First times are always hard.
D: Damon sempre fora o tipo de pessoa que odeia muitas coisas na sua vida - de fato, ele poderia dizer sem muita dificuldade que odeia a vida em si, se ao menos se dignasse a falar sobre o assunto. O que ele não fazia, desde pequeno - e por isso, considerava aquelas visitas ao psiquiatra uma das coisas mais inúteis que Stefan já havia lhe obrigado a fazer. Mas por algum motivo ele ainda não conseguia dizer não para o irmão mais jovem, e por isso ali estava, tentando se distrair com uma revista de meses atrás enquanto esperava a hora da sua consulta.
A: Allison odiava ir no psiquiatra. Tão simples quanto isso. Sentia que tudo aquilo era uma terrível perda de tempo. Ela nunca ficava melhor. Se alguma coisa, revirar suas memórias antigas só a fazia sentir pior. Só voltava, porque não sabia como dormiria sem os comprimidos que lhe receitavam semanalmente. Um péssimo hábito, tinha de admitir. Mas deixava o seu cérebro turvo suficiente para que não precisasse de pensar. Se sentou na sala de espera, fixando um ponto aleatório na parede, sequer notando a presença de outros na sala. Os três valium que tinha tomado mais cedo tinham a deixado calma o suficiente para que parecesse que era a única pessoa no mundo.
D: A questão era que a revista não servia para manter a sua atenção por muito tempo; nesses dias, nada servia. Damon se lembrava vagamente que costumava adorar filmes, adorar livros, ir ao teatro e todas aquelas porcarias que pessoas normais fazem para se divertir - mas isso foi antes da guerra, antes da dor constante no seu joelho machucado em combate, antes dos remédios que faziam sua mente trabalhar com menos eficiência do que de costume. Ele não demorou a baixar a revista, lançando um olhar casual ao redor e terminando por fixar no perfil da garota sentada ao seu lado, que mal parecia notar sua presença. - So, what brings you here? - Seu tom era mais sarcasmo do que qualquer outra coisa, e o moreno sabia que era algo rude de se perguntar na sala de espera do psiquiatra, mas não era como se se importasse de verdade. Estava apenas entediado.
A: Só quando ouviu a voz, é que percebeu que não estava sozinha. Virou o olhar devagar para ele, preguiçosamente, o ato lhe parecendo demorar bem mais do que tinha na realidade. "Oh, didn't notice you there." Disse, honestamente, podendo jurava que a intensidade dos olhos azuis do outro homem a tinham acordado um pouco, mas logo recaiu no mesmo estado de apatia que normalmente carregava. "The usual. Depression, suicide attempts, ptsd, substance abuse. Just another walk in the park." Disse, rindo para si mesma, enquanto abanava de leve a cabeça. Não sentia qualquer necessidade de controlar o que dizia, sua cabeça demasiado leve para se importar. "You?"
D: Arqueou as sobrancelhas de tal forma que elas chegaram perto de se esconder sob o seu cabelo negro. Ela parecia tão jovem à primeira vista, bonita e bem vestida demais para já carregar uma bagagem daquele tamanho - mas Damon sabia reconhecer o modo lento de se mover de uma pessoa dopada, já tinha visto aqueles olhos dilatados no espelho mais vezes do que podia contar. Encolheu os ombros, não se dando o trabalho de falar qualquer bobagem reconfortante porque sabia que não fazia o menor sentido. "Me? Just peachy. It's my brother who thinks I have a problem, so here I am." A mentira vinha com tanta facilidade que até mesmo ele acreditava, por alguns segundos.
A: Riu, sozinha, atirando sua cabeça para trás, deixando que o longo cabelo tocassem nas suas costas. "So you are one of those that lies to yourself until it sounds like the truth?" Ela podia parecer ingênua e jovem, mas não era uma idiota. Sabia onde estavam. Não num psicólogo, não num capricho de garota mimada que se achava traumatizada. Estavam num psiquiatra, o mais caro da cidade, que normalmente lhe traziam os casos mais desesperantes. Especializado em stress pós traumático, se ela não estava enganada. Mas sua cabeça estava rodando o suficiente para que ela não tivesse a certeza. "Hope someday you'll really believe it."
D: "Aren't you a downer." Girou os olhos, ajeitando-se na cadeira acolchoada e esticando as pernas até o fim para aliviar a dor persistente no lugar onde havia recebido um estilhaço de uma bomba e quase acabara perdendo o membro. Damon sabia perfeitamente que não estava bem, que nunca estaria bem de novo, depois de todas as coisas que tinha visto. E assim sendo, ele não via motivos para falar sobre o assunto - não era como se alguém pudesse fazer algo além de lhe lançar olhares de pena. "You're lucky you so pretty. I'm Damon, by the way."
A: "I like to call myself realistic. Or maybe i'm just too high to pretend right now." Lançou-lhe um sorriso brilhante e por segundos, sentiu-se a antiga Allison. A que era capaz de fazer as pessoas sorrir, apenas por estar na mesma sala que elas. Levantou-se, seguindo um caminho em linha reta até Damon, se sentando do lado dele, reencostando-se na cadeira. "I'm not pretty. But you're something else. Bluest eyes I've ever seen." Riu de novo, olhando para ele, desta vez mais de perto. "I'm Allison. It's nice to meet you Damon. The name suits you."
D: O comentário colocou um pequeno sorriso nos lábios do moreno, embora o gesto não chegasse a iluminar seus olhos como costumava fazer no passado. Acompanhou o caminho que a jovem fez até a cadeira ao seu lado, inclinando o rosto na direção dela e respondendo os elogios com um pequeno dar de ombros. Não era cego, tinha noção da própria aparência, mas isso não mudava o fato de que todas as pessoas que amava terminavam mortas ou apenas não correspondiam os seus sentimentos. "Are you still going to be here when I get out, Allison? We could do something." E ele ainda sabia como flertar, como correr as pontas dos dedos pelo braço da garota e se inclinar na direção dela, embora não pudesse nem mesmo dizer que queria mesmo alguma coisa ali. Nem se lembrava a última vez em que estivera com uma mulher.
A: Seu cérebro podia estar adormecendo naquele exato momento, mas o seu processo de raciocínio foi o suficiente para perceber o que Damon estava fazendo. Flertando. Algo que Allison não fazia desde que tudo acontecera. Na verdade, essa provavelmente era a conversa mais longa que tivera desde o acidente, tirando com sua família, polícia, psiquiatra ou advogado. "I have an appointment. But it's going to be quick I guess. I just need to get my prescription." Respondeu, deixando que ele a tocasse, lançando-lhe um pequeno sorriso. "We could. I'm probably going to pass out in a few though." Sentiu-se na obrigação de o avisar. Com sua estatura e péssimo hábito de passar, por vezes, 24 horas sem comer, não tinha grande resistência a medicamentos.
D: De certa forma, esperava que ela fosse recusar. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso não iria querer nada com um cara que acabou de conhecer na espera de uma consulta psiquiátrica - e por isso a resposta positiva lhe deixou um tanto surpreso e sem palavras. O pequeno problema de não ter o que falar foi resolvido, no entanto, quando a recepcionista chamou o nome de Allison e disse que ela podia entrar. Damon olhou para o relógio, vendo que já estava na hora da sua consulta mas que se a dela não demorava muito de fato, ele não teria que esperar muito tempo. Acabou não dizendo nada, apenas sorrindo e fazendo um gesto para que ela fosse até o consultório.
A: Apenas lhe lançou um aceno, já andando para fora da sala, quando ouviu o seu nome a ser chamado. A consulta foi rápida. Ela se sentou, apática como sempre, descrevendo suas dificuldades em dormir, dificuldades em socializar, dificuldades em comer. Basicamente, sobre o quanto viver lhe desagradava naquele exato momento. Se recusou a tirar o casaco, é claro. Não tinha qualquer desejo que ele visse as marcas novas no seu braço. Quando ele lhe entregou a receita que precisava, finalmente foi liberada. Sentou na sala de espera, esperando o seu retorno, sem prestar grande atenção ao que a rodeava.
D: Não demorou muito tempo para que fosse chamado também, indo para o outro consultório onde sua médica de costume estava lhe esperando. Ela já não parecia mais surpresa que Damon não quisesse conversar sobre suas aflições, provavelmente já tendo passado do ponto de ter alguma esperança de que ele fosse começar a compartilhar seus sentimentos. No fim ela teve de se contentar em ouvir apenas o básico sobre os pesadelos e a ansiedade, coisas que ele sabia que precisava dizer para conseguir seus remédios. E quando saiu, o moreno não esperava de fato encontrar Allison sentada na sala de espera, evidentemente esperando a sua volta. "Huh, lets... Go? To my place?" Ele nunca ia admitir, mas de certa forma esperava assustá-la a dizer não. O que era ridículo, já que Allison era o seu tipo de garota, mas o Salvatore não tinha certeza de que estava pronto.
A: Não sabia exatamente o que estava fazendo. Provavelmente, se recusaria sequer a falar com o Damon, se não estivesse sob o efeito do valium. Mas naquele momento, ir com ele, para onde quer que fosse, parecia-lhe bem melhor do que voltar para um apartamento vazio. "Sure. Lead the way." Disse, segurando a alça de sua bolsa, enquanto acompanhava o passo dele, a dúvida na voz dele lhe passando absolutamente despercebida. "Are you expecting to fuck me?" Perguntou, de imediato, quando a pergunta surgiu na sua cabeça. Se surpreendeu quando ouviu o som da sua própria voz, quase como se esperasse que aquilo ficasse apenas no seu pensamento.
D: Era como andar em um sonho, quando se sabe que o corpo está tomando as decisões em vez do cérebro, como se o moreno não tivesse controle algum sobre o que estava fazendo. Ele apenas assentiu e guiou o caminho em direção ao estacionamento, apenas para ser surpreendido pela pergunta da jovem logo assim que saíram do prédio. Partiu os lábios, umedecendo-os com a ponta da língua. Não sabia qual era a resposta certa naquela situação, então procurou a mais vaga possível e se deu por satisfeito. "Only if you want me to." Se fosse sincero, precisava admitir que não sabia se iria conseguir levá-la para a cama, mesmo que ela quisesse, mas Damon Salvatore nunca havia sido um grande fã de sinceridade quando o assunto eram as suas necessidades e sentimentos.
A: "Hm." Respondeu, de imediato, ficando pensativa com a resposta do homem. Sabia onde aquilo ia dar e não tinha a certeza seo queria. Mesmo que estivesse mais calma, sabia que teria toda uma sessão de self hate quando o efeito passasse e não estava com particular interesse nela. "I don't really want you to. I haven't fuck someone since I was 17." Respondeu, sua mente por momentos vagueando para Scott e Isaac, mas logo afastou o rosto deles da sua mente. A última coisa que queria fazer era lembrar-se de Beacon Hills. "I'm 21. In case you're wondering." Seguiu-o até o carro, sentando-se no lugar do passageiro, aliviada por não ter de se arrastar mais pelo estacionamento. "I just wanted some company. I can leave if you want me though."
D: "No, it's okay." Estava aliviado, na verdade. Não sabia o que tinha lhe dado na cabeça para fazer o convite em primeiro lugar - talvez o fato de que sentia falta do antigo Damon e gostaria desesperadamente de voltar a ser como ele, embora soubesse que era quase impossível. "We can watch a movie. Or something." Encolheu os ombros, saindo da vaga e dirigindo na direção da sua casa. "For what is worth," começou, as palavras fora da sua boca antes que conseguisse pensar direito e mudar de idéia. "I haven't been with a woman since I was 21. I'm 30." Ele teve Enzo e Alaric depois, mas não era como se sentisse qualquer disposição para falar sobre eles.
A: "That's... awfully nice of you." Respondeu, o observando algo interessada, enquanto ele os guiava em direção a sua casa. Se fosse sincera, esperava que ele a expulsasse na primeira chance, quando soubesse que ela não estava disponível para aquele tipo de coisa. Mas talvez, tal como ela, ele só precisasse de alguma companhia. Apesar de ter a certeza que a arrumaria bem mais facilmente que Allison. "Shit happens." Deu de ombros, soltando uma curta risada. Não precisava de explicações. Não queria falar do que tinha acontecido com ela e duvidava que Damon quisesse falar do que se passasse com ele.
D: Dispensou o elogio com um encolher de ombros desinteressado. Damon não era uma pessoa particularmente boa, nunca havia sido, ele apenas tinha tendência a se colocar em situações das quais não sabia como fugir depois sem acabar se mostrando um completo babaca. "Yeah, it does." Foi tudo o que respondeu, continuando a dirigir em silêncio então. Sua casa não ficava a mais do que vinte minutos de distância do consultório e logo ele entrava no estacionamento do prédio e estacionava em sua vaga. O silêncio os acompanhou pelo elevador e até a porta do seu apartamento, que o moreno logo abriu para revelar uma residência que não continha bandeiras, medalhas, fotos ou qualquer outro sinal de que seu morador era um veterano de guerra que havia recebido uma dispensa honrosa depois de se ferir em combate. Ele não tinha muito orgulho daquelas coisas para querer mostrá-las. "Do you want something to drink?"
A: Agradeceu o silêncio, sendo deixada sozinha com os seus pensamentos, olhando pela janela. Tornava-se difícil manter-se acordada, mas já sabia que no momento que fechasse os olhos, memórias iriam voltar. Então, simplesmente evitava-o. Imaginava que passar tempo com Damon fosse uma boa maneira de ignorar o seu próprio sono. Acompanhou-o, não sabendo exatamente o que dizer. Eram absolutos estranhos. Tudo o que sabiam um sobre o outro é que eram fodidos o suficiente para frequentar um psiquiatra. Ele podia ser um estuprador e ela nunca saberia. No entanto, havia alguma coisa nele que a fazia querer dar-lhe um voto de confiança. Provavelmente, a quantidade de valium no seu organismo. "Water would be nice."
D: "Water. Okay." Fitou Allison por um segundo, como se ela tivesse crescido uma segunda cabeça ou coisa parecida. "Make yourself at home" Fez um gesto vago na direção do sofá, seguindo direto para a cozinha e enchendo um copo de água na pia antes de pegar outro e colocar uma dose de bourbon para si mesmo. Virou-a de uma vez só, perguntando-se o que diabos estava fazendo para trazer alguém até a sua casa, e encheu mais uma dose bem generosa antes de voltar para a sala. Entregou a água para Allison e sentou-se ao lado dela, encontrando seu frasco de remédios na mesa de centro e jogando dois na boca, empurrando as pílulas com o bourbon. "So. Here we are."
A: Pegou o copo, bebendo um pouco de água, pousando-o sob a mesa. "Don't judge. I don't want to pass out on you so alcohol is not a good idea." Conhecia o seu sistema bem o suficiente para saber que isso seria exatamente o que aconteceria. Sua primeira impressão já deveria estar sendo péssima, não queria piorá-la, mesmo que provavelmente nunca mais se fossem ver. Pelo menos, não naquele contexto. "Here we are." Repetiu, encarando-o, enquanto se deixava cair no sofá. "I don't know what to say. I don't do this usually." Admitiu, quase como se estivesse esperando que Damon lhe dissesse o que fazer.
D: "I might pass out on you." Admitiu, virando o copo de finalizando o whisky ali dentro com facilidade, mal sentido a bebida queimar sua traquéia ao descer, tamanho era o seu costume. Bourbon era a bebida de Alaric, Damon tinha praticamente aprendido a tolerar aquilo com o outro soldado, e hoje em dia ele tendia a beber ao menos metade de uma garrafa todos os dias em conjunto com os remédios para conseguir dormir propriamente. "Me neither. We're two lost causes, aren't we." Não foi uma pergunta e sim uma afirmação, o sorriso amargo se mostrando de novo nos lábios do moreno enquanto ele recostava a cabeça no encosto do sofá atrás de si.
A: "It's okay. I'm getting there anyway." Respondeu, sendo sincera. Podia sentir suas pálperas querendo se fechar, mas estava combatendo contra o sono. Sono significava pesadelos e era a última coisa que ela precisava naquele momento, especialmente porque não se encontrava em casa, onde podia acordar chorando sem a questionarem, por muito que tivesse certeza que Damon não faria. "I guess we are." Riu, deixando-se encostar também no sofá, encarando o tecto. "I don't leave my house unless it's for an appointment. But I'm here." Refletiu mais para si mesma do que para Damon. "Can I ask you to do something? It might sound weird."
D: E deveriam ser mesmo, para terem a capacidade de rir, ao menos um pouco, da própria desgraça. Era o tipo de coisa que apenas pessoas realmente perdidas faziam, já que as normais costumavam estar ocupadas demais tentando melhorar para achar alguma diversão na situação. Mas Damon suspeitava que Allison também já havia passado da fase de pensar que alguns traumas podiam ser superados. Arqueou uma sobrancelha na direção dela ao ouvir a pergunta, encolhendo os ombros. "Sure. I've seen plenty of weird so I guess it's fine."
A: O encarou por uns segundos mais, estudando-o com atenção. Estava sendo idiota, era claro. Mas era a primeira vez em tanto tempo que tinha contato com outra pessoa que não conseguia se impedir de querer tentar sentir alguma coisa. "Can I hold your hand?" Finalmente, deixou sair a pergunta, saindo um pouco enrolada, o seu rosto aquecendo um pouco. Podia parecer infantil e simples, mas era algo tão intímo que ela se sentia algo estranha ao pedi-lo. "It's okay if you don't. I know it's weird. I just... I don't know." Não sabia se explicar porque que o queria fazer. Talvez procurar algum consolo que nunca tinha encontrado.
D: Não sabia ao certo o que estava esperando - fazia muito tempo desde que alguém pedira qualquer coisa dele. As lembranças vieram de imediato, memórias sobre como por vezes ele se deitava no acampamento e entrelaçava dedos com Alaric e Enzo, por vezes incerto quanto à quem pertencia a mão que estava segurando - e depois, sobre como havia segurado a mão de Enzo enquanto ele morria, a sensação de desespero voltando como um tsunami e fazendo com que o moreno fechasse os olhos para combater a ardência neles. "Sure." Queria dizer que não, mas se viu oferecendo uma das mãos calejadas a ela, sem olhar na sua direção.
A: Hesitou ao fazê-lo, mas logo esticou sua própria mão, tomando a de Damon na sua. Demorou o seu tempo a entrelaçar os dedos depois, estudando o ato como se fosse a coisa mais interessante do universo. E de certa forma, era. A sua mão mais pequena, encaixava perfeitamente na dele, as peles brancas de ambos quase não tendo diferença na sua tonalidade. Devagar, acariciou devagar a pele algo áspera dele com o seu polegar devagar, sentindo as cicatrizes, calos deixados pelos anos. Se permitiu lembrar-se de Scott, do seu sorriso, do jeito que ele chamava o seu nome, como se ela fosse a única coisa que importava no mundo. "I... This is a bit overwhelming." Confessou, baixo, subitamente, tornando-se um pouco mais difícil respirar.
D: As memórias por vezes se tornavam tão vívidas que Damon tinha a impressão de que podia sentir o sangue nas suas mãos de novo, junto do cheiro de pólvora que parecia sempre mais forte do que tudo em um campo de batalha. Ele não disse nada, no entanto, sentindo com estranheza os dedos macios demais tocando sua mão, a pele de Allison quase tão gélida quanto a sua, por mais que não estivesse exatamente frio dentro do apartamento. "Just breathe, Allison." Sabia reconhecer os sinais do começo de uma crise de pânico, tendo enfrentado o suficiente delas antes que os calmantes o deixassem dormente demais até para chegar àquele ponto. "Breathe. You're fine."
A: Quase que riu de desespero quando Damon lhe disse que respirasse. "I've had too much valium to have a panic attack." Respondeu, simplesmente suspirando e voltando a encarar o teto, sem largar a mão de Damon. Sentia que era a única coisa que a estava impedindo de começar chorando. Era uma sensação tão diferente, uma que ela quase tinha esquecido que estava fazendo maravilhas para a manter distraída. Se lembrou de seus pais, do jeito que seu pai beijava sua testa sempre que ela chegava em casa, do sorriso da sua mãe quando Allie lhe contava tudo sobre seus novos namoradas. "Life fucking sucks."
D: "Hn." Seus olhos se mantiveram fechados, o bourbon e as pílulas se misturando no seu sangue e causando o efeito que Damon gostava, deixando-o pesado ao ponto de que sabia que desmaiaria no momento em que colocasse a cabeça em seu travesseiro. "It does. But for some reason we just keep living, don't we." E ele sempre se perguntava o porque. Tinha certeza de que Enzo ou Ric saberiam como aproveitar melhor se ainda estivessem vivos, mas por algum motivo havia sido ele a sobreviver, e na maior parte do tempo o moreno sequer sabia o que fazer consigo mesmo. "I think I'm going to bed. You wanna crash here?"
A: Yeah. I wonder why." E ela realmente se questionava porque. Já o tinha tentado. Mas quando acordara, numa cama de hospital, perdera a coragem para o fazer de novo. Tinha de se questionar se aquilo era tudo o que havia, aquela escuridão. Como se ela adormecesse para sempre. Não sabia dizer se era pior o que ela estava sentindo ou não existir. "Yeah. Sure. Why not. I don't think I can find my way home right now anyway." Disse, dando de ombros. "I'll just stay on the couch."
D: Não tinha uma resposta, como para tantas outras coisas, então preferiu não dizer nada. Apenas assentiu quando ela disse que ficaria, levantando-se com um suspiro de desgosto ao colocar o peso do corpo sobre a perna magoada. No quarto, encontrou um travesseiro e um cobertor extra, pensando vagamente que seria cavalheiresco de sua parte oferecer a cama - mas não estava disposto a despencar do sofá caso se remexesse durante o sono e acabar machucando ainda mais a perna e, por isso, preferia não ser tão gentil. Colocou o travesseiro e a coberta sobre o braço do sofá. "I'm down the hall if you need anything." Disse, antes de voltar para o quarto e encostar a porta atrás de si.