Ir a um jogo de futebol: CHECK. Já voltar dele...
E eis que a dona deste ~tâmbler~ riscou mais um item da lista que foi ir a um jogo de futebol.
E ainda bem que o objetivo era só ir, porque voltar foi difícil, viu? Mas a gente é brasileiro, e, como dizia o chavão, num desiste nunca, né? E essa aventura redeu tanta coisa, tanta reflexão, tanto aprendizado, que merece ser contada por partes.
Se você é desses que acha que os problemas do Brasil existem porque alguém resolveu que dava pra fazer uma Copa do Mundo aqui, pode parar de ler esse post porque você não vai gostar.
Eu sempre achei, na boa, e continuo achando que a Copa vai trazer mais coisas boas do que coisas ruins. Que esse é um momento mais que oportuno pra a gente reclamar, gritar e ser ouvido pelo mundo inteiro (alô galera de Sampa, eu tô com vocês) e que o Brasil tem dinheiro suficiente pra Copa, pra educação, pra a saúde e pra caralho a quatro. O problema do país não é falta de dinheiro, é falta de vergonha na cara de muito político, falta de voto consciente, falta de protesto (até agora <3) e uma falta de autoestima surreal.
Mas isso renderia mais que um post, renderia uma dissertação. Então vamos em frente.
Eu não gosto de futebol, não entendo de futebol, mas sempre quis ir pra um estádio nem que fosse pra confirmar isso. Confirmei. Desculpa aê a decepção.
A ida pra Arena foi tranquila. Demorada (afinal o estádio é longe pra cacete), mas tranquila. Deixei o carro no Shopping RioMar e paguei um preço fixo no estacionamento + R$5,00 pelo transporte de ida e volta.
Quando cheguei ao metrô tava tudo bem tranquilo, não peguei o trem lotado demais e tive acesso rápido a informação, embora não tenha precisado por já ter ido bem informada do caminho.
Soube de uma galera que enfrentou dificuldade, mas acho que não passei por isso porque saí atrasada. Cheguei sem maiores problemas e depois de mais um ônibus (peguei vazio) fui pra Arena.
O lugar é lindo, maravilhoso, sensacional. Dá pra ver o campo inteiro de qualquer ponto. O som é um espetáculo. A entrada e a saída do estádio foram rápidas e sem preocupações. Os voluntários estavam bem organizados e o esquema de segurança também. Não tive problemas em achar meu assento. A comida era cara, as lanchonetes tinham filas enoooooormes e ainda por cima acabou tudo antes do jogo terminar. Mas como eu sou pirangueira e não tava afim de pagar oito pila num cachorro quente, saí “comida” de casa e só comprei uma água e uma cerveja.
Aí, meu amigo, o bicho pegou.
Imagine 41 mil pessoas saindo ao mesmo tempo, pelo mesmo lugar e dependentes, quase que exclusivamente, do mesmo meio de transporte. Pois é, caos.
Passei mais de uma hora pra conseguir PEGAR O ÔNIBUS que ia pro metrô.
Mas o problema maior, nem foi a quantidade de ônibus X a quantidade de pessoas. Foi a desorganização do evento mesmo.
A princípio, existia uma fila que levava as pessoas pras paradas e cada ônibus parava em um local específico. Era demorado, mas era o mais justo. O problema foi quando algumas pessoas (dessas bem idiotas) resolveram cortar o caminho das filas e passar na frente de todo mundo, sem respeitar as grades. E isso só foi problema porque a polícia e a organização do evento deixaram acontecer ~de boa~.
Ao ver que, mesmo estando cumprindo o papel correto de respeitar a fila, as pessoas não iam conseguir chegar ao ônibus por conta dos espertinhos de plantão, a fila acabou.
Parte 6 – A educação das pessoas.
Essa foi a parte mais legal. Eram 41 mil pessoas. Umas 1.000 furaram a fila e fuderam com tudo. As outras 40.000 deram um show de civilidade. Juro.
A galera voltou apertada, no sufoco, vaiando a copa, vaiando a organização, mas com bom humor e muito respeito. Inclusive, a turma que furou a fila levou um vaia de fazer vergonha. Todo mundo tava tentando se ajudar e achar a melhor solução. Uma pena que a única solução encontrada foi se espremer nos ônibus que os espertinhos furões de fila já tinham lotado.
Eu mesma fiz uns 15 amigos no meio do tumulto. Gritei pro pessoal que ficou de fora quando consegui o ônibus, avisando onde eu tinha pego o danado e isso se multiplicou instantaneamente. Se existe ainda a possibilidade de uma Copa do Mundo dá certo por aqui, vai ser graças a essa galera, que não fica na de “aaaaah, mas porque brasileiro é tudo mal educado” e faz a sua parte. Isso foi massa, velho. Foi mesmo.
Olha, essa parte da conclusão é beeeeem pessoal.
Eu acho que o negócio tem jeito. Basta boa vontade e inteligência na hora de fazer as coisas. A primeira coisa a se mudar é o respeito com os voluntários. Eu soube que o pessoal que tava trabalhando lá quase ficou sem ônibus pra voltar. Cara, a gente precisa dessa galera pra tudo. É bom tratar ela bem.
Outra coisa é: NÃO DÁ PRA TER SÓ UMA OPÇÃO PRA CHEGAR NO METRÔ. Tem que ter mais estacionamento pra quem quer ir de carro, tem que ter outras saídas, tem que ter mais ônibus. Tem que ter.
E sem esquecer: tem que ter organização. Faltou gente pra organizar e polícia pra fiscalizar. Não pode rolar furação de fila. Isso tem que tá na lista de coisas inadmissíveis no Brasil. É difícil, porque é cultural. Mas a gente consegue.
Eu ainda acho que pode dar certo. Não mais pra Copa das Confederações, essa daí já foi e já deu em merda. Mas pra Copa. Já que ela vai acontecer, vamo fazer a parte de gente e cobrar que o governo faça a parte dele.
Sentar e reclamar não vai adiantar.
Vamo cobrar, vamo gritar, vamo protestar, vamo pra rua.
E quando eu falo isso falo da copa e de todo o resto. São Paulo tá mostrando pra gente que vale a pena sair da inércia. Com os holofotes em cima desse país, a hora de mudar as coisas é mais que oportuna. É agora.