Conheci o amor aos 17. O amor tinha cabelos negros e uma pele de caramelo. Não era como nenhum outro. Engraçado, inteligente e doce como o mais enjoado chocolate predileto das crianças.
O amor era difícil. Ah como era... Às vezes me fazia me sentir como uma gangorra alternando entre meus altos e baixos, mas sempre estática naquele playground.
E eu muitas vezes quis o abandonar, crendo que este só me causaria problemas infindáveis. E digamos que eu não estava errada...
O amor me fazia esperar e eu impaciente que sou, cheguei a, mas veja só, declarar ódio contra o próprio amor.
Mas o amor era tão bonito que eu me perdia em meio as suas pintas e mesmo quando me achava, fazia questão de me esquecer.
Seus beijos eram como a melhor piada, sempre deixando para trás um riso em meus lábios. E que lábios!
Gostava de sua boca tanto gostava de seus olhos. E evitava encarar ambos. Sabia sempre que cederia. Toda vez cedia.
O amor tinha níveis extremos como a última fase daquele jogo que nunca consegui zerar. E eu me fazia interminável, rezando baixo para que ele nunca encontrasse a saída.
Gostava de ouvi-lo cantar, embora ele não tivesse ideia do quanto o fazia. E podia sempre contar como um amigo, ainda que ele fosse amor.
O amor sabia o quão novata eu era e não teve problemas em me ensinar. E eu gostava de viver aquilo, mesmo nunca podendo ter certeza.
Já o deixei muitas vezes, apesar de nunca ter partido. Na verdade só o meu coração. Mas quem diria, ele mesmo sabia o consertar.
O amor me apresentou ao amor. E hoje eu não consigo formular um conceito adequado para o amor, que não seja o meu amor.