me sinto culpada
e vazia
tô longe
de você
e de todas as certezas
que você me dava
tô longe
de ficar bem

titsay

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@myheartnow
me sinto culpada
e vazia
tô longe
de você
e de todas as certezas
que você me dava
tô longe
de ficar bem
pesando sou quem sou
e sou
quem não queria ser
uma benção
ou uma maldição?
definitivamente um pouco dos dois
clarice entendia
“até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso.
nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”
as vezes se sabe
pensar
é o meu
pensar
me trouxe até aqui
protegida das dores
dos amores
pensar
foi a base
do meu edifício
isso é bom
e um pouco demais
até pra mim,
me pego pensando
em tudo que gostaria de não pensar
um ciclo vicioso
no qual estou presa
a tempo demais
qual será
a sensação
de ter todas essas vozes
silenciadas
pela certeza?
qual será
a sensação
de não ser
o que se é
por natureza
?
eu sempre achei
que alguma coisa
em algum momento
me traria completude
um dia
sentiria que tenho o que é preciso
pra começar
a viver
é
ainda não comecei
isso me faz pensar
que to atrasada
pra minha própria vida
esperando o momento certo
pra pensar em ser feliz
sem me preocupar com o que pensam
sobre mim
sobre a gente
as vezes
me sinto vazia,
e aquilo que costumava parecer
falta de você
hoje acho que
pode ser falta
de mim.
se ser feliz é decisão
isso explica algumas coisas
sempre fui meio indecisa
sobre o que me sinto insegura
e felicidade exige
certeza
que
ainda não
tenho
sobre mim
sobre
a gente
eu evitei falar
pra não sentir
evitei olhar
pra não sentir
evitei pensar
pra não sentir
evitei acreditar
adivinha?
pra não sentir
você chegou e
me fez querer falar
olhar
pensar
acreditar
e eu quero tanto acreditar
eu me rendo
eu finalmente me rendo
será que eu posso me render?
te guardei aqui
como quem não quer nada
desejei não querer nada
acabei querendo muito mais do que podia admitir
você sempre quis tudo
nunca pareceu ter medo de nada
te admirei por isso
e te afastei por isso
ou tentei
será que eu errei?
tive medo
sempre tive medo
de errar
mas
dessa vez
foi assustador
porque medo maior
que o de errar
é o de perder
tanto que
perdi o medo
por um segundo ou dois
que foram o suficiente
pra entender
que talvez eu te ame um pouco mais
do que pensava
e te perder
com certeza
seria o maior
dos meus erros
sorry i act weird when i’m uncomfortable and also when i’m comfortable
Matter of fact, I act even weirder when I’m comfortable
O tempo costura as feridas sem anestesia.
lembro da sensação de te olhar pela primeira vez e ter a impressão de que você era muito mais do que demonstrava
alguma coisa me dizia que você não iria e nem queria passar despercebido pela minha vida
fiquei assustada com a forma como você tirava do lugar tudo que levei anos pra organizar
e você fazia isso com tanta facilidade
parecia não se importar com o tanto que eu tava incomodada
me fez rir todos os dias desde que te conheci
eu quase não percebi o que tava acontecendo
com paciência você foi me mostrando que tinha explicação pra toda aquela bagunça
e eu sempre gostei de ouvir você falar
a explicação nem sempre fazia sentido pra mim
tudo bem
por você eu espero um pouco mais pra entender
eu me fazia todas as perguntas que eram possíveis ser feitas
por que comigo?
por que você?
por que agora?
eu sempre gostei de perguntas
nunca das sem resposta
questionei tudo o que acreditava ser certo, lógico, seguro..
dentre tantas questões
fiz questão de esperar
mesmo querendo fugir
mesmo que seja confuso
gosto de te conhecer
gosto de como você é engraçado quase sem querer
e do quanto você é bom em evitar conflitos
gosto do esforço que você faz por quem você gosta
também gosto das suas manias
do seu nome
eu com certeza gosto do seu nome
e de tantas outras coisas
que eu gosto
só por serem suas
a gente fecha os olhos pra tanta coisa, até pra si mesmo
A Mulher que amou o potencial
Ela se apaixonou antes do homem existir. Apaixonou-se pelo esboço que ele poderia ser, Apaixonou-se pelo quase, Apaixonou-se pelo “se ele quisesse, daria certo”.
Viu nele um campo fértil onde ainda só havia terra dura. Viu árvore onde só havia semente. Viu mar onde só existia poça.
E mesmo assim ficou.
Ficou esperando que ele crescesse. Ficou regando com paciência. Ficou oferecendo silêncio, colo, compreensão, como quem acende velas para um milagre.
Ela amou o homem que ele poderia ser quando parasse de fugir de si mesmo.
Amou o homem que leria livros, que encararia a própria sombra, que sustentaria palavra, que não confundiria liberdade com irresponsabilidade nem trauma com personalidade.
Ela o amou no futuro. Enquanto ele vivia no raso.
No dia a dia, ela esperava mensagens que não vinham, decisões que eram sempre adiadas, atitudes que morriam no “depois a gente vê”.
Esperava que ele escolhesse. Que tivesse coragem. Que tivesse espinha dorsal emocional.
Enquanto isso, ele escolhia o confortável: o mesmo bar, as mesmas desculpas, o mesmo discurso ensaiado de homem confuso que não quer perder nada nem ela, nem a mediocridade.
Ela o defendia em silêncio. “Ele só precisa de tempo.” “Ele tem medo.” “Ele é assim porque sofreu.”
Como se dor fosse passe livre para estagnação. Como se amor fosse estágio probatório infinito.
Ela orava por ele. Torcia por ele. Visualizava versões melhores dele como quem monta um altar para alguém que nunca comparece.
Até que um dia, entre um café frio e uma mensagem ignorada, ela entendeu.
Não com raiva. Mas com lucidez.
Entendeu que ele não era um homem em construção. Era um homem confortável demais para mudar.
Que não era falta de capacidade. Era escolha.
Ele escolheu não aprofundar. Não curar. Não crescer. Não amar à altura.
Escolheu ser raso porque profundidade exige responsabilidade.
E então ela percebeu que estava sozinha num relacionamento imaginário, amando alguém que só existia no território do “potencial”.
Foi ali que algo quebrou não o coração, mas o encanto.
Ela entendeu que amor não é projeto. Que mulher não é incubadora de maturidade alheia. Que ninguém floresce se não quiser sair da própria zona de conforto.
E com a mesma delicadeza com que um dia acreditou, ela se recolheu.
Não por falta de amor a ele, mas por excesso de amor a si.
Porque amar o potencial de um homem é morrer esperando que ele escolha ser o homem que nunca quis ser.
E ela, enfim, escolheu a si.
a gente se parte muito esperando pelo outro.
não se preocupa
eu não vou te procurar
não vou tentar encontrar razões pra você não ir embora
muito menos te pedir pra ficar
eu não faria isso.
também não vou falar o quanto vou sentir sua falta quando você for
nem o quanto eu teria sido feliz, caso ficasse
o tempo vai passar
e eu
não vou te pedir pra voltar
porque eu nunca peço nada
e não pretendo começar agora
mas
eu sempre vou te responder
e querer que você queira ficar
vou ser feliz, caso fique
porque eu sou assim
nunca a que sente primeiro
sempre a que sente mais
e é cansativo
ser quem fica
ser a pessoa que mesmo indo embora, não sai do lugar
ser quem vai te olhar de longe
e se sentir pequena
vulnerável
completamente exposta
chega a doer a garganta
a sensação de que poderia ser tanto
e não é nada
porque dentre tantas soluções
essa é a única
o começo do fim
o fim do fim