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@mecarreguecontigo
, amor
Chega aqui pertinho. No meu peito, amor. Vê? Ouve?
Escosta o ouvido, amor. Sente que o ar entra em em mim e meu peito flexibiliza. Percebe que o sangue flui
é coração
é amor, amor.
Isso, segura minhas costas e deixa derriar minha cabeça.
Deixa eu sentir minha barriga quente na tua quentinha e trançar minhas pernas nas tuas e não te deixar jamais ir.
Que barulho além do teu ar entrando na minha vida? Parece que não tem mundo nem tem chão. É tu comigo e "sem tigo" não existe outro querer.
Deita aqui, amor. Tu é muito grande. Eu pareço um gato em ti. Lembro que tu disse que podia arranhar. Quis dizer-me que és meu?
Vou encostar em ti, amor, mas não estranha meus sustos dormindo. É que dá choque quando fecho o olho e te vejo só comigo.
O que houve, amor? Parece que não tem cama, é nuvem nas tuas costas e tuas mãos nas minhas. Parece que tudo é luva macia e eu sinto tua barba aspera mostrando que és o homem que eu queria.
Fecha o olho, amor. Me deixa derramar em ti o que tu transborda em mim.
Fica aqui, amor. Tu quer e eu quero, há de ser.
Cleópatra Loiola
A vida neste quarteirão me é estranha a ponto de meus quereres serem novidade e a tê-los que moldar para caber nas horas dos dias por aqui. Acho graça até mesmo do café que já me é costume e finjo não ligar. Acho graça pra não achar pior, pra não ferrar todos no bom dia. Há quantos dias cheguei? Não tem uma semana e sinto que devo me reitrar. Parece piada olhar os lados dessa caixa de estupidez. E se é piada vou rir enquanto não consigo sumir assim.
Tu estavas nas orações de minha mãe pedindo que um dia eu amasse e que tivesse alguém para me amar de volta.
Eu estava cá na minha espera de que eu conseguisse dar a mão alguém
que não sentisse vontade ou supetão no braço
de recolher
a mão
recolher o braço
recolher
tudo
ir-me embora
porque mesmo quando as vezes eu queria ficar me sentia tão mal
era melhor ir.
Antes de te ver eu estava
em todos aqueles dias
em que eu pensava que não haveria ninguém
ninguém
jamais
para fazer companhia
em todas as tardes.
Antes de te sentir perto
tava em todos aqueles dias em que eu olhava e pensava que talvez a poesia tenha me afetado demais
de que eu talvez fosse infantil demais
adolescente demais mesmo já tendo passado dos 20
mesmo achando que os 30 já estão bem aí.
Tu está agora
em tudo
que começa
a ter sentido.
Cleópatra Loiola
Meu amor é o mais lindo de todos da terra
E tem os olhos cor de gato
Cor de amor eterno
Cor de mim
Meu amor tem o braço forte de amor que fica
De amor que está
De amor que vai ficar
Meu amor tem cheiro
Tem gosto em meus dedos
Estranho, mãe, sempre pensei no gosto do amor e sinto que agora a lingua não está dormente.
Meu amor é o mais lindo do mundo
E por isso meu
Só por isso nós
É tudo isso
E sendo mais lindo
Por isso quero.
Cleópatra Loiola
ce sabe que num é só cadim
saudade bruta e tua voz engraçada
que parece ressoar dentro de mim
tuas sardas que pregaram nos meus lábios com tantos beijinhos
esse teu coração vaidoso
esse meu desesperado
esse teu coração manhoso
esse meu que entreguei com as mãos e beijado
cadê teus olhos pequenos e tua raiva besta
tá do lado da saudade
cadê teu cheiro
tá estampado em mim
teu nome saindo da pontinha do meu.
Fiquei sentada na tua frente por algumas horas. Observei cada sinal do rosto e tu começastes, mais uma vez, a explicar o porque não. A fragilidade da vida que tu levas nas costas e o peso que mesmo assim ela tem. "Eu te amo. Eu acho que eu te amo. Eu cheguei a conclusão que te amo." Parecia que metia os dedos nos meus olhos e no peito três facas afiadas.
Ardeu como brasa nas mãos o que tu jogavas ali na tua infinita e cruel sinceridade. O cômodo que tu escolheste e a vida morna. Tudo que tem lá que tem gosto de água morna com um tico de sal. O vento que some do teu quarto, a comida forçada, o cabelo loiro, as toalhas estendidas, o vulto que me machuca. Espera, não é a parte que falo de mim. Ainda é sobre ti. Continuando... A bebida paga uma vez por semana, o presente novo, a oportunidade de ser levado como filho abandonado e agora amado. A suposta dor ao me ver. A escolha que tu não fazes.
Engoli quente e no estômago esfriou. Subia a fumaça da lavra chegando ao mar. Eu não posso abrir a boca e te falar do meu infinito. És tão covarde que pareceria propaganda e convencimento, e meu bem, jamais espere de mim a dureza e o vexame. Não é orgulho demais, é disposição de menos e a visão que aprendi a ter. Nestas horas que tu esteve na minha cadeira, sob minha luz e a par das minhas horas tu não enxergaste um palmo a frente do teu corpo de menino fugitivo.
Eu bem cansei da dor que sinto ou que inventei sobre de ti. Como posso abrir o peito pra um amor tão ardeloso e caseiro? Quantos filmes assististe comigo? Quantos passeios de dedinhos dados? Quantos cortes de cabelo tu te apaixonaste em mim? Tu explodes de carinho comigo para depois deitar-se com ela pela história pra contar? Como durmo na terça cheia de raiva e esperança? Eu não quero mais tê-la. A esperança.
O amor louco que fizemos e que teus olhos entraram em mim mais que teu pau. De que serviu? Tenho ódio dos dias. Tenho ódio das janelas e das distâncias. Das chaves na escrivania e do celular no chão. Da poeira acumulada na tua casa sem mãe, no teu peito gelado. Os limites da minha cama e do meu sexo... não quero mais perdê-los. Teu sentir é uma porcaria de piscina rasa de plástico.
É o amor pimenta. Engana de sabor, e às vezes toma também o gosto de tudo.
Cleópatra Loiola
As costas de gata zangada arquejam. Disfarço no olhar e no sorriso perdido.
Mais um macho que perde seu tempo tentando me dobrar e gozando de seu falso sucesso. Me sinto deusa das dores que não tenho culpa mas que enxergo. Eu já salvo o mundo demais... hoje não.
A raiva subindo nas costas estremece minha mandíbula. Tem cerveja? Por favor, muito obrigada. Quase explodo.
Olho pra cada um e sei o que pensam e o que fingem. Reconheçam.
Sei do fim de cada homem que amei. Eu desisti de todos. Calada doeu e calada sumi. Sempre fui um vício. Me ter é árduo e me perder mais ainda. Não vingo, acho estúpido. Mas vejo cada detalhe de uma distância perfeita.
Sozinha sorrio de cada coisa que se passa e me asseguro de que estou ótima, mas preciso sair daqui.
Cleópatra Loiola
Homem nenhum me dobra à infelicidade.
E, se conseguir por um momento, descubro e vou embora tão de súbito que a saudade de mim será teu pior tormento.
Hoje sou maldita.
Cleópatra Loiola
Angústia parece ter 90kgs sentada no meu peito.
Penso que deveria dormir por anos e refazer a vida. Quando desperto da dor, percebo que as forças ainda não são escassas, mas minhas lágrimas já mancharam todas minhas blusas.
Não consigo mais sair de casa sem lembrar que não queria. A cama, o quarto, o cachorro, o sono, a dor nas costas, a água com gosto de geladeira, o cigarro na janela... Não decido qual o mais triste, qual o mais cômodo.
Levantei há pouco e fingi leveza. Carreguei a chave de casa e limpei os pés na hora de sair. Este apartamento ja devia ter explodido com meus medos dentro. Aquela porcaria de sofá só cabe ali, esta mesa não pega sol, esses livros não têm onde ficar. Pai, me compra tinta pra mudar a cozinha? Mas eu não queria te pedir mais nada. Esquece.
Parei de comprar band-aid e deveria ter me jogado pra vida. Não sei quem habita neste corpo, que ódios exala, que amor recebe, que amor dá, o que come, que hora eu durmo, cadê minha rede rosa, não quero beber assim.
Às 02:23 da manhã contorço meu corpo fruto de meu descaso e tristeza. Nada em mim flui. Eu fingi que estou aqui e agora não sei não fingir.
Agradeço aos que falam de mim. Nem lembro de tanta coisa, parece que me perdi por aí.
Me devolva as vontades e a coragem, preciso ficar aqui.
Cleópatra Loiola
SE O CASO É CHORAR
TOM ZÉ
Se o caso é chorar
te faço chorar
se o caso é sofrer
eu posso morrer de amor.
Vestir toda minha dor
no seu traje mais azul
restando aos meus olhos
o dilema de rir ou chorar.
Amor deixei sangrar
meu peito tanta dor,
ninguém dá jeito.
Amor deixei sangrar
meu jeito pra tanta dor
ninguém tem peito.
Se o caso é chorar...
Hoje quem paga sou eu
o remorso talvez
as estrelas do céu
também refletem na cama de noite
na lama
no fundo do copo
rever os amigos
me acompanha o meu violão.