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@msd-evanw-blog
isso que dá pentear
túnel do tempo
Soccer sucks!
Evan e a tia tinham se mostrado uns amores, ao ponto da garota se sentir culpada por estar causando problemas. Não que fosse de propósito, mas não estava habituada a pessoas boas passando por sua vida. Normalmente a botavam pra fora de ônibus ou ignoravam sua presença. Lexi estava passando muito mal pra negar ajuda. Naquele ponto achou melhor entrar e ficar quieta, ao menos se morresse alguém mandaria enterrar ela. Certo?
Logo no lado de dentro se sentiu acolhida. Sequer notou a simplicidade do lar, só se preocupou com o quanto parecia familiar e aconchegante. Lexi nunca tivera família além da mãe e cenas como aquelas eram legais. Invejou o rapaz loiro um pouco. Ele era muito sortudo. Mas deixou os pensamentos de lado pra prestar atenção no casal. A tia do garoto parecia uma mulher genuinamente boa, preocupada com a educação do jovem. Teria rido da interação dos dois se não estivesse tão cansada.
— Espera, roupas? — Sabia que estava um trapo, roupas sujas e sujas de sangue, mas se vestisse outras elas acabariam tão sujas quanto. Não quis negar nada que oferecem, eles eram doces demais pra isso. Logo entendeu que a sugestão era tomar um banho. A menina pegou a toalha e encarou o loiro. — Não sei onde tá machucado. Os dedos, o nariz… — Tinha de tirar as roupas pra tal, mas não ia fazer aquilo com Evan ali, iria? — Ah! Eu…Ahm…Pode deixar, tomo banho s-sozinho. Não se preocupa não. Ha. Haha. — O riso denunciava o quão nervosa estava com a situação.
A dona da casa tinha saído, deixando os dois sozinhos. Ia comer também? Não sabia que conseguiria ficar de pé pelos próximos minutos, mas a ideia de comer foi suficiente pra ela ficar mais animada. — Me mostra onde é o banheiro que eu vou. Deixa as roupas…Ahm. — Se ela saísse do banheiro só de toalha seria muito óbvio. — Só me dá elas aqui, já entro com elas. Né? Vou ser rapidinho, afinal tem comida! — Tentou manter o bom humor a todo custo, mesmo com dor e vergonha.
— Pra botar. — Respondia de imediato, era o que Evan fazia, respostas rápidas e até impensadas. Falar era a solução, nunca o problema quando se tratava do falso loiro. Conseguinte, ele passava a imaginar cada ponto que ela falava, sua expressão ficando distorcida com aquela careta de dor. Não estava acostumado a brigas ou machucados como aqueles, esperava que ele estivesse bem, contudo a fala que seguiu lhe fez dar um passo em falso e tropeçar, batendo contra sua mesinha no canto do quarto e derrubando uma lata com canetas e lápis. O barulho sendo suficiente para chamar a atenção da tia fora do ambiente. “Menino, toma rumo.” - Era o jeito da tia pedir ajuizamento do estudante. — Eu ‘tô bem, nem foi nada. Ó, zerinho. — Tocava os braços pra indicar que estava tudo bem consigo, e a mulher nem estava vendo, oh, coisas de Evan.
— O quê? — Coçava a nuca de novo, era sinal de desconforto. Ria, um riso constrangido enquanto ele corava um pouco, só um rosear nas bochechas pálidas. — Não, eu não vou entrar com você no banho não. — Já estava falando com aquela voz engraçada e fanha pela vergonha que estava sentindo. Um pouco né, pelo menos o outro também estava.
— Aah! — Alertou-se, se aperriando a ir pegar logo as suas roupas e tirar um punhadinho delas. Era uma calça de tecido moletom e uma camiseta sem mangas, Evan não era alto então ele não teria problema com as medidas da sua roupa. — Aqui, ó. — Entregava a pequena pilha, o banheiro era universal e era a divisão entre os dois quartos, mas pra entrar ele tinha que sair do seu. — É na porta do lado. E é, Tia Meggie cozinha como ninguém nesse mundo todo. Vai gostar.
Frozen: Uma aventura congelante.
Estava em pé ao lado da lona que havia acabado de arrumar no chão, as latas de tinta estavam todas coladas em pé ali, ele era meticuloso quando se tratava de pintura. Havia organizado as cores por ordem de uso, havia também lixa de ponta, esponja e algumas substâncias de remoção, o londrino não costumava usá-las, mas não era doido de começar sem elas por perto.
Com o som do apito, notou as cancelas se levantando, a luzinha das barras estavam variando de laranja para vermelho e vice e versa, e Evan estava concentrado enquanto o navio se aproximava. Evan suspirou, era difícil pedirem arte em navios baleeiros, e quando pediam era sempre ruim, estava explicado o porquê aquele estencil era feio daquele jeito.
O som constante de apitos parou, assim que o baleeiro também. Bruce desceu dele e em poucos segundos o som do motor foi desligado, o rapaz devia ter a mesma idade de Evan, mas tinha cursos, o que o deixava com uma vaga muito melhor do que a do loirinho, Mark se juntou a ele, ambos acenderam um cigarro perto da estrutura da ala de funilaria.
Gostava de trabalhar sozinho, porque podia cantar como quisesse ou falar sozinho, o que era costumeiro, mas não, os manés estavam ali supervisionando seus passos por livre e espontânea vontade.
Evan levantou a régua de demarcação e quando já estava terminando, Patrick se aproximou. “Ouvi dizer que eles querem encher seu saco, tem certeza que não quer que eu fique?” - Patrick tinha dezessete anos e estava trabalhando ali não tinha duas semanas, também era alvo de alguns conflitos por ser magro e pequeno, mas nada em comparado com Evan, que já havia se tornado o bobo principal desde que pisara ali. Óbvio que eram apenas alguns risos ou piadas, nem chegava a lhe incomodar verdadeiramente, Evan não era o tipo que se deixava influenciar. — Tá tudo ok, o máximo que vai acontecer é algum pegar meu celular de novo. — Os ombros tão baixos quanto sua auto estima moveram-se em sinal de descaso e o loirinho agradeceu ao castanho pelo auxílio na hora da demarcação com as réguas.
Evan foi para o primeiro estencil, o papel fino que lembrava papel manteiga, tinha quase um metro quadrado e os outros dois seguiam as mesmas medições, Evan colocou o primeiro do lado esquerdo da demarcação, Patrick colou o direito. — Tá tudo ok. — Patrick olhou para os outros dois que estavam assistindo a eles e soltou um suspiro desconsolado para se afastar. Tinha que voltar para a sessão de solda. Evan olhou para trás, e os dois estavam rindo demais. Tocou os bolsos da calça estilo social que usava, o celular e a carteira estavam bem ali, suspirou aliviado. Da última vez os dois haviam pego seu celular para postar algumas frases idiotas em seu twitter, tudo porque Evan se deixou levar por algumas cantadas de Mark.
— Que se dane. — Colocou o terceiro estencil e focou em seu trabalho.
67 minutos, o desenho da rede com lanças estava perfeito na lataria branca do casco, em tons azuis e verdes em um degradê que não se via onde começava ou terminava. Estava bonito. As letras com o nome da companhia entretanto era de um único tom, e aí sim ele achava que não era legal, mas foi pedido do contratante.
Assoviou para chamar atenção dos dois que estavam conversando até então, Mark concordou e fez um sinal com o polegar. Subiu primeiro, parando na grade de proteção. “Quando acontecer, é só gritar: Uhull.” — O quê? — Evan estava sem entender bulufas. O som do motor foi ouvido, Bruce foi até o botão de aviso e apertou, as cancelas mais uma vez passaram a piscar e apitar, Evan já estava seguindo para fora dali quando o som da água com o giro das hélices o impediu de ouvir os passos.
Sentiu o baque das mãos em seu braço, jogando-o contra a água e a pressão da correnteza o puxando. Por um instante o impulso que pegou parecia não ser o suficiente, mas conseguiu emergir e pegar na borda de concreto a água do rio era gelada, quase sufocante. Bruce o puxou para dentro e o navio foi desligado novamente, era combinado, Mark também sabia e por isso havia desligado.
Bruce o puxou para a plataforma, o loirinho ainda cuspia água e se afastava o máximo da borda. — SÃO LOUCOS EU PODIA, EU PODIA... EU... — Bruce ria, de sua expressão furiosa e seu olhar assustado, Mark de cima do navio não parecia estar tão alegre com a brincadeira diante ao desespero do ajudante. Evan tremia e só quando Mark desceu que Bruce pegou um cobertor que estava escondido por perto. “Calma, foi só uma brincadeira.” - Bruce insistiu, Evan empurrou o cobertor e deu um soco na cara dele, Mark agiu para impedir a briga, Bruce ainda estava rindo mesmo com o fio de sangue escorrendo do corte em seu lábio.
“Desculpa, Evans.” — Mark pediu, e Evan apenas o empurrou. Tirando o celular e a carteira do bolso, o aparelho não ligava mais e a carteira escorria água. Sentiu os olhos arderem e sabia que tudo ao redor deles estava avermelhado quando se enrolou na coberta e foi pro vestiário, ia ir pra casa e dane-se o ponto daquele dia.
Venha e Shake It Out, até o último Breath Of Life; feat Cath.
O sorriso prevaleceu na face ao que ele agradeceu, não via um porquê para que ele o fizesse, mas tudo bem. “Okay, vai ser sem bebidas? Gosto dessa ideia.” Deu algumas palminhas animadas e concordou com a cabeça, rindo um pouco em seguida, e ficando na posição de ataque. “Wooon, woooon” Ela tentou imitar o som daquelas espadinhas de luz, gesticulando, porque sabia do que ele falava, mesmo que não tivesse assistido ou gostasse de Star Wars.
“Desculpa, não resisti, mas não curto essas coisas, só acho legal as espadinhas, e não me bate, eu não lembro o nome certo delas.” Fez uma pequena careta antes de dar de ombros, não era muito importante saber o nome daquelas coisas.
“Yay! Eu gosto aqui. É bom, não acho que vamos ser muito pisoteados ou apertados, apesar de ser um festival.” O sorriso a seguir mostrou os dentes enquanto ela olhava ao redor e se acostumava com o espaço.
— Aah, nada contra as bebidas, pode bebê-las se tiver vontade, todas elas, todinhas, quantas quiser. — Ficava repetindo porque Evan tinha aquele dom de perder a linha quando se tratava de garotas envolta e aí quando olhava de volta ela já estava em posição de ataque, era previsto que ele fosse achar aquilo o máximo e achou. Evan saltou e estava ao ponto de montar uma guerrinha bem ali na frente de todos quando ela parou e seus cachos se moveram ao movimentar a cabeça em uma negação firmada.
— Sabre de luz. Eu tenho um pendurado na parede do meu quarto, e se aperta o botão ele fica parecendo uma luminária, fica tudo em tons azuis e verdes é super bacana. Vou te levar lá um dia, é, vou sim. — Você está falando um monte novamente, Evan. — Desculpe. — Sorria bem abertamente e olhava ela. Olhava em volta com as sobrancelhas levantadas e sua expressão era pensativa. — Três a cada oito mulheres preferem ficar perto das grades em shows, mas um dessas três sempre pede pra sair porque é apertado demais depois. — Ria divertidamente ao apontar os dois indicadores para o chão, logo que levantou as mãos em frente ao tórax. — Significa que aqui está ótimo.
Soccer sucks!
A cabeça latejou de um jeito que não devia e as pernas tremiam de um jeito que sabia não ser normal. Queria sair logo dali e sentar um pouco, mesmo que dormisse no meio da rua. Precisava, o corpo implorava por descanso. Tocou o topo da cabeça e fechou os olhos. Eles também latejavam. Que porcaria! Tinha apanhado tão feio daquela vez? Talvez fosse o sono. Devia ter dormido cerca de oito horas atrás, mas ainda estava na rua, atrasada e com dor.
Os passos não a levaram muito longe. Teve de parar por não aguentar caminhar. Simplesmente tinha desistido. E pra piorar um grito chegou aos seus ouvidos, fazendo a cabeça latejar. Fechou um dos olhos e respirou fundo. O que era agora, por deus todo poderoso? Desviou o olhar até a direção do som. Evan e a avó ainda estavam do lado de fora. A menina acenou pra sinalizar que estava ouvindo. Mas o que podia ser? Pensou em gritar de volta, mas a garganta tinha secado.
— Vou ter mesmo que caminhar tudo de volta? — Só de pensar na possibilidade o corpo doeu. Depois de uma pequena luta interna contra si mesmo, se arrastou de volta até o portão. Já não conseguia pensar direito, a cabeça latejava insuportavelmente a ponto dela mal conseguir manter os olhos abertos. Parou próxima do casal e tentou sorrir. — Desculpa, eu não ouvi. Precisam de alguma coisa? — Murmurou, o tom muito mais baixo que momentos antes, a cabeça voltada pra baixo e a mão servindo de apoio.
‘Não pode deixar o garoto assim, Ev’ - Ela continuava resmungando. — Ele que quis, não sei de nada. — Pronto, tomava um tapa na cabeça que fez todos os cachos loiros pularem enquanto ela mandava ele sair da frente pra ir abrindo o portãozinho. Conhecia Tia Meggie, ela estava querendo ir atrás do menino sozinha, mas Evan era sortudo, oras, o menino voltou por conta própria e estavam os três na segurança do lar doce lar.
— A gente precisa que você fique enfiadinho dentro dessa casa. — Pegava nas costas dele, mas ~Ev era cuidadoso e não empurrou ou puxou, apenas incentivou o caminhar pelos quatro degraus da fachada da casa. Era um lugar pequeno e uma casa de padrão baixo mas muito bem cuidada. Aah, como era.
— Eu vou pegar umas roupas, tem algumas que não me servem e vão ficar supimpas. — Tia Meggie que já tinha sumido na frente, assim que chegaram na entrada da sala, já aparecia com uma toalha limpa na mão. Batida das inúmeras lavagens, tudo ali parecia ser aproveitado até não prestar mais, aí eles remendavam e usavam pra outra coisa. Ela entregou na mão de Evan que agradecera baixinho, ainda sem coragem de encarar a tia. — A tia vai fazer comida pra gente. — Mas ora essa, mais um tapa na cabeça. — Pra você, porque eu estou atrasado. — Fez uma voz chateada. A mulher saiu resmungando para a cozinha - o espaço não era dividido por nada então ainda dava para ouvir ela reclamando sobre não ter dado esse tipo de educação que não ajuda os amigos - Evan sorria sem graça e coçou a nuca ao apontar com a toalha pro quarto. — Quer cuidar desses machucados aí, tá bem feio. — Ele tava sem graça, até meio corado. Mas é porque ele sabia que não era um cara, ela tinha dito, mas ele preferia continuar fingindo que era, porque senão ia agir como babacão. — Ou pode ir pro banho, ‘ce que sabe.
diva
“Não ser amado é uma simples desventura. A verdadeira desgraça é não saber amar.”
— Albert Camus