‘ — Mas qual é a porra do seu problema? ‘ Micah-Elie já chegou perguntando, a feição desgostosa deixando claro a sua insatisfação com a cena que encontrara ao retornar para a cozinha. Sabia que deveria tê-lo levado, reconsiderou consigo mesmo, engolindo uma nova reclamação. Uma parte de si tinha pleno conhecimento de que exagerava, mas esta era pequena que passava desapercebido. ’ — Eu disse para você esperar ali no canto, Dagon! ‘ acabou cedendo, maneando a cabeça em negação. Podia não o ter pego no flagra, com as mãos nas panelas, mas Micah já se contentava com ele por perto das mesmas. ’ — As luvas são essenciais para se pegar nas panelas! Você não deveria ser inteligente para caralho? Onde é que está tudo isso quando precisa lembrar que minhas panelas não devem ser tocadas assim? Vamos, sai daí. Você hoje vai ficar somente olhando.’ @dagonwestwood
Pelo canto dos olhos, Micah percebia que os dois seguranças tratavam de descer do balcão às pressas como se precisassem, de repente, estar alerta. Em reflexo, olhou para a porta, surpreendendo-se ao ver @hxghxs. ‘ --- Meu Deus do céu!’ o resmungo foi dito em tom de reclamação e o suspiro pesado era altamente dramático. Na cozinha, Micah não tinha bem para onde escapar... não que dessa vez quisesse, na verdade, não tentar arrumar uma desculpa para se livrar da companhia do Hughes ainda era uma novidade para si. ‘ --- Você me aguentou por uma semana, o que diabos está fazendo aqui agora? ‘
As malas foram deixadas no chão da sala ao que finalmente voltava para casa. A fechadura da frente, graças à Deus, havia sido trocada; a madrasta abrira a porta e saíra para fazer compras após, contra sua vontade, lhe abraçar. Micah, por sua vez, jogou-se no sofá, soltando um suspiro cansado. Estava mais relaxado, não podia mentir; mas também sentia-se exausto da viagem, queria dormir em sua cama e acordar apenas no outro dia. Mas claro, havia no peito a saudade de @ray então apenas tombou a cabeça para trás no sofá, olhando para a escada que dava para o andar de cima. ‘ --- RAYNNA! ‘ gritou. ‘ --- A COZINHA ESTÁ PEGANDO FOGO! ‘ completou, o sorriso mais calmo, que em nada combinava com os gritos anteriores, aparecendo nos lábios.
Os primeiros acordes do violão trouxe uma certa tranquilidade para Micah. Adorava aquela cafeteria justamente por causa daquilo: música ao vivo. O moreno soltou um suspiro suave, olhando para a rua; a chuva caía fortemente do lado de fora, mas ali dentro estava quente e aconchegante. A voz que quebrou o silêncio com uma canção, contudo, lhe deixou surpreso. Que porra…? A cabeça rapidamente virou na direção do pequeno palco, os olhos arregalados ao ver a figura pouco conhecida, mas que não dava para negar. Era @sebmaddox. Uau, o que um dos rapazes da classe alta fazia cantando em um café? Só conhecia-o por ter estado no último ano quando o rapaz entrou para o colegial, era estranho vê-lo sem a postura superior e arrogante; tanto é que, arqueando uma sobrancelha, Micah-Elie não conseguia deixar de encará-lo.
Era a primeira vez em que não se importava tanto com a aparência; o terno completamente composto pela cor preta estava ensopado pela chuva que caía sobre as ruas de Nova Iorque, o rapaz tampouco preocupava-se em abrigar-se, apenas continuava caminhando normalmente, havia acabado de sair de um funeral, seguido de um voo turbulento na tentativa de escapar dos olhares preenchidos com pena e condolências. Adentrou a área coberta de uma lanchonete, aguardando enquanto a tempestade parecia não ter fim. “ Eu te aconselharia a não tomar isso. ‘Tá vendo aquela garçonete? Ela me contou uma vez que costuma cuspir nos cafés pra tentar, de alguma forma, compensar a vida miserável que leva aqui. ”
Apesar dos últimos meses complicados, Micah, agora, sentia-se mais leve. Consideravelmente mais leve. Nada como uma viagem para descontrair, nada como voltar para casa e saber que a justiça tinha sido feita. Seu foco era chegar em algum lugar que estivesse vazio para que pudesse comer ao menos um pedaço de bolo, mas a chuva dificultava demais, o que lhe fez parar, soltando um suspiro pesado. Diria que foi sorte quando notou que parou embaixo de uma sacada de uma lanchonete e para os nomes dos cafés ele começou a olhar. Mas a voz ao seu lado roubou-lhe sua atenção. De todos os antigos estudantes da UEHS, aquele era o que menos lhe preocupava. ‘ --- Ela fazia isso no de todo mundo ou apenas no seu? Porque se for apenas no seu, eu entendo. ‘
IN MY LAST YEARS WITH HIM THERE WERE BRUISES ON MY FACE. IN MY DAWN AND NEW DAY I FINALLY GOT AWAY. ⌇ POV#02
tw: relacionamento abusivo
No instante em que abriu os olhos, soube que havia algo de errado. Um frio em sua nuca indicava a presença de alguém atrás de si; mas deveria ser algo que pudesse ter se acostumado, não? Desde que decidira passar alguns dias na casa dos pais, era comum que se arrastasse no meio da noite para o quarto da irmã, Raynna tinha o dom de fazê-lo acalmar-se, de trazer a paz e conseguir guiá-lo para os braços de Morfeu. Só que, dessa vez, parecia diferente. O ar não estava tão leve e custava a entrar em seus pulmões, um dos claros indícios do pânico que de si já tomava conta. O problema é que Micah conhecia aquela sensação de acordar já em alerta.
E isso só acontecia quando Augustus estava por perto.
Com os olhos enchendo-se abruptamente de lágrimas, o moreno virou-se com cuidado na cama. A figura masculina ao seu lado não estava adormecida, na verdade, ostentava nos lábios um sorriso suave, carinhoso. Os olhos esverdeados continham uma certa simpatia que não vira há tanto, tanto tempo, que Micah quase deixou-se levar-se. Quase.
‘ --- Augustus…’ sussurrou, arregalando os olhos. Como aquele homem entrara na casa de seu pai? Temia pela segurança de todos presentes, afinal, sabia bem do que ele era capaz. ‘ --- Como você entrou aqui? ‘ foi o que perguntou, tentando controlar a respiração que ainda vinha de forma tão difícil, porém agora mais acelerada.
“ Você achou que eu não teria a chave, amor? Seu pai me deu na primeira vez que viemos aqui para o aniversário da minha cunhadinha adorável, lembra?” a doçura se fez presente na voz rouca que, há alguns meses, teria lhe feito derreter e relaxar, mas agora que lhe trazia um terror e incômodo ao peito. O episódio dito pelo mais velho aconteceu há cinco anos, como poderia imaginar que ele teria guardado a chave? Durante todas aquelas semanas, sua família tinha estado em risco e ninguém suspeitava. Deveria ter seguido em frente com o processo, com o pedido de continuação para que seu ex-namorado tivesse que permanecer longe de si e de toda a sua família; tinha provas o suficiente para isso, mas algo dentro de si não o tinha permitido fazer.
Levantando-se da cama devagar para não levantar suspeitas, o moreno piscou fortemente para não deixar as lágrimas lhe atrapalharem. ‘ --- Deixe a chave aí na cama e saia, por favor. ‘ pediu entredentes, engolindo o nó que na sua garganta já se formara. Mas claro, não esperava que seu pedido fosse ouvido, então não surpreendeu-se quando o outro riu, levantando-se também da cama e esticando-se, aparentemente para espantar a preguiça. Micah deu um passo para trás assim que o mais velho mostrou sinais de aproximar-se de si, mas suas costas bateu no guarda-roupa assim que o corpo de Augustus pôs-se em sua frente; as mãos dele pousaram em seu quadril, apertando-lhe contra ele mesmo. O fato era: Micah podia ser alto, ter alguns músculos, mas ele nunca antes conseguiu reagir aos toques possessivos do ex. Parecia travar, o medo lhe sufocava pois com aquele que lhe prensava contra o móvel, era capaz de qualquer coisa.
“ Eu não vou embora sem você. “ Augustus respondeu, aproximando a face da do mais jovem, os lábios roçando na bochecha deste. Micah-Elie virou o rosto mas não conseguiu se impor quando uma das mãos alheias lhe tomou o rosto e o fez virar novamente para encará-lo. Com força o suficiente para machucá-lo. “ Tentei avisá-lo, meu amor. Esse mês que se passou não serviu para você ver que precisamos voltar para a Alemanha? Um ano atrás… você disse que casaria comigo. Suas férias aqui em Nova Iorque já terminaram, então?” e apesar do jeito doce, os olhos mostravam um fogo que o rapaz conhecia como a faísca antes do incêndio. Como se o destino quisesse provar que ele ainda conhecia o outro, Augustus puxou seu rosto e forçou-o abruptamente para trás, batendo sua cabeça na madeira da porta do guarda-roupa. “ Você é meu, Micah-Elie. E irá comigo de volta para a Alemanha. Eu não vou dizer isso de novo.” um beijo em seu queixo foi deixado, aquela altura, as lágrimas já caíam de seus olhos.
Sentia-se tão fraco quanto antes. Tão inútil por não ter forças para resistir, tão covarde. Aquilo tudo era sua culpa, nada teria acontecido se houvesse impedido que chegasse ao ponto de ser tão facilmente controlado por aquele monstro. “Me ouviu? Ou quer que eu leve seu pai comigo para conhecer nosso país, liebe? Oh, não, espera… sua irmãzinha. “ o sorriso alheio fez o mais jovem endurecer. Não queria levar sua família para o meio da confusão que era sua vida, mas foi justamente o que fez. “Vai voltar comigo, entendeu? Uma semana, liebe. Você tem uma semana para fechar aquele lixo de restaurante e dispensar os imbecis que aquele menino idiota colocou para vigiá-lo. Ou além de levar sua preciosa caçula comigo… “ novamente, Augustus riu. “ … seu amante vai desaparecer e ninguém irá encontrá-lo. Vou perdoar essa sua traição porque te amo, schatz. Ich liebe dich… mas não me teste.” como se para reafirmar a posição dominante ali, mais uma vez bateu-lhe a cabeça na madeira, dessa vez com um pouco mais de força.
E então Micah-Elie foi solto, os joelhos cedendo e ao chão caindo, a respiração ofegante e a visão escurecida brevemente.
“ És tão fraco, não vê? Eu preciso cuidar de você o tempo inteiro.” continuou a zombar, bufando um riso divertido ao mover-se pelo quarto que havia invadido, pegando o paletó e o vestindo calmamente como se o rapaz no chão fosse algo normal. E era, na verdade. Pelo menos antes do término vir. “ É melhor eu ir, seu pai foi até aquela padaria e ele só fica fora por meia hora, não? Quero fazer nossa ida uma surpresa… já que não sei se Raynna irá conosco, não é?” acrescentou ao que para a porta dirigia-se, lançando para Micah um último sorriso. “Uma semana.” repetiu, finalmente deixando-o sozinho, fechando a porta do quarto.
A realidade bateu-lhe rapidamente. Para o número que havia pego na delegacia logo na primeira semana de quando recebeu a ligação inicial de Augustus, Micah ligou. Os soluços o impediam de contar o que acabara de acontecer, mas conseguiu balbuciar superficialmente, desligando apenas para enviar as fotos de quando chegara até aquela cidade um ano atrás, quando estava machucado demais, ferido pelas mãos daquele que acabara de sair de sua casa. Às pressas, trocou de roupa e seguiu para a delegacia, não importando-se se estava ou não sendo seguido. Aquilo tinha que acabar. E não foi até que a denúncia estivesse efetuada, que Micah fizesse o que tão bem sabia.
Tudo tinha se tornado tão complicado em tão pouco tempo e Kieran não achava saídas alternativas para a situação atual da sua empresa. Aquilo era devastador. Ele não queria fechâ-la, não sabia fazer mais nada. Teria que voltar pra França? Teria que trabalhar novamente para o seu pai? Estava chegando em casa, jogou-se no sofá. Com as mãos no bolso, sentiu o celular. Pegou-o, passando pelos contatos. Apertou para começar a chamada com @micaelie. Chamou, chamou, até que o mesmo atendeu. Nem sequer disse oi, já foi logo ao assunto. ❛ — Você se importaria de conversarmos? ❜
O som do telefone tocando quase o fez pular de susto. Micah hesitou em atender, hesitou em olhar para o visor. Poderia muito bem ser Augustus novamente, aquela não seria a primeira vez no dia e o telefone ele acabara de ligar para pedir um uber para ir para casa. Mas tirando-o do bolso, soltou um suspiro ao ver que era apenas Kieran; muito mais tranquilo, atendeu. Não houve saudação, não houve brincadeira dessa vez. O homem parecia até mesmo sério, algo tão incomum. ' --- Não, é claro que não. Está tudo bem? Você está bem? '
“Aham” respondeu assentindo e rindo rouco. “Que?” questionou assustado pela informação abrupta. “Sério? Trinta e três minutos é muita coisa, cara.”
Bem, eu não sou médico nem nada, então não posso confirmar se isso é mesmo verdade... mas dizem que um cigarro é tipo, menos onze minutos de sua expectativa de vida, não? Você fumou três, ao que disse... então é. Isso tudo. Sua própria escolha.
Abanou com a mão, como se recusasse as desculpas dele. Não havia motivos para ele se desculpar diante dela, como se a morena fosse negar que ele viesse até sua casa. Ela até gostava, e no dado momento, precisava de um ombro amigo; não havia contado para ninguém desde então o caos que tornara-se sua casa. ❛ — Ei, pode ir parando com isso. Sabe muito bem que eu não me importo de te receber. E é claro que não. Vem, a Magnólia te cede um espaço na minha cama.❜ Sorriu, passando seu braço pelo dele, começando caminhar em direção ao quarto. Estava ela e os três gatos deitados na cama, era uma espécie de conforto para a menina. ❛ — É só deitar que elas se ajeitam depois. E não fala da minha série, por favor.❜
‘ --- Tem certeza que essas bebês irão me deixar deitar? Olha, eu não quero levar arranhão na cara. ‘ ele mesmo riu, seguindo-a para dentro rumo ao quarto. Na casa da amiga, Micah sentia-se mais seguro. Não apenas por ter uma companhia, mas por este endereço ser desconhecido ao ex-namorado. Ali, Augustus não poderia encontrá-lo. ‘ --- Sua série já perdeu a graça, convenhamos. Eu ainda não sei como você assiste essa desgraça. ‘ fez uma careta de desgosto para zombar do gosto alheio. Mesmo não sendo sua série favorita, não era como se tivesse algo contra.
No masters or kings when the ritual begins
There is no sweeter innocence
Than our gentle sin
In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am human, only then I am clean
“Desculpe” pediu, desviando o olhar. “Eu não costumo fumar. Na verdade essa deve ser a terceira vez que fumo na minha vida toda” contou sem nem se importar se o moreno queria saber desse fato de sua vida.
' --- Três vezes? ' as sobrancelhas foram arqueadas ao olhá-lo. Para quem não fumava com frequência, o rapaz não parecia incomodado com aquela fumaça. ' --- Parabéns, você está começando a aumentar suas chances de morrer com câncer de próstata e está diminuindo trinta e três minutos de sua vida. '
Assim que sua campainha tocou, Clarissa resmungou, tirando o notebook de cima das pernas, tendo que afastar uma das gatas coladas em suas pernas. Olhou pela janela e parecia ser quase noite. Puxou o roupão, pois o frio circulava dentro do local, mesmo sem saber qual das janelas havia deixado abertas. Caminha, ou melhor, saltitava até a porta. Ao olhar no olho mágico, a figura a sua frente lhe deixou apreensiva. Abriu a porta, dando espaço suficiente para @micaelie entrar. ❛ — Micah? O que está fazendo essa hora aqui? Tá tudo bem? Entra, entra. ❜ Segurou-o pelo braço, puxando para dentro do apartamento e fechando a porta atrás deles. Instintivamente, envolveu seus braços no pescoço dele e depositou um beijo em sua testa, ao ficar na ponta dos pés. ❛ — Vem, eu tô assistindo That ‘70s Show. ❜
O moreno sorriu um pouco sem jeito para a amiga, entrando no apartamento da mesma. Agora que encontrava-se sob um teto conhecido, que não fosse o seu, Micah-Elie sentia-se mais seguro. Principalmente se tratando de um local completamente desconhecido para Augustus, principalmente por ter feito o uber andar pela cidade por um bom tempo. ‘ --- Desculpe o horário. ‘ pediu, sorrindo fracamente. ‘ --- Está tudo bem se eu passar a noite aqui? ‘ pediu-lhe, fazendo uma leve careta. Teria que explicar o motivo em breve, sabia disso, mas também, não era como se em Clarissa ele não confiasse; podeira à ela contar o que fosse. ‘ --- Mas meu Deus, você só assiste essa coisa, garota? ‘
Assentiu, concordando com o rapaz. - Blizzard é como se fosse o minha amante, sabe? Minha esposa ainda é Bethesda, com quem eu casei e tive uma bela família. - explicou, com uma péssima comparação.
' --- Mas essa esposa está te decepcionando, não? Deveria pedir divórcio e ficar com a amante. Se tem uma amante é porque o casamento já faliu, minha cara. ' Micah também entrou na brincadeira de comparar, encolhendo os ombros.
“Brigar. Eu mesma.” Respondeu, dando de ombros.“Se quer saber eu soquei um cara que estava sendo babaca com a sua irmã no baile e acho que ele até quebrou um dente.” Exibiu um sorriso satisfeito com a lembrança de ter feito o homem sofrer. “Ainda falei…” Posicionou-se com uma expressão ameaçadora. “Para aprender a não mexer com nenhuma das minhas amigas. Foi tão legal!” Exclamou, batendo palmas empolgada. “Eu não sei… Bom, eu demorei muito para levantar hoje e a dor de cabeça foi suprema. Ainda mais que a Piper estava na minha casa vomitando.” Balançou a cabeça em negação, fingindo estar decepcionada com a amiga. “Mas acho que é costume. Estou ficando cada vez mais forte para bebidas.” Deu de ombros, sem se deixar levar por aquele assunto. O importante é que conseguira sair de casa e estava viva. “Eu entendo eles, Micah. Você lembra que precisava levar comida para mim quando ainda não sabia cozinhar, não lembra? Eu vivia de congelados e da comida da Mary. De vez em quando voltava para a casa dos meus pais só para almoçar.”
‘ --- Que cara que perturbou minha irmã? ‘ foi apenas a parte que Micah focou. Como assim? Havia estado tão distraído ao ponto de não perceber que sua caçula fora agredida verbalmente por alguém? O moreno corou levemente, não sabia que perdera tanto tempo assim com o acompanhante, na verdade, não sabia nem que a irmã havia ido para a festa. ‘ --- Obrigado por socá-lo, Kath. ‘ assentiu para agradecer-lhe, soltando um suspiro pesado. Que belo irmão ele era. ‘ --- Parabéns por isso, aliás. Eu ainda estou na luta de tentar me acostumar… me acostumar até com festas nesses horários loucos. Não sirvo para isso. ‘ negou com a cabeça, fazendo uma leve careta. ‘ --- Mas meu pai regia o restaurante antes de começar a ser professor, Kath. Ele sabe cozinhar, ele não faz por pura preguiça! E aquela mulher dele? Meu Deus, nem pra cozinhar aquela mulher serve. Me arrependi de ter ido dormir lá. ‘
A resposta dada pelo desconhecido fez seu ego inflar, mas ao invés de falar alguma coisa, apenas deu uma risada, aproveitando a pausa para sentar um pouco no banco que tinha para beber uma água. ❝ Depende. Envolveria bater em alguém? Porque se sim, eu super topo. ❞
Provavelmente sim, na verdade. Se o imbecil do meu ex se aproximasse, você poderia quebrar a cara dele com quantas porradas quisesse, eu ia até aplaudir. Mas você aprendeu a bater assim aqui mesmo? Porque caramba, parece que eu estaria no lugar certo.
Reconhecendo a voz que lhe respondia, Katherine abriu um dos olhos, sorrindo aliviada ao ter certeza que se tratava apenas de Micah. Contraiu os lábios ao constatar que ele tinha razão, nunca havia visto um filme em que a vítima não estivesse com a boca tapada. “Ah, mas eu iria cantarolar até eles não aguentarem mais. O que não me falta é repertório.” Garantiu, sentindo-se esperta novamente. Não teria como alguém gostar de sequestrá-la. Tinha certeza. “E eu ainda sou muito boa de briga.” Guardou os fones de ouvido na bolsa e se aproximou do amigo para cumprimentá-lo direito. “Como estamos?” Questionou deixando um beijo na bochecha alheia. Katherine lembrava de ter tido alguma conversa com o outro na noite anterior. O resultado não lhe era fresco na mente, mas tinha quase certeza que envolvia seu pai e toda a situação no escritório. Bom, o que importava era que Micah havia entendido que os dois estavam em bons termos. “Passeando por aqui?”
‘ --- Eles definitivamente iriam pagar para sua família te receber de volta. ‘ Micah-Elie completou, assentindo. O moreno riu com tais dizeres, revirando os olhos. ‘ --- Eu acho que você teria mais sucesso em apenas cantarolar e tentar irritá-los com as músicas, Kath. Brigar? Você? Certo. ‘ o sorriso alargou ao sentir o beijo em sua bochecha, sentiu-se um pouco mais relaxado em saber que a amiga, mesmo sóbria, realmente parecia disposta a o perdoar. Tivera medo de ser apenas o álcool falando mais alto na noite anterior, o que o lembrava de quão ébria a mais jovem encontrava-se. ‘ --- Acho que quem deveria estar lhe perguntando isso era eu, considerando que ontem você deve ter bebido todo o estoque do cara rico. Como diabos você parece tão inteira? Eu que não bebi nada me sinto meio morto. Resolvi vir na padaria ali da frente para tomar um café decente porque na casa do meu pai não tem nada! Eles praticamente vivem de take-out, Kath, como podem? ‘