Ler o terceiro volume da série Abarat levou mais tempo do que eu pretendia. Muito mais tempo. E esse tempo todo não é, de forma alguma, uma mostra de que o livre seja ruim. Pelo contrário, é maravilhoso. Mas a vida se intromete e coisas acontecem... e quando a gente vê já se passou quase um mês. Eu li o livro em duas vezes... comecei com vontade de ver o que iria acontecer com a Candy depois de as águas do mar de Izabela terem deixado o mais-além, levando consigo pedaços de tudo e mais um pouco, incluindo a Candy e seus amigos, mesmo que separados. Temporariamente.
As Ilhas-Horas de Abarat tem o dom de juntar aqueles que precisam estar juntos, então não demora muito para que Candy e Malingo se encontrem novamente. A Meia-noite está planejando e os planos se encaminhado. Mater Motley, avó de Carniça, está se preparando para dominar todas as ilhas e trazer a meia-noite absoluta. Para isso, ela vai cobrir os céus com uma espécie de criatura (genética ou magicamente modificada) para produzir uma substancia grudenta que seca rapidamente e cobre completamente o céu, sol, luas e estrelas. A hora mais escura chegou ao Abarat e para tentar impedir que isso aconteça, Candy ainda tem que se livrar da hospede inoportuna em sua própria mente, a princesa Boa, que foi um dos motivos que levou Candy ao Abarat.
E em meio a todas essas confusões, encontros e separações... a vida real se mete e me separa do meu cachorro. Quase 8 anos de convivência, e de um momento para o outro... ele se foi. A perda dele me deixou tão apática que nem ler me trouxe consolo, o que causou um atraso na leitura que foi completamente inesperado. Principalmente em um livro tão cheio de histórias, de cores, de vidas, como Abarat. Mas a vida continua, o trabalho, as horas e as leituras não agüentam ficar parados para sempre. É preciso seguir em frente, assim como Candy, que não se deixou abater quando se viu sozinha em sua própria mente pela primeira vez.
Com a princesa fora de sua mente, Candy precisa descobrir, e rápido, do que ela é realmente capaz, e qual, exatamente, é a parte dela na história das Horas. E é isso que ela faz, com seu fiel amigo Malingo, Candy se reencontra com os outros heróis e um plano começa a ser feito para derrotar aquela que quer ser imperatriz de tudo.
Carniça aparece, para avisar dos planos da avó. O pai de Carniça aparece, buscando redenção de todo o mal que já fez.
Candy conhece Gazza, que se apaixona perdidamente por ela em poucos segundos. A Meia-Noite Absoluta chega. Todos os que são considerados traidores por Mater Motley são levados para uma das horas mais escuras, láaaaaaa no canto das ilhas, onde o mar acaba.
E Rojo Pixler desce até o fundo do mar, procurando e sendo achado pelos Requiax. Ele é tomado por essa criatura das profundezes, e juntos tentam enfrentar Mater Motley, sem sucesso.
Uma nave é construída com a ajuda de seres que vem do além-das-estrelas, e é com a ajuda deles que Mater Motley se torna Imperatriz das Horas. Até o momento em que Candy atrapalha os planos dela e, em vez de matar todos aqueles que poderiam se colocar no caminho dela (aqueles que foram presos na ilha no fim do mapa), Mater Motley vê todos eles fugindo em um glyfo gigantesco, até saírem dos confins do mapa e pairarem sobre o vazio.
Candy, Zepherion Carniça, Cristovão Carniça e Mater Motley se encontram. Se enfrentam. E com a ajuda dos fugitivos no glyfo conseguem escapar. Momentaneamente. A nave gigantesca é derrubada, e a criatura de além-das-estrelas aparece para vingar Mater Motley, que foi temporariamente derrotada por Candy.
Malingo parece ter sido assassinado. As bonecas penduradas nas saias de Mater Motley (e que contém almas de várias pessoas assassinadas por ela) são parcialmente libertadas. Mas não é suficiente. Zepherion e Cristovão desaparecem. Não se sabe com certeza se ambos morrem ou não. Mater Motley volta para a décima terceira ilha, com planos a fazer. Candy, Gazza e o Malingo retornado enfrentam um último perigo: a criatura de além-das-estrelas, que já matou todos os costuradinhos deixados para trás pela megera.
Antes que possam se encontrar novamente com os Joões e os outros “traidores”, Candy, Malingo e Gazza são jogados ao mar e levados ao ponto em que o mar encontra o vazio.
Até que eles não caem mais.
E se vêem em um lugar completamente desconhecido. Possivelmente um outro mundo.
E assim termina o terceiro livro de Abarat.
E a montanha russa emocional que traz o fim dele me deixou com aquela sensação de não querer largar o livro. Como assim acabou? Ainda tem muito para acontecer. Infelizmente eu não sei quando o próximo volume vai sair, então até lá vou ter que me contentar em reler os três que já foram publicados... E esperar. Com a sensação de que colocar o livro de volta na estante é abandonar um amigo querido no momento que ele mais precisa.
E é assim que a gente sabe que um livro é realmente bom. Quando o impacto que ele causa na gente faz deixar ele de lado uma tarefa muito difícil.
Mas a vida continua. E a lista de livros a serem lidos continua imensa, então...