é um tipo diferente de dor quando você percebe que pro outro é indiferente e pra você é o que te mantém vivo.

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@naturalizaste
é um tipo diferente de dor quando você percebe que pro outro é indiferente e pra você é o que te mantém vivo.
você me olhou nos olhos e chorou
disse que não gosta de brigar comigo
sabendo que tenho problemas.
eu te olhei nos olhos e chorei
porque sei que é mentira.
você não acredita no meu transtorno ou se acredita, simplesmente não se importa.
você não mede as palavras ao falar,
não pensa que o seu tom de voz machuca,
não percebe que você esquece
o que me falou dentro de meia hora,
mas que eu vou me lembrar
pelos próximos dois meses.
incessantemente.
todos. os. dias.
você fala que eu grito,
que sou estressada,
que volto em brigas antigas,
e não entende que é horrível
escutar de você algo
que eu já tento
todos os dias mudar em mim mesma.
eu me conheço há 21 anos.
sei das minhas qualidades e também sei dos meus defeitos.
não há nada que você me fale agora sobre a minha personalidade que eu já não tenha passado anos refletindo.
anos tentando mudar.
mas não consigo.
porque não são duas pessoas diferentes, não são dois cérebros diferentes.
o transtorno não está em mim, o transtorno sou eu.
não tem como fugir de uma doença que dorme atrás dos meus olhos.
você acha mesmo que eu pedi pra ser assim?
tão pesada, tão emotiva, tão atenta a qualquer mínima coisa que me tire do eixo.
você diz que eu sempre arrumo algum motivo para brigar,
mas não percebe todas as vezes
que engoli minhas palavras,
reprimi os sentimentos,
aceitei os desrespeitos,
só pra tudo ficar bem.
só pra não te perder.
mesmo sabendo que poderia
me perder no caminho.
mas não me entenda mal,
não quero te sobrecarregar
sei que me aceitar já deve ser
um desafio muito grande,
então não posso pedir que aceite
os defeitos do meu cérebro também.
não seria justo com você
ter que aceitar algo em mim que nem eu aceito.
por isso vim aqui te dizer que no fundo eu compreendo.
compreendo sua raiva toda vez que toco no mesmo assunto,
compreendo sua reação quando eu aumento o tom de voz sem perceber,
compreendo sua dúvida quando começo a chorar e não sei explicar o porque estou chorando.
não é que eu não saiba.
é que pra mim tudo tem um significado tão profundo que é difícil por em palavras, mas eu sei o que sinto.
eu entendo que você não goste de mim
quando o meu transtorno mental toma conta.
eu também não gosto.
ta tudo bem você não me gostar por inteira.
mas seria tão mais fácil se você tentasse.
não posso te obrigar a entender que
quando grito, não estou gritando com você.
estou gritando porque se eu não colocar pra fora eu extravaso.
não posso te obrigar a entender que
quando não gosto de algo que você fala,
eu começo a questionar o meu valor
e a minha utilidade.
não posso te obrigar a entender que
sempre tive que me provar para a minha família porque eu ser eu não era o suficiente, eu tinha que ser mais, eu tinha que ter algo bom para falarem
e isso me destrói, isso mudou minha personalidade permanentemente.
então não se preocupe,
não precisa me amar tanto assim
só não desista de mim.
O tempo nunca foi nosso inimigo, mas também nunca nos deu trégua. Corremos contra os dias como se pudéssemos vencê-los, como se houvesse uma linha de chegada onde pudéssemos descansar sem medo de que o relógio continuasse a girar. Mas, no fundo, sempre soubemos: certas histórias não precisam de tempo, apenas de intensidade. E nós fomos intensidade, fomos o furacão e o silêncio, a tormenta e a calmaria. Teu nome ecoava na minha mente mesmo quando tua voz se calava e teu toque permanecia na minha pele muito depois da sua ausência. E então compreendi que a eternidade não está só no que dura, mas no que marca. Por isso, quero te eternizar nas minhas linhas como se fosse uma tatuagem no tempo e te amar até nas entrelinhas. Porque mesmo quando eu já não estiver mais aqui nesse mundo, as minhas palavras continuarão vivas, assim como o nosso amor e a nossa conexão. Cada letra que escrevo é um fio invisível que nos une além do agora, além do que os olhos podem ver. E assim, como uma poesia, você nunca partirá. E eu nunca serei esquecimento.
— Diego em Relicário dos poetas.
Às vezes o silêncio da casa parece um suspiro do mundo, um intervalo entre o caos e o descanso. Há dias em que esse silêncio me abraça como um cobertor leve, quase um carinho, mas há outros em que ele pesa. Parece gritar com os cantos, ecoar pelos móveis, como se a ausência se tornasse presença, uma presença incômoda, insistente, quase cruel. A casa vazia me traz uma falsa sensação de calma, até me lembrar daquele vazio do abandono. Uma sensação que ainda não aprendi a lidar perfeitamente, porque ainda sinto sua presença no meu dia. É estranho como a memória sabe esconder e mostrar as coisas com tanta precisão. Às vezes, me pego sorrindo para uma lembrança breve, quase invisível, uma risada sua na cozinha, o barulho da água fervendo para o café, o tilintar da colher na xícara. E então tudo quebra. Porque seu café já esfriou na sua xícara favorita. Os jornais continuam chegando, como se você ainda os lesse toda manhã, mas agora só servem para acumular poeira na soleira da porta. Seu terno, aquele que você mais gostava, está desbotado, esquecido no canto do armário. E há teias de aranha na porta do seu quarto, como se o tempo tivesse decidido selar sua ausência com fios delicados e implacáveis. Acalento é uma palavra bonita, às vezes a pronuncio em voz baixa, como se ela pudesse me dar o que promete. Procuro por ele nos livros, nas músicas, até no vento que entra pela janela durante a tarde. Tento transformar sua ausência em saudade mansa, mas é difícil. Mesmo tentando buscar acalento para conseguir algum tipo de felicidade, sua falta parece continuar me perseguindo. Mas sigo, porque a vida, mesmo ferida, insiste em florescer. E, vez ou outra, quando o sol entra em um certo ângulo, quando o silêncio da casa parece menos cruel, penso que talvez um dia a calma deixe de ser falsa e o acalento, enfim, me alcance de verdade.
— Diego e Maria Eduarda em Encontro de poetas.
eu não precisava de um pedido de desculpa. eu precisava saber o porquê. eu precisava entender o porquê.
você não me deu nem isso.
é uma coisa trágica
quando você vê tudo tão claro
mas a outra pessoa não vê nada
O peso não dito
Eu carrego a sua incerteza, e a minha, em uma balança desajustada.
Você me olha e diz que me ama, que me quer, mas a palavra futuro tropeça na sua língua, e a confiança, essa âncora invisível, desliza das suas mãos. O paradoxo é cruel: dividimos medos, vestimos a mesma insegurança como um casaco pesado, mas você não vê que o abismo que nos separa sou eu quem tenta saltar, enquanto você me assiste da borda.
Tudo bem, repito para as minhas feridas abertas, tudo bem eu me esvaziar, me dar inteira, despejar o meu mar de intenções em um pote furado. Continuo aqui, me partindo aos poucos, costurando esperança com fios de dor, sustentando a arquitetura dessa quase-relação com a minha própria espinha. Eu aceito fazer dar certo por nós duas, com o dobro do esforço, o dobro da fé, o dobro da lágrima.
Mas quando a voz falha e o desespero impõe o limite, você recua.
"Não sei o que quero. Se fico ou se vou." E nessa frase, curta e covarde, toda a responsabilidade cai sobre mim. Você me pede a decisão que deveria ser sua, me coloca no papel de juíza da minha própria agonia.
Eu suplico, eu peço o pouso, o porto seguro do compromisso. Você nega o laço, mas aceita o abraço. E seguimos, como namoradas sem nome, amantes sem destino, em um limbo que te serve, mas que me destrói.
Dói. Quebra. Despedaça.
E hoje, eu sou só os cacos de quem ousou amar sozinha.
a decepção vem quando a gente entende que o outro nunca teve a mesma entrega. que enquanto a gente sentia, o outro só experimentava. e aí o amor vira lição, e a saudade vira limite. e nesse tempo eu aprendi que nem todo olhar bonito esconde verdade, e nem toda saudade merece resposta. às vezes o silêncio é o único recado que vale a pena mandar.
o amor morre. depois de meses lutando para aceitar o fim de um, eu concluí que ele morre sim. quando a gente ama uma pessoa de verdade, o sentimento bate tão forte que achamos que nunca vamos deixar de ama-la. mas eu sou a prova viva de que o amor morre. sou sim. depois de muitas idas e vindas, de tantas mensagem de desculpas, dos meses de abandono. depois das promessas que não foram cumpridas e dos planos que não realizamos, eu descobri que o amor morre. eu disse que sempre estaria ali para você mas estou voltando atrás. lutei até o último segundo só para provar que se eu desistisse, não era amor. mas se eu insistisse em algo que não me fazia mais bem, eu estaria me abandonando. e você não valia esse sacrifício (ninguém vale). por isso que eu afirmo com tanta certeza que um dia, em algum momento, o amor vai morrer. o nosso foi lapidado mas em controversa, surgiu outro. ainda mais forte, ainda mais intenso, ainda mais completo. nasceu o meu amor próprio.
céu de júpiter e versificar: alguns amores morrem para que outros possam nascer.
Há vínculos que se dissolvem sem barulho, como o açúcar na água morna. Não houve despedida, nem promessa de retorno, apenas o silêncio, esse modo discreto de permanecer.
Porque há algo de profundamente íntimo em se afastar sabendo demais. Em carregar lembranças que já não cabem em palavras, mas ainda moram no corpo, como um eco que se recusa a morrer.
Não é rancor, nem esquecimento, é um tipo de respeito que o tempo ensinou. Respeito por tudo o que foi dito, e por tudo o que não precisa mais ser dito.
Talvez a maior forma de ternura seja deixar que o outro siga, intacto na lembrança, sem tentar trazê-lo de volta para o presente. E nisso há uma delicadeza rara, a de compreender que o amor, às vezes, termina antes da última conversa.
Há muita intimidade em nunca mais se falar. Porque o silêncio, quando vem depois de tanto, é uma forma de continuar amando, só que em voz baixa.
♾️ ♦️
(Texto autoral).
quero ser aquela música antiga que por mais que o tempo passe, você nunca esquece.
gorgatt
Não insista em lugares que já te expulsaram em silêncio. Onde a alma se encolhe, não é lar — é prisão. Escolha renascer longe do que te diminui.
Luis Junior
Odeio o que você se tornou, Mas sobretudo acho que nunca nem te conheci.
— Ecos do infinito
o que eu sou sem amor?
Não me desafie, porque quando eu perdi tudo, eu também perdi o medo.
@sobmeuolhar