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@mydearblogunnamed
A gente tenta ser o que não é, e isso cansa demais a gente.
Conviver comigo tá ficando cada vez mais difícil.
-transbordaremos
Passei o dia pensando em suicídio,
Olhei todas as janelas da qual eu poderia pular e imaginei se aquilo me mataria ou não,
Eu quis beber, fumar e transar,
Mas no fim eu apenas passei uma boa make e fingi que o mundo era um lugar bom.
“Era horrível a sensação de saber que não era suficiente pra alguém e de não ter um grande vínculo de amizade. A solidão sempre foi meu pior inimigo até nos melhores dias da minha vida.”
— Trechos de um livro inexistente.
é muito difícil eu confiar nas pessoas. e com as pessoas que eu confio, é muito difícil que eu me abra profundamente pra elas. a única pessoa que me vê no grau mais absurdo de exposição sou eu. todos os meus outros núcleos encaram camadas. não acho que é uma questão de dignidade. eu não estou esperando a pessoa certa chegar. não acredito em nada disso. apenas me guardo. não há necessidade de exibir o resto. não tenho medo nem que o leitor me descubra. eles estão ocupados demais tentando se identificar com o que eu falo. saio desapercebida, à francesa, como um vulto. eu escapo, mas nem preciso me esforçar muito. acho que tá todo mundo meio ocupado com a própria vida e se alguém não nos conta algo, soa como um prêmio. um tempo não desperdiçado com uma pessoa que não valia tanto a pena assim. ainda pouco eu fiz um desabafo com meia dúzia de palavras pra alguém que não tinha me perguntado nada. eu disse como eu não era a pessoa em quem qualquer outra deveria depositar alguma esperança de direcionamento e parte disso tem a ver com o meu problema de intimidade. é muito difícil eu me conectar com as pessoas e acaba sendo muito desconfortável tentar dizer algo. não é como se eu não me importasse, eu me importo, mas eu não me ligo. eu te olho com os olhos dos meus leitores: distraídos. eu sei que há um problema, que com certeza existe um problema, mas não tento fazer muita coisa. a verdade é que eu nem poderia, mas tentar não é sinal de humanidade? por isso que as vezes me digo muito mentirosa. sentimentos são batatas quentes na minha mão e eu finjo alguma coisa lúdica quando é tudo muito lógico: eu também sou egoísta demais pra te ouvir. quem me conhece sabe o quanto escrever é nocivo pra mim, o quanto esse vício me coloca em contato com coisas que eu já deveria ter esquecido, o quanto estar aqui é a garantia de que ainda existe alguma coisa errada. mas quem me lê festeja. diz força e outros adjetivos decorados. penso se eles não deveriam ficar tristes por mim, mas me olho e sei que não fico triste por você. então os perdoo: é um imenso ciclo de ilustrar a maldade dos que me olham e descobrir que ela é minha também. eu não sou uma pessoa boa, mas isso não me torna ruim. eu sou só uma pessoa. você sabe o que isso significa? será que eu sei?
“Sempre quis alguém que me ouvisse. Não as bobagens que falo de vez em sempre. Mas o que minha alma não sabe dizer. Que fizesse esforço para captar tudo que não sai da minha boca.”
— Clarissa Corrêa
“Me busco em músicas que dão ritmo ao que sinto de forma silenciosa e me busco em trechos de livros que revelam idéias que mantenho ainda embaralhadas.”
— Martha Medeiros.
algumas pessoas trazem tanta paz que a gente nem sabe como agradecer
“A saudade escorreu pelos olhos, e ainda assim continuou no coração.”
— Morena
perguntei-me, descrente:
por que ainda estou aqui?
nenhuma resposta.
há dias em que não consigo ver um sentido.
há dias em que não consigo ter esperança.
ter consciência de tudo e ao mesmo tempo de nada me remete à um estado de descrença, incompreensão e inconstância.
não sei mais o que eu quero disso tudo, meus sonhos foram todos levados.
acreditar em quê, afinal?
se ninguém sabe ao certo.
se são tudo incertezas.
não tem salvação, as partes que acreditei serem boas foram todas borradas, manchadas e destruídas pela dor.
só me restou textos;
de lembranças, sensações e pessoas que não voltam mais.
Existe uma escuridão em mim que eu não entendo, e que as vezes me assusta.
“Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.”
Graciliano Ramos, São Bernardo, 1934.