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te vi na rua ontem.
essa foi a primeira vez
depois da última vez.
a trilha sonora
a chuva, o vento
e o eco de ti,
da tua presença
que nunca sumiu.
a música cresce
e uma imensa vontade
de ir pra longe de ti
você apenas observa
e uma imensa vontade
de ficar perto de ti
mas bem no fundo
eu sempre soube,
e ainda não esqueci,
que nunca te conheci
e a figura que dizia me amar
mesma que ontem quis olhar
nunca foi você de fato
era apenas um idealismo
um retrato quase perfeito
de quem eu quis imperfeito...
mas foi tu quem quis mostrar!
e na última vez,
após a última vez,
antes da última vez,
eu só cruzei a rua.
– Pê Fraiz (fraizteconta)
Pobre
eu nasci branco, mas em um lar pobre, e pra lhe ser franco as vezes ninguém descobre.
se eu chego quietinho e não falo com ninguém, me mantendo no cantinho, fico longe do desdém.
Mas se eu for falar da dor do medo, frio ou fome logo nota-se o horror e em pouco tudo consome.
não importa o linguajar, e nem mesmo este ar nobre: "não me importo se és poeta, continuas sendo pobre".
mas meu discurso é preciso, e não escondo de ninguém: num lar pobre com amor, só do amor eu sou refém!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
amor da vida?
com quantas decepções
se faz um “amor da vida”?
somente uma despedida
ou, talvez, alguns perdões?
– Pê Fraiz (fraizteconta)
eu confesso, tua partida doeu. mesmo vendo nos teus olhos, toda vez que dizia me amar, que tudo era só um truque para me fazer acreditar…
eu sabia que era só mais um.
– Pê Fraiz (fraizteconta)
se você lembrar de mim
num segundo desatento
não pense que o nosso fim
foi o meu maior tormento.
caso queira me ligar
pra contar sobre seu dia,
nem precisa hesitar
ou render a agonia.
me conta do teu jardim,
da tua mãe, do teu cachorro.
só não lembre nosso fim,
pois se eu lembro, eu morro.
de novo, e de novo e de novo.
– Pê Fraiz (fraizteconta)
and not even Shakespeare
can take a cup of beer
and still stay here
watching you disappear
(and don't try interfere)
– Pê Fraiz (fraizteconta)
e se não for pra ser,
por mim não tem problema:
ainda que acabe o amor,
pra sempre seremos poema!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
instáveis instantes
somos instáveis instantes.
e em meio a incontáveis,
mas ainda inconstantes,
momentos tão notáveis,
como destes tais amantes,
nos tornamos inquebráveis,
mesmo ainda tão distantes.
– Pê Fraiz (fraizteconta)
meu afeto
te afeta
ou te afasta?
– Pê Fraiz (fraizteconta)
penso, logo incito.
e se eu brindo
ao teu fracasso,
só finjo, não disfarço:
ainda estou fugindo
da falta do teu abraço.
quem me dera não lembrar!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
mas afinal, o que é lar?
será mais do que morar?
é sobre ser ou sobre estar?
ou quem sabe, algo similar
a um lugar para acreditar
que enfim pertencemos
e dessa vez, ao menos,
não precisemos anunciar
a partida pru’m outro lugar
que enfim possa nos alentar…
– Pê Fraiz (fraizteconta)
já não tenho palavras.
e mesmo odiando o silêncio
não posso suportar a falta
da tua voz no meu quarto
(que agora nem sei se existiu).
então me resta gritar
teu nome e o meu
para lua e as estrelas,
além de cada pessoa
que ousar cruzar
o caminho de alguém
que já morreu de amor
mas continua vivendo.
sobrevivendo!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
eu até tento,
mas não consigo
gostar de coisas mornas:
quero café queimando a língua
e amor ardendo o peito.
e o café bom de verdade
é igual amor que arde:
te desperta, não apaga!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
não preciso de poema
pra dizer o que me dói,
ou então que me constrói.
a dor eu conheço: corrói.
e a minha história?
essa pouco importa,
mas me fiz herói!
– Pê Fraiz (fraizteconta)
não faço ideia de quem sou,
mas sei de todos os que já fui...
– Pê Fraiz (fraizteconta)
expectativa:
ansiar por tua volta
e odiar a tua partida
– Pê Fraiz (fraizteconta)