MATTHIAS BARUCH tem 31 anos e se vocĂȘ reparar, seu sotaque denuncia que veio de BERLIM. Atualmente, estĂĄ trabalhando como ESCRITOR. HĂĄ boatos que sua semelhança com MAX RIEMELT Ă© absurda, mas nĂŁo concordo totalmente.
A verdade Ă© que Matthias nĂŁo sabe ao certo quando seus pais começaram a se distanciar. As lembranças de passeios e brincadeiras com os dois adultos sĂŁo vĂvidas e vĂŁo atĂ© quando tinha seus seis, sete anos. Depois de entĂŁo, eles simplesmente passaram a o ignorar, a deixĂĄ-lo de lado. As fĂ©rias eram passadas em casa ou entĂŁo o mandavam para a casa dos avĂłs, haviam semanas que o menino mal os via em casa. Quando deu por si, a mĂŁe entrava na mansĂŁo gigantesca carregando um pacotinho, uma manta cor de rosa com um bebĂȘ. A primeira vista foi estranho, afinal, sequer sabia que havia uma irmĂŁzinha a caminho, todavia, com a ausĂȘncia dos adultos, isso nĂŁo era lĂĄ de se espantar.  Em meio a toda aquele sumiço dos pais, Matthias desenvolveu maneiras de abafar a falta que sentia. O garoto fazia questĂŁo de passar horas e horas pintando ou escrevendo. Suas histĂłrias mirabolantes vinham da imaginação fĂ©rtil. Mundos, planetas e universos eram inventados na hora e passados para o papel, os desenhos feitos coloridos logo em seguida. Com seus nove anos, montou o primeiro livro ao qual orgulhara-se tanto que tentou mostrar para a mĂŁe. A mulher, porĂ©m, ao ver aquilo, mandou-o procurar algo decente para fazer e tratou de o matricular numa escola de mĂșsica. Matt odiava. Ele odiava cada segundo que era perdido com aqueles instrumentos ao invĂ©s de estar apenas com seus contos.
Mesmo assim, aprendeu a tocar violĂŁo e piano, venceu alguns concursos estaduais que o conservatĂłrio o colocava, sĂł que nĂŁo era isso que o pequeno queria. Em todas oportunidades que tinha, ao criar uma mĂșsica, fazia pensando em quais letras ficariam boas para combinar com suas histĂłrias. Quando finalmente conseguiu ver-se com mais tempo livre, passou a gastĂĄ-lo com a irmĂŁ caçula. A menina era deveras diferente de si, mas, mesmo assim, Matt fazia questĂŁo de estar por perto, diferentemente de seus pais que os deixavam por conta prĂłpria ou das babĂĄs. As aventuras que criava agora eram contadas apenas para a irmĂŁzinha, apesar desta parecer quase sempre mais focada em suas roupas e brinquedos.  Mas foi com o passar do tempo que Matthias decidiu que aquilo que um dia sua mĂŁe desprezou, era o que ele queria fazer para ganhar seu prĂłprio dinheiro. Sabendo de seu prĂłprio potencial, apesar da insegurança de mostrar o que fazia, Matt, com dezesseis anos, começou a escrever o primeiro livro do que deveria ser uma sĂ©rie com cinco. De inĂcio, ninguĂ©m lhe dava crĂ©dito pois ele via como do gĂȘnero infanto-juvenil e aquela faixa etĂĄria mal parava para ler a sinopse de um filme, quanto mais realmente ler um livro? Mas ele nĂŁo desistiu, escreveu os dois primeiros e começou a, sozinho, procurar uma editora que quisesse o lançar. Por trĂȘs anos, nada ele conseguiu. Todavia, nunca desistindo, acabou achando um agente que apostou suas fichas naquela histĂłria e batalhou por meses atĂ© que seu sonho tornou-se realidade. A propaganda feita gerou tanto barulho no pĂșblico alvo que o lançamento precisou ser adiantado, misturar mitologia com os temas atuais parecia ser um acerto do jovem escritor. A partir de entĂŁo, Matthias nĂŁo parou mais de escrever.
O Ășnico problema foi o escĂąndalo que envolveu-se. Para um autor de livros para adolescentes, era crucial que permanecesse fora dos tablĂłides com notĂcias ruins, quando seu nome apareceu associado com um casamento abrupto em Las Vegas, o homem arrumou suas malas e partiu para uma cidade afastada a conselho de seu agente. Floremont viria a ser seu novo lar, abafar aquela notĂcia era prioridade embora parecesse tĂŁo difĂcil. O lugar era afastado de tudo, a mĂdia das fofocas nĂŁo prestaria atenção em uma cidadezinha tĂŁo tranquila, seu agente tinha mesmo acertado, era perfeito.
Sua persistĂȘncia Ă© facilmente confundida com a teimosia, que tambĂ©m Ă© uma das caracterĂsticas marcantes do jovem, junto Ă tagarelice e a astĂșcia. O homem Ă© uma completa contradição, um furacĂŁo de sentimentos e humores que estĂŁo constantemente mudando, uma perfeita bomba relĂłgio que parece estar sempre a ponto de explodir. Uma pessoa cheia de vida, sempre pronta para defender alguĂ©m ou começar uma guerra. Ă completamente desbocado, uma bagunça ambulante.