“Nunca disse que era fácil. Soa fácil porque eu já mudei a minha resposta.” E era verdade. Na época que tinha a idade dele – que para Robbie não fazia tanto tempo assim –, diria a mesma coisa. Não era fácil ou rápido, tinha certeza disso. Mas talvez, com um empurrãozinho, as coisas ficassem menos piores. Ao ouvir a resposta de Mandark, soltou uma risada.
“Como você é chato, garoto.” Disse em tom de deboche, encarando-o com uma das sobrancelhas levantadas. “Mas se é isso o que você quer, quem sou eu para julgar? Talvez você ache minha profissão chata também.” E não podia discordar. Ser uma pessoa conhecia era bom, gostava de fazer seu trabalho, mas de vez em quando era chato, principalmente quando era mais jovem. Tinha que se policiar o tempo todo, no início tinha que manter tudo em segredo, assim a mídia não o destruiria. Só depois de anos utilizou-se da visibilidade por causas LGBT, por exemplo, e mesmo assim foi criticado pela mídia por isso. Não adiantava o esforço, sempre havia alguém para criticá-la.
“Não se preocupe, você ainda não conseguiu me entreter.” Continuou a sorrir com escárnio enquanto as unhas postiças batiam na mesa de forma rítmica. Quase propunha o desafio ao falar aquilo, gostava de utilizar a psicologia reversa, funcionava de vez em quando. “Eu estou conversando com você porque preciso conhecer e expandir meu público. Você acha que é fácil desenhar roupas?”
Aquilo trouxe um pouquinho de curiosidade sobre a pessoa de Robbie, mas Mandark manteve a expressão fechada para disfarçar. Mesmo assim, por dentro, se sentia um pouco menos irritado de compartilhar aquelas coisas com alguém que aparentemente o entendia. Era uma boa mudança, pelo menos.
Deu de ombros. - É a minha vocação. - Estava acostumado que achassem sua escolha “chata” ou “complicada demais”. Mas física ainda era uma das poucas coisas que conseguiam lhe deixar feliz e fascinado. - Sua profissão não é pra mim, com certeza. - Fez um careta. Não sabia se era exatamente chata ou não, mas parecia distante demais do seu universo.
Franziu as sobrancelhas. - Sinto muito se sou tão entediante. - Falou num tom neutro. Não era como se já não fosse uma coisa que pensava de si mesmo e que aliás, pouco se importava. Não precisava ser interessante para ninguém. Bem... Para Dee Dee seria legal, mas isso era outra história. Piscou os olhos, confuso. - Você acha mesmo que eu sou um bom começo para pesquisa de público? - Perguntou incrédulo, pensando nas suas roupas, um estilo misturado das roupas largas e hippies dos pais com cores escuras e elementos mais góticos. - Suas roupas devem ser bem estranhas. - Concluiu, meio na inocência.











