Miraĝo
Amor, saia da gruta escura de onde me espreita, venha voar sobre ondas castanhas, tire o peso dos meus ombros magros, Amor. Venha tatuado, venha com piercings, venha de cabelo preso, venha careca, venha branco, venha negro, venha lilás, venha feliz, venha triste, mas chegue na altura da maré que a areia é cama fofa, mas chegue na velocidade da bicicleta que o quarto da cidade é pra dois, mas chegue de pés cansados que saímos de alma lavada, venha Amor. Venha alto, venha baixo, venha daqui, venha de fora, venha artista, venha simples, venha descalço, mas chegue manso que eu quero ver o dobro de estrelas no céu, mas chegue pleno que eu quero me perder no universo, mas chegue quente que eu quero nos compor em multiversos, chegue, Amor. Venha coberto, venha nu, venha curtido, venha cru, venha alado, venha podado, venha contido, venha pirado, mas chegue são que a bebedeira é de paixão, mas chegue aberto que as linhas do coração acham morada, mas chegue de alma boa que a minha é perturbada. Venha limpo, venha sujo, venha correndo, venha andando, venha inocente, venha vivido, venha sossegado, venha fodido, mas chegue do mundo que eu quero viver mais que já vivi, mas chegue profundo, que eu amo me perder mais em você do que me achar em mim, mas chegue hoje, que amanhã vem a miragem, e eu me afogo em oásis de areia líquida.








