Um pedido de socorro (...)
"Já era a quarta vez que aquele barulho atrapalhava o sono dela (...)"
Era uma manhã de sábado meio nublado, ela passava fitas para fechar as caixas e empilhava-as no corredor do prédio enquanto aguardava o caminhão de mudança.
O caminhão chegara, e ela enfim se despedia daquele ciclo falido, empolgada com o novo que estava dando inicio... Mudar de ares já era algo que há muito tempo estava planejando e quando chegou o dia de realizar, seu coração parecia uma roda de samba, explodindo de felicidade.
Algumas horas de viagem, e logo se via ali deitada no chão da sala, em meio a bagunça de caixas abertas, alguns móveis já estavam montados, mesmo assim levaria um bom tempo para pôr tudo em ordem.
Ela levanta abre as janelas, mesmo exausta consegue apreciar a paisagem, a janela do quarto dava de frente a um forte lindo a beira da praia. Ficou ali alguns minutos apreciando a brisa que vinha de lá e se deslumbrava com o show que o céu dava naquele fim de dia.
Aos poucos começou a colocar as coisas no lugar, o guarda roupa já montado, começou por ele e logo já via tudo tomando forma organizada.
Levou três dias para deixar o novo ap habitável e do jeito que ela sonhara. Dias intensos de trabalho ate enfim poder ver que estava aconchegada.
... As primeiras noites foram calmas, tranquilas e ela se adaptou a dormir com a janela do quarto aberta.
E já era a quarta noite que o barulho chamara sua atenção, começou de forma leve, mas agora ja atrapalhava seu sono e isso a irritava.
De onde vinha? E por que só conseguia ouvir a noite?
Era como se uma flauta tocasse repetidamente e ao fundo uma voz ecoava. Tentou colocar fones de ouvido e mesmo assim nada abafava o barulho.
De olhos abertos em cima da cama, de frente a janela, percebeu que toda vez que ouvia p barulho p farol que estava apagado piscava três vezes.
Nao sabia se estava delirando ou de fato havia associação entre o barulho e as luzes do farol.
Os dias passaram e cada vez mais isso a intrigava, questiou alguns vizinhos sobre o barulho, e eles prontamente negaram...
- Aqui? Nunca ouvi nem o canto de pássaro fazer zuada nesse lugar. (Disse um dos moradores)
Sera que ela estava delirando por quatro noites seguidas?
Decidiu se preparar e descobrir de onde vinha aquele barulho, já estava dando meia noite e logo o incomodo começou, olhou no relógio e viu que o barulho e o piscar das luzes duravam 50 segundos, parava e depois de 20 minutos se repetia.
Calçou os chinelos, desceu as escadas e decidiu ir até o forte, conforme ia se aproximando ouvia com mais intensidade o barulho e as luzes que piscavam pareciam encadear seus olhos.
O vento do mar era gelado, as ondas altas se quebravam na calçada do forte e ela lamentou não ter se agasalhado melhor.
Chegando ao forte, havia uma placa "estamos em manutenção".
O cadeado parecia violado, ela destemida resolveu encarar aquelas escadarias frágeis... Subiu devagar com uma ponta de medo cercando sua mente. Não sabia o que poderia encontrar.
Ouviu um som de passos e se assustou, chegou ao topo meio acanhada, nervosa, tremendo... As luzes piscavam cada vez mais forte e o barulho era quase insuportável de tão alto.
Olhou ao redor e viu uns pes estirados como se alguém estivesse deitado ali... Sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha mas a curiosidade de desvendar aquilo a impulsionou a prosseguir.
Uma caixa de som, um microfone, uma musica irritante e um homem deitado com a mão no interruptor aos prantos.
Seria o fim do mistério um grande pedido de socorro!?