Livro: A Treliça e a Videira: a mentalidade de discipulado que muda tudo. A. S. Payne, Colin Marshall
CAPÍTULO 1 - A TRELIÇA E A VIDEIRA
Mas, porque todos somos discípulos de Cristo e temos com ele uma relação de professor e aluno, mestre e seguidor, todos nós somos fazedores de discípulos.
CAPITULO 2 - MUDANÇAS DE MENTALIDADE DE MINISTÉRIO
A igreja estava preenchendo lacunas e não construindo um ministério ao redor dos dons e oportunidades das pessoas.
Entretanto, se tirarmos nosso foco de pressões imediatas e estabelecermos como alvo a expansão de longo prazo, as pressões que enfrentamos se tornarão menos imediatas e podem até desaparecer.
Devemos ser exportadores de pessoas treinadas, em vez de acumuladores de pessoas treinadas.
Se treinarmos e enviarmos obreiros a novos campos (tanto locais quanto globais), nosso ministério local pode não crescer em números, mas o evangelho avançará por meio destes novos ministros da Palavra.
No entanto, se a verdadeira obra de Deus é uma obra pessoal – ou seja , falar piedosamente a sua Palavra, de uma pessoa para outra – então, os trabalhos nunca estão todos ocupados.
CAPITULO 3 - O QUE DEUS ESTÁ FAZENDO NO MUNDO?
Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam. A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar (1 Pe 1.10-12).
A mensagem de Deus para Israel por meio dos profetas sempre foi esta: vocês sofrerão por causa do pecado, mas glória e restauração os receberão do outro lado. Quando o Cristo veio para ficar no lugar de Israel, para ser Israel, o que deveríamos esperar dele, senão que sofreria julgamento por causa do pecado, antes de ser vindicado e glorificado depois do julgamento? Séculos depois, isso foi exatamente o que Jesus Cristo fez – sofreu e morreu pelo pecado, ressuscitando triunfante ao lugar de glória.
Isto é o que Deus está fazendo agora no mundo: a pregação do evangelho fomentada pelo Espírito que leva à salvação de almas . É o programa, a agenda, a prioridade, o foco, o projeto de Deus – ou qualquer outra metáfora que você deseje usar. E, por meio deste plano, Deus está reunindo um novo povo, centrado em Cristo para ser seu próprio povo: uma tranquila, frequente e crescente profusão de folhas na grande videira de seu reino.
Salvação e vida nova surgem quando a Palavra de Deus é pregada, mas somente Deus outorga o arrependimento – somente se o Espírito Santo cair sobre aqueles que ouvem a Palavra, para que, em resposta, seu coração morto seja trazido à vida.
O foco está no progresso da Palavra de Deus fomentado pelo Espírito, à medida que ela avança pelo mundo, de acordo com o plano de Deus.
Há algo mais vital a ser feito no mundo? É mais importante do que nosso trabalho, nossa família, nossos passatempos – sim, mais importante do que o conforto e a segurança da vida familiar na igreja. Precisamos resgatar o radicalismo do que Jesus disse ao jovem que queria voltar e sepultar seu pai: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos. Tu, porém, vai e prega o reino de Deus.” (Lc 9.60).
O crescimento que Deus está buscando em nosso mundo é o crescimento em pessoas .
Este povo que cresce existe somente por meio do poder do Espírito de Deus, quando ele aplica sua Palavra ao coração das pessoas.
CAPITULO 4 - TODO CRISTÃO É UM TRABALHADOR DA VIDEIRA?
A obra que Deus está fazendo no mundo agora, nestes últimos dias entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, é reunir um povo em seu reino por meio da proclamação dedicada do evangelho. Deus está fazendo sua videira crescer por meio de sua Palavra e de seu Espírito.
Mas alguém que nos observa de fora poderia dizer: “Veja, ali está alguém que renunciou sua vida para seguir Jesus Cristo e sua missão”?
Todos nós edificamos de maneiras diferentes, mas todos somos edificadores. Não temos todos a mesma função, mas somos todos exortados a que sejamos abundantes“ na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58) .
Apenas por ser um discípulo de Cristo e cheio do Espírito Santo da nova aliança, todo cristão tem o privilégio, a alegria e a responsabilidade de estar envolvido na obra que Deus está fazendo em nosso mundo, a “ obra do Senhor ”. E a maneira fundamental como fazemos isto é por falarmos a verdade de Deus às outras pessoas em dependência do Espírito Santo.
O cristão que não tem um coração missionário é uma anomalia. O coração missionário será visto em todas as maneiras: em orações pelos perdidos, em assegurar - nos de que nosso comportamento não ofenda alguém, em conversas sobre o evangelho com amigos (em jantares!) e em fazermos todo esforço possível para salvar alguns. Somos escravos sem direitos, embora sejamos livres (cf . 2 Co 4.5 ; Fp 2.7) .
Temos de concluir que um cristão que não tem amor pelos perdidos está em necessidade séria de autoexame e arrependimento. Até os ateístas têm mostrado isso.
“Tenho dito sempre que não respeito pessoas que não fazem proselitismo. Não respeito tais pessoas, de modo algum. Se você crê que há um céu e um inferno, que as pessoas podem estar indo para o inferno ou que não estão recebendo a vida eterna ou o que quer que seja, e você acha que não vale a pena dizer - lhes isto porque fazê-lo seria socialmente esquisito... Quanto você deve odiar alguém que não faz proselitismo? Quanto você deve odiar alguém que crê que a vida eterna é possível e não diz isso aos outros? Ou seja, se eu creio sem dúvida alguma que um caminhão está vindo em direção a você, mas você não acredita nisso, e o caminhão está avançando rapidamente em sua direção, há certo ponto em que puxo você. E isto é mais importante do que a sua descrença . . . ”
Em outras palavras , estamos todos engajados na “obra do Senhor” (1 Co 15.58). Todos nós fazemos a nossa parte em ajudar a videira a crescer, por meio de falarmos diligentemente a Palavra, sempre e como pudermos.
O ministério da Palavra pertence a todos.
CAPITULO 5 - CULPA OU GRAÇA
O próprio evangelho exige que fiquemos com nossos líderes e pregadores em profunda unidade, cooperação e solidariedade – não por causa dos seus dons e de sua personalidade, mas por causa de nossa parceria comum no evangelho de Jesus Cristo. Não há duas classes de cristãos – os cooperadores e os espectadores. Estamos todos juntos no evangelho.
Líderes, pastores e presbíteros são responsáveis por ensinar, advertir, repreender e encorajar. São supervisores e organizadores, guardiães e mobilizadores, mestres e modelos. Proveem as condições sob as quais os demais parceiros no evangelho podem também realizar a obra de videira – falando dedicadamente a verdade de Deus aos outros. No entanto, em um nível profundo, todos os pastores e presbíteros são também parceiros. Não têm um status ou essência diferente, nem uma tarefa fundamentalmente diferente – como se fossem os verdadeiros “ atores ” e o resto da congregação fossem espectadores e equipe de apoio. Um pastor ou presbítero é um trabalhador da videira que recebeu uma responsabilidade específica de pastorear e equipar os crentes para sua cooperação no evangelho . E isso nos leva inevitavelmente a “treinamento”.
CAPITULO 6 - O ÂMAGO DO TREINAMENTO
No Novo Testamento, treinamento é muito mais a respeito do pensar e do viver cristão do que a respeito de habilidades e competências específicas. Vemos isto nas epístolas pastorais, nas palavras que expressam a ideia de “treinamento” em nossa Bíblia.
É o treinamento na justiça que leva à proficiência, mas a proficiência neste caso não é uma habilidade específica – como ser capaz de ensinar com clareza, ou liderar um grupo pequeno, ou qualquer outra habilidade – e sim uma qualidade de caráter e de comportamento baseados na sã doutrina das Escrituras.
O âmago do treinamento não é transmitir uma capacidade, e sim transmitir sã doutrina. Bom treinamento bíblico resulta em vida piedosa baseada em sã doutrina que produz maturidade.
Este relacionamento íntimo foi um instrumento para um dos elementos cruciais no treinamento de Paulo dado a Timóteo – imitação. “Tu, porém, tens seguido, de perto, o meu ensino, procedimento, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e os meus sofrimentos, quais me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra, — que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor” (2 Tm 3.10-11). Foi não somente o bom depósito do evangelho que Paulo passou a Timóteo, e sim uma maneira de viver.
Somos um exemplo para aqueles a quem ensinamos e treinamos, quer gostemos, quer não. Não podemos deixar de ser exemplo. Uma das principais tarefas dos pastores e presbíteros é moldar sua vida de modo que sirvam de exemplo piedoso para os outros – e isso é a razão por que a maior parte das exigências prescritas para os presbíteros em passagens com 1 Timóteo 3 e Tito 1 se relaciona com o caráter e o estilo de vida. O alvo não é que sejamos exemplos de perfeição – isso é impossível. Entretanto, Paulo disse a Timóteo: “Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto” (1 Tm 4.15). Devemos ser exemplo no esforço por santidade e não em manifestar santidade atingida com perfeição (Hb 12.14). De fato, no nível mais profundo, o exemplo que estabelecemos se evidencia em sermos modelos do caminho da cruz.
Aqueles que são treinados precisam ver o coração de seu treinador – os pecados e confissões, os temores e a fé, as visões e as realidades, os sucessos e os fracassos. A vida e o ministério do treinador são um modelo para o treinado – não de perfeição, mas de desejos santos em um vaso de barro. Isto exige o compartilhamento honesto e franco de nossa vida.
No entanto, se mantivermos o evangelho no lugar primordial e central, então aprender a fazer atividades específicas de modo mais eficiente pode ser uma parte piedosa de nosso servir a Cristo e a outras pessoas. Podemos anelar ser melhores professores, por exemplo, não motivados por autoglorificação ou por uma crença mística em nossa própria importância, mas porque queremos comunicar aos nossos ouvintes, de modo mais claro e convincente, a mensagem da Bíblia, que muda a vida. O mesmo é verdade quanto aos nossos planos para treinar outros em habilidades específicas.
convicção – o conhecimento de Deus e o entendimento da Bíblia.
caráter – o caráter e a vida santos que se harmoniza com a sã doutrina.
competência – a habilidade de falar a Palavra de Deus aos outros em maneiras diferentes.
CAPÍTULO 7 - TREINAMENTO E CRESCIMENTO DO EVANGELHO
O crescimento do evangelho acontece na vida das pessoas, não nas estruturas da minha igreja. Ou, em termos de nossa metáfora inicial, o crescimento da treliça não é o crescimento da videira. Podemos multiplicar o número de programas, eventos, comissões e outras atividades em que a nossa igreja possa engajar-se; podemos ampliar e modernizar nossos prédios; podemos remodelar nossas reuniões regulares para que sejam atraentes e eficazes em se comunicar com a nossa cultura; podemos nos congratular com o fato de que os números estão aumentando. E todas estas coisas são coisas boas! Mas, se as pessoas não estão crescendo em seu conhecimento da vontade de Deus, para que andem cada vez mais dignamente do Senhor, buscando agradar-lhe em todas as coisas e produzindo fruto em toda boa obra, então nenhum crescimento está acontecendo.
Devemos estar dispostos a perder pessoas de nossa própria congregação, se isto for melhor para o crescimento do evangelho. Devemos ficar felizes por enviar membros a outros lugares para que o evangelho cresça ali também. E fiquemos avisados: isto acontecerá se levarmos a sério o treinamento e o crescimento do evangelho. Se gastarmos tempo com pessoas, guiando e treinando, a consequência será, frequentemente, que alguns de nossos melhores membros – em quem investimos horas incontáveis – nos deixarão.
Vemos pessoas não como raios em nossa roda ou como recursos para nossos projetos, mas como indivíduos que estão, cada um, em seu próprio estágio de crescimento evangélico. E nosso alvo para cada pessoa é que elas avancem, façam progresso, se movam um passo à frente de onde estão agora.
Em todas estas circunstâncias – em tempos bons ou maus – a fórmula para o crescimento é a mesma: o ministério da Palavra e do Espírito. Quando a verdade da Bíblia é falada, ouvida e aplicada piedosamente e quando o Espírito age, o crescimento acontece.
Primeira, embora todos os cristãos possam e devam ser treinados como trabalhadores da videira, nem todos são dotados a ministrar exatamente da mesma maneira ou na mesma extensão. Alguns serão pregadores e mestres, outros serão líderes de estudos bíblicos, alguns serão muito bons em evangelizar não cristãos e responder suas perguntas, outros se focalizarão em reunir-se individualmente com novos crentes e oferecer-lhes acompanhamento; e ainda outros serão pais e mães que ensinarão seus filhos. Há inúmeros contextos e oportunidades para trabalho de videira, e cada cristão terá sua parte a realizar dada por Deus.
O discipulado cristão diz respeito à sã doutrina e a uma vida piedosa; portanto, treinar ou equipar pessoas para ministrar aos outros significa treinar e equipá-las com piedade e maneira de pensar corretos, e não apenas equipá-las com um conjunto de habilidades – porque isso é, por sua vez, o modo como precisarão ministrar aos outros.
O objetivo de usar este tipo de ferramenta não é transformar o ministério cristão em um conjunto de listas, e sim ajudar-nos a nos centrarmos nas pessoas – porque o ministério diz respeito às pessoas e não a programas.
CAPÍTULO 8 - POR QUE OS SERMÕES DE DOMINGO SÃO NECESSÁRIOS MAS NÃO SUFICIENTES?
A tendência é que a vida e a comunhão cristãs sejam reduzidas a uma hora e meia do domingo de manhã, com pouco ou nenhum relacionamento e muito pouco ministério verdadeiro sendo realizado pela própria congregação. Neste tipo de cultura de igreja, torna-se muito fácil a congregação pensar na igreja quase totalmente em termos de “o que ganho da igreja” e, assim, cair facilmente em críticas e queixas quando as coisas não são como as pessoas gostam.
A pesquisa de crescimento de igreja nos diz que, se você achar para alguém um papel, uma tarefa ou uma oportunidade de envolvimento pessoal em algum ministério dentro de seis meses em que ela permanece em sua igreja, aumentam enormemente as suas chances de reter essa pessoa como um membro de permanência demorada.
A igreja Willow Creek Community descobriu isto recentemente, após 20 anos na vanguarda do movimento de crescimento de igreja. Numa pesquisa detalhada de seus membros, a equipe ministerial da igreja descobriu que, apesar de comandarem uma das mais bem organizadas e mais atraentes igrejas da América – com estruturas magníficas, música e teatro de alta qualidade e um impressionante nível de envolvimento dos membros em todo tipo de atividade e pequenos grupos – o crescimento espiritual como discípulos não estava acontecendo.
Temos argumentado, com base na Bíblia, que:
crescimento espiritual genuíno surge apenas quando o Espírito Santo aplica a Palavra de Deus ao coração das pessoas.
todos os cristãos têm o privilégio e a responsabilidade de falar diligentemente a Palavra de Deus uns aos outros e aos não cristãos, como o meio pelo qual Deus opera este crescimento.
Pequenos grupos podem ser utilizados como um meio conveniente pelo qual isso pode acontecer, mas a própria estrutura não o fará acontecer. Nosso alvo não deve ser apenas “ter pessoas em pequenos grupos”. A estrutura de pequenos grupos não será eficiente para o crescimento espiritual, a menos que os cristãos sejam ensinados e treinados a reunirem-se uns com os outros, a lerem a Bíblia e orarem uns com os outros ou a exortarem e estimularem uns aos outros quanto ao amor e às boas obras. Como resultado, pessoas podem chegar a conhecer uma às outras em pequenos grupos, ter um sentimento de intimidade, desenvolver amizades calorosas e serem mais comprometidos com a frequência regular às reuniões e com o envolvimento na igreja – mas nenhuma destas coisas equivale a crescimento no evangelho.
O ministério de pregação pública é como uma estrutura que estabelece o padrão e a agenda para que todos os outros ministérios da Palavra aconteçam. Não queremos ver menos ênfase na pregação ou menos esforço direcionado à pregação! Pelo contrário, anelamos que haja muitos mestres da Bíblia capacitados que porão fogo nas congregações por meio do poder da Palavra pregada.
Deus espera que todos os cristãos sejam fazedores de discípulos por meio de falarem dedicadamente a Palavra de Deus aos outros – da maneira e na extensão que seus dons e circunstâncias permitirem. Visto que Deus capacita todos os membros da congregação a cooperarem para a formação de discípulos, por que deveríamos silenciar a contribuição de todos, exceto um deles (o pastor) e pensar que isto é suficiente e aceitável?
...embora a pregação... seja uma forma de ministério da Palavra, muitas outras formas são refletidas na Bíblia e na vida da igreja cristã contemporânea. É importante assimilar com clareza este ponto, pois, do contrário, tentaremos e faremos a pregação levar um peso que não pode suportar; ou seja, um peso de fazer tudo que a Bíblia espera de outras formas de ministério da Palavra.
“Estamos buscando erguer o mundo para salvá-lo da maldição de Deus, aperfeiçoar a criação, atingir os propósitos da morte de Cristo, salvar a nós mesmos e os outros da condenação, vencer o Diabo, destruir seu reino, estabelecer o reino de Cristo, alcançar e ajudar outros a alcançarem o reino de glória”.
“Não tenho dúvida de que a confissão auricular papal é uma novidade pecaminosa... mas a nossa negligência comum de instrução pessoal é muito pior!”
Visto que nosso contexto é inegavelmente diferente do de Baxter – cultural, política, social e educacionalmente – como os discernimentos de Baxter instruem nosso entendimento do ministério? Há quatro desafios principais:
A evangelização está no âmago do ministério pastoral. O ministério não é apenas lidar com crises e problemas imediatos, ou fazer números, ou reformar estruturas. É fundamentalmente preparar almas para a morte.
Os pastores não precisam ficar presos a estruturas tradicionais, e sim usar quaisquer “meios” (termo de Baxter) disponíveis para chamar pessoas ao arrependimento e à salvação. Para Baxter, isto significava não ser preso ao púlpito, mas também ir às casas das pessoas para instruí-las e exortá-las.
Devemos nos focalizar não apenas no que estamos ensinando, mas também no que as pessoas estão aprendendo e aplicando.
Em muitos aspectos, em nossa época de educação ampla, há ainda mais espaço para implementar a visão de Baxter de catequização pessoal. Em muitas partes do mundo, há agora leigos altamente educados que podem aprender bem e ser capazes de ensinar outros. O discipulado pessoal de casa em casa pode ser feito não somente pelo pastor, mas também pelos fazedores de discípulos que o pastor treinar.
CAPÍTULO 9 - MULTIPLICANDO O CRESCIMENTO DO EVANGELHO, ATRAVÉS DO TREINAMENTO DE COOPERADORES
Mas, se investirmos nosso tempo em cuidar daqueles que precisam de ajuda, os cristãos estáveis estagnarão e nunca serão treinados para ministrar aos outros, os cristãos continuarão não evangelizados, e um princípio logo surgirá na congregação: se você quer tempo e atenção do pastor, arranje um problema para si mesmo. O ministério se tornará totalmente focalizado em problemas e aconselhamento e não no evangelho e crescimento na piedade. E, com o passar do tempo, a videira murcha.
Paulo não tinha nenhum discípulo, pois há um único Mestre.
Em outras palavras, precisamos de pessoas como Don, Sarah e Barry (da ilustração), pessoas genuinamente convertidas que tenham maturidade cristã e possam ser treinadas para trabalhar conosco em evangelização, acompanhamento, crescimento e treinamento de outros. Cooperadores podem ser envolvidos em muitas atividades, tanto em fazê-las quanto em treinar e encorajar outros a fazerem-nas:
Evangelização pessoal e treinamento de outros para compartilharem o evangelho.
Liderar pequenos grupos e supervisionar uma rede de pequenos grupos.
Acompanhar novos crentes e treinar outros a acompanharem novos crentes.
Liderar grupos de jovens e treinar a próxima geração de líderes jovens.
Reunirem-se uns com os outros, com homens e mulheres, e treinar outros a fazer isso.
Igrejas não fazem discípulos; discípulos fazem discípulos. (Mt 28.19-20)
No entanto, é fácil cometer erros quando recrutamos cooperadores. Eis alguns descuidos a evitar:
Comprometer crenças e valores essenciais: você tem uma pessoa em sua congregação que tem sido cristão por algum tempo, é fervorosa e sincera, tem dons e capacidades evidentes, mas pensa de modo diferente em algumas áreas importantes da teologia. Ela tem, por exemplo, um entendimento carismático da obra do Espírito ou uma visão mais liberal da autoridade da Escritura. Escolher esse tipo de pessoa como cooperador quase garante divisão e prejuízo ao ministério. Um cooperador tem de ser alguém totalmente confiável em manejar de modo correto a Palavra da verdade. Você deve ser capaz de confiar nele para ensinar os outros.
Impressionar-se com aparência acima de conteúdo: é muito fácil ser confundido pela pessoa entusiasta que têm personalidade expansiva, habilidades bem visíveis e carisma para liderar pessoas. Todavia, é muito mais importante procurar alguém que ama realmente a Cristo e lhe obedece, que ama uma vida piedosa e disciplinada, cuja família é exemplar e tem um coração de servo.
Ignorar o histórico da pessoa: a pessoa serve quando não tem uma posição formal? Os outros a respeitam como discípulo piedoso de Cristo? Se não é um servo de coração agora, estará pronta para liderar os outros?
Escolher aqueles que não são bons em relacionarem-se com pessoas: a pessoa que você está considerando é socialmente difícil, ou dominante, ou irritadiça? Coloca os outros em risco? Tem senso de humor? O ministério cristão é inevitavelmente relacional, e algumas pessoas não são bem dotadas relacionalmente.
Recrutar em desespero: o fardo do ministério é, às vezes, tão pesado, que você será tentado a recrutar qualquer pessoa como cooperador, apenas para aliviar a carga. Isto é um grande erro. É muito melhor manter sua equipe pequena, restrita, unificada e eficiente do que incluir pessoas que não estão preparadas.
Selecionar pessoas não ensináveis: algumas pessoas são dogmáticas e irrealistas e não estão dispostas a pensar e crescer. Você precisa de pessoas que têm fome da verdade, tremem da Palavra de Deus e querem conformar suas vidas às Escrituras.
Escolher apoiadores conformistas: é sempre tentador recrutarmos pessoas que nos admiram e nos apoiam, pessoas que nos fazem sentir-nos bem porque sempre parecem estar do nosso lado. Mas elas podem não ser as pessoas certas.
Convocar voluntários: recrutar cooperadores não é como pedir que algumas pessoas fiquem depois da reunião e empilhem as cadeiras. É algo que deve ser feito por convite pessoal, depois de reflexão e oração cuidadosas. Isto é o suficiente quanto ao que não devemos fazer.
No nível mais básico, nós as estamos convidando para dedicar sua vida ao serviço de Cristo. Em outras palavras, estamos simplesmente convidando-as a serem discípulos. Não devemos baratear isto! Não estamos pedindo às pessoas que contribuam para um clube do qual elas fazem parte – como se tentássemos achar alguém para ser o secretário do clube de rúgbi júnior local para este ano. Estamos convidando pessoas a se unirem conosco na obra mais importante do mundo – a obra que Deus está fazendo para reunir pessoas em seu reino, por meio da proclamação dedicada do evangelho de seu Filho. Portanto, estamos recrutando pessoas para fazerem parte de uma causa digna de dedicarem sua vida a ela. E devemos colocar esta visão diante de nossos potenciais cooperadores, em toda a sua glória e grandeza.
O que Deus está fazendo no mundo? Deus está chamando um povo para o seu reino, por meio da pregação do evangelho guiada pelo Espírito. Ele está realizando um grande crescimento mundial da videira, que é Cristo e as pessoas unidas a ele.
Todo aquele que, pela graça de Deus, se torna discípulo de Cristo é não somente parte da videira, mas também um trabalhador de videira, um fazedor de discípulos, um parceiro no evangelho. Embora alguns cristãos tenham dons e responsabilidades específicas para ensinar e supervisionar, todos os cristãos têm um papel de falar a Palavra da verdade uns aos outros e aos de fora.
O treinamento é o processo de crescimento em direção à maturidade de cristãos trabalhadores da videira – ou seja, os cristãos que são maduros procuram oportunidades para servir aos outros por falar-lhes diligentemente a Palavra da verdade. Este é o nosso alvo na obra com pessoas. Envolve não somente habilidades e competências de ministério, mas também crescimento em convicções (entendimento) e caráter (piedade). Este é um aspecto fundamental da vida da igreja e pode envolver uma mudança no que pensamos sobre a igreja (especialmente no que diz respeito à nossa dependência de sermões como único meio de crescimento).
O treinamento (entendido desta maneira) é o motor do crescimento evangélico. Pessoas deixam de ser incrédulos e não convertidos, são acompanhadas como novos cristãos e, depois, crescem para serem cristãos maduros e estáveis que, depois, por sua vez, são treinados e mobilizados a liderar outros por meio do processo de “crescimento evangélico”.
Recrutar e treinar um grupo menor de cooperadores é o primeiro passo em direção a recrutar e treinar todos os cristãos como trabalhadores de videira. Você não pode ministrar a 130 pessoas e treiná-las pessoalmente. Mas pode começar com dez, e esses dez podem trabalhar ao seu lado – não somente para ministrarem pessoalmente aos outros, mas também para treinarem outros, que, por sua vez, ministrarão a outros. Em outras palavras, os “cooperadores” não são uma categoria diferente de pessoas – são apenas um grupo de potenciais “trabalhadores de videira” dotados, que trabalham ao seu lado para que as coisas prossigam. É o ministério de multiplicação por meio de treinamento pessoal, bem como uma das grandes necessidades da igreja contemporânea.
O caminho para o crescimento – e não apenas o crescimento numérico, mas o crescimento real, espiritual e “evangélico” – é começar a treinar pessoas como fazedores de discípulos; selecionar alguns dos cristãos maduros e estimulá-los com a visão de fazerem discípulos; selecionar o que neste capítulo temos chamado de “cooperadores”.
CAPÍTULO 10 - PESSOAS QUE VALE A PENA OBSERVARMOS
Todos os cristãos devem ensinar uns aos outros (Cl 3.16), mas nem todos são mestres (1 Co 12.29; Tg 3.1).
Todos os cristãos devem ministrar uns aos outros (1 Pe 4.10-11), mas alguns são separados como “ministros” (ou “diáconos” ou “servos”, dependendo de nossa tradução, em 1 Tm 3.8-13; considere também os membros da equipe de Paulo, os quais ele chamou “ministros”).
Todos os cristãos devem ser abundantes na obra do Senhor (1 Co 15.58), mas Paulo considerou a si mesmo e a Apolo como “cooperadores” que labutaram entre os coríntios tendo em vista o seu crescimento (1 Co 3.5-9).
Todos os cristãos devem fazer discípulos e falar aos outros sobre Cristo (Mt 28.19; 1 Pe 3.15), mas alguns são identificados como “evangelistas” (Ef 4.11).
Trabalhar é uma parte boa e fundamental do ser humano no mundo de Deus. No princípio, a humanidade foi colocada no jardim para trabalhar nele e guardá-lo.
Neste lado da Queda, o trabalho é amaldiçoado e frustrante (e frequentemente não o sabemos), mas permanece bom, digno e necessário.
Os cristãos são incentivados fortemente a trabalhar, não apenas por causa do lugar do trabalho na criação, mas também porque o trabalho (como qualquer outra área da vida) é um ambiente onde servimos a Cristo. Tudo que você fizer, disse Paulo aos colossenses, “seja em palavra, seja em ação”, deve fazê-lo “em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Cl 3.17).
Num nível profundo, quando trabalhamos em qualquer serviço, trabalhamos para Cristo. Como Paulo também disse em Colossenses 3: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl 3.23-24).
Como cristãos, não trabalhamos para obter autorrealização, fama ou enaltecimento pessoal. Trabalhamos não para nós mesmos e sim para os outros, para servi-los, para que não lhes sejamos um fardo e tenhamos algo para compartilhar (Ef 4.28; 1 Tm 5.8).
O trabalho secular é, portanto, muito valioso, digno e importante. Mas, como toda coisa boa, pode se tornar um ídolo. Podemos começar a olhar para nosso trabalho como um meio de acharmos importância e valor.
Devemos lembrar que somente a obra de Cristo redime a humanidade. Embora o trabalho secular seja bastante útil e proveitoso em nosso mundo, ele não nos salvará nem edificará o reino de Cristo. Isso só acontece (como vimos no capítulo 3) por meio da pregação do evangelho guiada pelo Espírito.
Somos todos discípulos e fazedores de discípulos. Todos os cristãos são chamados a negar a si mesmos, tomar a sua cruz e seguir Jesus até a morte; a renunciar sua vida para a honra e o serviço de Cristo. Isso é mais semelhante a um time de futebol, no qual cada jogador faz tudo que pode para fazer a bola avançar pelo campo do adversário. Há líderes e capitães, mas, fundamentalmente e acima de tudo, cada um é um jogador. De fato, em muitos times, o capitão não é necessariamente o melhor jogador ou o contribuinte mais valioso em qualquer partida.
O trabalho secular é valioso e bom e não deve ser desprezado ou menosprezado. Mas não é o centro ou o propósito de nossa vida, nem o meio pelo qual Deus salvará o mundo. Minha identidade primária como cristão não é que sou um contador ou um carpinteiro e sim um discípulo fazedor de discípulos do Senhor Jesus Cristo. É realmente de importância mínima se trabalho para obter meu próprio sustento como discípulo fazedor de discípulos ou se outros me sustentam por causa das exigências da obra de fazer discípulos que realizo. O fato importante é que todos nós somos, juntos, fazedores de discípulos.
CAPÍTULO 11 - APRENDIZADO MINISTERIAL
Há vários erros comuns que cometemos:
Recrutamos somente aquelas pessoas que são como nós – pessoas que se harmonizam com nossa própria personalidade ou estilo de ministério.
Ignoramos o inconformista ou o revolucionário, que é mais difícil de ser treinado, mas que poderia evangelizar nações.
Deixamos de lado a pessoa criativa e intuitiva, que é fraca em administração, mas que alcançaria pessoas de maneiras que jamais pensamos.
Recrutamos a pessoa dinâmica, o jovem superstar expansivo e não a pessoa de caráter e conteúdo genuínos.
Recrutamos apenas para um tipo de ministério – geralmente, a forma tradicional de ministério em nossa denominação – em vez de começarmos com uma pessoa talentosa e piedosa e de pensarmos que tipo de ministério poderia ser desenvolvido em torno dela.
Não deixamos as pessoas escaparem da caixa em que as colocamos; não permitimos que elas superem as primeiras impressões que temos a seu respeito.
Esperamos demais para recrutar certas pessoas, e elas acabam tomando decisões familiares ou profissionais que fecham as opções de ministério.
A tarefa enganosamente simples de fazer discípulos se torna exigente, frustrante e difícil em nosso mundo, não porque ela seja difícil de ser compreendida, mas porque é difícil perseverarmos nela.
Nosso alvo não é fazer igrejas crescerem, e sim fazer discípulos.
A palavra “discípulo” significa, antes de tudo, “aprendiz” ou “pupilo”. É assim que nos tornamos discípulos e crescemos como discípulos: ouvindo e aprendendo a Palavra de Cristo, o evangelho, e aplicando sua verdade ao nosso coração pelo Espírito Santo. A essência da obra de videira é o falar diligente, guiado pelo Espírito, a mensagem da Bíblia, uma pessoa para outra (ou para mais do que uma). Várias estruturas, atividades, eventos e programas podem prover um contexto em que este falar diligente pode acontecer, mas sem o falar é tudo treliça e não videira.
Não existem estruturas ou contextos específicos para discipular. Em alguns lugares, o “movimento de discipulado” tem mudado a linguagem de fazer discípulos para dar a entender que somente o acompanhamento um a um constitui o verdadeiro fazer discípulos e que reuniões da igreja, pequenos grupos e outras reuniões coletivas não equivalem a fazer discípulos. O alvo de todo o ministério cristão, em todas as suas formas, é fazer discípulos. O sermão no domingo deve almejar fazer discípulos, bem como o pequeno grupo que se reúne às terças-feiras à noite, o café da manhã de homens que acontece uma vez por mês e a reunião informal de amigos cristãos que acontece nos sábados à tarde.
Este tipo de treinamento se parece mais com paternidade do que com sala de aula. É relacional e pessoal e envolve modelação e imitação. Para a maioria das igrejas e dos ministros, pensar em treinar desta maneira exigirá diversas “mudanças de mentalidade” quanto ao ministério – desde conduzir programas e eventos a focalizar-se em pessoas e treiná-las; desde trabalhar com pessoas a fazer outras pessoas crescerem; desde manter estruturas a treinar novos fazedores de discípulos.
O que obstrui a visão de fazer discípulos, dada por Cristo, nas igrejas cristãs? Na maioria dos casos, não é a falta de pessoas para serem treinadas nem a ausência de não cristãos para serem alcançados, mas padrões e tradições que restringem a vida da igreja. Estes obstáculos podem ser denominacionais e de longa existência. Ou podem ser o resultado da adoção da tendência mais recente de crescimento de igreja. Podem estar na mente do pastor, ou na mente das pessoas, ou – mais provavelmente – na mente de ambos.
No entanto, mais do que isso, em sua exposição regular das Escrituras:
Mostre como o evangelho da graça modela uma vida de louvor e de sacrifício por Cristo.
Entusiasme a congregação com os grandes propósitos eternos de Deus em fazer discípulos e formar uma comunhão de discípulos sob o senhorio de Cristo.
Chame a congregação ao discipulado radical.
Comunique a expectativa de que as coisas que estão sendo ensinadas do púlpito devem também ser transmitas a outros (você pode oferecer resumos ou perguntas de discussão para uso em ministério pessoal).
Pregue de uma maneira que ensine a igreja a entender a Bíblia e a comentá-la entre eles mesmos; mostre-lhes como você chegou às suas conclusões com base no texto exposto.
Aborde questões apologéticas e pastorais que serão úteis não apenas para os presentes, mas também para outros por meio do ministério pessoal dos presentes.
O princípio é: faça uma obra profunda na vida de poucas pessoas.
Ora, esta ideia só funcionará a longo prazo se os pequenos grupos estiverem funcionando bem – e, em especial, se os líderes dos grupos tiverem sido treinados a verem a si mesmos não apenas como facilitadores ou organizadores, mas também como fazedores de discípulos e “minipastores” das pessoas de seu grupo. Gastar tempo regular com seus líderes de grupos para treiná-los desta maneira pode ser a sua próxima prioridade.
“Não, você não entende sobre vendas”, ele disse. “Vender não depende de uma personalidade específica ou de alguém ter boa lábia. Tenho muitos homens trabalhando para mim que se julgam grandes vendedores porque são homens de ‘vendas’ ambiciosos e eloquentes. Mas não são realmente os melhores vendedores. A moça que está fazendo os maiores negócios está muito mais na retaguarda, mas ela é genuína. Ela transmite real interesse e sinceridade, fica perto das pessoas, as ouve e as entende e, depois, trabalha com empenho para ajudá-las a terem o que querem. Ela está fechando mais e mais negócios, mas, se você lhe perguntasse, ela não diria que é uma vendedora natural.” “Vender está ligado realmente a se você ama o produto, se o conhece bem e se você se preocupa com as pessoas e quer vê-las satisfeitas. Se você crê realmente no produto, você o venderá.”
Se as pessoas de sua igreja não querem servir, quão eficientemente elas estão sendo ensinadas e discipuladas? Quão eficiente e claramente o próprio evangelho está sendo pregado? As pessoas de sua igreja sabem que dedicar a vida em favor de outros é uma parte integral de ser cristão? Talvez seja tempo de retornar aos fundamentos e desafiar a força do compromisso das pessoas com Jesus como seu Senhor.
Se as pessoas de sua igreja não querem servir, quão eficientemente elas estão sendo ensinadas e discipuladas? Quão eficiente e claramente o próprio evangelho está sendo pregado? As pessoas de sua igreja sabem que dedicar a vida em favor de outros é uma parte integral de ser cristão? Talvez seja tempo de retornar aos fundamentos e desafiar a força do compromisso das pessoas com Jesus como seu Senhor.
Além disso, tendemos a gastar grande quantidade de nosso tempo com os que são necessitados – como novos frequentadores, os doentes e os que sofrem. Estas pessoas são importantes, mas não são as pessoas ideais em quem devemos investir realmente desde o início. Em vez disso, escolha algumas pessoas – ou mesmo apenas uma pessoa – que amam o crescimento e comece com elas.
Ou seja, em vez de apenas dizer: “Quem gostaria de vir e receber um treinamento para o ministério infantil?”, você lança uma visão para um novo clube ou ministério de crianças nas escolas locais. E, quando as pessoas são cativadas pelas possibilidades deste novo ministério, querem se envolver e começar a serem envolvidas.
A mudança de mentalidade designada “treinamento” também acrescenta uma dimensão à quão bem as pessoas ouvem seu ensino e aprendem dele. Se a cultura permanente de sua igreja é que cada cristão não é apenas um ouvinte, mas também um comunicador, isso muda o modo como eles ouvem. Não há nada como ter de explicar o evangelho para motivar alguém a aprender realmente o que é o evangelho.
Se o líder do grupo vê-se a si mesmo não como um coordenador ou diretor mas como um treinador, isso muda completamente os alvos e a dinâmica do grupo. O alvo do líder do grupo se torna o mesmo alvo de todo o ministério – não apenas fazer discípulos, mas fazer discípulos fazedores de discípulos.