Os segundos pareciam se arrastar cada vez mais lentamente. Arwen correu os olhos pela multidão reunida com o suposto intuito de chorar a morte de Vulmon Eagrie; conhecendo a natureza de seus irmãos prateados, sabia bem que, em realidade, muitos deles celebravam o que deveria ser visto como uma tragédia. Comprimiu os lábios, incomodada; havia algo – um arrepio em sua espinha que se recusava a cessar, um peso de ansiedade em seu estômago – que lhe causava um mau pressentimento. Procurou se convencer de que era toda a natureza mórbida do evento em si o responsável por sua sensação, mas não demorou a notar que a suposição estava errada. Logo o alerta de intrusos ressoou por todo o salão, e o instinto imediatamente se apossou de si. Buscou a saída mais próxima com os olhos, pronta para correr, mas não houve tempo para fazer nada do gênero; logo, todas as saídas haviam sido lacradas e o salão fora mergulhado na penumbra. Seu coração saltava dentro do peito, e Arwen se voltava para todos os lados, esperando que seus olhos se acostumassem rapidamente à escuridão. No entanto, não fosse pelo alerta da garota Merandus, não teria visto o homem mascarado se aproximar de si. Recuou alguns passos, em tempo o suficiente de desviar do golpe que vinha em sua direção; mais uma vez controlada pelos instintos, direcionou o seu poder para seu atacante. O vento forte característico de uma tempestade, e decerto destoante em um lugar tão fechado, o atingiu em cheio e, devido à proximidade entre ambos, com força máxima; ele foi empurrado para trás, atingindo a parede. O impacto o levou ao chão de imediato, e Arwen se limitou a se certificar de que estava desacordado. Evitava ao seu máximo matar e, naquele momento, não parecia que o mascarado lhe causaria muitos problemas mais, a julgar pelo corte fundo aberto na parte de trás de sua cabeça. Inspirou profundamente, procurando recuperar o fôlego que o medo levara; então se voltou na direção de Maeve, os olhos finalmente acostumados à falta de luz. “Obrigada,” disse, ainda com a respiração ofegante. “Acho que eu estaria bem pior que ele se não fosse pelo seu aviso,” completou, indicando com a cabeça o homem caído a seus pés.
Não era preciso ser um especialista para reconhecer um Nolle. Primeiro que seus rostos eram arredondados, quase em um formato delicado, juntamente com os olhos puxados que dão particularmente um charme ao ponto de vista de Maeve. Depois da feição física vinha os poderes. Somente um Nolle era dobrador de vento, e foi isso que não deixou a murmuradora tão espantada quando seu aviso resultou na garota defendendo-se, jogando o atacante contra a parede. “—– Não foi nada. O intuito é nos ajudarmos e arranjar um jeito de sair daqui.” Assentiu, aproximando a garota para ver se realmente estava tudo bem.