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@meansaloha
me recordo dos dias em que tentávamos decifrar qual motivo nos faria parar de conversar e riamos de achar absurdo. nos dias seguintes, a angustia batia pelo medo de viver um sem o outro, revirando em nós motivos para permanecer. no mês seguinte, a certeza do amor acalmava o coração apertado e o carinho constante mantia uma grande chama acessa.
um ano se passou e me pergunto: onde foi que tudo mudou?
sei ser só
mas só com você
sou eu
as curvas do seu cabelo chamavam me pra afundar as minhas mãos. em atos inconsequentes, afundei me em você e nas curvas do seu corpo. a cada nova volta, pego me querendo mais e, loop após loop, vejo a queda em uma espiral sem fim e sem destino.
seu simples traço
fez em mim um laço
sem nem um compasso
de ti quero todo o maço
a cada vez que trago
um novo ato
que em ti me desfaço
saudade do seu contato
esconde meu rosto
na curva do teu pescoço
pra me (re)lembrar
o gosto de viver
fica mais um pouco
e sustenta meu corpo
antes mesmo de eu cair
não queria te deixar
não quis ir
mas aprendi a me amar
ontem a gente dormiu tarde, ficou de papo até cair no sono. percebi que durmo melhor quando escuto sua respiração do outro lado. deve ser coisa da cabeça, porque nunca vi um amor tomar conta do corpo. se bem que tem toda essa tremedeira que só você provoca, de borboleta no estômago à boca seca e ofegante. de certo esse amor corre nas minhas veias, toma conta das minhas células e comanda meus movimentos.
esse amor me habita e nos fez lar.
i
quando me jogo nos teus braços
e você me prende
fico rezando baixinho
para que nunca me solte
hoje tu apareceu.
como uma luz no fim do túnel, tu estava lá. a esperança que meus dias agoniados esperavam e, quando entrelaçou tuas mãos nas minhas, senti que nada mais iria me atingir.
naqueles segundos eu era indestrutível.
como alguém que me destruiu me fez sentir indestrutível?
o brilho do meus olhos ao olhar os teus não são paixão
são todas as lagrimas amarradas, engolidas, escondidas
lagrimas pela negação
lagrimas de solidão
casa:
lugar dentro dos teus braços
no encontro de nossos corpos
de onde saí, ainda que quisesse ficar
até teu silencio nas noites escuras, em que não temos nada além de nós, me faz sorrir
A verdade maria, é que somos seres frágeis exaustos e propensos a solidão.