O Loop Temporal
Das várias experiências loucas que já vivi nos meus sonhos, tive uma novidade: ser colocada em um loop temporal.
Passei por uma série de eventos e vi muitas pessoas no decorrer do sonho, mas até então, todas aquelas banalidades comuns de sonho (lugares e pessoas que são e não são, eventos sem sentido, etc). Até eu descer de um ônibus.
Fiquei no ponto, junto com meu namorado (que foi um coadjuvante sem opinião o sonho inteiro) esperando pelo próximo. Depois de um tempão de espera, fui abordada por uma senhora, que me avisou que um grupo estava se aproximando do ponto de ônibus pra assaltar as pessoas e que eu deveria atravessar a rua para o conjunto de lojas para me proteger. Eu não levei a sério e tentei ignorar, afinal, como essa senhora sabia e por que ela estava avisando só pra mim dentre todas as outras pessoas e por que ela mesma continuava ali? Até o momento que ela me disse ser minha última oportunidade que o grupo já estava bem perto. Olhei para o lado, vi um grupo grande com pedaços de madeira nas mãos e corri para o outro lado da rua, onde tinha uma galeria de lojas e restaurantes.
E, na única parte do sonho que meu namorado falou qualquer coisa, disse que não fazia sentido pegar um onibus estando tão perto de casa, que deveríamos chamar um carro que sairia o mesmo preço das passagens de ônibus sem o risco de ser assaltados.
Eis que chega o nosso carro: um conversível, pilotado pelo JP Sears (o Youtuber do canal Ultra Spiritual Life). Nada de estranho aí, pra quem está sonhando. O trajeto era por uma estrada rodeada por uma floresta e estava tomada por peruanos. Os peruanos invadiram parte da pista com o objetivo de nos fazer parar para provavelmente assaltar. Falei pro JP Sears "meter o pé", assim eles iam se sentir intimidados e sair da pista. Aparentemente, dirigir rápido não era o melhor talento dele e começou a bater em muitos obstáculos pelo caminho. Nessa parte, eu queria ressaltar que eu estava vendo "de fora", em uma visão de cima, como se fosse um jogo no qual eu não tinha o controle. Depois de gritar que não precisava ser tão rápido assim, o JP para o carro e diz pra gente ir correndo o restante do caminho - nessa parte eu já estava novamente em primeira pessoa - e, apesar de eu ir contra pois era muito arriscado, ele disse que deveria ser daquela forma ou seria muito pior. Logo que desci, ele acelerou e bateu o carro de forma que não tinha como qualquer pessoa sair viva. E de repente, eu estava novamente no ponto de ônibus.
Vi a senhora que me avisou da primeira vez e fui questionar por que ela não avisou as demais pessoas. "Porque é assim que deve ser" foi a resposta que tive. Mas não concordei e avisei todas as pessoas pra saírem dali e evitar que fossem assaltadas.
Fui para a galeria de lojas do outro lado (assim como as demais pessoas) para passar o tempo e depois chamar um carro. Mas passou um tempinho e comecei a ouvir uma gritaria. O grupo de pessoas que assaltaram o ponto de ônibus na primeira vez, ao não encontrar ninguém, decidiu ir para as lojas e tiveram uma abordagem muito mais agressiva. Corri para me esconder atrás de um balcão e vi eles espancando as pessoas e que algumas dificilmente sairiam vivas depois de levar tanta pancada na cabeça. Quando tudo passou, o JP Sears já estava me esperando com o conversível. Entrei, desesperada, mas sabendo o que aconteceria depois, fiquei perguntando por que ele sabia da primeira vez e aceitou morrer, já que era só não bater o carro. Ele tentou me explicar que as coisas tinham que acontecer como foi planejada pra que acontecessem e já acelerou o carro pra entrar na estrada dos peruanos. Eu, ainda desesperada, não tive reação e só aceitei. Quando ele parou o carro, só desci e vi ele bater o carro novamente. E apareci no ponto de ônibus novamente.
A senhora que me avisou dos assaltos na primeira vez se aproximou de mim e disse que eu não posso querer mudar os eventos da vida e que nem todas as coisas podem ser evitadas, pois elas às vezes podem ser a melhor das opções.
Saí do ponto, as pessoas foram assaltadas, chamei meu carro, passamos pelos peruanos e vi o carro bater depois de descer, mas o JP filosofou um pouco no trajeto. Só que dessa vez passei por tudo de forma bem apática. Eu estava brava porque não fazia sentido que eu, que não tinha o poder de mudar os eventos do passado, fui colocada naquelas situações e no loop temporal pra aprender que eu não deveria mudar as coisas. No momento em que eu voltaria para o ponto de ônibus, acordei.
Talvez algumas pessoas se sentiriam impactadas pela filosofia fajuta falada pelos detentores de conhecimento do sonho. A minha reação, como sempre, foi só rir do quanto meu cérebro consegue me colocar em umas experiências tão malucas.










