lizawell:
flashback.
Melhorar a visão de Maria Vitória não era bem o que a filha de Hefesto tinha em mente, mas conseguia pensar em algumas formas de fazê-lo. Seria uma boa combinação, caso funcionasse. “Acredito que tem boas chances de dar certo, eu pesquisei mais cedo.” Ainda não havia discutido com Asami e Lisander, no entanto, que costumavam ser seu termômetro para julgar possíveis projetos. “A ideia é a seguinte: seriam óculos com lentes reforçadas para você conseguir enxergar com uma definição melhor. Até aí é bem básico, mas eu pensei em instalar uma câmera com inteligência artificial neles, que reconheceria as imagens e descreveria em um fone conectado por Bluetooth. Essa é a parte mais complicada, porque não sei se já existe uma base de dados padrão para isso ou se eu teria que catalogar tudo. E, se essa base de dados existir, deve ter sido levantada por mortais e não ser tão útil assim pra gente, de qualquer forma vai ser um belo trabalho se não pensar em um atalho.” O raciocínio de Liza corria rapidamente, e logo ela pensou em uma resposta para a pergunta que acabara de fazer. “Já sei, podemos pensar em uma forma de você catalogar informações novas, como rostos, objetos, embalagens… isso depois que já estiver pronto, assim não vai precisar ficar me devolvendo pra manutenção sempre que chegar um campista novo ou coisa assim. O que acha?”
Uma vozinha, no fundo de sua mente e parecida com a sua, gritava para Maria Vitória não se iludir com as palavras de Liza, a semideusa mesma disse que não era certeiro... mas havia a possibilidade e a mexicana estava se agarrando fielmente naquela palavra. Possibilidade. Ela, talvez, poderia voltar a enxergar e isso era seu maior desejo.
A morena sentou-se em um banquinho e cruzou as pernas, os cotovelos. apoiados em suas coxas e seus olhos gélidos fixados na filha de Hefesto, absorvendo todas as informações que ela lhe dava, mesmo que às vezes ela não entendesse. ❝ Eu te ajudaria a catalogar... bom, até o meu limite. ❞ a morena sorriu, já animada com que a pequena genia planejava para si.
Como uma criança em uma manhã de natal, MV estava louca para começar o trabalho mesmo que ela não fosse fazer quase nada. Claro, tentaria ajudar Liza na melhor de suas habilidades e pagaria pelo projeto, mas não queria que a menina tivesse tanto trabalho. ❝ Eu acho incrível, sério... Eu nunca achei que fosse possível. ❞ maria vitória tinha parte de sua visão, talvez uns 35% -ela nunca testou para saber ao certo, então ela enxergava as coisas mas às vezes não passavam de borrões e manchas.
Ela queria enxergar o mundo como todo o resto -suas cores e formas, de modo perfeito. ❝ Eu posso te ajudar de alguma maneira? ❞ a filha de Hela se levantou, aproximando-se da bancada e olhando alguns papéis em cima da mesa, sem enxergar o que estava escrito nele, o que causou a semideusa bufar. ❝ Sério, quero te ajudar, não sei como ou se irei conseguir já que nunca forjei nada na minha vida... ❞ a menina tinha um semblante sério em seu rosto.
Maria começou a andar pelas forjas, seus pensamentos a milhões com as possibilidades que os tais óculos traria. Até que se lembrou de uma coisa. ❝ Li... Eu sei que você é uma pessoa amável. ❞ começou, um suspiro escapando por seus lábios. ❝ Mas sei que você não fará isso da bondade de seu coração -eu não aceitaria de qualquer modo. Preciso saber quanto você cobraria. Eu tenho minhas economias e tudo mais, mas um protótipo desse calibre não deve ser barato. ❞ A jovem odiava tratar de dinheiro -a não ser que fosse ela ganhando, mas era a pergunta de um milhão.
Dando de ombros, ela sentou-se novamente no banquinho e voltou seu corpo para a direção de Liza, seus lábios curvados em um sorriso agora. ❝ Tá, eu e você sabemos que independente do quando você me cobrar, eu vou pagar o valor... estou desesperada. ❞ a morena arregalou os olhos de maneira cômica, soltando um leve riso. ❝ Mas quando podemos começar tudo? ❞











