invisible string tying you to me | bartolomé and oliver
— It’s a very good hospital, but I hope we don’t have to meet there. — Ollie sorriu gentilmente, enquanto observava Charlie e Riley entusiasmados numa conversa sobre suas cores favoritas. A rede de hospitais em que trabalhava e fazia residência era de fato uma das melhores e mais modernas de Nova Iorque, mas Oliver esperava não ter que atender os filhos de Bartolomé tão cedo. Apesar de adorar sua profissão, hospitais não eram um bom lugar para crianças. — Yes, it’s a really nice neighbourhood! Here, that’s my number. Text me if you need something. It’s hard to be the newbie and I would be happy to help you guys to settle. — Ollie pegou um dos seus cartões de visita na carteira e estendeu para Bartolomé. Usava eles muito raramente, visto que não tinha um consultório particular, mas os mantinha guardados para os pais e mães de pacientes que preferiam manter contato direto com ele. Não passou despercebido ao médico como o homem falava com carinho dos seus filhos e Oliver se sentiu bem em finalmente encontrar alguém que talvez lhe entendesse. Riley era e sempre seria a maior prioridade da sua vida, mas seus amigos e colegas não pareciam compreender isso de fato. Os convites para saídas e noitadas deixaram de existir, visto que Oliver sempre precisava estar em casa para cuidar da filha. Amava a vida que levava sendo pai, mas estaria mentindo se dissesse que não era solitário.
Ollie ouviu atentamente a história de vida de Bartolomé, mantendo os olhos fixos no mais velho enquanto ele falava. De repente, tudo fazia muito mais sentido; o fato dos filhos serem parecidos entre si, mas não lembrarem o pai em nada fisicamente. Não pôde deixar de sentir admiração pelo músico, um homem gay e solteiro que criara duas crianças adotivas sozinho. Um homem como ele definitivamente era uma boa pessoa e alguém para se ter por perto. O sentimento fez Oliver sorrir sem perceber e antes que se desse conta, já desejava ter uma amizade com Bartolomé. — This is… Incredible. I mean, I imagine it was a difficult time, but I’m glad you didn’t give up. Your kids are so polite and smart… I guess you’re doing a very good job raising them. It’s a really impressive story, Bartolomé. Thanks for sharing it with me. — Seus anos de terapia após a morte de Jessica, sua esposa, tinham lhe ensinado a reconhecer quando outras pessoas se abriam e falavam sobre dificuldades que passaram. Por mais polida que fosse a história do músico, Oliver estava feliz por ele ter se sentido à vontade para compartilhá-la. — Well, my grandparents are immigrants from North Korea. I don’t know how much you know about the political scene there, but they came to the United States in search of better life opportunities. My mom and dad are Americans and they met within the Korean community that exists here. They opened this cafe years ago, even before I was born, and with the help of friends and the community, the business ended up paying off and growing. — A história da sua família não era exatamente impressionante, mas Oliver tinha orgulho do quanto eles tinham trabalhado duro para se estabelecer ali e garantir um futuro para ele. — I am an only child and I ended up taking my father’s advice to pursue a career that would give me stability. I had a lot of support and even a little luck during high school and college. I had to work hard to get a scholarship, but in the end everything worked out. I got married early, with my high school sweetheart, as soon we finished college. A year later Riley was born and shortly afterwards, my wife died in a fatal accident. — Ollie já não tinha problemas para contar essa história, mas sempre seria incômodo relembrar os meses de luto que se sucederam ao acidente de carro em que Jessica tinha morrido. — It was also a very bumpy ride, ‘cause I was starting internship at the hospital and Riley was too little, but I had a lot of help from my family to get through all the problems. I had a lot o therapy sessions too. — O médico riu consigo mesmo ao assumir para Bartolomé o quanto ele precisou de ajuda profissional para seguir em frente. — Now it’s just me and this little munchikin against the world. She is all that matters to me. — Ollie deixou sua mente vagar ao observar a filha terminar de beber seu chocolate quente e limpar a boca num guardanapo em vez de usar as mangas. Ele amava ela mais que do tudo na vida.
Bartolomé esperava mesmo que não precisasse levar ninguém ao hospital, primeiro que qualquer motivo para alguém ir parar lá era negativo, segundo que, por menor que fosse a convalescença, o valor a ser pago pelo tratamento era altíssimo; porém, sabia que era inevitável, pois, para além dos check ups anuais das crianças, Charlie tinha alguns problemas respiratórios e as crises de asma dele podia levá-lo ao hospital; o novo emprego garantia um seguro bastante razoável para a família, mas não era como se o latino tivesse interesse em acionar a cobertura. - Thanks, man. I’ll reach out next time we ended up not knowing what to eat. - seu tom era bem humorado, embora o mais velho estivesse surpreso com a solicitude de Oliver. Bartolomé não conhecia muitos médicos, aliás, conhecia poucas pessoas fora do ramo da música e da educação, mas a maioria dos que com quem tivera contato anteriormente tinham se demonstrado um tanto fora de alcance; alguns eram tão focados nos trabalho que não conseguiam ver muito além de seus consultórios enquanto outros queria se desvencilhar por completo de sua profissão quando fora deles; Oliver parecia ter encontrado um bom equilíbrio neste aspecto e o latino suspeitava que Riley tinha tudo a ver com isso.
O latino teve que conter a risada nasal quando Oliver comentou sobre seus filhos serem bem educados, pois questionou-se mentalmente se ele continuaria a pensar assim se visse a quantidade de palavrões que Eleanor usava dentro de casa. Bartolomé não se importava com isso, orientando a menina para que evitasse os usar em público, era como uma troca e até então estavam indo bem - Charlie ainda demoraria a adquirir esta ‘vantagem’, mas o médico estava certo, eles eram boas crianças, educadas e inteligentes e o coração de Bart se enchia de orgulho quando ouvia tais elogios às suas crianças. - I really hope I’m doing a decent job, they deserve it, y’know? - a pergunta era retórica e o latino não sabia dizer se, de fato, estava oferecendo o melhor para seus filhos, pois suas referências de família tinham sido todas muito padronizadas socialmente. Ele também não sabia dizer se sua história de impressionante, como Oliver dissera, talvez apenas diferente, mas o ouvindo, percebeu que ele tinha capacidade de comparação. Bartolomé sabia pouco sobre a Coreia do Norte, mas tinha a noção que o governo do país podia ser definido como uma ditadura stalinista totalitária e que há gerações era um lugar difícil de se desenvolver, apenas isso já fazia a história de Oliver ser interessante. No mais, as origens do descendente coreano era muito diferente da de Bartolomé, o que era claramente percebida em como ele fazia questão de falar de seu pais e avós enquanto o latino evitava; porém, eles tinham uma coisa em comum, eles sabiam fazer uso das oportunidades que lhes surgiam e trabalhavam duro por elas. A menção de uma esposa não surpreendeu o mais velho, mas a de sua morte, sim. - I’m sorry for your loss. - por mais clichê que fosse sua fala, era sincera em um sentido universal; Bartolomé podia não ter conhecido a esposa de Oliver, mas simpatizava com o homem que perdeu alguém que amava e com a criança que perdeu a mãe, a memória dela os acompanharia para sempre. - You seem to be doing great, with your daughter and yourself. - e era verdade, pois o homem tinha conseguido continuar seus estudos, estava formando sua carreira e claramente era presente na vida de Riley; eram poucos aqueles desejavam e conseguiam fazer tanto.
Alguns segundos de silêncio se abateram na mesa enquanto os dois observavam suas crianças interagindo; logo o latino precisaria ir embora, mas não queria deixar que a conversa terminasse com aquele tom de nostalgia. - I do so admire those who are alone, you know. Alone to raise a part of their future. From the care of a baby, to the age of teen, to keeping an eye on the adolescent. It’s a great task to be the only constant adult in the child’s life and what you do is twice as rewarding. Twice is the love you give and you also are the one to receive twice as much from your child. - talvez ele estivesse deixando sua mente vagar um pouco demais, mas isso era inerente à sua profissão e pareceu que o momento lhe permitia essa passagem. De qualquer forma, suas palavras para Oliver eram verdadeiras, pois Bartolomé sabia onde estava se enfiando quando decidiu adotar Eleanor e Charlie, tinha consciência das dificuldades que era criar uma criança e tinha se preparado para poder fazê-lo da melhor forma que podia; porém, Oliver não tinha assinado para ser um pai solteiro e isso certamente adicionava um peso em sua vida.