Terça a noite, dia 09.05, eu tomei 10 comprimidos de carbamazepina, eu queria ter certeza que estaria incapacitada de acordar no dia seguinte, mas não queria morrer, só queria ficar sonolenta. E o efeito foi muito bom, melhor até que o esperado. Fiquei com tontura o dia todo, senti um sono absurdo, e a sensação foi... a melhor do mundo! Eu senti que eu tinha controle do meu corpo, mesmo estando super tonta. Afinal quem me colocou naquele estado fui eu mesmo, e isso é bom.
Na quarta a noite, dia 10.05, eu ainda estava sob efeito do remédio, mas eu quis me certificar que não estaria bem no dia seguinte e tomei acho que 6 comprimidos de um remédio que não sei o nome e 2 loratadina que dá sono e também foi perfeito. Ainda na terça de noite, eu tive um mal-estar e não gostei porque aquilo não foi algo que decidi ter e meu objetivo era permanecer sob o controle.
Na quarta eu passei o dia todo dormindo porque os efeitos ainda estavam muito fortes em mim e eu adorava aquela sensação. Mas eu decidi não tomar mais nenhum remédio porque eu não queria correr o risco de ficar viciada, afinal, eu sou uma doida consciente hahaha.
Quinta, eu senti que o efeito estava passando, e eu estava tão, tão cansada (de viver), que decidi tomar todos os remédios que eu tinha que dava mais de 70 comprimidos. Meu objetivo era: tomar eles de noite, dormir, ai na sexta eu acordava (se eu já não estivesse morta) ligava pro SAMU, contava o que e fiz, ai eles me levariam pra ser internada e eu ia ficar lá no hospital vegetando sem ter que me preocupar com nada, entende? E decidi não tomar mais nenhum remédio porque eu não queria morrer, eu só queria ficar em coma, quietinha, na minha, sabe?
Mas eu sabia que corria o risco de eu não aguentar, ai eu tive a ideia de fazer uma carta pra minha família, afinal, todo suicida precisa deixar uma carta. Quando comecei a escrever eu tava super empolgada porque eu ia ter paz, mas começou a ficar difícil e eu comecei a chorar desesperadamente. O ponto é que eu não queria ter que tomar o remédio de novo, eu estava cansada (da vida) até pra me matar, não sei se faz sentido. Ai eu não sabia mais o que fazer e liguei pro meu psicólogo, e ele me retornou uns 30m depois e ele ficou conversando comigo, eu chorei igual uma desgraçada hahahah, que ódio! E foi isso! Ainda to viva
Ele ligou pra minha mãe (com minha permissão), contou um pouco o que rolava e ela foi pra casa ficar comigo.
Eu cheguei tão perto da morte, vou escrever mais sobre isso, mas eu sempre achei que quando eu decidisse ir de vez seria uma sensação diferente, mas foi tudo completamente aleatório