Another chance to turn it all around and do not save this for tomorrow | POV
Começo de dezembro, Chicago-IL.
Tomar uma decisão supostamente levava tempo e ponderação. Mas não na família Carrey aparentemente. Ele mal tivera tempo de explicar sobre como o programa de intercâmbio funcionava e seus irmãos e pai estavam praticamente o despachando para a Pensilvânia. Até sua mãe que era usualmente a mais comedida, estava apoiando o resto da família, apesar de insistir em questioná-lo sobre tudo. Nathan tentava fazer valer seus protestos sobre como precisava de tempo para decidir e como deveriam estar ocupados terminando de arrumar a árvore de Natal, mas era inútil.
Aquilo tudo era meio irritante, quer dizer, a decisão devia ser dele, mas todos que tomavam conhecimento do convite, automaticamente o pressionavam para que aceitasse. Não era como se odiasse a ideia, só não estava certo de que era o melhor para ele. Sendo honesto com si mesmo tinha de admitir que estava receoso por ter que enfrentar um novo lugar cheio de gente desconhecida. Talvez ainda ressentisse o colegial, onde tivera tantos problemas para se encaixar. Harvard lhe trouxera uma estabilidade da qual ele gostava muito, mesmo não tendo tantos amigos, conhecia muita gente e todos eram amigáveis com ele. Se sentia seguro lá, confortável com o ambiente, sem mencionar que amava as aulas. Porém a argumentação de seus familiares tinham razão em um ponto, o intercâmbio era uma oportunidade única. Se não fosse permaneceria no seu lugar seguro e ficaria okay, mas perderia a chance de ter vivido boas experiências e talvez se arrependesse futuramente da decisão.
Ele maneou a cabeça pensativo, tentando ponderar o que era o melhor a fazer. Era semelhante ao receio que sentira antes de ir a primeira vez ao camp, mas no caso tudo acabara correndo muito bem. Não se arrependera de ter escolhido ir, tinha muitas lembranças boas de lá – algumas bem ruins também, mas tudo contribuirá para seu crescimento pessoal de um modo ou de outro.Claro que passar um ano fora não era o mesmo que só dois meses, exigia muito mais mudanças e complicações.
“Nate! Me ajude a subir!” A voz da irmã o fez desviar a atenção dos enfeites que distribuía aleatoriamente na árvore de Natal, e encará-la. A loira apontava para o topo do pequeno pinheiro com a mão livre e segurava uma estrela dourada com a outra mão. “Subir, me ajude.” Ela reforçou e ele assentiu, abaixando-se para que ela subisse sobre seus ombros como sempre faziam. Sara se acomodou sobre seus ombros e com cuidado ele se ergueu, ficando próximo o bastante da árvore para que ela pudesse colocar o enfeite no lugar certo. “Zus, me diga: por que quer tanto que eu vá para o intercâmbio?” Perguntou em tom baixo não querendo atrair a atenção do resto da família que agora se juntara para discutir como colocariam as renas 'em cascata' no telhado da casa – seu pai levava muito a sério aquilo de decorações, ele praticamente disputava com os vizinhos todo ano. A irmãzinha ajeitou a estrela com cuidado e o lançou um olhar cheio de uma sabedoria que não parecia muto adequada sua idade. “Porque da primeira vez que voltou daquele acampamento você voltou feliz. Da última vez não tanto, mas ainda parecia...” Ela ponderou por um momento, largando da estrela para encará-lo com mais intensidade agora. “Maduro, não feliz, mas decidido. Não sei bem o porque, mas acho que viagens tem esse efeito em você e é algo bom. Então se der uma chance talvez algo bom aconteça de novo.”
Ele realmente não esperava por uma resposta tão articulada e por um momento apenas a encarou avaliando as palavras da irmã. Nunca tinha pensado em como a família o percebia, mas aparentemente eles – ou pelo menos Sara – o observava o bastante para julgar o que provavelmente seria melhor para ele. De repente, dizer 'sim' não parecia mais tão complicado, não em comparação ao que podia ter pela frente. “Acha mesmo que algo bom vai acontecer?” Perguntou colocando a loira no chão novamente. “Não é você que sempre me diz para ser otimista e ter fé?” Ele sorriu em resposta e assentiu. “E depois dizem que eu sou o esperto da família...” Riu baixo e piscou para a garota. “Acho que será Pensilvânia então. Vai ter que me ajudar a fazer as malas.”










