gente de outros estados de alguma forma entraram em contato com o som e curtiram. Elogios que até hoje não entram na minha cabeça (risos). Mas o maior problema é que esse ano foi bem complicado pra banda. Logo depois do lançamento virtual do EP o Leandro se mudou, começou a preparar as coisas do casamento dele, a esposa do Jr ficou grávida, horários de trabalho não batendo. Ensaiamos umas 4 vezes esse ano (risos) tocamos poucas vezes. Então a divulgação “ao vivo” ficou meio abalada…
O EP se chama “Pathos”, qual o significado dessa palavra ? E o que quiseram transmitir através dela? “Pathos” é uma palavra de origem grega. Ela tem vários significados, entre eles “paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade, sofrimento ”, o conceito dela foi cunhado por Descartes para designar tudo o que se faz ou acontece de novo. Na época ainda não sabíamos qual seria o título do EP. Eu estava lendo algo que não me recordo agora e me deparei com a palavra. Na hora eu soube que o título título seria aquele. Tinha o lado positivo da nossa música e de nossos versos. Mas também tinha o lado que me atormenta. Falava de paixão, de sofrimento, de passagem… e já que era nosso primeiro lançamento, bateu com o conceito criado por Descartes. O Título não poderia ter sido outro.
Me lembro de ter assistido vocês pela primeira vez num concerto no Leo’s Bar em 2007, e te falar aquela apresentação foi linda. Esse ano o Crime tem feito poucas apresentações, mas não só o Crime, em geral os conjuntos aqui do RJ tem tocado pouco por aqui. Você acha que isso se deve ao que? E quais as diferenças você vê das apresentações do começo do conjunto com as de hoje em dia?
Pode crer cara, esse show no Leo’s Bar foi romântico demais. Inesquecível pra mim. Então cara, essa parada é complicada, são vários fatores. Pra começar temos perdido espaços para shows. No momento na capital do Rio acho que só temos a Planet Music em Cascadura e a Audio Rebel em Botafogo, são ótimos espaços. Sempre presencio shows lindos nessas casas. Mas infelizmente são lugares em que o capita capital pra se montar um show precisa mais elevado, acaba ficando difícil marcar muitos shows, colocar apenas bandas locais tocando… Outro fator é o público instável, impossível ter certeza se o show vai encher ou não. Infelizmente é preciso dinheiro pra fazer com que esses shows funcionam. Isso depende do público. Ninguém pode ficar colocando metade do salário pra montar uma parada que no fim vai acabar não se pagando. As diferenças? Pra mim continua sendo a mesma coisa. Minha terapia, a parada que me salva de ter a porra dum colapso nervo. Não importa onde, quantas pessoas estarão lá…
Encontrei com o Thiago “Professor” no começo do mês em Realengo, no concerto da A Marcha Das Árvores e num bate papo rápido com ele, ele me disse que o Crime tá preparando novas canções e que a pegada vai mudar. Você poderia falar um pouco sobre a nova proposta do conjunto? E quais são as novas influências?
Bom… é, as músicas parecem estar mudando um pouco… mas não é uma coisa pensada. No Crime a gente nunca teve essa de “porra, faz um riff tipo tal banda” ou “nego ta curtindo aquele lá, vamos mudar a direção” … Nós chegamos num ensaio e vamos construindo a parada no humor que cada um tá. Jr aparece com um riff, o Tiago já pira e mostra uma linha de bateria louca…ae vamos montando a parada dessa forma esquizofrénica aí. Mas o som novo tá mais experimental, músicas mais longas, passagem climáticas, uns instrumentos novos… Gosto quando o momento da música bate com o espírito do verso cantado e é isso que estamos procurando. A trilha sonora perfeita pras letras.
Me fale um pouco sobre o começo do conjunto, como o conjunto foi formado, se teve mudanças de integrantes nesses anos, qual foi a primeira proposta de som e as primeiras influências para vocês?
(Risos) O começo foi um caos, como tudo nessa banda. Sempre que eu encontrava com o Tiago a gente falava nesse projeto, ele já tocava bateria na Secreção , SxMxH e mais raramente na AP 202 e estava na pilha de tocar guitarra. Ele chamou o Rodolfo pra fazer um segundo vocal. Encontramos o Ricardo Fester -que na época tocava com o Ataque Periférico- pra ficar na bateria e fomos ensaiar. Todos nós já éramos amigos de anos então a parada fluiu lindamente. Eu tinha com vergonha de mostrar minhas letras então peguei o “Versos Íntimos” do Augusto dos Anjos e musicamos. Fechamos a músicas rapidamente e devemos ter deixo os vizinhos do Tiago transtornados.No ensaio seguinte o Tiago levou o Leandro pra tocar baixo, eles já tocavam juntos no AP 202. Tudo em família. Depois de um tempo o Ricardo saiu, chamamos um outro Thiago pra tocar, esse tocava na Pau de Sebo e na Uzômi. Ele fez um show com a gente e saiu. Tiago, na sua eterna maldição, largou a guitarra e foi pra bateria e o Leandro ficou um bom tempo tocando guitarra. Tocamos bastante assim, sem baixo. Um tempo depois fechamos com o Jr -guitarra/vocal da Secreção- e o muleque chegou na vontade mostrando vários riffs.O Som foi dando uma mudada conforme trocávamos bateristas. Ricardo era mais Hardcore -Fase “A Tua Hora”-, Thiago era mais do Grind -Fase “Cinza”- e o Tiago é essa mistura da porra, aqueles tempos quebrados insanos, Björk, Deftones…. a gente ouvindo Pig Destroyer e Converge. Rodolfo fã pra caralho da Zao. Mais tarde eu e Tiago pirando nos últimos discos da Isis…
Em falar em Converge…tava olhando o Last Fm do Crime Passional um dia desses, e nos recados vi que um carinha comentou “converge brasileiro”. Acha que a comparação é verdadeira? E se for, como se sente seu conjunto sendo comparado a um grande conjunto como o Converge ?
(Risos) Porra cara, Converge é minha banda favorita -Juntos com o Sigur Rós- Elogio maior pra minha banda não poderia existir-MUITO obrigado cara! (risos)-, mas porra, não tem nem como comparar, aquilo não é uma banda, é uma força da natureza. A parada é tensa tanto no som -aquela agressividade e sofrimento colossais- quanto na parte lírica, as letras do Jacob Bannon são de uma sinceridade e poder incríveis. Ninguém chega aos pés desses caras.
E pra finalizar, fala alguma coisa pra quem curte a banda.
Porra, sempre fui péssimo pra isso.Obrigado a todos que já gritaram conosco, todos que se arrebentaram no moshpit enquanto tocávamos. A todos que de alguma forma se identificaram e sentiram verdade no que nós fazemos. Obrigado mesmo! E pra quem não conhece o som e ficou afim: Download do EP http://www.mediafire.com/?y07fxy5tmtxdu6w http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=37424946
Essa entrevista foi feita em 12/2010.
Release para a Corcel Mágico
No inverno de 2011, ouvindo Beatles, surgiu no Vinicius, uma vontade de fazer uma música simples e sincera. Dênis após um tempo no Texas, retornou ao Brasil com diversas influências musicais do estado texano. Conversando com o seu irmão, Vinicius, resolveram que seria muito interessante compor músicas que remetessem a dias mais tranquilos e confortáveis. O Bluegrass e o Folk, pela sua sinceridade , foram os elementos chaves para o então conjunto sem nome.
O conjunto estava tomando forma, mas ainda faltava elementos, para encorpar esse caldo. A buscar por um tecladista, os levaram diretamente ao Marcelo, que entrou para essa sopa, dando mais sabor. Mas ainda faltava os últimos condimentos, para dar um sabor especial. Assim surge, Thiago ‘Presunto’, um amigo de longa data, que veio para fechar a panela, com o seu violão & ukulele.
Os primeiros ensaios sempre aconteciam nas madrugadas, e após algumas cervejas, surgia sempre alguns amigos em um Corcel 2, assim tornando ainda mais agradáveis esses dias de inverno. Como homenagem a esses dias, o então conjunto sem nome, foi batizado de Corcel Mágico. Assim dando um toque lúdico a um carro tão charmoso.
O Corcel Mágico agora está em movimento pelas ruas mal asfaltadas de Guadalupe, seguindo o seu caminho sinuoso.
. https://corcelmagico.bandcamp.com/
A Vida Seria Melhor, Se Não Fosse Diária
A vida seria melhor Se as pessoas aprendessem a sofrer em silêncio Assim, Deixando que os maus momentos Passem como folhas secas ao vento. Não queria, Mas sempre acabo com a impressão de que Todos esses momentos vão ser perdidos no tempo, Como lágrimas na chuva de verão. Não sei bem como os sonhos começam, Só sei que sempre sou pego de surpresa. Sonho com os piqueniques de inverno, Em que quando te abraçava Não era mais seguro Mas me sentia bem melhor. Pena que eles nunca mais aconteceram. Andando pelas ruas escuras de Guadalupe A gente se sente meio assim, Solitário, Sozinho.
. https://amarchadasarvores.bandcamp.com/track/a-vida-seria-melhor-se-n-o-fosse-di-ria
Não Serve De Nada Falar Das Coisas Que Ninguém Pode Mudar
Sentado em seu pequeno apartamento Pensando no por que tudo tem dado tão errado Mais um passo em falso O céu está mais uma vez cinza. Só sente falta das coisas boas Com a ausência delas Da falta de um abraço, Um riso, Diariamente um risco Mas tudo tem se resumido A mais um comercial “Mais uma chamada para ser feliz” Não fique triste pois não serve de nada Falar das coisas que ninguém pode mudar. Não há escolha feliz, Somente a menos dolorosa.
. https://amarchadasarvores.bandcamp.com/track/n-o-serve-de-nada-falar-das-coisas-que-ningu-m-pode-mudar
É Sempre Tarde Demais Para Pedir Desculpas
As coisas mudam, eu sei Seres vivos não podem ser simplesmente substituídos, Eu penso. Mas a vida me mostrou que podem sim Foi como se um dos meus pilares de fé tivessem se desfeito em pó. É sempre tarde demais para pedir desculpas, Mas eu agradeço. O que estiver acontecendo Pode ser resolvido Depois de algumas panquecas. Foi se desgastando lentamente Até que um dia, Como sempre parece acontecer, Chegou ao fim. Sera que estou fadado ao eterno retorno, De ter que repetir sempre os mesmos erros, Os mesmos tropeços?
. https://amarchadasarvores.bandcamp.com/track/sempre-tarde-demais-para-pedir-desculpas
Espaços Vazios da Minha Existência
Viver está cada vez mais complicado É muita senha para decorar, Muita opção, E muita conta para pagar. Carros não param de buzinar A cada esquina é um novo papel Para me entregar E os lixos nas calçadas À espera de alguém que o recolha. Acho que a vida é assim mesmo, Uma longa série de acontecimentos Que nunca ocorrem da maneira que esperamos E muito impróvavel, Pelo pouco que a conheço. Me agarro as pequenas alegrias Às vezes elas parecem preencher Os espaços vazios da minha existência Alguns, nem todos.
. https://amarchadasarvores.bandcamp.com/track/espa-os-vazios-da-minha-exist-ncia
A Obrigação Acabou Com a Minha Boa Vontade
Eu sei que nem sempre faço o certo Mas pode acreditar que tenho boas intenções As circunstâncias me levaram a agir dessa forma Difícil é ser uma pessoa com princípios Sou fruto de tudo o que já passei Um pedaço dos amigos do passado Mas hoje trilhamos outros caminhos No fundo sempre soube que seria assim Se não der certo, tudo bem, (Quero fazer por amor) Eu sei que pelo menos eu tentei (E não por obrigação) Se errei, sinto muito, É difícil fazer por amor Querem sempre te deturpar, Te dizer que não vai dar Se não der certo, tudo bem, (Quero fazer por amor) Eu sei que pelo menos eu tentei (E não por obrigação)
. https://amarchadasarvores.bandcamp.com/track/a-obriga-o-acabou-com-a-minha-boa-vontade