Sobre as ondas de 2024
Se alguém no dia 31 de dezembro de 2023 me mostre um terço de como minha vida estaria hoje, eu diria: "jamais, não tem como, você deve estar mostrando a vida de outra pessoa". Perceber isso me faz pensar quem será a que escreverá a retrospectiva de 2025, isso me dá medo, mas também me dá curiosidade de saber quais ondas a vida me trará, de fato, eu gosto de ondas, as vezes me afogo nelas, as vezes aproveito, me olho, me entrego, pulo elas, mas ondas é sinônimo de movimento e com toda certeza a vida se faz no movimento (ao menos a minha é)
O ano se iniciou com eu completando três décadas de existência e acreditando que sabia como seria minha vida nos próximos anos, com quem eu estaria. Hoje eu escrevo a retrospectiva no mesmo lugar da casa que ano passado eu ouvia um rock baixinho não colocado por mim. Mas hoje esse lugar aqui é tão meu, eu fiz ser meu, eu decorei cada parte, hoje onde vivo reflete parte de quem eu sou.
Foi um ano de muitas e muitas lagrimas, talvez um dos anos que mais chorei (e olha que não sou muito de chorar) mas foram diversos choros de tristeza, alegria, decepção, emoções novas, medos, euforia, um ano de muitas e muitas emoções, sensações.
Esse ano eu descobri o amor nas mais diversas faces que ele possa existir e passei a viver essas formas de amor. Descobri o prazer de tomar café com a minha mãe todas as manhãs e o quanto esse amor me preenchia, descobri o amor do meu pai quando ele sabia que eu estava sozinha ou doente e se preocupava ou cada vez que ele compreendeu com amor quem eu estava sendo.
Também descobri o amor do meu irmão, a cada lugar novo que fomos, aleatório, cada video que gravamos, cada viagem que planejamos, me dei conta quanto esse amor realmente me preenchia.
Amei as minhas amigas e amigos e cada pessoa que fui conhecendo nesse caminho, amei quando eu chorei e a pessoa com o nome mais parecido com o meu que conheci veio, me fez janta, trouxe docinho e oleo essencial, descobri com toda certeza o quanto esse amor era incrivel.
Infinitamente amei minhas crianças cantoras, senti coisas incriveis ensinando eles, senti um amor infinito com cada cartinha recebida, com cada abraço, com cada palavra e olhar que trocamos entre as apresentações, ensaios e corredores. Me senti com toda certeza preenchida por dentro, com o coração quentinho.
E sabe qual amor descobri também o seu valor? o próprio. Me amei infinitamente esse ano, apesar de odiar as vezes também. Descobri coisas que meu corpo podia fazer que eu nem imaginava como andar sobre rodinhas em um patins ou ficar invertido em uma barra de pole dance, alias descobri que eu posso dançar. Também descobri minha força fisica que era algo que eu não acreditava, afinal meu corpo precisou se adaptar a essas novas habilidades que estão em construção e eu amava ele se mostrando forte frente o que eu propunha.
Me amei também quando meu coração estava apertadinho, em estilhacinhos e eu ainda assim vi que podia amar, que amor não ia me faltar, alias! existem tantas formas de amar né? amor nunca faltou dentro de mim e eu não preciso amar de uma única forma e eu descobri também que posso viver as mais diversas formas de amar sem abrir mão de amores, pessoas tão importantes pra mim, porque nunca foi sobre falta de amor, ao contrário, as vezes é sobre ter amor demais.
Que bom é poder sentir e amar pessoas nas mais diversas formas de amar, desde o amor de uma criança, amor das minhas gatas, amor das minhas plantas, amor da minha família, das minhas amizades, amores romanticos, amor ao meu trabalho, amor ao meu tempo sozinha, amor a cada sessão de terapia e pela minha terapeuta, amar minhas alunas adultas, amor ao pole dance, amor ao patins, amor a quem me deu a mão nos momentos dificeis e definitivamente não me deixou desistir de projetos que eram importantes pra mim, amor a quem ri comigo das imagens de fundo da televisão ou das embalagens do mercado fazendo tudo ser leve, amor a música e a minha construção como regente, amor a cada viagem feita nesse ano porque SP teve muito amor, amor a aula de canto que redescobri minha voz, amor a associação que está nascendo de familias que amam o coral, amor a cada palco vivido com minhas crianças, amor as sobrinhas pelos sorrisos e pela música e por saber que tem quem se pareça comigo em essencia, amor a minha irmã por poder entender mais quem ela é, amor a meu grupo de música favorito: nudaz, amor a cada prêmio recebido por mérito meu. Se tem algo que não faltou em 2024, foi amor.
Foi uma loucura 2024, foi tudo menos o que esperei que fosse e sabe de algo? que bom, que bom que não foi o que eu esperava, as vezes a vida, universo, natureza sabe melhor do que a gente para onde devemos ir, qual fluxo devemos seguir e vale mais confiar do que controlar o que afinal, nunca teve e nunca terá como controlar (mais uma vez que bom).
Não farei planos rigidos para 2025, descobr que não tem porque, só quero tentar fazer o melhor do que eu puder e tentar ser boa para mim e para aqueles que escolherem e quiserem a minha parceria, sejam os pequenininhos ou as crianças crescidas que chamamos de adultos, oferecendo uma das coisas que eu tenho de melhor: amor.
Que o estiver em minhas mãos, eu possa ser ponte para se tornar algo melhor, nem que seja só um pouquinho, que eu ajude a florescer mesmo que não seja eu a ver as flores, mas que eu possa ser algo no mundo e para quem estiver por perto que possa ser parte do processo de evoluir.
Obrigada 2024 por me mostrar que todos meus planos não eram pra ser, você permitiu que 2025 possa ser leve, pois talvez só viver e fazer o meu melhor seja o que estou para fazer aqui e assim farei.
Vem 2025, venha como tiver que ser. (esse ano só tem uma fotinha que foi tirada agora, minha e das minhas parças plantas e gatas).











