pelos deuses! aquele ali passeando na praia é NICE? ah, não, é só NIKOLAI ANDERSON BOWERMAN, um ATLETA MULTIESPORTIVO nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os TRINTA E DOIS anos nesse novo corpo, segue tão PRIMOROSO e INFLEXÍVEL quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito LEO SUTER? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
O que acontece com o atleta quando os holofotes se apagam e os prêmios são distribuídos? O que acontece quando a temporada termina e o tão desejado descanso é oferecido? O que acontece quando voltas na piscina se tornam tortura? Quando a corrida não é comprida o suficiente? E o que acontece quando é mais uma vitória? Mais um risco no quadro de pontuação, onde é o primeiro e o segundo lugar está fora de vista?
Nikolai Anderson Bowerman é um atleta dourado. Literalmente. A quantidade de medalhas, troféus e premiações, se derretidas, é capaz de modelar três estátuas massivas de si. Ouro, após purificado e classificado, combinando com a pele bronzeada - que bem podia vir dos flashes e holofotes sobre si. Entrevistas? Com certeza. Gracinhas com a câmera? Sempre. Imagem exclusiva e secreta do treinamento? Fique nesse ângulo e vai parecer que ele realmente não sabe. O nadador, ou seria lutador? Espera, talvez fosse alpinista, mas posso jurar que estava no hipismo. Enfim, não importa, onde ele passa o rastro é igualmente destrutivo. Para todos que tem a infelicidade de cair na mesma época que o Dragão.
Piadinha clássica, vai, porque dragão ama acumular ouro - e corvo não é um animal que combine com a juba dourada e nem tem o fogo dentro dos olhos.
O primeiro a chegar, o último a sair. O mais dedicado no treinamento, o amigo prestativo entre seus colegas. O que aparecia sem querer, o que mostrava o caminho certo sem sair do próprio. Muitos achavam o atleta perfeito, o ideal de fair play com uma pitada generosa de altruísmo. Porém, o verdadeiro problema ninguém conseguia enxergar de verdade. O brilho de suas conquistas ofuscava quando chegavam perto demais e a lábia encantadora tirava a suspeita que restava. Ninguém conseguia enxergar o motivo verdadeiro. A razão de acordar todo o dia e aguentar inúmeros testes antidoping, de ser o mais paciente dos tutores daquele menino que não sabia fazer o cavalo obedecer.
Validação.
Nikolai precisa de validação para continuar. Precisava da atenção para saber... O que faria consigo quando não estava sendo visto? O que era possível ser feito fora do pódio? Sem a visão desimpedida do primeiro lugar sob a chuva de aplausos entusiasmados? Como poderia viver sem ter a vitória como o manto mais acolhedor de todos os tempos? Realmente, a pergunta era tão difícil que o inconsciente colocava uma pressão absurda sobre seus treinos. Vencer por vencer não bastava mais. Precisava bater um recorde, fazer uma posição diferente, colocar seu nome na competição. Bowerman é, agora, um termo associado ao impossível. Entrando no patamar atemporal de atletas famosos. Nikolai só existe com a vitória.
E a vida é assim...
Cada curvar perante a ovação, Nikolai enxerga a criança com o ouvido na porta, espiando para ver o que os pais fazem. Mãozinhas na maçaneta e medo tensionando os ombros pela reprimenda. As babás e mordomos gentilmente o levando para outro lado e acalentando a frágil criança adotada. Cada passo para o pódio, um milímetro mais perto da atenção dos pais. Uma que só era atraída quando recebiam convites para comemorações ou vitória do único filho. Escolher a criança desde os genes, misturar para um campeão, e colher os frutos que tinham plantado. Um milímetro mais perto de afeição, mesmo que condicionada. Cada louro enfeitando a cabeça, um aperto de mão e um beijo no rosto, para as câmeras e os convidados. Para gerar inveja da família perfeita e milionária. Rica em reconhecimento, rica em fortuna, rica em conforto, rica em relações. E ele abraçava cada migalha e guardava rente ao peito. Cada levantar de braço e sorriso enorme, disfarçando o segundo que tudo mudava e ficava escuro. O abandono por não ter mais o que fazer, não tirar mais daquelas glórias.
E ele voltava ao início, trabalhando e treinando à exaustão. Sendo o primeiro a entrar e o último a sair. Sendo o que mancha o piso com gotas de sangue e cai, banhado de suor, no banco do vestiário.
Cada vitória era um minuto vivido.
Cada vitória era a permissão de viver mais um dia.
TRIVIA:
Nikolai tem vários apelidos, mas seus preferidos são Dragão e Nicander. Dragão pela motivação óbvia de ouro e preciosidades. Nicander pela união de Nik com o segundo nome, mudando completamente. Os pais torcem o nariz e corrigem todas as tentativas, mas Nikolai insiste em só responder quando é chamado dessa maneira.
Seu corpo é um templo, tanto que ainda mantém o recorde de atleta mais velho a ganhar o primeiro lugar em competições oficiais. Treina, mantém a dieta, não falta com os exames de rotina. Dito isso, a falta de álcool (disfarçando com água ou preparando drinks virgens) culminou numa resistência digna de PENA.
É obcecado por chaveiros. A chave de casa dele tem 12 pendurados. Chaveiros de lugares, de animais, de personagens. Chaveiros grandes e pequenos, coloridos ou preto e branco. Seus preferidos são os metálicos, principalmente os que tem algo que se move ou gira.
Se considera o salva-vidas não oficial do hotel. O homem pode ter saído das piscinas, mas as piscinas nunca o abandonarão.















