A História de 1000x Resist. Narração.
1000xRESIST é um indie indispensável com narrativa inesquecível.
Em uma das comunhões é explorado o passado dela. Vimos uma relação ruim com a mãe dela, através de sua percepção e mais tarde ela diz sobre sentir-se tratada como criança, sentir decepção a maior parte da infância.
A mãe matou a Bobo dentro do microondas (o hamster de estimação de quando ela era menor).
Ela fez muito mal a Iris e é interessante, coerente, o seguinte fato: Dentro dessa relação o amor existe, não verbalizado explicitamente, é um o qual as pessoas acabam não percebendo a ferida causada por elas nos outros, na verdade, percebem e continuam fazendo a ferida crescer até se tornar uma válvula, um desconto da raiva.
Ela gostava de pianos quando mais nova, a mãe dela e o pai compraram um. Depois ela passou a odia-lós. Quebrou propositalmente, a mãe dela acabou descobrindo e bateu nela.
Ela impediu um crescimento saudável, ensinou Iris ignorar vulnerabilidade, descartar tudo fragilidade, não chorar.
Dentro do quarto dela, na segunda comunhão acompanhados pela irmã laranja (chamada BB), vemos vários objetos em seu quarto. Está arrumando as próprias coisas, provavelmente para ir junto com os semideus.
Gosta muito de músicas, dos desenhos dela de quando pequena, ler livros, casaco amarelo (ela veste o tempo todo), ela diz não ser uma pessoa muito sorridente e ama bolo de frutas.
Ela tinha uma amiga chamada Jiao, elas quase se viam como irmãs. A Jiao costumava se inspirar nela, ela era mais nova e tinha um vocabulário parecido com uma patricinha, apesar do bullying não parou de ser determinada e feliz.
No dia do baile, mais tarde ela teve a última chance de dançar e a última chance de ser sincera.
Agora eu entendo o porquê o ginásio era uma memória que a Iris queria apagar, uma memória "error".
Aconteceu uma interferência, um invasor, e eles (a observadora e o secretário que estava na primeira comunhão) não acessaram o ginásio, pelo menos, não agora. Acessaram a morte da Jiao.
Cada passo era uma confirmação dos traços da doença. Até seu choro escondeu, talvez porque não fosse verdadeiro, não fosse porque ela estava com medo de morrer e não fosse porque ela era uma pessoa forte. Que sempre preferia sorrir para Iris.
E a doença finalmente arrancou cada lágrima dos olhos dela.
As outras pessoas morreram dentro do ginásio.
A Iris foi a única que sobreviveu nesse dia, por causa do dom de imunidade dela (ela não sabia disso ainda, ou talvez sabia. Não sei se foi antes dos semideuses irem até a casa dela e contar sobre isso ou se foi depois). Foi a única que ficou sozinha e continuou sozinha depois de criar um futuro. Ela não criou um futuro para si, criou para as pessoas que deveriam sobreviver, para salvar a humanidade.
E por isso foi levada pelos semideuses, abandonou sua mãe e o pai. Porque se ficasse, na cabeça dela continuaria sendo tratada como se fosse uma criança.
Ela chegou ao pomar no primeiro dia do primeiro ano. Ela aproveitou a nova liberdade, eles disseram "se sinta em casa". Estudaram a primogênita (Iris), e os testes deram supostamente errados e eles fizeram ainda mais testes, a memória está censurada, talvez foi perturbador? Desumano? São lacunas.
Ela matou esses semideuses, provavelmente tirando a imunidade deles? Suposição. Porque só sobrou somente ela.
Ela ficou sozinha, escondida em uma caverna.
E solitária, como nunca, ela arrancou da própria cabeça cinco fios de cabelo. E delas foram criadas cinco irmãs idênticas.
Depois educou essas irmãs com as próprias regras. Esclareceu que ela é a criadora, salvadora e a provedora da vida delas. Esse poder é somente dela, e as irmãs estão proibidas de fazerem o mesmo, estão proibidas de criarem suas próprias irmãs.
Esse era o principal fundamento: "Se arrancarmos um fio de nossos cabelos, abatamos como carneiros".
Ela passou a ser chamada como "GRANDE MÃE".
Ela tinha dificuldades para controlar as brigas entre elas, então presenteou cada uma com um poder diferente.
Observadora, uma das funções mais importantes.(irmã azul, como Ultimogênita)
Cuidadora. (irmã rosa)
Dom de cuidar.
Zeladora. (Irmã verde)
Dom de zelar
Conhecedora. (Irmã roxa)
Dom de conhecer.
E a Irmã laranja. Ela tem o dom da defesa militar e da espionagem.
Um dia as irmãs estavam brincando de esconde-esconde com a observadora.
Ela procurou até o anoitecer, não as encontrou, sentiu que falhou.
Pela escuridão ela buscou, até encontrar uma cachoeira que se abriu diante dela.
A Ultimogênita achou desenhos da Iris, na caverna, um diário da Jiao e um tufo de cabelo dela.
Ela teve uma ideia, mas repetiu o mandamento: de que elas eram proibidas de criarem irmãs. Mas pensou que aquilo fosse uma exceção, ela queria deixar que Iris se sentisse menos sozinha.
Trabalhou a noite toda nisso. E criou Jiao.
Mas não era ela, era uma versão com metade do rosto "imperfeito".
Ultimogênita não sabia o trauma que acompanhava a Grande Mãe.
No dia seguinte, no aniversário da Grande Mãe, as irmãs pediram desculpas à ela por terem sumido.
Ultimogênita foi até o centro, onde Iris estava cortando o bolo de frutas. Ela queria contar algo a Iris e finalmente, quis presentea-lá.
Jiao falou ensaiado, orientada como juntar as sílabas antecipadamente:
— Eu sou Jiao.
Um silêncio se estendeu; um tecido deitado sob a atmosfera frágil.
Ele rachou sozinho, ou tivesse recebido permissão para parar de segurar o peso.
— O que foi que você disse? — Um silêncio tão longo que aproveitou tempo o bastante para criar uma linha de tensão entre a laringe.
Jiao repetiu automaticamente.
— Eu sou Jiao.
Iris cortou o estômago dessa versão; antes que outra frase rasgasse o trauma dela.
Ela se protegia igual à alguém que não hesitaria matar uma pessoa que voltou mas que está associada ao trauma dela.
Ou talvez, ela soubesse, aquela versão não era real, ela não seria tão horrível, tão errada. A original era. Falava coisas erradas, copiava o jeito de Iris, confundia palavras simples em inglês.
Mas jamais esqueceria de que sua existência em sua vida nunca foi um erro.
Iris ergueu a faca em direção à Ultimogênita, um gesto de indignação e recusa a traição.
— Eu não te dei a vida?
Não te dei tudo que você possuí?
— Eu sou tão horrível e vilanesca para merecer ser tratada desse jeito?
Ultimogênita não se moveu. Nem quando o sangue pintou o corpo dela. Um piscar de olhos, sangue grudado nas pupilas. Os olhos não se manifestaram de inquietação.
Um balde vermelho se misturando agressivamente contra a cor azul das roupas.
O sangue de outra pessoa abraçando seu corpo.
Iris não aceitava esse silêncio.
— Você não tem nada a dizer?
O silêncio foi vergonha? Choque? Era a expressão de uma criança estava sem reação quando recebia um sermão carregado, uma ameaça de apanhar mais tarde.
— Onde foi que eu errei?
— Você precisa entender o peso de suas ações. — A mesma frase do John.
— Você pagará por isso, irmã.
E antes que pudesse fazer o mesmo, a irmã rosa interveio. Passo a frente, o braço encarando o reflexo metálico da faca, sem tremer, sem hesitar em proteger e cuidar. Aquilo não era sobre função, era encarar uma autoridade ultrapassando os limites éticos esquecidos, ou ela nunca quis colocar, explicar. Mas a moral ainda existia, a sensação de sentir algo errado existia, e elas escolheram agir sobre essa sensação. Não importava o que foram ensinadas a seguir. Isso é humano, e elas não são só irmãs, nem são iguais a Iris.
— Não!
As outras irmãs ao lado dela.
— Não toque nela.
Irmã verde tocou o ombro ensanguentado de Ultimogênita, nenhuma vergonha para sujar os dedos.
— Você está bem?
Ela não respondeu.
A Irmã rosa continuou, com a voz erguida, mais afiada.
— Não se aproxime mais.
Iris não recuou um passo, quem deveria obedecer seriam elas, o controle é dela.
— Ou o quê?
— O que você vai fazer? Hein?
Irmã laranja com os olhos firmes, tentando estabilizar os impulsos da Grande Mãe. Mas se manteve próxima das outras irmãs.
— Mãe, por favor, não agrave a situação.
Iris deu uma pausa, e ainda assim, impediu que o silêncio preenchesse a atmosfera novamente.
— Entendi... — Chegou a uma conclusão rápida.
— Agora sim entendi.
Decepcionante aos olhos dela.
Um novo incômodo.
Vindo do mesmo lugar, sentido da mesma forma.
E ela odiava.
— Vocês não fazem IDEIA do quanto eu as protegi das coisas.
Ela ironicamente não acreditava de ter esquecido de enfatizar o quanto ela deveria ser valorizada por seus sacrifícios.
— Talvez vocês precisem aprender uma coisa...
Assim a Grande Mãe arrancou de suas cabeças um único fio de cabelo que já havia sido seu.
Despidas de sua imunidade, a doença começou a tomar conta.
Ultimogênita ajoelhou no chão e caiu ao mesmo tempo. Ela precisava implorar e encontrar um chão.
— Não... Por favor...
Iris não escutou, observando as irmãs sugadas pela doença.
— Por favor, para! — Usou todo o ar dentro do corpo que estava imóvel.
A mais velha, com o dom de conhecer, buscou o conhecimento para salvar suas irmãs.
Porém caiu no chão, morrendo até morrer.
A segunda, com o dom de cuidar, correu para pegar remédios e salvar suas irmãs.
Porém não conseguiu encontrar a cura. Então caiu no chão, morrendo até morrer.
A terceira, com o dom de zelar, sacou suas ferramentas rapidamente. Para construir uma câmara de respiração para salvar suas irmãs.
Porém caiu no chão, morrendo até morrer.
A quarta, com o dom da defesa militar e da espionagem, disparou furiosa contra a doença invisível.
Mas o vírus atravessou cada órgão. E assim ela caiu no chão, morrendo até morrer.
A Ultimogênita esperou sua vez de joelhos. Mas o que recaiu sobre ela...
— Você acha que pode me substituir?
Ultimogênita segurou as próprias mãos, na frente do rosto. Os dedos não se entrelaçavam direito, não serviam de escudo e não se transformavam úteis de cobrir sua visão.
Ela era o único ser humano, existindo e acompanhado pelo sofrimento de um ser humano.
— Não... — O tom de voz se escondeu, um sol se pondo descobrindo que é a vez da lua.
— Não... Eu nunca...
Ela interrompeu, quebrando a voz de Ultimogênita.
— Começar a criar pelas minhas costas?
— Nunca, GRANDE MÃE.
— Irmã. Eu confiei em você.
— Foi um acidente, eu juro.
— Um acidente?
Ela demorou, observando as palavras dela por um minuto.
— Certo.
Iris não virou o rosto, mas sabia que Ultimogênita entendia exatamente de quem ela estava falando.
Ela não ameaçou morte, preferiu uma punição melhor.
— Então acabe com ela. Do jeito que eu te ensinei. — Sem delongas.
Os joelhos ficaram presos, tensos demais
E ela não deu um segundo para outra escolha ou qualquer juramento ser cogitado.
— Eu mandei acabar com ela.
Ultimogênita pressionou os anelares das mãos, as unhas começavam rapidamente a marcar a testa.
Ela mordeu um dos lábios de cima, os dentes trêmulos, mas não estava exposta ao frio. Sem planejar, mordeu a língua, e fechou os olhos lamentando a dor, separando o instinto de contorcer, gritar.
— Eu não consigo.
Um olho de Iris piscou mais do que o outro, ela suspirou. Faria algo a respeito, ela tem poder e devoção, qualquer regra seria seguida, qualquer punição seria seguida, repetiu nos próprios pensamentos. Onde antes restava vazio, agora resta perturbação.
— Suas irmãs tinham razão quanto a você.
— Inútil. — Ela não servia mais.
Havia outro jeito de se livrar dela. Deixando culpa, medo; e funcionalidade alienada.
— A morte é bondade demais para você.
Ela nem mesmo merecia ser morta, patético.
— Você quer criar irmãs, não é?
— Não, GRANDE MÃE.
— Então você criará irmãs. Noite e dia. — Após dia.
— Você as criará e destruirá até conseguir elaborar irmãs puras o suficiente, PERFEITAS o suficiente para te redimir do seu pecado. — sua voz elevou certo tom, dava segurança de que finalmente ela entendesse.
— E por fim, o fará arrancando os fios de sua própria cabeça.
Ultimogênita recebeu as palavras carregadas de punição calada, era única coisa que podia fazer.
— É uma pena, Ultimogênita.
Não há tempo para processar, então ela apenas deve fazer.
— Estávamos tão perto. — A voz foi descendo degraus de endurecimento fonético.
Enfim, a Grande Mãe partiu para o Outro Lado e nunca mais foi vista.
Ela removeu tudo de bom que havia no pomar. Deixando para trás nada além do túmulo vazio de um bunker. Onde estavam enterradas suas irmãs.
Onde uma irmã exilada poderia viver sua infindável vida.
Pagando pelo que viria a ser conhecido como o Pecado da Irmã Ancestral. Uma história passada geração a geração de irmãs.












