"You are a hurricane of a girl. Remember to breathe every oncein a while, do not drown within your own storm."
Name: Maud Coraline Hardwick.
Place of birth: Londres, Inglaterra.
Age: Dezessete anos.
Breed: Bruxa.
Blood status: Muggleborn..
Occupation: Sétimo ano, Gryffindor.
Extracurricular: Chaser do time de quidditch, Clube de Duelos.
Wand: 25 cm, Teixo, núcleo feito a partir da pena de uma fênix, volátil.
FC: Zoey Deutch.
Player: Nanda.
Maud Hardwick havia sido um acidente desde o princípio. Ela sabia disso da mesma forma que sabia acender um cigarro para o pai e beber alguns goles de firewhiskey sem fazer nenhuma careta antes dos dez anos de idade. Não há nada de poético no começo de sua história. Não há amor verdadeiro, não há romantismo, não há promessas de fidelidade ou planos para uma família no futuro. Há apenas o desejo. Puro e simples. Pele contra pele, dois corpos unidos em meio a suor e a necessidade de arrancar um pouco de prazer a partir de outra pessoa. É quase egoísta, na verdade, mas é como as coisas são.
Jack era alto, bonito e assustadoramente atraente como todo bad boy deveria ser. Com um maxilar perfeitamente quadrado e bem desenhado, cabelos cor de areia e maldosos olhos azuis, ele é uma visão. O jovem vindo do interior da Inglaterra com um violão nas costas e o desejo de conquistar Londres com sua voz rouca e profunda vivia num apartamento decadente no centro da cidade e só conseguia pagar o aluguel e a pouca comida porque tocava em pubs quase todas as noites e completava a renda mensal fazendo vezes de barista. Havia sido sortudo o suficiente para despertar a simpatia do dono do bar em que trabalhava, um homem de meia idade cuja risada parecia um trovão, o hálito cheirava a cigarros e as roupas surradas a almíscar. O velho Alfie o tratava como um filho e era uma das únicas pessoas que acreditavam em Jack e em seu talento musical, algo que o jovem jamais esqueceria.
Foi em uma de suas noites trabalhando no bar que conheceu Elle Kingsley. Com cabelos e olhos escuros, belas maçãs do rosto e as pernas mais incríveis que ele já havia visto em toda a sua vida, eles eram como fogo e gasolina, queimando juntos em becos escuros, no depósito do bar, na cama de lençóis desbotados de seu apartamento, no banco de trás de seu carro velho,qualquer lugar.
Para Elle, uma jovem de classe média alta que cresceu com todo o privilégio que o dinheiro de sua família podia comprar, ele era o perigo e a emoção que ela nunca havia tido em sua vida. A jovem Kingsley havia acabado de se formar na Universidade e não fazia ideia do que faria com o seu diploma. Com um pai membro do Parlamento inglês e uma mãe que se preocupava apenas com suas jóias e o que vestiria no próximo evento social, aquela era a sua fase de rebeldia tardia e as noites passadas em meio a fumaças de cigarro, garrafas de bebidas e mãos famintas era a sua forma preferida de esquecer de seus problemas, de sua família distorcida e das expectativas que eles tinham para o seu futuro. Jack fazia seu sangue correr mais depressa e conseguia tocá-la exatamente onde ela precisava e isso era suficiente. Elle jamais desejou um relacionamento, nunca quis que o que tinham evoluísse e havia deixado isso bem claro desde o começo. Apenas diversão, nada mais e nada menos do que isso.
Mas as vezes o destino escreve errado por linhas tortas. As vezes os deuses preparam algo para nós, as vezes eles se permitem nos dar uma chance de mudar nossas vidas e nós nem ao menos conseguimos ler através das entrelinhas.
A chance de Jack e Elle, duas almas torturadas por seus próprios problemas e passado controverso, veio através de uma gravidez.
Dessa situação, poderíamos ter muitas versões diferentes de uma mesma história. Talvez Jack e Elle pudessem ter aceitado que eram estranhamente perfeitos um para o outro; talvez pudessem ter recebido aquela criança como uma forma de finalmente encontrarem seu lar e de tentarem construir uma família juntos e assim contornar os golpes que já haviam sofrido da vida. E mesmo que não desejassem ter um filho, mesmo que não estivessem preparados para tamanha responsabilidade, poderiam ter mandado o bebê para adoção e continuado com suas vidas, cada um seguindo para um lado. Havia uma série de opções que poderiam ter acabado bem e trazido um final feliz para essa história, sem corações partidos ou mágoas capazes de sobreviver por anos. Mas nós somos fruto das escolhas que fazemos e mesmo que elas levem um tempo, tudo que vai eventualmente volta. Tudo.
Jack Hardwick e Elle Kingsley, diante de uma gravidez inesperada, escolheram tentar. Ela deixou a casa dos pais e se mudou para o apartamento velho e decadente dele, em um prédio antigo localizado em um bairro violento de Londres onde o despertador era o som do trem passando como uma flecha a alguns metros, os vizinhos do andar de cima resolviam brigar no meio da madrugada e os moradores só não eram vítimas da violência porque eram protegidos pela gangue local. Tudo era completamente diferente do que estava acostumada. Não havia mais condomínios de luxo, festas em boates populares com os amigos ou brunch aos domingos. Elle tentou se acostumar e no início estava até bastante entusiasmada com sua nova vida, mas ela provavelmente sabia desde aquela época que não conseguiria ficar ali por muito tempo.
Maud Coraline Hardwick nasceu durante um vibrante e colorido verão. Elle estava em trabalho de parto há horas e a exaustão estava mais do que visível em sua expressão cansada, os cabelos colados no rosto por conta do suor e a voz rouca de tanto gritar. Do lado de fora do quarto de hospital, Jack andava de um lado para outro no corredor, o som de suas botas ecoando no assoalho branco e imaculado e entrando em sinfonia com os berros da mulher. As duas horas da tarde, o choro do bebê soou, tão forte e estridente que inundou o andar inteiro e fez todos pensarem que se tratava de um menino forte e saudável. Somente meninos choravam daquela forma, tão alto e confiantes, como se dispensassem apresentações. Minutos mais tarde, quando foi permitido que o pai entrasse no pequeno quartinho e Jack segurou aquele pequeno pacote feito de manta branca, alguém murmurou ao fundo: “Should’ve made this one a boy”.
E mesmo em seus primeiros meses de vida, era possível notar o quanto ela era parecida com a mãe. Maud só não sabia que isso seria o que mais detestaria a seu respeito alguns anos mais tarde.
Os primeiros anos da pequena família foram bastante felizes, isso é verdade. Ainda vivendo no apartamento em Londres, Elle havia conseguido um bom emprego e Jack agora era gerente do bar do velho Alfie e mesmo que tivessem uma situação financeira precária, não era como se faltasse comida na mesa. As brigas entre o casal eram frequentes e os dois chegavam a gritar um com o outro por horas enquanto a pequena Maud tentava se distrair com desenhos com lápis de cor e tampar os ouvidos para evitar os berros, mas que casal não tinha suas desavenças?
(Talvez eles estivessem cegos demais para notar que talvez aqueles fossem sinais do que viria pelo futuro).
Algum tempo mais tarde, Elle se deu conta de que a vida familiar talvez não fosse exatamente o que ela queria (ou quem sabe uma vida com aquelafamília). Não suportava mais ter que trabalhar todos os dias da sua vida e cuidar de uma criança em suas horas de folga, mesmo que Jack cuidasse de Maud tanto quanto ela, talvez até de forma melhor. Somente depois de dar as costas a vida que costumava ter foi que se deu conta do quanto sentia falta de tudo e, depois de mais uma briga entre o casal, Elle resolveu ir embora.
Maud tinha quatro anos de idade quando a mãe deixou a ela e ao se pai, despedindo-se apenas um bilhete dentro do guarda-roupa completamente vazio, e a visão de sua mãe saindo do apartamento para nunca mais voltar a arruinou para sempre.
Não foi fácil juntar os pedaços. Tanto Jack quanto Maud estavam devastados pela ida de Elle, cada um sentindo falta dela do seu jeito. Mas ao invés de lamentar-se a respeito, Hardwick decidiu que cuidaria de sua pequena da melhor forma que poderia. No final, somente o amor de seu pai foi capaz de cicatrizar as feridas deixadas pelo abandono da mãe. Cicatrizar, sim, porque elas jamais seriam curadas. E foi assim, aos poucos e lentamente, que os dois reconstruíram suas vidas.
A menina cresceu com uma liberdade dificilmente dada a crianças de sua idade. Jack e Maud cuidavam um do outro e era impossível não enxergar isso. Eram pai e filha mas, acima de tudo, eram melhores amigos. Quando não estava na escola primária, fazia companhia ao pai no bar onde ele trabalhava, rindo das piadas do velho Alfie e conversando com os clientes e amigos de seu pai como se fosse um deles. (E ela de fato era). Das memórias da infância, Maud se lembra com clareza de dormir nas cadeiras do bar porque estava cansada demais e se recusava a ir para casa sem o pai, de passar horas sentada no balcão conversando com os amigos barulhentos de Jack, de se achar responsável e adulta por servir uma bebida sem derramar uma gota, do pai levá-la sentada em seus ombros para os lugares e de sentir como se aquele grupo estranho de pessoas fosse a sua família. Sua verdadeira família.
Nunca sentiu falta da mãe e mesmo que as vezes a saudade dela se esquivasse por sua mente como uma aranha sorrateira, ela sempre a esmagava com um sapato.
E então os acontecimentos estranhos começaram. Primeiro, foi um copo que flutuou no ar depois da garota esbarrar acidentalmente nele, depois eram caixas de cereais que se moviam sozinhas. Ver a filha fazer cada vez mais coisas estranhamente excepcionais comprovou que era Maud a responsável por aquilo, mesmo que não entendessem o motivo. Por anos tentaram buscar explicações e a única que encontraram era que Maud certamente era uma mutante, como aqueles que ilustram histórias em quadrinhos. Só descobriram a verdade dias após o seu décimo primeiro aniversário.
Magia. Ela quase não conseguia acreditar. Levou algum tempo para que seu pai deixasse de achar que aquele homem vestido com roupas estranhas estava falando sério e não participava de algum tipo de pegadinha. Tiveram receio, sim. Afinal, quem não sentiria caso descobrisse que sua única e tão preciosa filha estava destinada a fazer parte de outro mundo? Ainda assim, a apoiaram e concordaram em enviá-la para estudar em uma escola que nunca tinham ouvido falar. Maud? Bem, ela só estava feliz em saber que unicórnios e dragões de fato existiam.
No dia primeiro de setembro, quando o chapéu seletor tocou seus ondulados cabelos castanhos, Maud teve certeza de que estava prestes a vomitar mesmo que não tenha comido quase nada o dia inteiro. “Interessante”, ele disse, e ela se sente estranha com a presença desconhecida e a sensação de que alguém está revirando suas memórias e seus pensamentos mais profundos. “Você é forte, menina, posso ver isso. Você tem fogo em suas veias, uma vontade grande de viver, experimentar e agarrar a vida com as mãos. Não acho que exista morada melhor para você…”, o chapéu falante fala, e Maud mal conseguiu ouvir para onde havia sido colocada, mas ela correu e direção a mesa de alunos com gravatas cor de carmim que a recepcionaram calorosamente. Ela sorriu quando se sentou à mesa, sentindo uma sensação morna e engraçada. Estava prestes a pular de olhos vendados do alto de um precipício para o desconhecido mas não tinha medo porque se sentia parte de algo.
Gryffindor foi a casa para onde foi selecionada. Logo nas primeiras semanas de aula, fez tanto amizades quanto inimizades, porque a menina de cabelos castanhos era simplesmente impaciente demais para lidar com pessoas dotadas de um errôneo complexo de superioridade. Com Quadribol, foi como amor a primeira vista. Quer dizer, quem não se apaixonaria por um esporte onde se pode voar? Logo no início, Maud queria saber absolutamente tudo sobre a modalidade, desde as posições até as regras e jogadas, os times, seus jogadores e os campeonatos. Aprende a voar nas aulas de Voo do primeiro ano e precisa insistir muito para conseguir uma vassoura de presente do pai para que pudesse praticar durante os verões. Rapidamente descobriu que possui mais facilidade para jogar como Chaser por sua agilidade e desenvoltura, e é por isso que consegue uma vaga no time de sua casa quando participa dos testes no quarto ano. Destacou-se em matérias como Trato das Criaturas Mágicas e Feitiços, mostrando-se uma talentosa duelista depois de ingressar o Duelling Club, mas também percebeu que era um completo fracasso em Poções, História da Magia e até mesmo Transfigurações. Suas notas eram aceitáveis, o suficiente para que fosse considerada uma aluna mediana e tivesse algumas poucas possibilidades profissionais a sua frente, mas Maud nunca realmente se interessou por ocupações práticas.
Ela sempre gostou de literatura. Ou melhor, poesia. Gostava do impacto que algumas palavras podiam causar, da sensação de frio na espinha que sentia quando lia alguns versos simplesmente magníficos e de como eles pareciam refletir exatamente o que ela sentia e não conseguia expressar. Foi essa paixão que a faz fundar um pequeno clube de poesia que se reunia no pub de seu pai nas noites de sexta, onde recitava e sentia-se imensamente feliz apenas em ser ouvida. Ela gostava daquilo, do palco, do nervosismo, de atuar e recitar e de saber que poderia inspirar e ser inspirada. Keats, Byron, Bukowski, Whitman e Dickinson, estes eram seus heróis, os quais a garota fez questão de homenagear colocando seus nomes em seus muitos animais de estimação. E foi assim que descobriu que, mesmo que poesia fizesse seus olhos brilharem, era a dramatização, o teatro e o palco que faziam seu sangue correr mais depressa. E Deus, como ela era boa, um dom quase natural.
Apesar dos cabelos escuros, olhos cor de chocolate e traços delicados passarem uma imagem ingênua e doce, Maud Hardwick não é realmente aquilo que aparenta. Ela sempre achou que era muito difícil se parecer tanto fisicamente com alguém que ela detestava - sua mãe. A gryffindor é dona de um espírito livre difícil de ser controlado, sendo extremamente semelhante ao pai quando diz respeito a seu desejo de correr atrás de seus sonhos e desejos com uma determinação sem igual. É, de fato, uma lionheart, mas talvez sua característica mais marcante seja a teimosia. O fato de ter crescido sem alguém para chamar de mãe não a tornou menos feminina ou provocou lacunas em sua educação. Mesmo que demonstre total indiferença a respeito de sua mãe e ao fato de Elle ter deixado a ela e ao pai quando Maud tinha apenas quatro anos de idade, a garota é extremamente ressentida com isso. Nunca realmente falou a respeito, mas guarda uma enorme mágoa da mãe e evita suas tentativas de aproximação a todo custo. Chegou inclusive a queimar suas cartas em uma lata de lixo do quintal quando Jack as entregou a filha, assustando a todos quando repetiu com uma expressão zangada que jamais queria ouvir o nome daquela mulher novamente. É evidente como esse delicado assunto deixou nela feridas incuráveis, tornando-a cética demais para alguém tão jovem. Procura manter uma postura de alguém que não se importa muito com assuntos do coração, mas na verdade tem medo de qualquer um que se aproxime demais e a faça se apegar mais do que poderia ser considerado natural. Esconde-se em uma armadura de indiferença exatamente porque tem medo do que é capaz de sentir. Comporta-se como mãe ao invés de filha, sempre cuidadosa com Jack e tomando conta do pai como se fosse seu próprio filho, o que a torna alguém deveras responsável para a sua idade. Extremamente unidos, compartilham do fascínio pela música e foi com o pai que Maud aprendeu a tocar diversos instrumentos, desde o violão até a rabeca, o piano e a flauta, seu preferido.
Possui uma língua ferina que não perdoa ninguém e traz uma bagagem de comentários sarcásticos, mal educados e ácidos consigo. Fala palavrões como um marinheiro e não se importa muito com a opinião alheia ou com o que pensam a seu respeito. Sua aparência, a forma como se veste e se porta sempre foi a melhor forma de defini-la - Maud e seus lábios pintados de batom vermelho escuro, os longos cabelos escuros e maçãs do rosto perfeitamente desenhadas. Maud e seus shorts de cintura alta, seus coturnos, camisas de banda trouxa e jaquetas de couro. Maud e seus cigarros, seu temperamento explosivo e sua mania de achar que sempre tem razão. Maud e sua ingênua forma de pensar que nada poderá atingi-la e é exatamente assim que a vida irá atropelá-la como um trem.