every word we use has a strenght and we've got to choose wisely. and i have been choosing words that pushes away who i think i love. Maybe i dont..

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every word we use has a strenght and we've got to choose wisely. and i have been choosing words that pushes away who i think i love. Maybe i dont..
no escuro dos meus olhos
sinto meu passado sugando todo feixe de luz que cai sobre meu corpo, e me perco às sombras das experiências - que todas esqueço, crendo que, na verdade, nem vivi ou vi. permaneço no escuro dos meus olhos, que, fechados, me impedem de seguir. não tenho equilíbrio.
sinto buscar apagar meu passado; meu ontem, minha tarde. me olho no espelho e pouco tempo depois não mais reconheço meu corpo físico. mas eu o conheço. tanto quanto conheci tanta gente, tanto canto por aí. no escuro dos meus olhos, no entanto, sei que isto é mentira. sei? ou tento acreditar que sei? a gente nunca sabe.
em alto mar com a mente dispersa
entre os reflexos das estrelas caladas
sumida, sim, mas não diria submersa
O aroma de tinta fresca,
poeira secular, papel queimado e
pés suados; o som de pássaros
abafado por folhas beijadas pelo vento;
a marca de um sorriso, mãos geladas,
cabelos presos e boca pintada.
Uma memória que resta
pela parede cinza em um cômodo de
teto inacabado;
Flagelo
Em céu caramelizado e inatingível, harpas, mosaicos, Todos a vibrarem sobre o mesmo pico Acariciando o algodoeiro em terra e o vento sobre o mar — O açúcar respingando ante o vulcão. Entre navios e nevoeiros, per toda água marinha, Aglutinando cristais nas rochas, por tudo vinha, sensação. Pacífico, ao noroeste, de três em três pés. Contínuo. Fétido silêncio em cordilheiras, ergue-se, maldição. Gargalha, ao longe, riscando o convés, aos berros
“Harpas! Mosaicos!”
Amoenus.
(Mi'a vida devastada)
Manso
Rios de estrelas desbotando em um céu devastador de Abril Quantas vezes já não lhes vi lampejar Mapeando os portões de Ouro, lá Onde águas cristalinas brilham nos corpos divinos, celestiais Aonde descem as harmonias sonoras da solene órbita. A poeira trilha os passos de uns que se banham, Imobilizando os ventos agnósticos das praias, das ilhas Transformando-os em gaze algodoada, perene. Daí surgem as florestas dos trópicos, Suaves e agudos cantos nas árvores longínquas em morros Atentando para com os de palidez, sombrios, consolando Um por vez, diluindo suas fétidas brumas.
Definharei no coração da voz contínua enraizada no orgânico, dentre o místico e o mistério, a nobreza do infinito.
Frente da padaria
Esvaíram-me as palavras: perdi cada partícula de força do timbre para elas cantar, escrever ou desenhar.
Mas juro, enquanto de consciência levantar as pálpebras e encarar o teto que rege sob minha cabeça, que não calarei-me:
tocarei, seja o que for - ou no que for -, qualquer som, qualquer ritmo que se extraia do meu peito:
deixarei meu corpo compor uma sequência melancólica nostálgica das árvores e poentes que respirei.
– Iracema, antes que se esqueça, sim: beijo-lhe as faces púricas, líricas e geladas!
Que sou o óleo (que seja a última primavera)
Contemplei teus olhos nas gotículas de chuva que pouco a pouco secam nas vidraças. Teus, observando-me de longe, assíduos, congelados, em límpidas fotografias. Quis ser quem te veria, quem iluminaria os passos nas noites densas do interior. Planejei decorar teus jeitos, impedir teus medos. Criei, mesmo, um dia inteiro - um mês, um ano, uma vida. Mas vivi, talvez um minuto, quem sabe uma hora, de tudo isso. Vivi, e se não, ao menos prefiro acreditar que meu corpo não perambulou à toa, minguada, atormentada. Pois que seja: vivi. E disso, lúcida, embaçado mas nítido, provo ao ver na água a evaporar - como, para mim, uma vida que falece, uma canção que chega ao fim. Ou, para quem convir, um filme de cinema que na plateia não há palmas, nem sorrisos e nem lágrimas: a gente toda se levanta e vai assistir algum outro trama.
Canções
Ira, morte, amor: nessa história, seja o que for, há quem muito diga e há quem muito ouça; mas afinal, diz-se da perseguição do rato ao queijo ou do queijo a servir-se de isca para pegar o rato? Talvez nem algo seja dito, pois talvez as palavras sejam soltas (frias, secas e vazias) e tão sem sentido para quem as ouça que tornam-se somente grunhidos e sons como os das folhas e águas. Talvez – agora deixando para trás o roedor e o derivado do leite – a ira, a morte e o amor espreguiçam-se no alto das colinas e por vezes mergulham no mundo sólido das florestas e adentram bocas amargas que enchem os lábios com rios de expressões e canções vindas do calor da carne humana. As salvadoras canções… até para elas as palavras fogem de minha mente, pois tudo cantado vira a mesma história: o mar aberto que dele nada se espera senão a ira, a morte e o amor.
Mystery Tour
Levanta-se e lentamente caminha até a pia do banheiro. Abre a torneira e molha as mãos com água gelada, levando-a, em seguida, ao rosto embriagado de sono. Encara o próprio reflexo no espelho à sua frente, vira-se e caminha mais depressa em direção à um guarda-roupas. Pega tudo o que é necessário para não expor o seu corpo e, depois de vestir-se cuidadosamente, caminha até à um armário - nele, pega os acessórios para encobrir seu rosto e os passa delicadamente em cada pedaço de seu próprio rosto, com maior atenção aos seus lábios. Segue, então, para a porta que divide dois mundos: o seu e o deles; abre-a e desce as escadas sonoramente, atentando-se ao percurso que fará. Ao descer todos os degraus, abre outra porta e anda rapidamente na mesma direção que outras pessoas. Ao final da pequena corrida, abre-se outra porta que a leva diretamente à uma escrivaninha. Diz algo como “bom dia” aos presentes no mesmo espaço. Senta-se e confortavelmente dirige sua mão direita à algo que, ao movimentar, movimenta também um ponto branco em uma tela sistematizada. Com sua outra mão aperta botões com alguma significância - e assim perdura até o escurecer do dia. Ao subir no céu a Lua, caminha tranquilamente até a mesma porta pela qual entrou, anda rapidamente fazendo o mesmo caminho o qual fez para ir e, no passe de alguns minutos encontra-se novamente deitada à espera do momento para levantar-se, encarar-se no espelho, vestir-se e sair.
Ruídos
Se tapar as orelhas fosse fácil como tampá-las Moraríamos no abismo do nosso interior, mas, ainda assim, entenderíamos o caos no mundo observado pelos nossos olhos. Entenderíamos, não porque nomearam uma ação ou outra com um nome qualquer, mas entenderíamos porque analisaríamos os comportamentos alheios a partir do sentimento por trás de cada um deles, através da observação das atitudes; através das ações; através do behaviorismo.
Ressonar
As palavras parecem atravessar um estreito corredor subterrâneo e emergem na superfície, misturando-se às partículas do ar e alcançando, como um eco, todos os prédios, apartamentos, camas, ouvidos. As palavras, cada dia mais, perecem - desaparecem, vagando aos becos e por lá se estabelecendo - mas, antes, dão-nos um tapa nos ouvidos; dão-nos um sino, alertando sobre seu sumiço.
Vernum Tempus
Dormi no carpete da entrada subindo as escadas ao lado do vinhedo. Dormi no chão, de cara com o centro do mundo, atrapalhando o caminho das formigas. Dormi perto do coração, quase que tocando-o com o dedo mindinho da mão. Dormi de olhos abertos, sentindo a passagem da primavera ao verão. Senti sono, senti tesão, dormindo, de olhos abertos, encarando a sujeira da poeira mas o cheiro bom do amaciante da faxineira. Dormi na porta de casa, como quem esperou para poder entrar, mas na metade do tempo pôs-se a sonhar. Ali dormi - ou morri; ou só parte de mim adormeceu e outra parte morreu.