Lola sabia do peso que seu nome tinha no mundo do rally de motocicleta. Desde que começou a mostrar desempenho impecável alguns anos antes, o grupo de pessoas se autodenominavam seus fãs foi aumentando aos poucos. E ela tinha orgulho de dizer que reconhecia cada um deles. No entanto, fazia alguns meses que um novo rosto aparecera: uma garota que mais parecia uma fada com seus traços delicados, talvez muito nova para estar no meio de uma competição de rally. E Lola não era boba; já tinha notado que havia algo de diferente no olhar dela. Finalmente, depois de muito caçar contatos pela cidade, descobriu a identidade daquela fada: Nanhee. Descobriu também o seu local de trabalho e lá estava Lola, dentro de uma casa noturna procurando pela garota que avistara horas antes na corrida. O lugar possuía uma decoração elegante, era aconchegante e com certeza passava a vibe pretendida: tudo ali era sensual. Ainda faltavam alguns minutos para o show começar, assim se acomodou em uma das cadeiras macias mais afastadas do palco, perto do bar. Não queria chamar atenção. Mesmo fora das pistas, Lola não abria mão do jeans apertado e da jaqueta de couro, um look que denunciava sua personalidade bad girl.
*:・゚✧ Se fosse pra ser bem sincera, Nanhee não entendia absolutamente nada de rally, motos ou competições no geral. O que ela entendia, porém, era do talento que uma das competidoras possuía e, desde quando a descobriu, acabou ficando por acompanhar cada corrida que Lola de camarote. Ficava sempre um tanto afastada porque, honestamente, só estava ali para acompanhar a mais velha e tinha a mínima noção de não atrapalhar os apreciadores de rally, mas toda vez que aparecia, seu olhar estava sempre na dona dos cabelos escuros. E que engraçado pensar que dessa vez estava em seu espaço de trabalho, se arrumando para entrar nos palcos, pensando exatamente na forma atraente que Lola se concentrava durante o seu trabalho. Por ser uma das mais novas da casa, geralmente usava mais roupas durante os shows — que seriam logo descartadas, é claro — e, naquele dia, Nani entrava no palco principal de saia curta, um bralet delicado que tanto combinava com as feições angelicais e um sorriso no rosto que não condizia com a sua aparência. Beast de Mia Martina ressoava na casa noturna e ela começou a dançar, ouvindo o burburinho de homens e mulheres que se aproximavam de si para lhe oferecer dinheiro. Seu susto, porém, foi passar o olho pela plateia e ver uma imagem conhecida e atraente que, por um instante de segundo, lhe causou um sobressaltar, mas a esperaria vê-la. Lola. Enquanto isso, a cintura fina se movia com lentidão, jogando o cabelo longo para o lado para tentar chamar a atenção dela entre todos que ali a assistiam.