Até você voltar - Dia 1
Essa noite foi horrível. Chovia lá fora. A mesma chuva fina e fria de quando você foi embora. Chovia aqui dentro de mim. Um manancial de emoções que se atropelavam por uma porta estreita com uma luz neon acima que gritava ‘’saída de emergência’’. A emergência dessa noite me veio na forma de um filme onde éramos protagonistas felizes de uma cena que, na minha memória - e no meu coração- , era infinita. Quando dei por mim, já estava abrindo a porta do armário e colocando a sua camisa. Não tinha mais o seu cheiro. Nesse momento desejei que minha mãe nunca a tivesse lavado. Queria o seu abraço, mas no meio dessa chuva me contentaria com seu suor impregnado nas fibras de algodão.
Ontem falei com a sua irmã. Queria a mesma paz que ela me demonstrou por não saber de nada. A paz dos planos que outrora eram comuns a nós. Optei por não falar nada por mensagens eletrônicas. Além do mais, um cansaço incomum sentava na minha cabeça, balançando os pés suspensos e me causando náuseas. Eu não conseguiria mesmo me expressar.
Fiquei sabendo que sua cara não estava das melhores ontem. Você nunca foi muito riso solto. Deveria estar gritante a dor em teus olhos já que conseguiram perceber no seu íntimo sempre fechado que não estava bem. Saber disso cortou meu coração em mil pedacinhos. Todos com seu nome.
Hoje eu volto para o meu convívio social de sempre. Quando pensei nisso ontem fiquei um pouco aliviada, afinal estar em casa com sua lembrança em cada parte do quarto não me parecia uma boa opção. Agora eu já começo a mudar de ideia. O eu transparente não vai me deixar escapar ilesa do dia de hoje. Sou capaz de apostar que um bombardeio de perguntas serão lançadas em minha direção como flechas certeiras no ponto mais frágil da minha inquietação. Hoje eu sou um alvo e meu coração uma bomba relógio que explode a cada explicação por cada minuto longe.
Mon Mess.









