Eu li em algum lugar que de acordo com físicos teóricos, para cada escolha que fazemos surge um universo paralelo onde escolhemos exatamente o contrário. Isso me traz algum conforto, porque me faz pensar que em algum lugar [por mais distante ou próximo que seja] eu tô cursando letras e sendo muito feliz numa aula de sintaxe. tô fazendo carinho na gatinha que tive que deixar ir, por não haver espaço na casa, mesmo que coubesse em cada cantinho do meu coração. gosto de pensar que em algum lugar, num determinado espaço-tempo, eu posso trilhar todos os caminhos que não pude percorrer aqui. me aquece o peito imaginar que em alguma dimensão estamos dividindo um chá e falando das possibilidades infinitas que a vida nos apresenta e da dificuldade absurda que é ter que escolher uma coisa e em detrimento disso abrir mão de outra. e o quanto isso é bonito e cruel. como nós fomos. e como acabamos. mas não nessa realidade. aqui nós podemos ser muito mais.
alguma coisa dentro de mim espera com toda a alma que esses universos existam e que essas outras versões de mim existam, e que esses outros desfechos existam, porque não fui sábia em algumas escolhas, porque agi por pura impulsividade em outras. porque algumas decisões demandavam um tempo que eu não tive. eu tinha medo de desperdiçar cada segundo andando em círculos. você sabe como me apavora andar e não sair do lugar.
mas, sobretudo, falando do que é palpável e real: sou grata a versão de mim que existe aqui e agora, porque eu já nem me lembro quantas vezes tive que trocar de pele, alçar voos com asas quebradas só pra me tornar a pessoa que sou hoje. e eu tenho muito orgulho disso.









