pelos deuses! aquele ali passeando na praia é o HEFESTO? ah, não, é só HADRIAN ASHFORD um PROFESSOR DE HISTÓRIA E ARQUEÓLOGO nos agraciando com sua beleza nos halls do aletheia hotel. as moiras avisaram: mesmo com os 37 anos nesse novo corpo, segue tão INTELIGENTE e EXPLOSIVO quanto na antiguidade. repararam também que ele lembra muito JOSEPH MORGAN? a maldição levou tudo, menos sua beleza. que prazer tê-lo como HÓSPEDE do nosso hotel!
Hadrian é um renomado professor e arqueólogo, com doutorado, prêmios, livros escritos e muito prestígio na sua aérea. Já viajou para tudo que é canto do mundo para suas pesquisas e foi responsável por encontrar, e explicar, muitos artefatos importantes hoje estampados nos museus. É ateu de tudo, mas aficionado pela forma que as mitologias compõem a história da humanidade. Porém de tudo que tem talento acadêmico, tem baixíssima vontade de ter habilidades sociais. Não tem muita paciência para burrice, é temperamental, tem tendência ao isolamento, acaba sempre recorrendo para o sarcasmo e não tem nenhum medo de virar e ir embora se a conversa estiver consumindo sua energia. Se quiser interromper seu hiperfoco que apareça com um copo de bebida, senão não terá atenção. A narradora que vós fala sabe que ele parece um pé no caso, mas ele é uma pessoa muito querida e leal. Se entrar em seu coração, será eternamente devoto e protetor. Bem, isso se superar a parte que ele tenta afastar tudo e todos antes que qualquer relação seja recíproca. É dono de um medo de se relacionar, por não querer ferir e nem sair ferido. Mas sempre trará sorrisos gentis e uma conversa bem humorada, além de ser um excelente ouvinte. Ah, e não é muito difícil conquistá-lo pelo ego se precisar de alguma ajuda intelectual.
ALEATORIEDADES:
Nasceu no interior da Inglaterra ( worcerster ) e mudou-se para Londres após a morte do pai.
Além do inglês carregado de sotaque, fala francês, italiano e espanhol fluente. Tem vivência em línguas antigas, principalmente no latim e grego. Sabe o básico de línguas árabes e mandarim, o suficiente para não passar perrengue.
Não fuma e odeia o cheio de cigarro - ou qualquer coisa que lembre fumaça. É enjoado o suficiente para dizer que compromete a preservação do seu paladar (gosta de experimentar comidas locais) e da sua paciência (isso nunca tem mesmo).
Bebida: Whisky ou somente uma cerveja.
Lê o tempo todo e anda com um caderno de anotações, principalmente quando busca conversar com moradores locais.
Obcecado por história local - facilmente irá encontrá-lo nas bibliotecas ou falando com as pessoas para aprender mais sobre a cultura. Não se espante se do nada vê-lo dentro da casa de uma senhora estranha tomando café, aprendeu que segurar a simpatia e ouvir é a melhor forma de aprender além do já escrito nos livros. Isso te ajudou a ter mais paciência nas situações que quer e ser um bom ouvinte, porém segue sem se submeter a rotas turísticas movimentadas.
Já foi preso em fronteiras e por entrar em zonas proibidas, mas teve contatos que o tirou rapidamente.
Coleciona objetos pequenos de expedições: como moedas, chaves, pedras, etc.
Não liga muito para se vestir bem, sempre optando por camisas de manga longa e roupas confortáveis. Jeans, jaquetas de couro, casacos, colares hippies são o que compõem seu guarda-roupa, salvo as raras vezes que está arrumadinho para palestras importantes. Além disso, possui algumas cicatrizes espaçadas nos braços e pernas decorrente ao incêndio que matou seu pai - o que é um dos motivos de não deixar a pele sempre aparente. Tem preguiça de inventar histórias do que houve ou falar de si mesmo.
BIO:
Hadrian cresceu em uma fazenda com os pais como uma típica criança curiosa. Sempre acompanhava a mãe em suas aulas de arte e o pai em seu dia a dia como mecânico, ainda que sua função intelectual fosse de muito mais proveito para ambos. Em poucas palavras, o menino era um desastre! Tudo que tocava quebrava, desde as mais frágeis das maçanetas até o mais forte dos martelos. Em sua maioria em ataques explosivos de estresse, mas, em outras, simplesmente por ter encostado. Em compensação, via soluções que os olhos do pai não eram capazes, encontrava artefatos que sua mãe nem imaginava que estariam em seu próprio quintal e fascinava aos professores pela inteligência além do comum. Podemos dizer que não foi muito popular na escola, mas ninguém tinha coragem de mexer com o “esquentadinho Ashford”.
A próxima ironia em sua vida tem relação a criação de seu maior trauma. A criança tão fascinada pelo fogo viu seu pai falecer em um incêndio causado por ele, no qual igualmente deixou sua mãe gravemente ferida e marcas em seu corpo. O fato ocorreu aos seus 15 anos, mas desde então não chega perto nem de uma lareira. Foi desse senso de culpa e responsabilidade que começou a trabalhar cedo e mudou-se para cidade com sua mãe, sabendo que teriam uma melhor qualidade de vida juntos. Hoje em dia ela é uma senhora alegre, novamente casada, vivendo feliz em sua casa do campo - porém ambos possuem um relacionamento distante desde o incidente. A progenitora garante que o incêndio foi um acidente e jamais guardaria rancor do próprio filho, mas por muito tempo teve um sonho com a face da mãe raivosa e atormentada o jogando de um penhasco.
Hadrian é uma pessoa cética e não acredita em nada que seus olhos não veem. Sua mãe sempre dizia que era abençoado e que as coisas viriam com facilidade para ele, mas tudo que construiu foi com um esforço absurdo. Sempre carregou em si uma tristeza que te faz tender ao isolamento e uma falta de senso de preservação, se colocando em situações perigosas e aparecendo com o rosto esfolado após meses em vários lugares inóspitos. Justificou a necessidade de afastamento emocional com a dedicação de muito estudo, teses de mestrado e doutorado, prêmios, palestras, noites em claro, além de aulas desde crianças até universitários. A única facilidade é ter um dom natural para encontrar relíquias antigas e fazer dinheiro através de seus livros, teses e as vendendo para museus. Via dos mitos como um poço infindável para sua curiosidade, queria desvendá-los e entender o funcionamento de cada ferramenta — já que tinha sua “maldição” natural de não conseguir trocar um chuveiro sem destruir a fiação da casa.
Hadrian é muito conhecido entre os historiadores e a comunidade acadêmica, mas para os outros? Um ninguém. O que até prefere, pois fica mais fácil ir embora sem chamar atenção ou criar vínculos profundos. Uma casualidade aqui e ali, e uma boa pitada de ghosting, é o que forma a maior parte de suas interações sociais. Sua alma parece carregar amarras de rejeição e por isso, nessa vida, ele afasta antes de sentir as dores que prevê sentir.
Hadrian vive em viagens para conferências, palestras e aulas em turmas específicas de universidades. Acabou no Hotel Aletheia para se afastar do tumulto antes da próxima conferência marcada em Atenas. Isso é o que contou aos outros, pois também segue para o hotel atrás de uma pista de um artefato importante dos considerados “Deuses da Grécia Antiga”. Para quem é ateu de tudo, tem uma intuição forte de que encontrará respostas ali para alguns mistérios que rodeiam sua mente.
[ 02:12 da madrugada ]
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[ 06:36 da manhã ]
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nik: bora? @hadrian-ashford
[ 06:40 da manhã ]
hadrian: amigo, com todo amor do mundo no coração, que inferno de flod de msg. vc nao dorme nao?
hadrian: ate eu que tenho insonia tava dormindo
hadrian: depois de passar a noite inteira mandando foto, será que ainda aguenta fazer alguma trilha? n q eu duvide da sua disposição, só n sei da onde vem se nem droga usa
hadrian: DEPOIS DE LAVAR MINHA ALMA RECLAMANDO
hadrian: claro, quer ir onde? to com dia livre
O arquiteto observou Hadrian semicerrando os olhos e reconheceu aquela postura usual, rolou os olhos mas, mantinha o sorriso no rosto. Mesmo que, estivesse mais intrigado com aquela postura que o usual. Suspirou, passando a mão pelo cabelo, bagunçando mais do que arrumando. — Eu nunca esperei menos, confesso. — Mas, então a menção ao seu próprio mal humor o fez abaixar os ombros e, em um novo suspiro, um tanto derrotado, ele optou pela verdade. Porque não costumava mentir para Hadrian mesmo. — Sonhos, meio repetitivos. Empurrar coisas montanha acima, ficar preso em algo que mais parece… um carrossel? Essas coisas. — O sorriso voltou, mas fraco. — E talvez… outras coisas. A sensação esquisita quando eu acordo é o pior, na realidade. Mas, nada que um passeio pelo arquipélago não resolva, certo?— Disse, seguindo o mais velho até o carro, enquanto ouvia-o falar sobre as crianças. — Crianças me amam porque eu sou basicamente uma criança gigante com um diploma de arquitetura. Pode perguntar para a Max, eu tenho certeza que sou tipo… o herói dela. Não herói… mas, enfim. — Respondeu. Aos poucos a energia parecia ir voltando. — E sim, eu levaria LEGO. Óbvio que levaria LEGO. Posso ensinar geometria, proporções, estrutura… tudo através de blocos coloridos. — O brilho nos olhos aumentou. — É genial, na verdade. — A provocação sobre dar aula fez Saul parar, virando-se para Hadrian com aquele sorriso cretino de volta. — H. Ford, eu adoro falar. Sobre qualquer coisa. Para qualquer um que queira ouvir. Crianças? Melhor ainda, porque elas fazem perguntas absurdas e eu tenho respostas absurdas. — Inclinou a cabeça. — Quando você me leva? Porque agora você me deixou empolgado e se não for, eu vou ficar insuportável.
Deu um leve sorriso, sabendo que sim seu mau humor era algo conhecido por absurdamente todo mundo, ainda mais para amigos próximos. Não sabe explicar o porque, talvez pela postura excessivamente energética de Saul, mas tem um costume de tratá-lo como um irmão mais novo, por isso dava atenção naqueles sonhos da cabeça dele tentando pensar em alguma coisa. Não que fosse um grande de um interprete, mas ele próprio tinha alguns sonhos frequentes que, em sua visão, nada mais eram que reflexos dos momentos que vivia naquela noite "Dormiu lendo o mito de sísifo? se as coisas que empurrou acima for uma pedra.." acompanhou o sorriso "Voltar para cá é praticamente um ciclo repetitivo mesmo. Meio inútil, sem resposta, mas aceitamos o destino e seguimos empurrando a pedra. Parece aquele filme do 1408 que você acha que saiu do quarto do hotel, mas quando vê está lá de novo. Enfim, obviamente não sou expert no subconsciente, mas tenho sonhado pra cacete com minha mãe e associo isso a esse período de paternidade, coisa mal resolvida, sei lá... O que seria o talvez outras coisas?" não só perguntava porque evitava falar de si mesmo, mas porque dando partida no carro se colocava naquela pose de sempre que queria ajudar os amigos. Podia não ser o melhor dos conselhos, mas era um bom ouvinte. Pode falar com Hadrian por horas sem ele dar uma palavra que vai estar bem de boas. E lá estava ele dando uma risada de novo, concordando plenamente com o criança gigante. "Tenho certeza que herói vai ser a palavra que ela vai escolher sim" respondeu em uma provocação irônica, mas não diria que estava longe disso pelo que já percebeu entre os dois. Seria verbalizado pela menina? Tinha certeza que jamais. "Caralho, dá para ficar mais insuportável?" estralou a língua e balançou a cabeça na brincadeira "Vou ter que providenciar pra próxima semana, senão quem vai ficar doido sou eu, certeza" devolveu o sorriso sarcástico enquanto dirigia, o olhando de canto "Consegue misturar suas ideias com alguma coisa de mitologia ou dos templos? É o tema do bimestre. Se conseguir, te arranjo um dia" Ia precisar separar uma manhã toda se for combinar o tanto que Saul fala e que criança fala, mas dava pra ver no seu olhar e no sorriso que não achava uma má ideia.
Haviam gatilhos demais envolvendo o hotel, mas o quarto que os dois acordaram dias antes especificamente. Ainda que coisas positivas tenham ocorrido ali, o teor de bebida e de bagunça que sempre envolveu seu próprio quarto e o dela te traziam gasturas emocionais que não queria lidar. Por isso pediu para mudar o aposento - agora de ambos - para algum novo que a varanda desse para os fundos e não mais para frente. Assim evitariam fotógrafos da rua que insistiam em tirar fotos inclusive de rostos não midiáticos, como era o dos dois. Podia sentar ao lado dela na varanda e servir a xícara de café em suas mãos, segurando a própria e passando o braço livre no encosto da cadeira de Ezra. Hadrian suspirava, porque ao mesmo tempo que tinha a trégua de paz em estar ao lado da agora namorada, ainda tinha coisas que pareciam que só empurravam a conversa para depois. "Ez.. A gente precisa conversar" ele puxou o assunto, um gole dado antes de procurar seu olhar. Não tinha necessariamente tensão, porque ficar ao lado dela sempre foi confortável mesmo antes de serem tudo. "Aceitei um emprego naquela escola local que te falei, porque preciso manter minha cabeça ocupada. Além daquele curso que termina na semana que vem. Então posso te deixar no ateliê de manhã e te buscar no almoço, se quiser comer junto. Claro que você pode ir com motorista ou se quiser dirigir mas.. Com esses jornalistas incomodando aí, ficaria mais tranquilo te levando" sorriso mínimo, mais um gole dado na xícara. "Você quer se mudar pra cá?" queria ouvir dela antes de expressar os demais pensamentos que tem matutado nas últimas semanas. A própria carreira era uma questão, a aliança que incrivelmente veio na mala para fazer o pedido em algum momento era outra. "Obviamente me refiro a Santorini. De preferência a muitos quilômetros de distância desse inferno de hotel" um último toque de sarcasmo, senão não era ele.
ezra estava irritadiça; o incômodo por não conseguir apontar a origem exata daquela sensação. poderiam ser os hormônios, poderia ser santorini. cidade de dualidade ofensiva, onde nunca soubera afirmar se sentia amor ou repulsa. lembrava-se com clareza do período em que comprara a galeria, dos investimentos que se seguiram, da convicção de que se mudaria para lá definitivamente, uma promessa feita a si mesma de recomeço. agora, porém, com a notícia ainda recente, com o acidente e tudo que viera acoplado a ele, o retorno parecia devolver-lhe dúvidas que julgara enterradas com cuidado. haviam outros tipos de recomeço a serem seguidos. da varanda do novo aposento, observava o quebrar de uma onda distante, o mar aberto estendendo-se em superfície indecifrável. havia em seu rosto algo suspenso entre o fluxo de pensamentos e uma raiva surda, contida, sem alvo muito definido. tudo isso se desfez no instante em que pousou os olhos nele, no entregar a xícara. ela permaneceu em silêncio, aceitando, deixando as pálpebras caírem por um breve momento porque sabia que precisavam conversar. mas não o queria de fato. “eu realmente não sei.” a frase saiu honesta, sem adornos. havia o hábito de dispor do tempo que fosse necessário para decidir qualquer coisa, e também o de fazê-lo sozinha. “eu aceito o almoço, mas a outra pergunta…” a voz foi diminuindo, e o silêncio se instalou deliberado. a mão livre encontrou os dedos dele, as falanges seguindo um caminho distraído, enquanto aquela pausa longa, densa, ia se acomodando. então ela ergueu o olhar outra vez. “o que você quer?”
Hadrian a observava com atenção sempre calculada, cada nuance do seu rosto, a irritação que já estava acostumado a lidar, quando seu rosto se tensionava ou se aliviava mais. A brisa aliviava um pouco os pensamentos excessivos que ele se via perdido nos últimos tempos, mas mesmo assim tinha aquele traço do respirar fundo o tempo todo quando se via em meio a ansiedade. Não é uma pessoa controladora de fato, mas seu excesso de praticidade te faz ver a vida como uma grande planilha quando tem outras pessoas que "dependem" dele. Mesmo que Ez não dependesse necessariamente, ele queria ser o porto seguro dela, queria cuidar da sua mulher e da mini pessoa que viria aí e realmente dependeria. Um sorriso mínimo saiu com a resposta positiva do almoço, deixando o olhar cair para os dedos que se encontravam, entrelaçando mais nos dela e acariciando sua pele com o polegar. "Esperava que você tivesse a resposta, porque também não sei" brincou em meio a um sorriso, uma leve careta que fechava um olho e deixava o outro aberto, lábios repuxados. "Não tem nada que me segure em Londres, necessariamente. Minha casa sempre foi meio que um.. refúgio temporário, por assim dizer. Porque sempre fui meio nômade" se remexeu na cadeira em um desconforto em não conseguir compor um pensamento concreto do que pretendia, do que queria, de como faria. O braço do encosto se aproximou mais para deixar os dedos mexerem distraidamente nos cabelos dela, como se te ajudasse a pensar melhor. "Estou pensando em voltar lecionar, uma moradia fixa e sem mais viagens. Estamos num lugar que a arqueologia é bem valorizada, consigo trabalho em qualquer faculdade, a escola infantil daqui é boa, a natureza também é algo positivo .. Assim, Santorini é absurdamente turística e não necessariamente a primeira escolha quando pensaria em criar uma criança, mas.. O que sei sobre isso além do que estamos lendo?" um sopro de riso e tombou a cabeça, colocando uma mecha do cabelo da mulher atrás da orelha "Uma casa mais afastada, talvez? Tem umas praias que são mais vazias, menos inferno de gente por perto, perto do ateliê..." Hadrian deu um sorriso de lado ao dar uma pausa, pegar a mão dela e dar um beijo, deitando levemente em seu ombro e buscando seu olhar dali "Sim, eu tenho endereço de várias. Como sabe, oscilo entre procrastinador e hiperfocado, você que quis me ter na sua vida não pode reclamar agora"
– Só não aconteceu com os jornalistas, aparentemente. - respondeu em um suspiro, igualmente cansado, mas fazendo o possível pra não demonstrar. Theo era representação de força, de conforto. Não poderia se mostrar fraco. A confissão de Hadrian fez com que seu foco mudasse, afinal nada excitava mais um religioso do que um ex-alguma-coisa, principalmente um ex alcoólatra. - Sério? Parabéns! Isso é uma conquista enorme, você deve tá orgulhoso. - com carinho e cuidado, tocou em seu ombro, deixando pro outro um sorriso verdadeiro. - Eu estive por aqui, na verdade. Fui turistar pelos templos. Já conheceu os templos?
Hadrian concordou com a cabeça e um revirar de olhos, porque os jornalistas estavam te irritando. Ainda sim acabou arqueando uma sobrancelha pelo contato inesperado, com um sorriso mesmo assim, com aquele toque em seu ombro. "Valeu. Acho que sim. Ainda estou na fase que está insuportável, não vejo a hora de ir para próxima" um sorriso mínimo, uma confissão estranha dita com humor. Não pode nem dizer que é pelo homem ser padre, afinal não acredita em deus como um todo. Não saberia a resposta, mas era uma relação prática que carregava por Zeus desde sua primeira existência, o pai que não era pai de verdade, a sensação de só estarem próximos por conveniência, mas não serem família. Ao mesmo tempo, a figura de Zeus era respeitada por Hefesto, assim como a do religioso ao seu lado. "Espera.. Então você estava na Grécia? E mesmo assim perdeu a memória e apareceu no hotel?" isso pegou Hadrian desprevenido, estreitando mais os olhos e colocando peças no novo tabuleiro sem respostas. Que estranho. "Conheci por conveniência histórica, não exerço religião. Mas sim, visitei alguns aqui em Santorini. Algum templo específico que foi visitar?"
revirou os olhos, não se importando em ser educado com alguém como hadrian ashford, especialmente por ser uma das pessoas que atrapalhava sua vida, enchendo sua cabeça de ideias erradas. será que ele tinha falado com sua irmã também? quem será que era o agente das trevas que a perseguia? isso realmente parecia algo de filme. não! não vamos nos desviar com comentários idiotas sobre nosso linguajar. "do que adianta serem diferentes se estão todos pecando?" ergueu uma sobrancelha. "sou humilde e admito: eu errei. estou disposto a fazer o que for necessário para sair disso, então, imagino que vou sair primeiro do que você. ou melhor, com certeza vou!"
Misericórdia os papo de doido desse menino é desumano realmente. Parecia que via nas costas dele toda uma herança do culto que ele fazia parte, isso era uma das coisas que mais irritavam Ashford sobre religião. Não era algo tão incomum assim mentes jovens serem contaminadas. "Tá.." tentou ser cauteloso, mas os olhos estavam estreitos na teoria do moleque "Então seu Deus não tem nenhuma base de medir os pecados entre as pessoas? Todo mundo só é jogado no mesmo barco e pronto?" Hadrian estava meio cansado com a vida, não sabe se realmente conseguiria ser gentil ali. Ainda sim se esforçava, dando pausa para encontrar as melhores palavras "E o que ele é, um agente viagens para puxar todo mundo para um hotel na Grécia?" com toda certeza não foi o mais gentil, mas mesmo assim seguia no suspiro para manter a vibe tranquila e diminuir a ironia. "Não tenho resposta para o que exatamente ocorreu aqui, mas você não acha que é necessário colocar um pouquinho mais de racionalidade nessa sua teoria não, Gabriel? Temos pessoas aqui que não pais de família, que só estão trabalhando para pagar contas, gente comum só vivendo a vida delas. Na moral, que crueldade considerar que todo mundo seja pecador né não?" e arqueou uma sobrancelha, não sabia se ia chegar em algum lugar com ele. Mas não é possível aquele menino não parar pelo menos pra pensar um pouquinho! Eh Hadrian, que instinto paternal é esse que não consegue desistir dos jovens mesmo.
Os olhos se estreitaram ao olhar de canto, dando uma risada baixa com a constatação. "Claro que não ia. Você nunca reclama né não?" até parece! Se juntar ele e o Harlow não tem quem aguenta com o festival de reclamação, isso que a fama de reclamão ficou só para Hadrian. Só não começou a falar mal do Aletheia pela milionésima vez porque passou os 4 últimos meses fazendo isso, nem ele estava se suportando. Mas se desse brecha, ele reclamava "Só de rotina por conta do delírio coletivo ou.. algo específico? Tá legal? Não sei a última vez que te vi tão feliz na verdade, mas posso estar enganado" outro sorriso mínimo, as piscadelas insistentes que as vezes que obrigava a piscar mais forte só pra ver se parava aquela merda. Achava de verdade que Josh estaria pior com aquela história dos jornalistas, mas tinha uma parte sua que ficava feliz que ele estivesse lidando melhor do que esperava - provavelmente associado ao demônio que estava sempre ao seu lado. Ainda sim, Hadrian seguia no instinto de protegê-lo daquele povo insistente. Aceitou a sugestão do restaurante japonês e direcionou o carro para a direção apontada, porque sabia onde ele se referia. Teve bastante tempo para conhecer aquela cidade de ponta a ponta nos últimos meses, então pelo menos sabia onde parar para descerem no restaurante e entrarem pela porta lateral, caso tivessem sido seguidos por alguém. "Seu egocentrinho de merda" sua resposta veio em uma provocação costumeira, naquele ato de bagunçar o cabelo dele da nuca pra frente e sair andando em frente num sorriso zombeteiro. Apesar de tudo, era difícil não sorrir e dar uma risada quando estava do lado dos melhores amigos. Abria a porta, esperava ele passar, olhava em volta só pra ter certeza e então seguia para entrar no restaurante. "Osh, e iam achar o que de mim? Será que a sociedade está pronta para ter imagens do professor Hadrian Ashford definitivamente trabalhando? Acredita que nem só de procrastinação vive o homem?" um olho fechado, outro aberto, uma careta engraçadinha reconhecendo seu maior problema dos últimos meses. "Podemos sentar pra lá?" apontou com a mão para o lado do restaurante que era oposto do bar, mas já se direcionava para sentar na mesa.
Josh soprou uma risada, sabendo que estava prestes a reclamar mesmo. Mas a graça não durou tanto tempo assim, pois teve que se segurar no assento. Tudo bem que Hadrian não era tão ruim assim no volante que nem Hazal, mas ainda era um tanto desesperador. Pelo menos a conversa o distraía, e queria mantê-la para distrair Hadrian também, pois ele não parecia muito bem. Pelo menos não como Josh gostaria. "O hotel está contratando alguns médicos e psiquiatras pra checar se estamos bem, eu acho. Mas não estou muito animado pra participar dessa parte. Prefiro fingir que a gente vai ficar bem." Toda aquela história ainda lhe trazia um certo desconforto. Nenhuma teoria fazia sentido, e ver as pessoas ao redor surtando tentando arrumar uma explicação não ajudava. A mídia em cima deles também não ajudava. Em meio a esses pensamentos caóticos, havia Damian, e isso o fez sorrir. "E, sim. Eu estou feliz." Adicionou, levando os dígitos até o anel em formato de lua, girando-o distraidamente ali. Olhando para Hadrian, resistiu por mais alguns minutos retornar a pergunta pra ele, sobre estar bem ou não. Acabou rindo de novo com a provocação dele, dando um tapa na mão do amigo quando ele começou a bagunçar os seus cabelos. "Presta atenção na estrada, por favor, motorista." Ele devolveu a brincadeira, mas não demorou para ele encontrar um lugar para estacionar próximo do restaurante japonês. Quando saiu do carro, deixou que Hadrian olhasse para os arredores, pois sabia que ele tinha um bom olhar para perceber se estava sendo seguido. Até mesmo quando ele estava piscando daquele jeito esquisito por conta da abstinência. Josh entrou, indo até o lugar mais afastado do bar, escolhendo uma mesa no canto. O bom de sair com Hadrian era que sabia que ele também precisava de um tempo longe de lugares cheios demais às vezes. "Falando em trabalhar, você arrumou algo por aqui, certo? Já começou?" Josh questionou-o, com uma curiosidade genuína. "Apesar de tudo, e apesar do sol... essa é uma boa cidade." Era o máximo que Josh ia elogiar Santorini por agora. Observou o amigo por alguns segundos, esperando-o se ajeitar na cadeira à sua frente. "Como você está, Hadrian?" Perguntou por fim, deixando mais um sorrisinho pintar os lábios. "E não me dê nenhuma resposta automática. Se quiser reclamar, só reclame. Eu estou pronto para concordar com o que seja."
Hadrian não é um motorista ruim, ele é um motorista caótico. A alta velocidade e imbicar o carro na traseira de outros para que saiam da frente é algo que já faz parte do seu ser, mas desde o acidente que levou Ezra para o hospital começou a ser mais prudente. Não passar de 120k/h pelo menos, ainda que quisesse rir só de ver Josh se segurando no banco. Como é dramático! Nem estava tão acelerado assim. Só acenou com a cabeça sobre o assunto dos médicos, porque sim estava fazendo a mesma coisa. Não estava fingindo que estava bem, mas também não estava fazendo parte do surto coletivo. Era um limbo ali de não saber pra onde vai. Mas não evitou o suspiro longo quando observou o anel no dedo e aquele olhar de bobo apaixonado na cara do harlow de novo, te fazendo dar uma leve revirada nos próprios olhos, mas tinha um sorriso no rosto mesmo assim. "Estou feliz que está feliz, mate. Ainda fico pensando como teve a cara de pau de dizer que não estava voltando com ele e depois voltar com ele. Até parece que sua cara esconde quando está com esse sorriso idiota aí" provocou de volta e apontando para cara dele. Mesmo achando Damian um porre, sabia que o amigo estava feliz ao lado dele então não tinha muito o que fazer. "Por sinal, a Ez ficou puta que você contou pra ele que ela tava grávida antes dela contar. Damian chegou com tipo o enxoval até essa criança ir para a faculdade, tenho nem espaço pra tudo isso em casa" agora contava isso já sentado na mesa do restaurante, balançando a cabeça e jogando o cabelo para trás por puro hábito. A amizade dos dois também foi uma surpresa para Ashford, mas quem não era amigo daquela praga pelo jeito? Só ele mesmo. Um suspiro rindo sozinho, porque pelo menos na sua própria cabeça podia ofender toda a geração dos Veyron. "Já sim. Eu tava dando aula num curso de extensão universitário, mas comecei numa escola infantil semana passada. Distrair a cabeça, sei lá. Da última vez ficar preso nessa cidade foram muitos meses envolvidos" o dar de ombros foi interrompido na metade com Hadrian fazendo uma careta e estreitando os olhos, a cabeça torta e uma risada bem debochada na boca. "Cara.. Cê tá transando pra um caralho, né não?" riu a ponto de cobrir a boca com a mão e levar o corpo pra frente, pegando o cardápio e balançando a cabeça. "Na moral, você falando bem de Santorini? Depois de reclamar até da pedra que tinha na sua frente? Nossa" beem sarcástico quando acenou para o garçom com um sorriso e aguardava a aproximação dele, mas acabou abaixando um pouco a alegria do rosto ao se ajeitar na cadeira em um suspiro profundo. "Man, sei lá. Cansado. Abstinência tá me fodendo e dessa vez não tenho escape, saca? Nas últimas que tentei parar eu ficava: a qualquer coisa se quiser morrer eu volto. E agora posso nem morrer, nem voltar" ergueu a sobrancelha e os ombros, os abaixando em seguida "A Ez também tá na fase das alterações de humor, também não pode beber, acho que facilmente mataria por um cigarro. Então assim.. Um dia de cada vez, acho. Pelo menos estamos juntos, mas ainda estamos vendo o que precisamos vender, onde vamos morar, o que faço da minha carreira porque não posso ficar viajando.. e a criança já tá batendo três meses aí. To meio.. eufórico, não sei pra onde olho primeiro" desabafou facilmente dessa vez, suspirando de novo ao coçar a nuca ajeitando o pescoço para os dois lados. Estava se sentindo meio sufocado na verdade. "Como tá sua ansiedade? Ta de boa sem remédio? E o role da memória..?"
Alt, em sua paciência extensa, preparava cuidadosamente um par de chás. Mas, Alt, também em sua ansiedade extensa, tinha vontade de sair andando de um lado a outro enquanto via Hadrian fazê-lo. Controle. Era uma das coisas que a sua mais recente busca pelo equilíbrio havia o levado, porque ele receava um pouco o que havia acontecido ao trajeto de volta. Ainda se perguntava, em segredo, se havia errado a dose de qualquer um dos seus medicamentos, como aconteceu, em uma crise intensa uma, duas, ou três vezes. O toque do chá pronto, o som do corpo de Hadrian contra a poltrona e seu resmungo gentil mas, usual se misturaram com a risada baixa que o médico soltou, voltando-se para ele, extendendo a xícara. — Isso só parece uma sessão de terapia porque você ainda está aceitando a terapia, Hadrian. E, mesmo se fosse, não era de todo mal. Eu só perguntei como você estava e, dos sintomas incômodos porque eu me importo com você e, biologicamente falando sei que é… desconfortável. — Tomou um gole da própria bebida, tomando lugar na poltrona ao lado. O rosto virou para ele, a cabeça pendeu para o lado e, em meio a todo o caos dos últimos dias, talvez fosse um bom momento para comentar o que pretendia. — Eu tive sonhos estranhos mas, isso é rotineiro até… Não eram ruins, todavia. Não… minha memória ainda não voltou e eu cheguei a fazer uma tomografia aqui porque quis tirar a duvida se havia batido a cabeça no percurso, fiz uns exames mas… Normais, na medida do possível. Mas, eu… Eu estou bem. Eu acho. Só tentando achar uma explicativa razoável. Hm… Tem uma coisa que eu queria comentar com você. De novo, na verdade. Você lembra que eu falei meio não tão sóbrio para você sobre… A Vivian, certo? Realmente não seria um problema se eu… A convidasse para jantar. Porque eu convidei. Como… Um encontro.
"Problema é que você não vai aceitar se eu só responder "to bem". Minha psicóloga aceitou isso por alguns dias" sorriu minimamente e se ajeitou na poltrona, aceitando o chá oferecido. Era um péssimo inglês que preferia muito mais café preto do que a bebida clássica, porém também estava reduzindo a quantidade de café nos últimos tempos para dar uma controlada na ansiedade. "Mas 'tô.. indo. Encontrei uma nova psicóloga aí na região, para não parar o tratamento que comecei em casa. Vai dar certo" tem que dar, não tem escolha se não, era o que indicava o levantar das sobrancelha, o suspiro e o levar a xícara quente até a boca para ouvir um pouco do amigo. Hadrian estava com tantos problemas dispersos que as vezes voltava para a questão da falta de memória, as vezes dava menos importância para isso para ter certeza se Ez tava bem, ai voltava a pensar. "Normais.. na medida do possível?" estreitou os olhos meio em dúvida, só para confirmar se não tinha nada não falado ali. Hadrian tenta presta atenção nas palavras nos mínimos detalhes, porque as vezes tinha sensação que estava negligenciando os amigos que amava por estar tão perdido nas próprias questões. Mas logo veio um sorriso mínimo nos lábios, achando engraçado que realmente Altman estava muito afim de Vivian. "Alt.. Está de boa de verdade. Como te disse na mensagem, fiquei pensativo se sempre foi afim dela. Mas assim, eu vou ter um filho com a Ez, estou com a aliança para pedir ela em casamento em algum momento aí, só quero a Vivs bem porque não quero ela sofrendo igual foi comigo. E se ela aceitou .. Não teria pessoa melhor do que você" deu de ombros, sorriso mínimo, porque era a verdade. "No caso.. ela aceitou? Como que foi?"
Alt sorriu. Discreto, um tanto divertido, acolhedor. — Bem, mate, você é um homem muito estudado, premiado, inteligentíssimo. Então, eu sei que, na maior parte do tempo, você consegue articular melhor do que simplesmente “eu to bem”. — A piscadela no final era o tipo de comportamento mais caótico que apenas os amigos viam com mais frequência. — É claro que vai! — Confirmou em seguida e, tentou, por hora, não pressionar muito mais, porque sabia como Hadrian as vezes escoava quando tentava demais. — Eu tenho uma última pergunta sobre o assunto, eu juro! Você encontrou um grupo de AA por aqui? E sim, na medida do possível já que estamos sem memórias de doze horas da nossa vida. A boa noticia é… lembra a anemia da supressão medular por estresse? Simplesmente… melhorou. O que é irônico, considerando que eu deveria estar mais… estressado agora? Oh… sim! — E então a pupila dilatou. Não apenas pelo sinal claramente positivo. Mas, porque… Talvez fosse meio ridículo mas, Alt gostava de casamentos. — Você não mostrou a aliança, inclusive. O que eu devo ter comentado um tanto bêbado mas, eu achei meio ultrajante, considerando que bem… Eu escolhi uma porcentagem muito considerável das peças que você deu a Ophelia na época que namoravam e, ela sempre adorou. — Uma porcentagem porque Alt nunca escolheria as peças de escavações e expedições, por exemplo. — Ou seja, eu sou bom com jóias… provavelmente. Inclusive… Como você pretende pedir? Eu posso ajudar? — Sim, Alt estaria pronto até para celebrar o casamento de Hadrian se ele dissesse que queria isso. — Eu perguntei em dezembro, quando ela foi a Londres. Não quando ela foi me visitar porque eu fiquei com medo que parecesse uma intimidação indireta perguntar enquanto ela estava na minha casa, e eu não queria parecer um anfitrião horrível, nem que ela se sentisse obrigada a aceitar. Mas, sim… surpreendentemente ela disse sim. Não, no sentido dramático de tipo “nossa mas, por que ia querer sair comigo?”. Mas, eu vi que alguns dos ex namorados dela estão no hotel, você incluso e… Eu não pareço exatamente fazer o tipo? De toda forma, como aconteceu toda essa loucura, eu sinto que deveria repetir o convite com um plano ativo. Eu só fico com receio de parecer um péssimo timming, por toda a situação. Mas, eu tenho planejado. É meio esquisito se eu te falar?
Hadrian soltou um sopro de riso, bebendo mais um gole do chá vendo aquela piscadela de um dos melhores amigos. Conseguia articular melhor? Talvez. Mas Ashford parecia ser melhor para falar de qualquer coisa menos de si próprio. Porém do nada Altman virou uma metralhadora de palavras, parecendo que eles alteraram a personalidade agitada de Hadrian um com o outro. Normalmente até acompanha facilmente esse tipo de coisa, os picos de energia de Edmund não são tão corriqueiros quanto os próprios, mas tinha vários assuntos diferentes e precisava de uma dose de concentração maior para a mente cansada se concentrar. "Ta, uma pergunta por vez. Estou procurando um grupo ainda, mas te aviso assim que resolver ficar em um para ir comigo. Fica tranquilo, o convite de Londres permanece" um toque de humor, revisando os olhos para si mesmo porque pediu ajuda já era, não podia voltar atrás. "Isso é bom mesmo Alt. Mas.. Então você está mais de boas agora? Tipo mentalmente?" olhos semi estreitos em análise ao mais novo, que loucura o negócio ter melhorado logo agora que Hadrian facilmente tacaria fogo em umas quinze pessoas naquele hotel. Mas tinha um sorriso no rosto, feliz por ver o amigo bem. "Você me ajudou ainda sim, peguei aquela foto e adaptei algumas ideias. É que tipo.. Alt, conheço a Ez fazem dez anos, eu sonhei com essa merda de anel. Não sou uma pessoa de simbolismos, mas parecia que eu conseguia ver como fazer ele até. Só não arrisquei porque não queria que parecesse um DYI também. Mas peguei o contato do cara que você passou, saiu até melhor do que outro que tinha em mente. Depois pego no quarto e te mostro" suspirou e deu uma coçada na testa, só para organizar as ideias e ter cuidado do que falar sobre a ex, levando em consideração o nível de amizade ali com o outro. Um caralho não conseguirem sair da vida um do outro mesmo.
"Com a Ophelia era.. Diferente. Acho que eu não tinha o nível de obsessão que tenho com a Ezra e por isso queria decidir essa parada sozinho. Com todo respeito com sua amiga e tals" esperava que Ophelia não teria contato do momento estranho deles no circo antes de todo acidente, pois assim Hadrian também deixou isso a sete chaves e morrendo. "Não sei ainda. O pedido de namoro foi algo tão.. Cara, do nada a gente junto e sinto que entreguei nem o mínimo pra ela. E já namorei pra caralho, não sou um péssimo anti romance também. Queria fazer algo legal, porque eu de verdade amo muito ela, mas sei lá por onde começo. Se ter ideias" um dar de ombros e se jogou mais na poltrona, porque ainda não teve tempo de pensar nisso. Até teve, mas os planos eram Londres, não Santorini. Isso estava descompensando um pouco no que tinha que focar primeiro. Era muita coisa ao mesmo tempo, a cabeça nem processa direito, e uma leve batida da perna se começava ali "As vezes o que a Vivs precisa é justamente isso, fugir do tipo. Não que seja eu que vá definir o que ela precisa pra vida dela, mas se ela aceitou talvez pense assim também" um sorriso mínimo com os lábios estreitos, porque sabia dos ex's que ele tava falando. Só de lembrar dele e de Saul.. Já era um nível de caos enorme. Talvez até por isso Hadrian estava de boas com Alt querer a ex, ele próprio foi um canalha com o outro amigo tendo ficado com ela depois dele. Ou só admitia para si mesmo que, diferente de quando a viu quando chegou no hotel, não queria mais tentar ter Vivian de volta .. afinal amava Ezra pra caralho, ia construir uma família com ela, então torcia que os dois fossem felizes. Também não tinha parado pra pensar sobre isso até agora. Um suspiro só pra dissipar a ansiedade. "Manda ver, mate, pó falar. Já te disse que não me importo, de verdade. O que você tá pensando?"
Mesmo concordante com o passeio, Saul estava meio encucado com Hadrian. Não saberia dizer se por seu pai ter feito todo o trajeto a Santorini para falar com o homem sobre seu livro quando ele era incapaz de aparecer numa expedição marcada com o próprio filho, ou em qualquer aniversário. Mas, embora um tanto ranzinza, Berkowitz se controlava, porque sabia não ser culpa de Hadrian exatamente o sentimento de abandono paternal, mesmo que projetasse um pouco, naquele momento. — Vai levar seu bom humor para a porra da praia? — Ergueu uma sobrancelha mas, tinha um sorriso discreto, mais discreto que o usual nos lábios. — Vamos no arquipélago. Gosto de coisas que estão fechadas, você sabe. Aliás, como você está fofo nesse período, sabia que parte desse carranca toda era que tava mal comido. Inclusive, como que tá sendo dar aula para criança? Você me devia levar um dia. As crianças me amam, já falei isso?
Hadrian suspirou, porque realmente, mau humor do cão! Nem ele mesmo se aguentava, as vezes não notava a ignorância óbvia que trazia até pros amigos. "Foi mal. Mas vou levar esse bom humor pra absurdamente qualquer lugar" Hadrian sorriu de volta, também arqueou a sobrancelha de volta, mas tinha algo que te deixou encucado ali no meio. Talvez o sorriso de Saul menor do que usual, algo na postura, alguma tensão esquisita. O que era? Jamais se passaria na sua cabeça ser algo com o pai dele, isso te garanto, ainda que soubesse que a relação do mentor não fosse a melhor com seu próprio filho.. Só não associava a isso. O comentário ácido fez os olhos de Hadrian semicerrarem mais. Incrivelmente não ficava irritado quando ouvia merda de amigos, naquele caso específico tinha mais curiosidade "O meu mau humor é bem característico, e o seu? Que que houve? Sonhos? Só estresse por ter aparecido aqui do nada?" dúvida real, mas não é do tipo de enrola quando vê que algo ta esquisito. Mesmo assim, acenou com a cabeça para seguirem ao carro. "Arquipélago então. Gosto de dar aula para criança, incrivelmente tem sido melhor do que para os adolescentes e sempre preferi o contrário. Elas são mais empolgadas com qualquer coisa que ensino" um sorriso, outro arquear de sobrancelhas "As crianças te amam? Não que seja surpreendente, porque duvido que qualquer um dos pirralhinhos não ficariam empolgados se você brotasse com um dos seus legos" pensou um pouco antes e continuar, em um dar de ombros "Mas Saul, quer mesmo ir algum dia? Não tenho problema em arranjar isso.. Só que ta afim de dar aula também? Aí sim eu ficaria surpreso" uma provocação básica, dita em um sorriso mais de lado.
demorou um instante para entender que as conversas mudaram. estava tão entregue a conversa com uma pessoa descente, que entendia seus pontos sobre como tudo aquilo parecia obra de outro ser, que a mudança brusca o deixou sem reação. no entanto, assim que reconheceu o professor e teve aquela pergunta levantada, franziu o nariz, desprezando-o. "e isso te interessa?!" retrucou, cruzando seus braços. "ave maria! vocês aqui adoram se intrometer na vida dos outros. deve ser por isso que estão sendo castigados!"
em padrão a grosseria te irritaria, mas Hadrian lembrava que o desmiolado ali era uma criança alienada que te exigia paciência. E ele dava, todas as porra de vezes que via o menino, o como dava paciência. Ele próprio suspirou e levou as mãos para trás das costas, na pose típica do professor que precisava lidar com adolescente cabeça dura. "Boa tarde pra você também. Espero que esteja tendo dias ótimos por aqui" ainda sim, era um irônico no meio do sorriso mínimo. "Me diga sua teoria? Você crê que todas essas pessoas, com histórias absurdamente diferentes entre si, estão todas sendo castigadas pelo divino? Estaríamos eu e você no mesmo lugar?" não é totalmente impossível e infundado? terminava, somente em sua mente, porque primeiro tentava fazê-lo falar para entender o grau de surto que estava lidando.
ophelia se mantivera em silêncio desde o instante em que colocara seus pés naquele elevador. uma parte sua gostaria de manter-se reservada, dentro da própria mente, após tanta insistência da imprensa em compreender o caos que se instalara naquele hotel com o retorno de tantos hóspedes antigos e sem memória. sobretudo, preferia manter-se daquela forma também pela presença de hadrian ao lado — e prometera a si mesma que, desde a festa de ano novo e desde o último dia de circo, seria melhor que permanecesse em silêncio. diante daquela preferência pessoal, ainda assim, era difícil manter-se tão longe quanto gostaria. a presença dele a alcançava mais vezes do que poderia contar; fosse pelos amigos que compartilhavam, fosse por acasos que ainda não compreendia. havia uma irritação contida em sua postura quando, por fim, percebera que o elevador não se movia. ophelia tentara, por vezes, apertar o botão de seu andar, na esperança de vê-lo enfim se mover para evitar aquele clima constrangedor que se instalara agora que estavam sozinhos. mais uma vez. mesmo assim, o elevador permanecia parado no lugar, e apenas lhe restara o sopro de um riso em resposta. sentia uma súbita vontade de rir pela situação, mas conteve-se. e apenas retribuiu o aceno de cabeça que lhe fora ofertado, sem dizer-lhe uma única palavra. ophelia manteve-se em silêncio por minutos; e, da mesma forma que ela, acreditava que tampouco hadrian sentira o ímpeto de lhe dizer alguma coisa. mais uma vez, ela apertou o botão de seu andar, frustrada. “não é possível, que merda.” ela murmurou, recostando-se mais uma vez na parede. acreditava que hadrian havia escutado suas reclamações, mas ainda não lhe diria a palavra. era melhor que não conversassem — e torcia para que o elevador voltasse a funcionar o quanto antes.
Hadrian não queria ser estúpido, mas porra, era óbvio que ficar clicando no botão não ia adiantar nada? Mas deu uma mordida no lábio inferior e um suspiro, olhando rapidamente para cima e se encostando na parede do elevador, novamente cruzando os braços. Foi sua forma de conter a estupidez de falar a informação clara de que aquilo não ia funcionar e as probabilidades que, inclusive, piorasse de acordo com o mecanismo de emergência do elevador. Mas foda-se também, continha em si aquele ego de querer estar certo que foi um dos motivos que atrapalhou que ambos dessem certo no passado. Única coisa que fez foi se aproximar e apertar o botão correto, o de emergência, e então voltar para o fundo do elevador para se encostar. Foda. Novamente comentário segurado dentro da boca, porque climão de merda, sem torre no celular ou wi-fi decente ao pegar o celular, nada que minimamente te desse um entretenimento que disfarça-se o silêncio que permanecia por vários minutos e nada daquele negócio voltar andar. Olhava pro teto, ficava inquieto não necessariamente pela presença dela, mas porque estava inquieto por natureza nos últimos meses. Como presidiário, acompanhava dia após dia a vitória de ficar sem bebida, mas a ansiedade não dava trégua nas piscadas excessivas e nos suspiros que nem ele aguentava ficar soltando o tempo todo. Único momento que virou olhar para Ophelia cogitou, novamente, a questionar se estava tudo bem com seu joelho, uma preocupação que pairava desde o circo quando ela demonstrou o sinal claro de desconforto. Mas já tinha feito isso por mensagem, não ia insistir no assunto que não lhe cabia, então só quebrou o silêncio com outra coisa "Tá com torre no celular? Pra ligar pra recepção. Acho que pegamos logo o momento que devem estar no horário de almoço" sinceramente, era vontade só pra sair daquele clima de merda logo.
Josh soprou uma risada curta com o sarcasmo de Hadrian, mas ele estava certo em não se importar com o fotógrafo. Afinal, o que o homem faria? Iria processá-los? Era ele quem estava invadindo o espaço do hotel, certo? De qualquer jeito, aqueles abutres eram dissimulados o suficiente para se fazer de vítima na internet. Talvez Josh recebesse algumas manchetes com seu nome envolvendo um atropelamento, mas depois de tanta notícia nos últimos tempos, era capaz de se enterrar no meio de fofocas sobre seu namoro com Damian, sobre como Josh era um dos loucos da histeria coletiva do Hotel Aletheia, ou sobre os rumores de que ele ia lançar uma música em breve. Ajeitou-se no assento, colocando o cinto e abrindo a boca para dizer que Hadrian estava dirigindo rápido demais... só para ser criticado antes mesmo de dizer algo. "... Eu não ia reclamar." Rebateu, mas Hadrian o conhecia bem demais. Ajeitou-se no lugar, tentando relaxar um pouco ali, focando-se na conversa com o amigo, pois isso provavelmente era a coisa mais normal que aconteceria no seu dia, mesmo que ele tivesse acabado de tentar passar com o carro em cima de alguém. "Bem, o compromisso que eu tinha hoje era ver o psiquiatra que o hotel indicou, então eu ficaria feliz em ignorar esses planos..." Até porque não confiava em nada daquela cidade, e isso incluía a terapia sugerida. Voltou-se para Hadrian, o observando por um tempo... conhecia os tiques nervosos do amigo, e sabia que Hadrian estava nervoso naquele momento. Mais que o normal, no caso. Conhecia bem a ansiedade, e Hadrian ainda estava naquele início da sobriedade. Não devia ser fácil. Não era. Josh bem sabia, já que teve que largar mão de um vício antigo uma vez, que envolvia os remédios pra dor que conseguia fora da receita depois do acidente. Josh queria perguntar, e quase o fez, mas achou melhor chegar no restaurante primeiro. "Tem um restaurante japonês aqui por perto, e tem um italiano também." Comentou, apontando nas direções que se lembrava. "E a fama não está subindo a cabeça. Ela sempre esteve no topo." Brincou com ele. "Mas agora todos nós estamos bem famosos. Estão vasculhando a vida de todo mundo para criar teorias na internet. Você tem que tomar cuidado, caso vazem alguma foto sua comprometedora." Josh continuou o provocando, tentando manter o clima leve enquanto não chegavam onde Hadrian desejava.
Os olhos se estreitaram ao olhar de canto, dando uma risada baixa com a constatação. "Claro que não ia. Você nunca reclama né não?" até parece! Se juntar ele e o Harlow não tem quem aguenta com o festival de reclamação, isso que a fama de reclamão ficou só para Hadrian. Só não começou a falar mal do Aletheia pela milionésima vez porque passou os 4 últimos meses fazendo isso, nem ele estava se suportando. Mas se desse brecha, ele reclamava "Só de rotina por conta do delírio coletivo ou.. algo específico? Tá legal? Não sei a última vez que te vi tão feliz na verdade, mas posso estar enganado" outro sorriso mínimo, as piscadelas insistentes que as vezes que obrigava a piscar mais forte só pra ver se parava aquela merda. Achava de verdade que Josh estaria pior com aquela história dos jornalistas, mas tinha uma parte sua que ficava feliz que ele estivesse lidando melhor do que esperava - provavelmente associado ao demônio que estava sempre ao seu lado. Ainda sim, Hadrian seguia no instinto de protegê-lo daquele povo insistente. Aceitou a sugestão do restaurante japonês e direcionou o carro para a direção apontada, porque sabia onde ele se referia. Teve bastante tempo para conhecer aquela cidade de ponta a ponta nos últimos meses, então pelo menos sabia onde parar para descerem no restaurante e entrarem pela porta lateral, caso tivessem sido seguidos por alguém. "Seu egocentrinho de merda" sua resposta veio em uma provocação costumeira, naquele ato de bagunçar o cabelo dele da nuca pra frente e sair andando em frente num sorriso zombeteiro. Apesar de tudo, era difícil não sorrir e dar uma risada quando estava do lado dos melhores amigos. Abria a porta, esperava ele passar, olhava em volta só pra ter certeza e então seguia para entrar no restaurante. "Osh, e iam achar o que de mim? Será que a sociedade está pronta para ter imagens do professor Hadrian Ashford definitivamente trabalhando? Acredita que nem só de procrastinação vive o homem?" um olho fechado, outro aberto, uma careta engraçadinha reconhecendo seu maior problema dos últimos meses. "Podemos sentar pra lá?" apontou com a mão para o lado do restaurante que era oposto do bar, mas já se direcionava para sentar na mesa.
No final das contas, Hadrian havia lhe dado uma tarefa extremamente generosa se considerasse o quanto Beatrice gostava de cozinhar. Distraía-se com o movimento ritmado, o suficiente para esquecer boa parte dos percalços não apenas do hotel mas, dos últimos dias. Ver Peter em plenas “férias prolongadas demais” definitivamente não estava nos seus planos. Saiu do quase transe induzido pelos movimentos apenas quando a voz de Ezra se fez presente.
Então, ela girou o corpo em parte, alcançando a britânica para o abraço caloroso que oferecia sempre. — Eu acho que ele sabe que, para mim, mal chega a ser trabalho. — O tom era ameno, feliz. Agora que via o cenário de casal em que os dois habitavam agora, Beatrice estava feliz. Feliz por Ezra e, feliz por Hadrian que parecia, depois de complexidades gregas e, de vida mesmo, com tudo no lugar, ou… tudo perto disso. Desligou o fogão, assumindo o lugar proposto pelo amigo em seguida, enquanto observava o chá ser servido. — As duas coisas! — Disse, sorrindo enquanto pegava a xícara recém servida em mãos. — Eu fui a Florença, aquele meu antigo apartamento, lembra? O Antonio estava ficando lá. E, depois fomos para casa de umas tias nossas na Sicília. Agora, estamos no apartamento em Roma. Os cinco, em nosso belo caos particular. Mas, acho que as meninas vão voltar antes. Mas, e vocês… Eu estou curiosa para saber tudo sobre.
“talvez eu dê um desconto para ele, nessa situação…” brincou, sentindo o sorriso se formar, lento... porque era isso, no fim das contas. em poucos meses, sua vida havia se deslocado de um eixo que sempre parecera definitivo, aquela vivência quase obstinadamente solitária, para algo que ainda não sabia definir com precisão. uma casa no lugar da cobertura em mônaco, mais vozes preenchendo os espaços, mais risos surgindo sem planejamento, mais diálogos que não exigiam fuga. santorini nunca estivera em seus planos, sequer fora um desejo, e ainda assim tornara-se um ponto de inflexão impossível de ignorar. confrontada com tudo aquilo que se tornara, caos incluso, não conseguia imaginar outro caminho que não aquele. parecia-lhe que cada passo anterior tivesse servido apenas para conduzi-la exatamente até ali. manteve a xícara de chá entre as mãos, o olhar atento enquanto beatrice falava, absorvendo cada detalhe com uma serenidade feliz. “na verdade, nós dois temos… uma novidade a compartilhar. e como hadrian insistiu que teríamos que fazer isso logo ou você acabaria nos assassinando, vou deixar que ele conte.” concluiu, com um tom leve que não entregava a dimensão real do que estava por vir, levantando-se em seguida para buscar alguns dos muffins que havia comprado mais cedo.
Hadrian serviu café para ele depois do chá das meninas, porque não era um bom inglês no quesito beber a segunda bebida. Porém entregava o mesmo sorriso de lábios fechados, ouvindo a história de Beatrice, aumentando a curvatura dos lábios ao ouvir sobre seus irmãos. Tinha uma proximidade grande com a família dela. "Faz tempo que não vejo suas tias, por sinal. Ainda estou devendo uma visita prometida há.. bem, muito tempo" aceno com a cabeça meio pensativo, devia ter cumprido essa promessa antes, mas ficou perdido em expedições. Que agora nem tinha mais certeza se voltaria fazê-las, essa parte do trabalho ainda era uma incógnita, somente estava escrevendo e tentando decidir o que fazia para o próximo ano. "É, eu fui bem insistente nessa parte, ainda mais agora que você está com uma faca de pão na mão. Mas não achei que ia ser jogado na fogueira assim do nada" deu uma risada, coçou o rosto e buscou com um sorriso o olhar de Ezra enquanto ela se afastava. Ashford suspirou, porque ainda não tinham falado em voz alta para alguma terceira pessoa, era meio estranho? Deixava mais real? Era real, mas trazer outras pessoas pro círculo era sempre uma novidade. Ainda sim, nunca escondia nada de Beatrice. "Então.. A Ez.. A gente.." um olho fechado, tentando encontrar uma forma de comunicar a informação "A Ezra tá gravida, seremos pais. Essa é a nossa novidade"
[Drop: Adeus, Santorini] - Londres, Inglaterra
THE HC EDITION
Beatrice saltitou umas trinta vezes de emoção ao ouvir a noticia, como não? Depois, claro, conferiu todos os detalhes de como os dois estavam quanto a noticia, se precisavam de algo, o que ela poderia fazer por eles. Hadrian e Ezra sabiam, ela tinha certeza, que poderiam contar com ela para o que precisasse. Mesmo a parte de Beatrice que lembrava como queria ser mãe, aquela pequena parte frustrada por não conseguir, ficou soterrada pela felicidade de saber que o melhor amigo e a amiga começavam uma familia. Uma familia que já gerava seus frutos.
Durante o período subsequente a visita, Bea passou freneticamente a olhar e comprar roupinhas de bebê, com tecidos naturais. Começou também, no retorno a Itália a testar novas receitas para introdução alimentar e, escrever um livro a respeito, mesmo que esse esteja com meses de antecedência. Além disso, ela sempre envia novas receitas para Hadrian, para teste, essas focadas em uma gravidez saudável.
Oscar sabia que Hadrian queria conversar. Porque Hadrian era um homem inteligente que não gastaria a tacada burocrática de chamar Oscar em pessoa para resolver aquela documentação quando era algo que a própria Ally em sua competência e empolgação por história poderia fazer feliz da vida enquanto garantia o próprio exemplar do livro. Mas, ele respondia positivamente primeiro porque agora ele e Ezra, a quem tinha como familia, iam constituir a própria, como porque simpatizava com Hadrian, desde sempre. Sob a armadura de ranzinza insuportável, Hadrian era o lembrete de Oscar do grande motivo pelo qual até gostava verdadeiramente do que fazia. Livrar destemperamentados mas, com propósito e bom coração de enrascadas complexas, porque a burocracia nem sempre era a coisa certa. Quando o desabafo finalmente veio, as mãos de Ridge se juntaram sobre a mesa, na expressão neutra que mascarava um cérebro constantemente em ebulição. — Pelo contrário, Ashford. Você precisa falar. Vocês dois são uma familia agora. E, ela precisa fazer parte disso. Se você só engolir as coisas por tempo demais, vai acabar ficando ainda mais agitado. Pelo segredo, por… Tudo. E você vai agir estranho e a Ezra é… A Ezra. Ela vai saber. — A destra foi ao cabelo, alinhando os fios, já alinhados, para trás. — Você e seus gêmeos tem esse casamento não romântico verdadeiramente complexo, hm? — Embora o tom fosse sério, era nitidamente uma piada. — Eu vou com você. Quando? — Mas, então os lábios de Oscar entortaram e, ele desviou o olhar por segundos, retornando como a realização de algo que, não sabia ao certo se normalmente dividiria aquilo. — Eu não acho que isso seja inteiramente verdade, Ashford. Eu acho… que você tem muito a conhecer. — Voltou a se movimentar, abrindo a pasta. Uma edição de bolso, nova mas, claramente recém usada, marcadores, e se aberta, rabiscada. Empurrou na direção dele. A Odisseia.
"Não acho que não é como se ela não soubesse.." Suspiro profundo, de alguém que parecia que fazia isso o tempo todo agora. "Ela entende quando estou sobrecarregado e acabo me isolando de tudo. Aprendeu a entender, sendo sincero, porque brigamos pra cacete sobre isso antes de tudo. Mas, ainda não consegui chegar na fase de conseguir conversar de boas sem ser absurdamente pressionado. Não só com ela, Oz. É democrático. Sei que vai acabar enchendo o saco algum dia mas.. Enfim. Trabalhando pra melhorar isso" Ai entrava toda a baboseira - que Bea e Alt não te ouçam - que vinha com a terapia. Hadrian é um excelente comunicador, com exceção se o tópico for ele mesmo. Aí parece que se não for empurrado do precipício não tem quem faça as palavras saírem numa boa. Salvo, com exceção, de Oscar talvez. Já te livrou de tanta coisa que conversar com ele parecia mais fácil, mas prático, menos carregado de sentimentalismo emocional que claramente Ashford não buscava. Ainda o achava um arrogante de merda as vezes, como se referia a si próprio, e isso te fazia gostar mais de Oscar. E mesmo assim ele conseguia te tirar uma risada baixa, no meio da testa franzida com aquele comentário. "Meus gêmeos? Ok.. Bom jeito de definir os dois. A parte do casamento também" mais um sopro de riso balançando a cabeça, porque é, não vivia sem eles, ao mesmo tempo não queria envolvê-los em qualquer coisa para evitar expectativas. Porém podia falar sem sombra de dúvidas que Alt e Josh eram o relacionamento mais longo que Hadrian tinha na vida. "Quinta-feira. Ou na terça que vem. Vê o dia que fica melhor pra você. E.. obrigado, de novo" a resposta foi prática, mas tinha um agradecimento interno demonstrado no sorriso por Oscar ter topado tão de pronto. Mas devia a vida mesmo pra aquele homem, e não era nem brincadeira. Quanta merda já tinha te livrado e seguia ali te ajudando. Ainda que, agora a sobrancelha arqueada e os olhos mais cerrados demonstrassem a dúvida com a Odisseia foi estendida. Ele pegou, mesmo assim. ".. Terei alguma explicação sobre a motivo do presente de segunda mão da vez?"