{09/07} Pirocinese - Prova prática
PROVA PRÁTICA DE PIROCINESE
Um de cada vez, o aluno deve criar uma bola ou fio de ouro COM AS MÃOS e joga-la em direção a piscina.
Os passos de Konrad ecoaram sobre o chão quando caminhou em direção ao local indicado para a realização de seu teste; apesar de por fora sua aparência estar séria e tranquila, a verdade é que estava ansioso e nervoso. Ele era um Cassiopeiae, seu clã tinha um nome a zelar e ele sabia exatamente o quanto custava caro para aqueles que falhavam perante seu clã; ele era orgulhoso e não aceitava de si mesmo menos que a perfeição, nunca. Aquele teste era sua chance de recuperar sua moral perante todos os outros alunos que lidavam com o fogo e seus professores, mesmo tendo falhado em provas anteriores. Ele parou, encarou seus colegas de turma e deu um meio sorriso debochado. Seria o primeiro, por isso, tinha de ser o melhor também, de acordo com os próprios critérios de perfeição e não aceitava menos que isso. Afastou os pés lentamente, jogando a franja para trás num movimento rápido e sutil, apenas para que esta não atrapalhasse sua visão conforme invocava sua pirocinese. De inicio, era como uma fraca quentura que preenchia seu corpo, como se o sangue em suas veias aquecesse além da temperatura normal do corpo humano e corresse fervente por cada músculo e órgão presentes no seu sistema. Ele tratou de concentrar o máximo possível para canalizar aquele calor espalhado para um único local: a palma erguida de sua mão direita. Conforme sentia todo o calor de suas veias percorreram em direção a região de canalização, ele fechou o palmo com força e, quando novamente tornou a abri-lo, pequenas chamas se formaram nas pontas de seus dígitos estendidos, como se fossem velas acesas ali e não dedos. As falanges se juntaram e, dando um leve impulso para baixo com a mão, tornou a elevá-la, agora com uma esfera de chamas completamente formada e flutuando pouco acima de seu palmo. Conforme canalizava cada vez mais com sua concentração, maior ficava a esfera, como se ele estivesse colocando mais e mais lenha em uma pequena fogueira até que esta se tornasse estável e forte o suficiente para incendiar uma floresta, caso não tivesse controle.
Quando a energia se estabilizou totalmente, a esfera já estava do tamanho de uma bola de capotão e somente de ter o calor dela próximo de seu corpo, Konrad sentiu uma gota de suor escorrer por sua nuca, descendo em direção a gola de sua roupa; era incrível ter todo aquele poder, aquela magia, ali, bem sobre a palma de sua mão – literalmente. Ele nunca duvidara que seu destino era ser grande, maior até mesmo que seu pai. Ele mostraria para todos o talento de um gênio, um bruxo de primeira. Por fim, girou em um mesmo eixo sobre um dos pés, rotacionando com elegância e destreza como se pegasse impulso e lançou a bola de fogo para frente, conforme a direção indicada, levando segundos até que ouvisse o baque das chamas contra a água da piscina em meio a um vapor instantâneo. O ruído era semelhante ao de uma panela pelando que era posta embaixo de água fria, subindo uma nuvem fina daquela fumaça quente. Por fim, encarou os outros alunos com um olhar de superioridade, demorando-se quando encontrou o professor, como se esperasse uma nota perfeita. Dentre três tentativas, o Uchoa conseguiu realizar de primeira sem dificuldade. − Eu sou o próprio fogo, esse tipo de prova sempre vai ser fácil para mim. – Afirmou com o perfeito egocentrismo de um membro de seu clã, retirando-se do local em passos largos para voltar ao seu local de origem.











