“Que bom que você veio.”
Sabe esse mundo é tão grande, repleto de gente, espaço, vozes e caminhos. Quase sempre muitos cheiros, cores, sons e impulsos. Às vezes amanhece e a gente nem vê. Às vezes as horas não passam e um dia dura um mês. Nada acontece, tudo acontece, a cabeça já não dá conta do pensar. Só deixa ser…
Sabe a escuridão não cala nada. Silencia quase por obrigação tudo aquilo que o dia todo não conseguimos aquietar. E quando é assim e se adormece não se descansa muito menos esquece aquilo tudo com que se batalhou por toda a vida enquanto acordado.
Uma verdade é: somos muito fortes. Somos também hipócritas, sonhadores, atores, manipuladores, sinceros, firmes, decididos, perdidos, justos, impulsivos, amorosos, tristes, engraçados, egoístas, sobreviventes, solitários, crianças, vaidosos, carinhosos, carentes, esperançosos, apressados. Apressados. Apressados. Somos milhões correndo com o olhar no ponto fixo que vai de esquina a esquina, entra no ônibus, desce do ônibus, esquina a esquina, e então avenida, desce para o metrô, foca nas escadas, e então na plataforma, entra pelo vagão, sai dali logo depois, sobe focado nas escadas, esquina a esquina surdos para as buzinas dos sortudos que correm por caminhos diferentes tão iguais aos nossos. Sempre apressados pendulando entre um dia e outro compromisso e outro objetivo e outro pessoa e outra e outra e outra e outra.
E então um. Uma. Pessoa. O encontro.
Os olhos caem, acordam, voltam, têm vida os olhos que se olham. E se riem junto, então, nem se fale. Se conseguem quebrar a seriedade, então, nem se zangam. Se conseguem compartilhar toques, quem diria, então, até são. Se conseguem se ouvir, dizem até, conversam. Se constroem juntos uma ponte, aí sim, atravessam juntos e não estão sós. Não há pressa, o mundo é ali, agora.
Agora vem até aqui um relâmpago atrasado, desapegado dessa ideia do tempo, relógios de sol, gosta é da lua, não acredita em espaço, sonha com planetas, beija as estrelas durante o sono. Acordo aqui, aqui estão seus olhos, enevoados me olhando, cerrando os cílios, que se tocam de leve. Púrpura. Por pura gratidão sorrio o dia novo…
Que bom que você veio.
Nesse mundo tão grande, repleto de gente cheiros cores espaços sons impulsos sóis construções horas meses avenidas espaços obrigações compromissos olhares batalhas esquinas escadas objetivos conversas pontes vozes forças e caminhos, cada momento é uma escolha única.
Você nesse exato lugar é você não estar em nenhum outro, nesse momento. Você por inteiro é a beleza mais pura. É ser por si só a fé em uma mudança concreta, em uma existência completa, é não sermos em vão. Você presente é uma escolha única.

















