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Hoje faço 15 anos de Tumblr! 🥳
Pão fofinho na área! https://www.instagram.com/p/CNfvqkUJZOH/?igshid=qux6sesv7pfj
O pão hoje é de castanha e gergelim preto, acabou de sair a fornada! Aceitamos encomendas, temos a pronta entrega! https://www.instagram.com/p/CNfrkOEpJTL/?igshid=arh9568etuy
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Nova Sessão no Nihao, Receitas! Começando com Bolo de Banana!
Nihao meus queridos! Já tem um tempo que não posto nada, e hoje estarei postando uma receita!
Sim, vou criar uma parte nova aqui no Nihao, só com receitas minhas, adaptadas de outros chefes, mas com um toque meu!
Bom, pra inaugurar, teremos um delicioso bolo de banana, a montagem é a seguinte: Um pan de ló com canela, creme de gemas, também com canela e uma baba caramelizada, na cobertura, usei um glacê delícia bem facinho de fazer!
Bom, vamos aos ingredientes para o bolo, que deve estar frio na hora de montar.
✓Uma assadeira 30x20 retangular, ou uma assadeira 20x30 rodonda já untada com manteiga e farinha.
✓Ligar o forninho e deixar ele aquecendo.
✓6 ovos.
✓250g de farinha de trigo.
✓200g de açúcar.
✓1colher de sobremesa de canela.
Isso aí, o bolo não vai fermento! Essa receita vi no canal TPM Pra quê te quero?, no fim do posto, coloco os vídeos com as receitas base que usei, assim fica mais fácil pra fazer a receita.
Certo, a primeira coisa a fazer é pegar os ovos e colocar numa vasilha ou panela, com as gemas e claras juntas, aí você vai colocar o açúcar e por em banho Maria, mechendo bem, até dissolver todo o açúcar, mas deixa em fogo baixinho, pro ovo NÃO cozinhar.
Assim que você por o dedo do ovo, e não sentir nenhum grão de açúcar, é só tirar do fogo rapidinho e por na batedeira. Agora vamos bater essa mistura de ovos e açúcar até ela dobrar de tamanho e ficar branquinha. Chegando nesse ponto, desligamos e vamos colocar a farinha aos poucos, peinerando, pro bolo ficar fofo e não perder o ar que foi incorporado. Coloque a farinha em três partes, sempre mechendo de baixo pra cima. Por último, coloque a canela e misture.
Agora é só por na assadeira, espalhar bem e por para assar em 180°C no forno. Vai ficar lá uns 20 a 30 minutos, não abra o forno até você ver que o bolo dourou em cima, se dourou, espere o mesmo com um garfo, se sair bem limpo, é porque o bolo está pronto.
Tire do forno, desenforme e deixe esfriar.
Agora vai o primeiro recheio, um creme de gemas.
Ingredientes:
✓6 gemas
✓250g de açúcar
✓80g de cremogema sabor banana ou baunilha
✓1 colher de canela (se usar cremogema de banana, não precisa da canela)
✓800ml de leite
✓1 caixa de creme de leite (Opcional, eu não usei)
Gente, quando for separar as claras das gemas, não deixem respingar NADA de gemas na clara, pois vamos usar pro merengue, e se cair algo, ele desanda e estraga todas as claras!
Primeiro vamos por o leite pra ferver com metade do açúcar, ele tem que estar em fogo baixo, pra não subir muito rápido quando ferver e sujar o fogão todo.
Enquanto o leite ferve, misturamos em uma tigela, com cuidado pra não fazer bolinhas, o açúcar restante, as gemas, a canela (caso vá usar) e a cremogema.
Quando o leite ferver, com uma concha, colocar 3 conchas na tigela com as gemas, mas coloque uma por uma e sem parar de mexer as gemas, para não embolotar. Após mexer bem, por a mistura da tigela na panela com o leite restante, e cozinhar até ferver e engrossar, quando ferver, deixar cozinhar por 2 minutos.
Reserve o creme na geladeira, tapando complastico Insulfilm em contato, pro creme não criar aquela "casquinha".
Terceira e última parte, caramelo e bananas.
Ingredientes:
✓5 bananas grandes cortadas em rodelas
✓400g de açúcar
Primeiro vamos fazer um caramelo, ele vai ser caramelo seco, então é por na panela, ligar o fogo médio e deixar lá. Não mexa até subir o cheirinho e as bordas ficarem marrom.
Quando o açúcar derreter, coloque as bananas por cima, ponha a tampa e deixe ali uns 2 minutos, depois abra e mexa um pouco, deixando a banana desmanchar um pouco, mas não muito!
Agora para a cobertura:
✓6 claras
✓400g de açúcar
Desmanchar todo o açúcar nas claras em banho Maria e bater em ponto de pico, aquele bem durinho, que você levantando um pouco ele fica com o pico em pé.
Depois é só confeitar como desejar, eu também polvilhei canela, mas pode usar um maçarico pra dar uma douradinha, fica lindo!
#ToNoEstilo
Seção Missão Impossível no Cinema em casa de hoje! #Felicidade
#MeSentindoIgualAoPapai
Em hiato
Gente que ainda lê minhas fics, estou em hiato tem algum tempo, mas vou voltar aos poucos a escrever, o motivo foi minha gravidez, e agora é meu filho, de apenas 4 meses. Já tenho trabalhado em novos capítulos, então não fiquem bravos comigo, logo estarei de volta, até porque escrever necessita de tempo tranquilidade e criatividade, e no momento não tenho tido muito disso kkkkk Mas até breve!
The Analyst: Myself
Acordar aquela manhã foi difícil. Era como se o meu corpo e meus instintos soubessem que estava para acontecer. Fiquei deitada de bruços com o braço de Daniel abaixo de mim, me aninhando, e meus olhos fitos no travesseiro a mais que ele havia colocado para mim na pequena cama de solteiro que dividíamos agora. Meu corpo estava pesado pelos pesadelos que me faziam dormir mal. Os olhos do Dr. Stuart ainda me assombravam nos sonhos, e agora eles não eram só assustadoramente azuis, mas eles tinham algo morto, um brilho sombrio que fazia minha culpa crescer mais e mais pela vida que tomei. Me virei na cama, com cuidado para não acordar Daniel de seu sono profundo, fitei o teto cinza do quarto, estiquei minha mão esquerda, a mesma mão que usei para puxar facilmente o corpo do homem maluco para perto, e depois a mão direita, a que usei para perfurar seu peito e apertar o órgão pulsante em minhas mãos. No início eu não me lembrava do que havia acontecido naquela sala branca e com cheiro de desinfetante, mas os sonhos depois vieram como ondas nervosas de uma praia havaiana perfeita para um dia inteiro de surfistas na água. Era como se eu me afogasse a cada onda gigante que aparecia, e elas vinham uma atrás da outra, sem me deixar respirar, sem me dar tempo para subir à cabeça novamente e puxar um pouco de oxigênio, e tudo que eu consigo puxar para os meus pulmões é água salgada, e mais água. Eu me lembro que ainda estou no quarto de Daniel, mas isso não me impediu de sentir os pulmões arderem como se estivessem sendo atacados por dentro por facadas. Eu estava hiperventilado, respirar era insuportável. Tentei dizer algo a Daniel, pedir por ajuda, mas minha voz não saia, meus braços não se mexiam, tudo que me via fazer, era movimentar o peito para cima e para baixo. Tão rápido. Tão doloroso.
The Analysth: Wake Up
Meu corpo ainda tremia quando James se virou e caminhou para longe de mim. Eu encarei o pendrive que ele havia colocado na minha mão, tentando imaginar qual seria o real motivo dele fazer isso, mas não consegui imaginar nada além da total confiança que ele tinha em si mesmo. Perder, para ele, nunca foi uma opção, então não faria diferença nós sabermos o que realmente estava acontecendo. Eu não levei a sério a tal proposta, se eles realmente nos queriam trabalhando com eles, por que iriam assumir a morte dos pais de Daniel como feito deles? James achava que éramos tão medrosos a ponto de nos juntar a ele por medo? Isso me irritava muito. - Mel, vamos voltar. – Daniel disse rígido atrás de mim. Segui em silencio de volta para o carro, sem conseguir esquecer os olhos de diamante de James. Eu tinha que admitir que tive medo dele, seus olhos eram literalmente duas pequenas pedras que brilhavam com um azul translucido, e suas pupilas não eram normais. Seus olhos não eram azuis com a pupila preta, seus olhos eram literalmente dois diamantes e suas pupilas eram purpura. Seu olhar era como o de um animal. Um arrepio passou pela minha espinha e eu entrei no carro com Daniel logo atrás de mim. Não reparei em quem era o motorista, não reparei no caminho de volta, só encarei o objeto na minha mão e repassei todas as palavras ditas. Eu precisava entender o que estava acontecendo, mas não conseguia. Fechei minha mão com tanta força, que começou a doer. - Se continuar apertando isso na sua mão assim, vai acabar quebrando. Eu me assustei com o sussurro de Daniel em meu ouvido e o encarei ao meu lado. Seus olhos me encaravam preocupados. Voltei a abrir a mão e olhar para o pendrive. O que será que tinha ali dentro? - Desculpe.... – Eu sussurrei me aninhando no peito de Daniel. Ele não disse nada, só passou a mão pelo meu ombro e me abraçou. Os deboches de Marcos vieram na minha mente, e eu senti raiva de mim por ser tão egoísta. Daniel e Lucas não sabiam da morte dos pais deles, e saber que os assassinos deles estiveram na nossa frente, deve ter sido horrível para eles, até mais do que para mim. Antes que eu conseguisse pensar no que dizer para Daniel, o carro parou em frente ao portão da base e nós descemos em silêncio para o subterrâneo. - Eh? Voltaram tão cedo? – Meu pai disse quando nos viu chegar. – Aconteceu alguma coisa? - Eles sabem onde estamos. – Sarah respondeu em um tom sério e pensativo. Era raro ver ela desse jeito. - O quê?! Eles quem?! - James.... – Eu disse voltando a encarar o pendrive na minha mão. – Eu vou para a sala de Controle.
The Analysth: Nobless
Nobless, esse título me perturbou muito quando eu era criança. O título dado aqueles que são a nobreza da humanidade. Normalmente nós não nos misturamos, criando famílias “puras” cada vez mais fortes e perigosas. Com o crescimento desse poder, muitos entraram em guerra, restando apenas alguns clãs ainda existentes. O meu clã é um deles. Nosso nome real foi perdido a séculos, quando fomos obrigados a nos esconder um continente novo para evitar a morte. Hoje, eu sou conhecido como James Taylor. Assim como eu, muitos outros remanescentes dos Nobless estão soltos pelo mundo, a maioria sem saber o que são e outros sem saber do que podem fazer. Eu, assim como meu pai, e o pai dele antes dele, tento encontrar o máximo possível desses remanescentes e os estudo, tentando encontrar uma forma de finalizar o plano real da existência dos Nobless, destruir aqueles que não tem a capacidade de um Nobless e estabelecer nossa raça como a única neste mundo. - James, se sabemos onde eles estão, por que não atacamos logo? Eu olhei entediado na direção da mulher loira e alta ao meu lado, Amanda Van Sueesen. Ela era filha do amigo do meu pai, Rutger Van Sueesen. Um homem chato que não valia minha atenção. E um dos poucos clãs de Nobless ainda existentes. Para minha sorte, suas duas filhas podiam ser muito divertidas, apesar de serem totalmente o contrário uma da outra. Amanda era uma mulher muito confiante em si, e tinha uma personalidade realmente difícil de aturar, mas seu corpo esbelto e suas curvas a faziam aturável. Eu havia me esquecido da presença dela ao meu lado. - Não seria divertido assim Amanda. – Eu respondi sem tirar os olhos das fichas que tinha na mão. - Mas James, se dermos tempo a eles, eles podem acabar nos achando! – Amanda abaixou as fichas na minha mão me obrigando a olhar em seu rosto. – Nós estamos a dez minutos da casinha deles, devemos esmaga-los logo! - Amanda, eu decido isso, e eu não quero me precipitar, isso tem que ser divertido. – Levantei as fichas novamente e ignorei o olhar acinzentado dela em mim. Eu pensei em manda-la de volta para São Paulo, só para ter um pouco de paz, mas ela bufou e se levantou da cadeira de praia ao meu lado e me fez lembrar do motivo de eu a ter trazido para Ilhabela comigo. O biquíni preto extremamente pequeno gritava em contraste na pele extremamente branca enquanto ela caminhava em direção ao mar. O quadril bem modelado rebolava e eu sabia que ela só estava me provocando, afinal, esse era um dos nossos joguinhos pessoais. Amanda sabia que eu não queria nada dela além do seu corpo, mas ela não se importava, já que tinha ideias parecidas sobre mim. Então eu a deixava por dentro dos assuntos relacionados aos Nobless e ela me ajudava em muitas coisas até, e eu podia me aproveitar do seu belo corpo quando eu quisesse. Ambos ficavam felizes. Quando Amanda estava mais longe eu voltei as fichas na minha mão. Eram documentos atualizados dos meus Nobless favoritos, os irmãos Robson, apesar de só um deles saber o que podia fazer, a irmã de Amanda, Clara, que na verdade era só meio irmã e tinha um histórico bem interessante, talvez o fato dela não saber usar suas habilidades se devesse ao fato dela ter genes mais fracos, mas eu descobriria isso assim que a tivesse em meu poder. E por último, a ficha mais interessante, Melissa Arnecker. O pai dela havia me enganado, fingindo estar morto, mas logo eu teria certeza de finalizar essa tarefa eu mesmo, mas não era isso ou o fato da mãe dela ser a Nobless mais forte eu já tinha visto e que não era um sangue puro, mas sim o fato de Melissa aos 6 anos ter tanto potencial quanto a mãe aos 27. O último relatório que Marcos havia me dado, dizia que Melissa “amigavelmente” arrancou o coração de Stuart e o esmagou com as mãos, mas era difícil acreditar que a garota com o olhar doce e assustado da foto teria feito algo assim. Eu precisava vê-la. E era esse o motivo de eu estar nessa viagem com Amanda. Eu estava esperando uma chance para conhecer Melissa Arnecker pessoalmente.
The Analysth: A Verdadeira Guerra
Meus olhos abriram devagar, eu ainda estava sendo carregada por alguém. Acho que eu só tinha tido uma queda de pressão. As coisas ainda rodavam e eu não conseguia mexer meu corpo quando me colocaram deitada na mesa da cantina. - Ela vai ficar bem, já está acordando. – A voz de Clara soou ao meu lado. – Mel? Consegue falar? Ela parecia preocupada, então tentei dizer algo, mas a voz não saiu. - Eu trouxe um copo de água! – Essa era Laura. Clara levantou minha cabeça com cuidado e eu senti o copo tocar meus lábios. Eu dei um gole com cuidado para não engasgar, depois afastei o copo com a mão.
Chamonix - Mer de Glace by Didier Baertschiger
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The Analyst: Ressaca
Eu me mexi na cama e senti minha cabeça rodar. O que tinha acontecido mesmo? Me movi de novo e percebi que a cama, ou tinha ficado menor, ou tinha alguma coisa a deixando menor. - Para de se mexer droga...! – Alguém reclamou ao meu lado. Eu me sentei assustada e olhei ao redor. Eu não estava no meu quarto. Por quê? Tentei lembrar o que tinha acontecido e as lembranças da noite anterior vieram por partes. Primeiro eu estava dançando com a Clara e os outros. A música estava alta e eu me deixei levar pela animação, foi ai que as coisas ficaram turvas na minha cabeça. Eu bebi. A imagem de cerveja e refri sendo jogado em um copo apareceu na minha mente. - Merda.... – Eu sussurrei pondo a mão na cabeça. As coisas estavam rodando e eu estava enjoada. - Volta a dormir caralho! – Uma mão puxou meu corpo para baixo, que cedeu fácil. Eu olhei para o lado e vi o rosto de Daniel de olhos fechados ao meu lado. “PUTA MERDA! SANTO GRELL SUTCLIFF! QUE MERDA EU FIZ?!”. Minha cabeça latejou. Eu levantei os lençóis e vi que estava vestindo apenas uma camiseta que não era minha e a calcinha. - AAAAAH! – Eu gritei e acabei caindo da cama enquanto me movimentava desesperada. - QUE PORRA MELISSA! ME DEIXA DORMIR! – Daniel gritou jogando um travesseiro. - Eu.... Eu.... Você...? – Eu gaguejei pegando o travesseiro do chão e me abraçando nele. Daniel levantou e me olhou revirando os olhos. - Não Mel, eu estou na seca, mas não iria me aproveitar de uma garota bêbada! – Ele parecia ofendido. - Eu.... O que eu fiz...? – Eu perguntei me sentando na cama. As imagens na minha cabeça estavam meio confusas. - Você deu um show muito bizarro.... – Ele respondeu pondo a mão na minha cintura. – Agora vem pra cama que ainda são cinco da matina, por favor? Ele beijou minha bochecha e me puxou delicadamente, me aninhando nos seus braços. Eu deixei o travesseiro cair e relaxei nos braços dele enquanto ele acarinhava meu braço. Os pelos de todo meu corpo se eriçaram e eu me lembrei de algo. As memórias pereciam mais um sonho distante que memórias, mas eu me lembrava do que havia acontecido. Daniel não havíamos feito sexo, mas estivemos quase lá. Eu encarei o teto, e meu rosto esquentou a medida que cada palavra dita, cada toque, cada gemido e cada sentimento invadiram minha mente. - Pelo jeito que você está vermelha, acho que lembrou de algo. – Daniel disse com a voz rouca. Eu me neguei a olhar para ele. Eu estava envergonhada demais! Eu fechei meus olhos e escondi o rosto no peito dele. Daniel sorriu e começou a brincar com meus cachos bagunçados. - É a segunda vez que vejo você acordar, e você também está linda.... O tom de Daniel era tão doce. Eu abri os olhos e senti um calor passar pelo meu corpo. Eu queria saber que sentimento era esse se formando dentro de mim. - Eu tenho remela nos olhos, meu cabelo está embaraçado e devo estar com a cara mais amassada que nunca. Como pode dizer que eu sou linda? Mentiroso.... – Eu respondi aproveitando o carinho dele. - Eu sei do que estou falando Melissa.... – Ele disse depois de um riso tranquilo. – Ainda é cedo, por que não volta a dormir? - Como se eu conseguisse.... – Eu soltei sem querer e corei. - Hum.... Então estamos no mesmo barco.... – Ele respondeu sem notar minha reação. - Que tal levantarmos então? Eu cogitei levantar, mas minha cabeça ainda girava e eu estava tonta. - Eu ainda estou tonta.... E com dor de cabeça.... - Isso se chama “ressaca” sua bebum! Eu não pude evitar de sorrir da piada de Daniel e ele sorriu comigo. - Eu vou fazer um café pra você.... – Daniel me soltou e começou a levantar. – Acho que roupas e uma aspirina também vão te fazer bem.... Vou pedir pra Clara algo pra você. – Daniel se levantou. A menção do nome de Clara, eu lembrei de mais uma coisa intensa que havia acontecido na noite passada. Eu tinha visto Clara e Mouse se pegando no quarto, e na minha cama! - AAAH! – Eu gritei me sentando na cama e Daniel, que já estava na porta, se virou assustado. - O que foi?! - A Clara.... O Mouse.... Eles.... Eles.... Na minha cama! – Eu fiz minha careta de nojo. Daniel arqueou uma sobrancelha confuso e depois de dois segundos ele caiu na risada. - O Mouse e a Clara? Pelo menos acho que ele teve mais sorte que eu! – Daniel disse rindo. - Hey! – Eu joguei um travesseiro nele e ele saiu do quarto rindo. Me joguei no colchão e tentei lembrar de mais alguma coisa que tinha acontecido na noite anterior. As imagens dos rostos no pátio começaram a aparecer aos poucos e eu me senti irritada ao lembrar de ver Daniel conversando com Laura na cantina. Do que eles estavam falando? Eu me virei para o lado e afastei o pensamento. Não era da minha conta, eu nem sabia o que sentia por ele, não podia querer dar uma de dona dele. O que eu sentia por ele? Eu tinha admitir que gostei de ser beijada por ele. Mas e o que eu sentia por Lucas? Eu não sabia ao certo o que sentia, então resolvi me organizar. Comecei por Lucas. Ele era gentil, e eu gostava de ter ele por perto, sem falar que ele era lindo. Só isso? Não tem mais? Eu gostava de ficar abraçada com ele, a sensação era boa. E quando ele me deixou, aquilo doeu muito. Mas e agora? O que você sente sobre não estar com ele? Eu ainda tremia quando o via, mas.... Não pensava muito nele quando ele não estava por perto. Eu ainda sinto algo por ele? Eu realmente senti algo? Não fui só levada pela sensação de ter um homem gostando de mim? Talvez.... Afinal eu nem respondi o pedido dele de ter um relacionamento. Talvez eu tenha ficado magoada por que ele se afastou, por ele não ser mais o mesmo. E talvez o que eu sento por ele não seja mais que o sentimento que tenho por Erick, o de um amigo. Afinal, eu também gosto de ter ele me abraçando, me sinto bem com ele por perto e as vezes o fato dele ser lindo me deixa meio envergonhada. Ele até me deu um selinho uma vez. Eu não lembro de ter sentido algo diferente na vez que Lucas me beijou, só fiquei envergonhada. Eu também ficaria arrasada se Erick dissesse que não quer mais estar perto de mim. Então.... Eu não amava o Lucas? Sim, eu amava.... Mas não da mesma forma que eu pensava que amava. Mas e o Daniel? Eu sei que senti algo quando ele me beijou e não foi vergonha. Foi um sentimento quente, ao mesmo tempo que um sentimento de posse. Será que é porque eu estava brava com ele estar conversando com Laura? E por que eu estava brava por ele estar com ela? Eram perguntas demais.... Daniel entrou no quarto, me tirando do meu devaneio. Ele sorria com uma xícara na mão. Me sentei na cama e ele me deu a xícara e uma aspirina. - Mel, você tinha razão! Quando eu bati na porta do seu quarto, quem abriu a porta foi o Erick, e ele estava nu. – Ele disse se sentando ao meu lado. E arregalei os olhos e minhas bochechas esquentaram. Daniel riu da minha reação e o deixei meu queixo cair. - Meu Deus! – Eu exclamei agitada. – Mas eles se odiavam! Por quê...? - Porque no fim eles não se odiavam tanto assim.... – Daniel disse me dando um beijo na bochecha. – Clara disse que te traz algo em alguns minutos. Eu vou trocar de roupa e descer. Aqui, - Ele me entregou a chave do quarto. – Tranque quando sair, pode me devolver a chave depois. - Si-sim.... – Eu deixei a chave na cômoda ao lado da cama e Daniel foi até as mochilas que estavam no chão, perto da cômoda. Ele ainda não havia desfeito as malas. Eu tomei o remédio e engoli o café a contragosto, mas imaginei que ter cafeína no sangue me ajudaria com a dor de cabeça. Daniel se trocou no banheiro e saiu do quarto depois de me dar um beijo na testa. Ele estava tão carinhoso hoje, mas decidi não me animar, Daniel era bipolar afinal. Não sei quanto tempo Clara demorou para trazer minhas roupas, só sei que cochilei, e algum tempo depois acordei com batidas na porta. - Mel? – A voz de sino de Clara veio de trás da porta. Eu me levantei rápido, e me arrependi, fiquei tonta e quase vomitei antes de lembrar onde ficava a porta. - Hum.... Pelo jeito que está vestida, a noite deve ter sido ótima! – Clara disse sorrindo com uma mochila no braço. - Olha quem fala.... – Eu disse com a voz rouca e a deixei entrar. – Eu não vou mais dormir naquela cama! Clara não me respondeu de imediato e quando me virei para perguntar o que ela tinha, ela estava com o rosto vermelho e um sorriso bobo. - Isso porque você disse que não ia com a cara dele, imagine se vocês se dessem bem! – Eu peguei a mochila dela e abri para ver o conteúdo. - Mel.... Eu.... O Erick é tão doce.... – Clara disse se sentando na cama com um rosto que eu nunca soube que ela poderia fazer. - “Erick”? E os apelidinhos carinhosos? – Eu disse debochando dela e ela me encarou com um beicinho. – Eu sei bem o quão doce ele é Clara. Talvez não do mesmo modo que você, é claro! Mas eu conheço um pouco do Erick para saber que ele é gentil e que vai cuidar bem de você. Por isso nem me preocupo em te dar uma bronca. Eu não esperei uma resposta dela e me enfiei no banheiro para tomar um outro banho. Eu precisava de água gelada na cabeça para ver se eu acordava. Quando saí do banheiro, já vestida com a calça de moletom e a camiseta branca que ela havia trazido, vi Clara ainda olhando para o nada com os olhos brilhando. - Clara, é sério. Se você deixar o Mouse ver essa sua cara de boba, você vai perder moral em duas semicolcheias! - Ah! Não enche Mel! É por isso que eu estou fazendo essa cara quando ele não está aqui! - Sei.... – Eu joguei minhas roupas sujas na mochila e calcei a sandália sem salto que havia usado a noite. – Me diz uma coisa.... Você me trouxe moletons, está usando moletons por algum motivo, ou só porque estava avoada demais para notar? - Não.... Daniel disse para todos vestirmos roupa de caminhada. Ele acha que vai ser bom pra curar a ressaca de todo mundo. – Clara levantou e foi na direção da porta. – Ontem ficaram todos chapados. Eu imaginei como os outros estariam, já que eu também estou péssima e concordei que talvez uma caminhada seja algo bom para todos. Mas euzinha, no meio do mato com todos aqueles insetos e bichos estranhos? Nem fudendo! - Eu não vou caminhar! – Foi o que eu disse quando cheguei na cantina e vi Daniel sentado ao lado de Mouse tomando o café da manhã. - Melzinhaa!! Bom dia gatinha! – Mouse praticamente pulou da cadeira e me deu um abraço apertado. - Bom dia Erick, e saia da minha frente antes que eu te espanque por ter inundado minha cama de fluídos corporais! – Eu ignorei os olhares dos outros que estavam na mesa com cara de cansados e me virei para Daniel. – Eu não vou me enfiar no meio do mato com aranhas e insetos gigantes Daniel! Eu mau consigo chegar perto de gatinhos fofinhos, como eu vou me enfiar na mata?! Daniel ignorou meu ataque de pelancas e me fez sinal para sentar ao lado dele. Eu me irritei, e muito, com a atitude tranquila dele, e por pouco, não sai pisando e me tranquei no quarto, mas obedientemente me sentei ao lado dele. - Primeiro, coma alguma coisa, depois falamos disso ok? – Ele disse gentilmente. Eu olhei para a mesa, havia uma xícara de chocolate quente ao lado da dele e imaginei que fosse para mim. Também havia um prato com pão de forma e queijo e eu comecei a comer. Clara se sentou comigo, ficando entre eu e Mouse. - E então? – Eu perguntei olhando para os dois com uma expressão séria. – Para quando vai ser o meu sobrinho? Mouse, como eu esperava, sorriu orgulhoso, enquanto que Clara ficou branca e cuspiu café que estava bebendo em Tayler, que estava sentado de frente para ela. - AH! Me desculpe Tay! Eu vou buscar um pano pra te secar! – Clara se levantou e foi na direção da cozinha. - Na-Não tudo bem! – Tayler levantou e foi atrás dela. - Bem, agora que ela se foi, - eu olhei para Mouse que estava rindo, divertido com a situação que eu havia criado, - que merda você acha que está fazendo? - Eu...? – Mouse me olhou confuso, mas sem perder o sorriso. – Não entendi Mel. - Erick, ontem mesmo você saiu para ter sexo a três com duas garotas oferecidas que entraram na loja, lembra? A Clara não é assim! Eu sei que você pode ser o melhor cara do mundo se quiser, mas a questão aqui é essa. Você quer? Eu olhei preocupada para ele e minha preocupação se foi quando ele me mostrou o seu sorriso doce. Aquele mesmo sorriso que ele mostrava quando criança. - Não se preocupe com isso. – Ele disse segurando minha mão. - Ótimo! Eu não vou. – Eu respondi e voltei para o meu café da manhã. - MAS QUE PORRA! MOUSE SEU FILHO DA PUTA! – Sarah apareceu na entrada para o corredor dos quartos das garotas seguida por Bruno. O cabelo dela estava desgrenhado e ela vestia um moletom parecido com o meu, assim como os outros. - E lá vem a histérica.... – Mouse suspirou e se virou para ela. – O que eu fiz dessa vez?! - VOCÊ E A LOIRINHA RESOLVERAM TREPAR AS 3 DA MANHÃ SEU FILHO DA PUTA! EU NÃO CONSEGUI MAIS DORMIR! Clara estava saindo da cozinha e ouviu o que Sarah disse, mas diferente do que eu pensei, ela não ficou vermelha e saiu correndo, ela só levantou a sobrancelha e cruzou os braços, batendo o pé como fazia quando ela começava uma guerra que ela sabia que venceria. - Interessante você dizer isso ruivinha, ainda mais depois dos gritos que você deu lá para as quatro.... Eu acordei pensando se o som era mesmo seu ou de um porco no cio. Como foi mesmo o nome que ela gritou ratinho? – Clara olhou para Mouse e ele fez uma cara pensativa. - Acho que foi ursinho.... – Mouse abriu um sorriso travesso, e eu sabia que seria o fim para Sarah. – Acho que ela gritou “Oh sim! Me dê seu mel meu ursinho!”, ou algo assim. Todos riram da encenação de Mouse e Sarah olhou para Bruno irritada. - Você não vai dizer nada...?! - Eu? – Bruno respondeu com um sorriso. – Foi você quem saiu gritando o que não devia na frente de todo mundo. - Sarah fechou a cara. – Sem falar que eu quero é agradecer.... Depois que você acordou com os gritos da loirinha você decidiu que queria partir pro terceiro round, não tenho do que reclamar. Bruno caminhou até a cozinha com as mãos no bolso, e Sarah o seguiu. Todos estavam rindo dos dois, até mesmo eu, e por incrível que pareça, Daniel também. - Nossa, pelo sorriso que Daniel tem na cara, ele também aproveitou bem a noite! – Clara disse olhando pra mim com um olhar de vingança, depois de voltar a se sentar ao lado de Mouse. Eu não cuspi o chocolate porque já tinha engolido, mas tenho certeza que teria feito o mesmo que Clara. Meu rosto ficou quente e eu me preparei para dizer que não tínhamos feito nada, mas me lembrei que nós “tínhamos” feito algo. - Hum.... Agora ela ficou vermelha até as orelhas! – Mouse disse com a mão na boca, com se alguém tivesse acabado de contar um segredo bombástico e ele estivesse vibrando com isso. - Daniel! Você tornou minha inocente Mel em uma mulher?! – Clara exclamou encenando uma falsa surpresa e com um sorriso enorme no rosto. Mouse e Clara estavam curtindo as minhas custas, eu iria me vingar disso, eles iriam lamentar essa ceninha. - OPA! – Sarah gritou sentando ao lado de Tayler, que havia voltado com Clara e já estava terminando de comer um pedaço de bolo. – Quer dizer que a festa também trouxe lucros pro homem de gelo?! - Parabéns amigo. – Bruno brincou enquanto se sentava também. Enquanto eu pensava em como me defender, Saulo e Diego, que estavam, um ao lado de Tayler e outro ao lado de Mouse, deram os parabéns também. - Pra que tantos parabéns? – Lucas disse ao entrar e escutar Saulo rindo enquanto parabenizava Daniel, que ouvia as brincadeiras sem dizer nada. - Estamos parabenizando o Daniel por ter feito a Mel uma mulher! – Mouse disse com um olhar de diversão e desdém para Lucas. Eu encarei Mouse com raiva. Ele sabia qual era minha situação com Lucas, e era exatamente por isso que ele fazia aquilo. - Já che...! - Não me parabenizem.... Mesmo que a Mel tenha sido muito atrevida, eu não sou um idiota que se aproveita porque a garota está bêbada. – Daniel disse me interrompendo. Eu o encarei irritada. Quem havia sido “atrevida”?! Daniel sorriu. - Brincadeira, Mel, não fica assim.... – Ele me abraçou e olhou para os outros. – Eu não sou Mouse seus intrometidos, não aconteceu nada para que fiquem tão curiosos, eu só coloquei a bêbada aqui pra dormir. - Os outros riram e continuaram as brincadeiras. Eu ainda estava no abraço de Daniel quando olhei na direção de Lucas. O olhar dele não demonstrava nenhuma emoção, parecia morto. Isso me preocupava. Quando ele percebeu que eu estava olhando, ele sorriu triste e foi na direção da cozinha. - Ele pediu isso Mel. – Daniel sussurrou no meu ouvido para que só eu ouvisse. – Você não tem que se sentir culpada a cada ação sua, só porque ache que isso vai magoar ele.... Eu olhei pra cima e encarei os olhos de Daniel. Ele tinha razão de certa forma. Afinal, foi Lucas que se afastou. Mas isso não mudava o fato de que eu ainda me sentia mau ao ver Lucas daquele jeito. Daniel me soltou e voltou a tomar o café na sua xícara. Eu não quis mais comer. - Você tem certeza que não quer ir caminhar? Vai fazer bem pra você, e eu não vou deixar que nenhuma “aranha do mal” te pegue. – Daniel disse sorrindo depois de um tempo. - Mas quem é você?! E o que fez com o meu Daniel carrancudo?! – Eu disse um pouco assustada. - É amor gatinha! Ele muda as pessoas! – Mouse sorriu e se levantou com a louça do café dele e de Clara. Todos na cantina soltaram um “Huuuum” malicioso juntos. Eu segurei o riso e me concentrei em Daniel, que parecia pensar numa resposta. - Bem, - ele começou, - eu ainda sou o mesmo Daniel, Melissa, só que agora eu estou mais tranquilo por te ter de volta, então posso voltar a ser quem eu era 14 anos atrás. Eu me lembrei do Daniel pequeno, me trazendo flores num jardim enorme. Eu gostava da ideia de ter aquele Daniel de volta. Mas senti um aperto no peito. Eu sabia que o Daniel na minha frente era um Daniel diferente daquele. - Eu gosto do Daniel daquela época.... – Eu sussurrei. – Mas também estou gostando de conhecer o novo Daniel.... Daniel sorriu e me encarou, por algum tempo ficamos ali, segurando o olhar um do outro. - Eca! Se querem ser melosos vão para o quarto! Eu não quero vomitar meu café! – Sarah disse com um tom brincalhão. - Dessa vez eu concordo com a ruivinha! – Clara disse ao meu lado. - Desculpe.... – Eu sussurrei corando. - Não se desculpe para as invejosas Mel! – Daniel brincou enquanto me abraçava. - Hum... Inveja de quê? Pelo menos eu tive sexo essa noite.... – Sarah respondeu provocando Daniel, que a ignorou. - Você vai na trilha? Eu suspirei e pensei na ideia. Daniel estava tão doce hoje, não custava nada fazer um agrado a ele, não é? Mas então imaginei que seria a chance perfeita para conversar com calma com o Lucas. Sem Clara, Mouse e Daniel por perto, eu teria um tempo de verdade com ele. Eu precisava disso. - Me desculpe Daniel, eu não estou bem, e acho que a caminhada só vai me fazer tropeçar e ficar pior. – Eu respondi tentando não expor minhas intenções ao ficar. - Tudo bem.... Você pode ficar no meu quarto, a chave ainda está cm você.... – Daniel sussurrou me abraçando. - Dan! – A voz de Vanessa veio de trás de nós. – Eu estou pronta, vamos? - Você já comeu Van? – Daniel perguntou olhando para ela mas sem me soltar do abraço. Eu arrisquei olhar para ela e me arrependi. Ela me encarava irritada e com as bochechas vermelhas. - A bebum vai com a gente? – Ela apontou pra mim com o nariz empinado. - Não se preocupe gatinha, - Clara disse ao meu lado, - durante a caminhada o titio Daniel vai ser todo seu! Mas se contente só com os abraços, ok? O nome da dona dele está estampado na testa dele! Vanessa ficou mais vermelha e olhou para mim irritada, como se eu tivesse dito aquilo. - Clara, chega! – Eu disse nervosa. - Por quê? Essa pirralha sempre fala o que quer, merece ouvir aquilo que não quer! – Clara disse com um tom superior. - Clara, ela é só uma criança, não acho que deva agir assim com ela. – Daniel disse sério. - Eu não sou uma criança!! Já tenho quase 16! – Vanessa gritou batendo pé. – Eu te odeio Daniel! Clara e eu olhamos assustadas pra ela. Ela disse 16? Eu tinha quase certeza que ela tinha 12! - Parece que as aparências enganam.... – Clara disse rindo. Vanessa saiu correndo da cantina. Laura que entrou o no fim da conversa olhou para Daniel reprovando as ações dele. - Van!! – Tyler, saiu atrás de Vanessa e eu fiquei sem entender o que estava acontecendo. - Você não devia ter dito isso Dan, - Laura disse bagunçando o cabelo dele. – você sabe o que ela sente sobre você. - É por saber disso que eu devo deixar claro como as coisas são. – Daniel me soltou para tirar a mão de Laura do cabelo dele. – E é bom pro Tay, ele pode consolar a Vanessa e vai ficar tudo bem! Eu desviei o olhar dos dois irritada. Ela não viu que ele estava me abraçando? Por que ela tocou ele daquela forma? E pior, por que Daniel me soltou para tocar ela? Ele tinha outra mão livre! Eu tentei afastar os sentimentos de ciúmes e a raiva e segurei a mão de Clara. Ela olhou confusa pra mim e depois para Laura e Daniel, que estavam falando sobre algo que eu não quis prestar atenção. - Não se preocupe.... – Clara apertou minha mão de volta. – Ratinho, acho que a Mel não está bem, eu vou levar ela pro quarto, ok? - Gatinha? – Mouse levantou meu rosto para ver se eu estava bem. – Quer que eu te carregue? Consegue andar? - Eu estou bem Mouse! É só ressaca! – Eu respondi abaixando o rosto de novo. – Eu só estou tonta. Eu sorri e Mouse assentiu, então me levantei com Clara para ir até o quarto, mas Daniel segurou meu pulso. - Eu vou com ela. Clara, é melhor você terminar de se arrumar pra gente sair. – Ele olhou para os outros na mesa. – Vamos em 20 minutos. Eu não queria que Daniel visse meu lado egoísta, e ele veria se fosse comigo, mas eu não neguei a companhia dele quando imaginei que assim ele se afastaria de Laura. Clara olhou na minha direção, em seu olhar ela perguntava se estava tudo bem em ir com ele, e eu acenei que ficaria bem. Daniel levantou e pegou minha mão, me guiando para fora da cantina. Quando ficamos só nos dois no pátio eu soltei minha mão irritada e sai na frente, indo até os elevadores. Ele havia me soltado a pouco para poder dar atenção para Laura, por que ele acha que poderia segurar minha mão agora? - O que houve Mel? – Ele me perguntou realmente preocupado. - Nada. – Eu disse seca. - Nada? Você está pisando como se fosse quebrar o piso! – Ele me puxou pelo braço a alguns passos do elevador. - Eu disse que não e nada! – Eu não queria mesmo que ele visse meu lado egoísta, mas era difícil esconder minha raiva. - Mel.... O que foi? Eu olhei nos olhos dele e vi que ele estava começando a ficar irritado. Eu estava estragando o bom humor dele, eu era a pior garota do mundo! - Eu.... Eu estou irritada comigo, ok?! – EU disse me soltando e entrando no elevador que estava parado no nosso andar. Daniel entrou atrás de mim e apertou o botão do elevador para o andar seguinte. - Por quê? - Eu não sei. Daniel pareceu irritado e apertou o botão que travava o elevador, o baque me fez cambalear e ele me segurou, eu ainda estava tonta por culpa do álcool. - Por que você.... - Eu quero a verdade Mel, - Daniel me interrompeu. – eu não sei o que está havendo, e isso me irrita! Eu encarei os olhos de Daniel que estavam começando a ficar verdes. Eu tentei ler as emoções no rosto dele, mas minha cabeça ainda rodava, o que piorou quando Daniel se aproximou e envolveu minha cintura em um abraço. - Eu sou a pior pessoa do mundo.... – Eu disse com lágrimas começando a cair. Daniel pareceu confuso com o que eu disse e com as lágrimas que rolavam. Ele passou a mão nos meus cabelos e acariciou minha cabeça sem saber o que fazer. - Eu não penso assim Mel.... – Daniel disse suave após alguns segundos de silêncio. Eu não aguentava isso. Eu estava brava com ele por um ciúme idiota que eu nem podia dizer se era por amor ou só por ter medo de perder um dos meus “admiradores”. Eu odiava isso, e odiava mais ainda o fato de Daniel ainda me olhar com aqueles olhos. Eu soltei uma risada sarcástica. - Eu sou mesmo ridícula! – Soltei me soltando de Daniel, que ficou confuso. – Eu me mordendo de raiva só de ver você com a Laura, e eu nem mesmo posso exigir nada de você! Afinal eu nem sei o que eu.... O que eu.... Eu não podia admitir. Não podia admitir que eu não sabia o que sentia por Daniel. Por quê? Se eu admiti o maldito ciúmes, que é muito mais vergonhoso, por que não podia admitir que não conseguia ter certeza dos meus sentimentos por ele? Daniel soltou uma risada alta, o que me assustou e me fez encara-lo irritada quando ele destravou o elevador. Eu não consegui controlar a raiva, ele estava rindo de mim. Rindo dos meus sentimentos. Quando o elevador abriu, eu saí dele pisando com força e me atrapalhei com as chaves para destrancar a porta. Daniel sorria feito um idiota atrás de mim. - Por que todo esse nervosismo Mel? Eu me joguei na cama com a cara no travesseiro e ignorei a voz de Daniel e seu toque no meu ombro quando se sentou no canto da cama. - Por que eu me sinto uma tonta me preocupando com o fato de ser uma idiota egoísta e você ficai aí tirando uma com a minha cara.... – Eu respondi com a voz abafada. Eu não podia vê-lo, mas sabia que Daniel me encarava com um sorriso no rosto. - Mel, por que você acha que não tem o direito de sentir ciúmes? – Daniel sussurrou enquanto separava um cacho no meu cabelo. Eu levantei a cabeça e encarei o sorriso bobo dele. - Eu não.... – Eu me sentei e o encarei tentando dizer com os olhos o que eu não conseguia admitir. – Daniel, eu cresci fechada em um quarto, eu não tenho experiência nenhuma com relacionamentos.... Eu.... Eu não tenho certeza do que senti quando você e eu.... Sem falar que até alguns dias atrás, eu ainda chorava pelo irmão de Daniel, mas decidi não falar sobre isso, sabia que ele ficaria irritado. - Entendo... – Daniel afastou as lágrimas nas minhas bochechas. – Você estava bêbada ontem, não lembra bem que aconteceu.... O tom de Daniel era suave, quase um sussurro. - Mel, você está sóbria agora não é? – Ele perguntou depois de pôr um cacho meu atrás da orelha. Eu o encarei confusa. - Si-sim...? - Ótimo. – Daniel sorriu malicioso e depois me beijou. As mãos dele seguravam meu rosto perto do dele, como se eu pudesse escapar a qualquer minuto, os lábios dele eram macios nos meus e o ritmo era lento, bem diferente da noite passada. No início eu tentei pensar nas emoções que fervilhavam meu sangue, mas logo me esqueci delas e me deixei levar pelo ritmo ofegante das nossas respirações. Eu nem lembrava mais sobre o que estávamos falando antes do beijo quando nossos lábios se separaram. - Agora você tem uma memória mais recente.... – Daniel sussurrou com o rosto a distância de um fio de cabelo do meu. – Sei que ontem foi um pouco diferente, mas eu não tenho muito tempo agora.... Eu fechei os olhos tentando me concentrar no que estava acontecendo ao me redor, mas minha cabeça girava e eu sentia borboletas do tamanho de girafas no meu estômago. Eu tinha certeza que meu rosto devia estar da cor de cerejas agora, mas Daniel pareceu não se importar com isso e me deu mais beijo, dessa vez mais agitado, mais intenso. Eu ignorei as três batidas na porta e pensei que Daniel também fosse ignorar. Eu queria que ele ignorasse. Mas os lábios de Daniel sorriram e se afastaram antes que sua língua passeasse por minha boca lentamente. Daniel mordeu de leve meu lábio inferior e saiu na direção da porta. Eu me joguei de costas na cama, os joelhos dobrados, a respiração ainda fora de controle, mas o que realmente chamava minha atenção, não era o teto que me enjoava ainda rodando. Era a felicidade que surgia dentro de mim. Discreta, serena, ao mesmo tempo que angustiante de tão eufórica. Eu queria gritar para todos que estava feliz! E a razão disso era Daniel. Eu sabia porque não quis admitir antes que eu não sabia quais meus sentimentos por ele. Eu só não queria mentir para mim mesma. Eu estava apaixonada. Na porta eu ouvi a voz preocupada de Clara e a risada de Mouse. Eles tinham vindo ver se eu estava bem e Daniel os deixou entrar. - Mel? Você está bem? – Clara perguntou me lançando um olhar preocupado. Eu sorri abertamente feito uma boba. “Por que eu estava brava mesmo?” - Sim! – Respondi alegre. - Viu? – Mouse disse apontando para mim enquanto se sentava no canto da cama. – Eu disse que Daniel não era inútil! Ele pode ser virgem, mas ainda sabe como tratar uma garota! Eu encarei Mouse com o rosto vermelho e Daniel lançou nele um olhar fuzilante, mas Mouse fingiu não ver e tirou a sujeira de uma das unhas. Daniel ainda era virgem?! Ele era mais velho que eu e ainda...?! - Eu vou deixar vocês conversarem, - Daniel disse olhando para o relógio, - eu vou esperar os dois na garagem Mouse. Mouse sorriu exagerado e Daniel saiu do quarto. Eu podia jurar que o rosto de Daniel parecia mais corado que o normal quando ele saiu. - E então? – Clara começou quando teve certeza de que Daniel não voltaria. – O que está acontecendo? - Não tá na cara?! – Mouse respondeu na minha frente e Clara lhe lançou um olhar que o fez ficar quieto, mas ainda sorrindo demais. - Eu.... Eu acho que.... Acho que gosto dele.... – Eu respondi sem saber quais palavras seriam melhores. - Você acha? – Clara sorriu com aquele ar de “sabichona” – Eu “acho” que seu rosto diz que você já tem toda a certeza que precisava ter. Eu sorri e voltei a deitar olhando pro teto. Eu realmente já tinha certeza. - Ok.... - Clara suspirou e sentou ao lado de Mouse na cama, - agora me diz porquê você não vai na caminhada. Você me parece feliz o suficiente para ir. Meu sorriso se foi quando eu lembrei do motivo de ter dito não para a caminhada hoje. - Lucas. – Eu respondi direta. – Preciso falar com ele. Deixar as coisas claras. Tem coisas que eu quero que ele saiba. - Mel.... – Clara disse preocupada, mas não tentou me impedir. Eu olhei para Mouse, esperando que ele me chamasse de idiota ou que ele me jogasse nos ombros e me forçasse a ir na caminhada só para que eu não falasse com Lucas. Mas ele não disse nada contra, só suspirou e jogou as costas na cama, ficando ao meu lado. - Gatinha, - Mouse começou com um tom sério, - só de olhar pra você eu vejo que você já s decidiu sobre o que quer. Eu não vou te impedir eu gritar com você, porque eu sei que existem certas coisas que devem ser ditas. Então, independentemente do que eu tenha te dito antes, vá e faça aquilo que ser o melhor. Os três merecem que isso seja resolvido logo. Eu sorri e apertei a mão de Mouse de volta. Ele estava certo. Daniel, Lucas e eu precisávamos resolver isso. Mais precisamente, eu precisava resolver minha situação com Lucas. Só assim a atmosfera entre ele e o irmão seria menos tensa, só assim eu poderia parar de me sentir mal toda vez que olhava para ele, e só assim ele e eu poderíamos seguir em frente. Eu precisava dizer a Lucas o que eu senti por ele e como eu me sentia agora. Ele merecia saber, e eu não poderia seguir com o irmão dele sem que ele soubesse. - Bom! – Mouse se levantou de súbito, soltando minha mão e com o tom alegre de sempre. – É hora de irmos loirinha! O Daniel pode ser cruel quando quer! - Ok. – Clara me deu um beijo na testa. – Te vejo mais tarde, e boa sorte! Os dois foram na direção da porta, mas Mouse parou um pouco e olhou pra mim ainda estirada na cama. - O quarto do idiota é o último do corredor a direita. – Ele disse piscando pra mim e saiu do quarto. Eu fiquei observando a porta fechada do quarto de Daniel por um tempo. Criando coragem para descer e ir até Lucas. Fiquei ali por alguns minutos e então me levantei. Eu precisava para de ser tão covarde. Com a cabeça latejando por culpa da ressaca, eu decidi que pegaria uma aspirina na enfermaria, onde quer que ela fosse, o que significava que eu teria de pedir ajuda a alguém, aso alguém tenha ficado, ou sair andando sozinha por aquele lugar enorme a procura da enfermeira. Eu parei em frente ao último quarto do corredor a direita e levantei o braço, pronta para bater na porta, mas me segurei. Eu ainda estava com medo. Depois de um tempo com o braço estendido, finalmente decidi bater, mas a porta se abriu antes que eu finalizasse a ação. Lucas arregalou os olhos e me encarou. A quanto tempo eu não olhava nos olhos dele? Eles ainda tinham um azul lindo, a cor do mar ainda presente, com ondas prateadas, como a espuma deixada por uma onda que se quebra no meio do oceano. Ao redor dos olhos havia uma risca preta, que indicava que ele não tinha dormido bem, além disso, havia mais indícios de cansaço, como o rosto pálido e os lábios rachados. - Eu.... Eu preciso falar com você.... – EU sussurrei tentando não deixar que minha voz quebrasse em mil pedaços. Ainda era doloroso falar com ele. - Eu.... Pode entrar. – Ele forçou um sorriso e me deu espaço para entrar no quarto. O cômodo era uma cópia do quarto onde Clara eu dormíamos, na verdade a Clara, eu não dormiria mais naquele cômodo sem lembrar da cena dela e de Mouse na minha cama. Eu me sentei na cama que estava vazia e encarei meus pés até que ele sentasse ao meu lado. - E então...? – Ele perguntou sem confiança. Eu me lembrei de tudo que tínhamos passado juntos, da noite em que dormimos no sofá assistindo filmes e no beijo que ele me deu no carro. Eu sentia um carinho enorme por ele. Mas eu não sentia a mesma felicidade que eu tinha quando Daniel me tocava. Eu respirei fundo e olhei nos olhos dele. - Lucas, eu preciso dizer como me sinto. – Eu comecei tentando parecer confiante. – Você sempre foi sincero comigo, e eu acho que você merece que eu seja também. Eu esperei que ele tentasse me interromper, mas ele só me encarou com os olhos azuis no nos meus. - Eu amei você Lucas, e ainda amo. – Eu continuei. – Mas eu nunca parei para me perguntar que tipo de amor era esse. Eu não sou uma pessoa muito experiente, mas.... Eu fiquei feliz quando você cuidou de mim. Eu nunca tinha tido alguém assim comigo, alguém que me amasse daquela forma. E eu adorei cada dia que passamos juntos. – Lágrimas se formavam nos meus olhos, e Lucas desviou o olhar do meu para encara o chão. – Eu vim aqui para responder o que você me pediu aquele dia no apartamento. Eu levei minha mão ao rosto dele e segurei seu olhar com o meu, depois continuei: - Eu te amo Lucas, mas não posso conceder isso. Não posso te deixar ficar ao meu lado, não posso te deixar me consolar. – Eu vi a dor nos olhos dele e meu peito se apertou. – Não é porque você me deu as costas aquele dia. Não é por algo que você fez ou deixou de fazer. Eu só não posso aceitar ser mimada por você, sem ter os mesmos sentimentos que você tem por mim. – Eu fechei meus olhos, tomando mais forças, depois voltei a abri-los e olhar nos olhos de Lucas. – Eu não pude te responder naquela época por um motivo, e infelizmente mesmo que eu quisesse aquele dia pular em seus braços de felicidade, após esses dias que passamos afastados, eu vi que o que eu senti, não são mais os mesmos agora. - Mel.... – Daniel segurou minha mão que ainda estava em seu rosto. - Espera.... –Eu choraminguei. – Eu ainda não acabei…. Eu ainda sofro quando te vejo, e quando você me disse que não podia estar ao meu lado, eu senti meu mundo desabar Lucas.... – Eu sequei as lágrimas que embaçavam minha vista. – Afinal só tem dois dias que tudo aconteceu. Mas as coisas têm acontecido tão rápido. E minhas memórias.... – Mais lágrimas. – Eu me lembrei de todos e.... Eu me lembrei de Daniel. – Respirei fundo. – Eu vou dar uma chance para que minha história com Daniel continue de onde ela foi forçada a parar Lucas. E eu queria que você soubesse, porque eu vu seguir em frente. E eu quero eu você siga também. Não vou ser egoísta a ponte de te pedir que me esqueça de hoje pra amanhã. Mas eu quero que você seja feliz! Eu realmente quero.... – Eu deixei as lágrimas rolarem. - Mel.... – Lucas disse com os olhos ainda nos meus. – Você não tem que me dar nenhuma satisfação. Mas eu estou feliz que você tenha vindo falar comigo. – Ele sorriu. – Eu amo você Mel. Mas fiquei com medo. Medo daquilo que no início eu admirava, sua habilidade evoluir em tão pouco tempo. Você cresceu mais rápido do que eu podia acompanhar, e quando eu me dei por mim, você já estava longe demais para que eu estendesse minha mão. Eu estou feliz que você esteja bem com o Daniel, e.... Apesar de não nos darmos tão bem quanto eu queria, eu sei que no jeito arrogante dele, ele vai cuidar bem você. – Lucas secou uma lágrima no meu rosto. – É melhor você ir, não se preocupe comigo, eu vou ficar bem, uma hora ou outra. Eu balancei a cabeça concordando e me levantei para sair do quarto. Eu parei na porta, com a mão na maçaneta e me virei para ele uma última vez. Ele forçava um sorriso para mim. Ele não queria parecer fraco na minha frente, eu imagino. E ele não parecia. Me virei e sai do quarto. As lágrimas de Lucas não eram da minha conta, assim como as minhas não eram da dele. Pelo menos por um tempo, até que as feridas estivessem curadas, nós teríamos de evitar o contato mais íntimo. O único problema, é que Lucas estava sozinho aqui. Eu tinha Daniel ao meu lado, mas e ele? Com quem ele poderia conversar? E que ombro chorar? Pensar nisso fazia meu peito doer. Eu cheguei na cantina ainda com o rosto vermelho e enxugando as lágrimas nas mangas da blusa de moletom que Clara havia me dado para vestir. Tayler estava lá, mas não reparou em mim, já que parecia bem ocupado consolando Vanessa. Eu parei, pensando em que tipo de situação eles dois estavam, e quando decidi que era melhor sair de fininho, a garota me notou e fechou mais ainda a cara. - Com licença.... – Eu sussurrei e fui para o quarto. Já no quarto, eu lembrei da aspirina para a dor de cabeça, mas decidi que me meter entre Vanessa e Tayler agora seria uma péssima ideia, e pior ainda seria ter ficar por aí procurando a enfermaria sozinha, por isso só me deitei e joguei um coberto por cima da cabeça. Dormir me faria bem. Eu estava bastante cansada, então só acordei quando ouvi os paços de Daniel pelo quarto. Eles haviam voltado. Levantei a cabeça meio zonza e procurei por ele, mas ele tinha acabado de entrar no banheiro. Resolvi chama-lo quando ele saísse, mas acabei dormindo de novo. Abri meus olhos devagar, o quarto estava escuro e eu estava sozinha, olhei na direção do banheiro, Daniel já tinha ido embora. Levantei ainda grogue e calcei os tênis que estavam ao lado da cama. Saí do quarto trancando a porta atrás de mim e fui até o elevador. Desci até a cantina, um cheiro bom vinha da cozinha. Imaginei que seria a hora do almoço. Quando entrei na cantina, ela estava vazia. Fui até os quartos. Não havia ninguém. Onde todos haviam ido? Antes que eu pudesse pensar em uma possibilidade, Clara entrou na cantina com o rosto branco. - Mel? – Ela disse assustada. – Pensei que estivesse dormindo! - Eu estava, acabei de acordar. – Eu disse com a voz rouca. – Onde estão os outros? Clara não respondeu, mas seu sangue pareceu sumir mais ainda do seu rosto. - O que aconteceu Clara? – Eu disse preocupada. – Você tá me assustando! - Mel.... Eu quero que mantenha a calma, ok? – Ela disse levantando a mão como se eu fosse ataca-la. - Merda, Clara! O que houve?! Foi o Daniel? Aconteceu alguma coisa durante a caminhada? – Meu estado “pós sono” já tinha ido embora e eu estava totalmente alerta agora. - Não, mas.... - Clara?! – A voz de Mouse veio do pátio. – Você.... – Ele parou de falar quando me viu na cantina. – Merda! Eu comecei a ouvir vozes vindo do pátio, uma delas era a de Mauro, e haviam outras duas que eu sabia que conhecia, mas não conseguia lembrar. Mauro estava aqui? Com alguém mais? Quem? E por que aquela reação que Clara e Mouse demonstraram? Eu comecei a andar na direção do pátio. - Mel, é melhor.... – Mouse segurou meu braço. - Me solta! – Eu puxei e voltei a andar. Sabe aquelas cenas nas novelas cheias de emoção? Tipo quando alguém morre ou quando alguém que quase morreu sobrevive? Com todos com olhares espantados, a mocinha chorando e cena em câmera lenta com um fundo musical brega? Bem, a música brega começou a tocar na minha cabeça, e meu mundo parecia estar rodando em câmera lenta assim que eu coloquei os pés no pátio. Era sobre isso que Clara e Mouse estavam falando. Não era sobre Mauro, ou mesmo por Maicon ao lado dele. Mas sim o homem ao lado de Daniel, que andava duro e com uma expressão morta no rosto. O homem de pele branca, um queixo parecido com o meu, olhos azuis de lápis lazuli, cabelos loiros misturados com alguns fios brancos e uma barba rala sorriu para mim. Um sorriso quente, mas cansado. Ele parecia feliz. - Pa-Pai...? – Eu choraminguei e a força das minhas pernas se foi. Braços me seguraram antes que eu desse de cara no chão. Meu peito doeu e minha cabeça pesou. Ele era um fantasma? Como ele estava aqui? Por quê? E a minha mãe? Ela também...? Eu ouvi vozes chamarem meu nome, mas era tão distantes que eu não reconhecia de quem eram. Olhei para Daniel de novo, ele parecia estar sofrendo. Então olhei para o homem de novo, ele estava com um preocupado, e estava mais perto agora. Ele era o meu pai. Meu pai estava vivo!
The Analyst: A Princesa e o Rato
Parte I: Rosas Azuis
Você já viu uma rosa azul? Imagino que não. Elas não existem naturalmente, são modificadas geneticamente para terem essa cor. Mas elas têm um significado forte, significam o amor impossível, mas caso esse amor seja conquistado, ele será próspero e belo.
Para falar a verdade eu nunca acreditei que pudesse encontrar uma Rosa Azul para mim, eu sou o tipo de cara que acha que todas as mulheres são Rosas Corais, ou seja, apenas um entusiasmo e desejo momentâneo. Eu nunca dormi com a mesma mulher duas vezes seguidas.
No início, quando a vi nas fotos, ou quando Tyler, nosso novato que pode mudar a sua forma física e que servia de espião entrou em contato com ela, e ele me disse que ela era um anjo que havia caído dos céus de tão linda e gentil, e mesmo quando eu a vi eu mesmo, eu nunca imaginei que ela fosse mais que mais uma rosa coral.
Para alguém como eu, aquela garota com corpo de modelo, alta e com pernas bem desenhadas, o rosto delicado, os lábios delicados e os olhos verdes e marcantes bem demarcados na pele cor de leite, e com cabelos cor de ouro que formavam ondas bem desenhadas até metade de suas costas. Essa garota linda, para mim, era só mais só uma.
Talvez ela fosse um pouco mais difícil que as outras, mas no fim eu tinha certeza que a teria na minha cama, assim como todas as outras que tinham aquele ar superior.
Eu comecei como sempre, sorri, fui educado. Mas quando ela me olhou nos olhos pela primeira vez, eu não consegui desviar de seus olhos verdes e intensos, os mesmo olhos que eu havia visto de longe na noite anterior, eles me analisaram tão rápido, e então ela desviou o olhar com desdém. Eu não soube como reagir aquele olhar, então pensei que seria melhor me afastar, eu tinha medo de que aqueles olhos vissem meu interior.
Ela era sempre altiva nos dias que passei com ela, os únicos momentos que ela se deixava cair, eram quando Marcos estava envolvido. Tyler havia me dito algo sobre isso, sobre ela ter um relacionamento com ele, mas ele a traiu. Marcos trabalhava com aqueles que queriam machucar a mim e aos meus amigos, e também queriam machucar Melissa, a única garota que eu considerava “intocável”, já que desde pequeno, ela era mais como uma figura materna ou algo do tipo.
Eu ainda me lembro da forma como ela chorou sozinha na garagem aquele dia. Ela pensou que não tinha ninguém, e não tinha no início, mas me pediram para pegar algo no carro e lá estava ela, sentada e encolhida num canto, chorando. Isso aconteceu um dia antes de irmos até o local onde Marcos havia levado Mel. Eu senti tanta raiva. Eu queria poder matar aquele que tinha tirado dela todo o orgulho, toda a altivez, queria poder ver o corpo daquele que tirou o brilho de seus olhos, apodrecer.
Quando ela o viu, ela não desabou na frente dele, ela era orgulhosa demais pra isso. Mas assim que Mel estava a salvo, ela desabou. Dessa vez eu não me contive, a abracei e ela se deixou ser abraçada. No dia seguinte eu fingi que nada tinha acontecido, ela não disse nada, mas algo me diz que ela estava feliz com o fato de eu não dizer nada. Apesar de continuar me tratando com um desdém provocativo.
Nos últimos dias ela tem sorrido mais. Acho que ter a Mel de volta a fez melhor. As unhas que estavam roídas agora estão lixadas e com um tom de rosa claro. Ela estava voltando a ser o “anjo” do qual Tyler me falou, sorrindo gentilmente quando falava com alguém, abraçando a Mel como se fosse a mãe dela, fazendo piadas com a minha cara. Eu até gosto do tom sarcástico que ela usa comigo.
Mas quando eu vi seu olhar de reprovação e desapontamento essa tarde, eu me senti culpado. Havia tristeza naquele olhar, ela estava magoada, e dessa vez eu tinha sido a causa.
O que eu havia feito? Eu estava sendo o eu de sempre, não é? Sim, e esse era o problema. Eu estava deixando ela e Mel para sair com duas garotas que entraram na loja. Algo como isso era o meu “eu de sempre”. “Apenas um canalha”, era essa a opinião que ela tinha de mim, e era o que eu estava dizendo para ela que eu era.
Naqueles poucos segundos que ela me olhou, eu pude ver que ela estava tentando ver algo diferente em mim do que viu na primeira vez que me olhou, mas eu estava apenas confirmando para ela que era só aquilo mesmo. Apenas um canalha.
Mas eu não era só isso? Sim, eu era só isso! Por isso sai da loja com as duas garotas e fui com elas até o hotel em que estavam.
Não reparei na conversa que tivemos, não reparei em seus rostos, só sabia que eram bonitas, atiradas e que eram duas. Que homem em sã consciência negaria sexo a três?
Acho que eu não estava muito consciente essa tarde, porque arrumei uma desculpa e fui embora, deixando as duas garotas para trás. Eu não tirava o olhar dela da minha cabeça. Por quê?
Agora, eu estou em uma festa, nós queríamos comemorar a volta da Mel, queríamos festejar por Stuart não ser mais pesadelo que nos tira o sono. Nós somos poucos, mas somos o suficiente para sermos felizes, com Diego brincando de DJ, Sarah gritando alegremente em um vestido que lhe deu um ar feminino que eu não sabia que ela tinha. Até Bruno que sempre está sério, está se divertindo.
E Clara também, é, esse é o nome dela. Ela tem uma lata de cerveja na mão, a mão de Mel na outra. Ela está dançando ao lado de Mel, as duas já tem os rostos vermelho, acho que estão bêbadas.
Clara veste um lindo vestido vermelho, que se destaca em sua pele branca, o cabelo jogado em ondas de lado, os olhos verdes brilham e seus lábios rosados tem um sorriso. Ela está solta, alegre. Ela captora meu olhar, e eu sorrio abertamente, e ela se aproxima.
- Você tem olhado demais ratinho! – Clara diz em meu ouvido.
- Desculpe, mas é que esse vestido deixou você mais sexy que nunca loirinha! – Eu respondo brincando com ela.
Normalmente ela faria uma cara feia e me daria uma resposta seca, mas dessa vez não. Não sei se foi o efeito do álcool, mas ela sorriu e passou as mãos pelo meu pescoço.
- Quer dizer que aos olhos do ratinho eu sou sexy? – Ela sussurrou com uma voz manhosa no meu ouvido.
Merda.... Ela é gostosa, e ela sabia disso.
- Sim, você é.... – Eu respondi entrando no jogo.
Ela não disse nada, só parou de dançar e apoiou a cabeça no meu peito. Ela parecia meio tonta, acho que estava cansada.
- Erick.... Eu bebi demais, me ajuda a voltar pro quarto?
Era a primeira vez que ela usava meu nome. A única que sempre me chamava assim era a Mel, os outros me chamavam de Mouse o tempo todo. E ouvir meu nome na boca dela, era excitante, e mais ainda porque ela usou aquele tom de voz manhoso.
- Vamos....
Eu peguei a mão dela e a guiei pelo até o quarto.
- Qual é a sua cama? - Ela apontou a cama da esquerda, então eu tirei a coberta e a sentei na cama. – Eu vou deixar você aqui, quer um pouco de água?
- Não.... Eu quero você.... – Ela me olhou nos olhos e eu levantei a sobrancelha.
- Você sabe o que está dizendo loirinha? Você me odeia lembra? – Que merda eu estava fazendo?
Ela estava dizendo que me queria, então por que eu só não a beijei e a levei pra cama como sempre fiz com as outras? É claro que ela não tinha certeza, ela estava bêbada! E normalmente eu não ligaria pra isso, mas dessa vez.... Eu ligava.
Sem responder minha pergunta ela levantou e pôs as mãos no meu peito sem tirar seus olhos dos meus. E então ela me beijou.
Seu gosto era doce, e eu não tinha mais auto controle para me impedir. Passei minhas mãos na sua cintura e a puxei com força contra o meu corpo.
Eu queria subjuga-la a minha vontade, queria derrubar seu tom altivo e tê-la em meus braços desse jeito a alguns dias. E agora eu tinha. Tinha a sua boca na minha, seu corpo esbelto estava a minha mercê, mas eu não conseguia tirar aquele olhar que ela me deu durante a tarde da cabeça.
Ela me jogou com força na cama de Mel e tirou minha camisa. O verde de seus olhos estava mais denso, como se estivesse pegando fogo. Ela era linda demais.
- CARALHO!!! O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?! QUE NOJO!!! – A voz de Mel veio da porta. Acho que ela também estava bêbada.
Clara pegou um travesseiro e arremessou na direção de Mel.
- Mel! Vai embora! – Ela disse parecendo um pouco divertida com a situação.
- Acho que eu não vou dormir aqui hoje! FUI! – Mel respondeu e bateu a porta com muita força. Ela estava muito bêbada. Pensei em ir ajuda-la, mas depois de ser beijado de novo por Clara, decidi que Daniel deveria dar um jeito nela.
Clara passou as pernas pela minha cintura e a levantei, a jogando por baixo de mim na cama. Uma mão segurava seu quadril levantado e a outra descia da sua cintura até sua coxa, onde eu levantei o vestido vermelho, expondo a calcinha do mesmo tom.
Eu sorri e juro que vi seu rosto ficar mais vermelho do que já estava. Ela era não só linda, mas fofa também, ficando vermelha numa situação dessas.
Eu abaixei seu quadril e levei minhas mãos até o zíper do vestido em suas costas. Clara agarrou meu pescoço, me dando espaço para abrir seu vestido. Quando eu abaixei o zíper, ela gemeu e eu a deitei na cama.
Eu nunca senti tanto prazer em tirar o vestido de uma mulher antes. O corpo dela era maravilhoso vestido, e me deixou louco vê-la nua. O vestido era tomara-que-caia, por isso ela não usava sutiã, então seus seios estavam a mostra agora. Eles eram redondos, os bicos rosados que me faziam ter vontade de lamber. Ela tinha marcas de biquíni, acho que deve ter passado as férias na praia.
- Merda, eu estava errado. O vestido te deixou sexy, mas sem ele você é mais sexy ainda loirinha.
Eu me abaixei e pus minha boca em seu seio direito, enquanto isso brincava com seu seio esquerdo na minha mão. Ela gemeu e soltou um leve risinho.
- Você deve ter dito o mesmo para as garotas hoje à tarde.... – Ela disse enquanto enrolava os dedos no meu cabelo.
Eu congelei quando lembrei do que ela havia dito. “Você é realmente o canalha que eu pensei que fosse”. A raiva e a tristeza em seus olhos. Eu levantei e me sentei na cama. O que eu estava fazendo?
- O que houve? – Clara me perguntou se agarrando nas minhas costas e beijando meu pescoço.
- Eu não posso Clara.... Você está bêbada.
- Você nunca dormiu com uma garota bêbada ratinho? – Outro beijo.
- Sim, eu dormi. Mas você é diferente.... Eu não quero.... Estragar tudo....
Eu me levantei, peguei minha camisa que estava jogada no pé da cama e a vesti em Clara que parecia irritada comigo.
- Eu não entendo você.... – Ela disse fazendo beicinho e deitando no colchão. – Você não já está estragando tudo agora?
Sim, eu estava jogando fora a única chance que tinha de poder tê-la assim, vulnerável. Mas eu não queria que fosse assim. Ela não era só uma rosa coral, porque se eu dormisse com ela agora, eu não ia conseguir aguentar a culpa me corroendo depois. Eu queria ela por inteiro, não só o corpo dela, e isso me matava, porque era sentimento novo pra mim.
- Eu só.... Gosto de você Clara.... Você é a minha rosa azul... – Eu disse me deitando ao lado dela.
Ela me olhou curiosa, mas não disse mais nada, só se enroscou em mim e fechou os olhos.
Parte II – Senhor e Senhora Mickey Mouse
Eu já estava acordada faziam alguns minutos, mas decidi fingir estar dormindo. Não queria abrir os olhos e dar de cara com os olhos negros e sorriso sarcástico de Erick, ou ratinho, como eu costumo chama-lo.
Eu tento me mexer o mínimo quando penso nas coisas estúpidas que eu fiz na noite passada. Eu me comportei como uma vadia atirada e pulei em cima de Erick, o homem cachorro e galinha que na tarde de ontem deixou eu e a Mel sozinhas para ir transar com duas “Galinhas Pretas da Angola”! Não, não pense que eu estou sendo preconceituosa ao chama-las assim, eu chamo assim todas aquelas vadias que só pensam em dar a buceta, sabe? Aquelas que ficam em volta dos caras bonitos do colégio e que só não são mais fáceis que somar 2+2!
Enfim, Erick era um galinha, e eu estava irritada por ele ter me-, quer dizer, nos abandonado e ido se divertir numa “surubinha” com as suas “galinhas”!
Eu não sei bem porque fiquei tão irritada, se for avaliar, nem a Mel que é amiga dele, ficou brava, por que eu fiquei? Ah! Pensar assim não muda o fato de eu ter ficado brava!
E agora, eu estava deitada por cima dele numa pequena cama de solteiro, sentindo o cheiro dele se misturando ao meu, a respiração dele cronometrada com a minha. Merda! Por que eu estava tão agitada por alguém como ELE?
- Loirinha.... – Ele disse com a voz rouca. – Se você for continuar fingindo que está dormindo, é melhor parar de fazer essas caretas....
- Eu ainda estou dormindo.... – Eu respondi sem abrir os olhos.
Eu realmente não queria vê-lo, eu iria lembrar de quão humilhante foi implorar por ele na noite passada. O pior de tudo foi ver ele colocar sua camiseta em mim e me rejeitar por completo depois de ter me visto nua.
Erick se sentou na cama, deixando minha cabeça em seu colo.
- Ótimo, então eu posso continuar a admirar essas suas carinhas fofas. – Erick apertou de leve meu nariz e depois tirou uma mecha de cabelo do meu rosto.
Eu abri os olhos devagar. O quarto não tinha janelas, era no subterrâneo, então não havia luz além da que vinha do pequeno abajur em cima da cômoda que ficava entre as duas camas, mas foi luz suficiente para que visse os olhos de Erick em mim. Ele parecia tão calmo, tão sereno, ele era o mesmo Erick que tem me atormentado todo esse tempo?
- Oh.... Ela acordou! – Ele sorriu brincalhão.
Eu me lembro da primeira vez que vi esse sorriso, eu odiei o quanto eu tinha gostado, então só lancei um olhar de desdém que eu sabia muito bem como fazer e virei o rosto de lado.
Lembrar disso me fez corar, e eu torci que ele não conseguisse ver isso.
Na minha mente, o Erick sempre pareceu mais do que ele é, ou isso eu pensava. Ele era sempre fofo, brincalhão, e muitas vezes gentil, mas eu negava isso, afinal, ele é o tipo de homem que é gentil com todas as “Galinhas Pretas da Angola”.
Não me interpretem mau, eu amava o Marcos, ou pensava que sim, já que quando soube que ele era um traidor, tudo que eu senti foi o ódio por ser humilhada e enganada por ele. Eu não duvidei que fosse mentira, isso não importava. Então o que mais tenho me perguntado nos últimos dias, é onde foi parar o suposto amor que eu sentia por ele.
Depois de pensar muito, decidi que não precisava perder tanto tempo pensando em cachorro traidor! O que eu podia esperar de um cara que trai a namorada com a irmã?!
E voltando ao Erick, eu não sei o que sinto. Me sinto com raiva da minha idiotice só de pensar que talvez que esteja apaixonada por ele. Ele é um mulherengo, isso é fato. Então eu só seria mais uma. E acho que é por isso que tenho tratado ele com tanto sarcasmo nos poucos dias que passamos juntos.
E tem isso também, eu conheço ele tem só uma semana!
- Você é engraçada, sabia loirinha? – Erick interrompeu meus pensamentos. – Fica aí fazendo essas caretas, no que tanto pensa?
Eu olhei nos olhos dele e pensei no que dizer. Eu estava envergonhada demais para dizer algo, então só corei e me levantei, sentando ao lado dele. Eu ainda tinha álcool no sangue, então me senti um pouco tonta e enjoada.
- Não vai falar nada? – Ele disse se curvando e colocando o rosto de frente para o meu.
“Tão perto!”
- Eu.... Eu....
- Desculpe Clara, eu não devia ter me deixado levar.... – Ele disse com o rosto sério.
Eu ainda não sabia o que dizer, então dobrei os joelhos e os abracei, escondendo o rosto quente.
- Eu que devo me desculpar.... – Sussurrei depois de um longo silencio. – Eu me aproveitei de você.... Eu.... Eu pensei que se fosse você.... Não me diria não.... Como você não disse para as garotas ontem a tarde....
Essa era a verdade. O álcool só me deu a coragem que eu não tinha para admitir que eu o desejava. E como eu desejava!
- Você.... – Ele parecia irritado, ou chateado. – Eu não acredito.... – Erick sorriu irônico e pôs as mãos no rosto. – Então eu acho que eu deveria ter te comido! Que idiota que eu sou! Você só está carente né? Tanto tempo longe do “seu” Marcos....
Ele entendeu errado! Eu não queria me aproveitar dele e matar minha “carência”. Eu queria ter uma chance, e eu seria orgulhosa demais para admitir isso sóbria, eu só queria ter uma desculpa para estar com ele pelo menos uma vez, sem me sentir humilhada quando ele dissesse que não queria mais do que só uma noite comigo.
Eu senti lágrimas se formarem no meu rosto, mas segurei.
- Você está errado!
Erick me olhou nos olhos e eu vi irritação e ironia em seu rosto.
- Sério? Por quê? – Ele disse em um tom seco.
- Por que eu.... – Eu não queria admitir, mas pensar em ter ele irritado comigo, ou me evitando, era doloroso. – Eu só.... – Abaixei meu olhar para minhas mãos. – Só queria poder.... Estar com você.... Então.... Quando bebi, isso ficou.... Difícil de controlar....
Minha voz era cortada e estava esganiçada pela vontade de chorar. Aquilo era tão humilhante!
- Você...? – Erick disse parecendo confuso. – Comigo...?
Eu subi o olhar irritada, ele queria que eu dissesse de novo? Seu rosto agora parecia confuso, com um toque de esperança. Esperança?
- Você acha mesmo que eu sou o tipo de mulher que se deita com qualquer um só por estar “carente”? – Eu fiz o sinal de aspas com as mãos.
- Não.... Você não é.... – Erick respondeu começando um sorriso.
Aos poucos, o rosto dele passou de “dor” e “decepção”, para “alivio” e “alegria”. O que isso significava?
- Clara, - ele tocou meu rosto com os dedos frios, - eu não dormi com aquelas garotas, eu não conseguiria!
- Por quê...? -Eu o encarei confusa.
- Porque eu não tirava você da minha cabeça.... E olha, que para um cara como eu, negar uma suruba é algo realmente estranho! – Erick sorriu e eu dei um soco leve no braço dele.
- Seu bobo!
Nós dois rimos enquanto Erick me abraçava e caíamos no chão.
- Então, quer dizer que a loirinha não resistiu ao belo corpo do rato aqui, não é? – Erick disse orgulhoso.
- Calado! Se não eu te boto pra fora! – Eu respondi sorrindo.
Sim, eu não tinha resistido a ele.
- Você é mesmo minha Rosa Azul....
Eu fui abraçada por ele e me aninhei em seus braços.
“Rosa Azul”, ele havia me chamado assim antes, não é? Minhas memórias ainda estavam um pouco bagunçadas.
- O que você quer dizer com isso? – Eu perguntei.
- O significado da Rosa Azul, é “Uma paixão impossível, mas que se conquistada, será forte e intensa”. – A voz dele era suave. Eu gostava desse tom.
“Uma paixão forte e intensa”, eu tinha de concordar. O desejo que tinha por ele era sufocante. Mas eu não ia deixar que ele soubesse disso.
- Sabe.... Eu acho que você tem que assumir a responsabilidade.... – Erick sussurrou no meu ouvido.
“Merda! Que voz sexy!”
- “Responsabilidade”? – Eu respondi com o meu tom mais sensual.
- Eu deixei de transar com duas gostosas a tarde, e eu tive que parar bem no meio ontem à noite. Somando isso ao fato de eu não dormir com ninguém a um tempo, eu acho que não vou me contentar só em me aliviar no chuveiro....
Meu rosto corou, e agradeci por estarmos no chão, longe da luz.
Eu nunca tinha dormido com ninguém, e isso era um tabu pra mim. Se eu não estivesse bêbada, eu nunca teria tentado seduzir ninguém!
- Eu não posso! – Eu disse desesperada.
- Ual! – Erick pareceu surpreso com a forma que eu respondi. – Por que essa resposta exagerada loirinha?!
- Eu.... Eu.... Sou virgem! – Eu deixei escapar num gritinho infantil.
- AN?! – Erick se sentou e me encarou assustado. – Depois de quase me fazer gozar só com as preliminares, você olha pra mim e diz que nunca...?
- Sim.... – Eu admiti me sentindo humilhada de novo. – Não precisa jogar na minha cara!
Eu me virei de lado e escondi o rosto nas mãos.
- Eu não.... – Ele suspirou e depois continuou. – Eu não queria te ofender ou jogar algo na sua cara.... Desculpe. Eu só.... Estou muito surpreso ok? Você é muito gostosa! Podia ter tido os caras que quisesse e mesmo assim....?
- Exatamente por isso! – Eu respondi me sentando ao lado dele. – Eu não queria dormir com qualquer imbecil que só estava ali pra traçar a gostosa do colégio! Eu não sou assim! Não sou idiota assim!
- Mas mesmo assim você foi bem longe ontem.... – Eu vi um sorriso orgulhos começar a se formar no rosto de Erick.
- Ora, seu...!
- Você é perfeita demais, eu não mereço você, sabia...? – Erick me interrompeu antes que eu começasse a gritar xingamentos nos 7 idiomas que eu sabia.
Ele sorria de uma forma doce, e eu não consegui mais sentir raiva.
- Ainda bem que você sabe. – Foi a única resposta que eu consegui dar.
Erick se aproximou e me deu um beijo leve, suave.
- Mas ainda assim, você vai ter que se responsabilizar, mesmo que não seja agora... – Ele sussurrou se afastando brevemente. – Por hora vou tentar me segurar....
Eu não conseguia controlar as emoções que estava sentindo. Erick era quente e saboroso. O beijo que começou doce, logo se tornou mais agitado, seus dedos longos desenharão o contorno da minha cintura, e eu me envergonhei depois de gemer. Ele sabia o que estava fazendo e onde devia tocar. Isso era o “tentar” dele? Ele não estava tentando nada!
“Canalha mentiroso!”
Por que eu não mantinha o controle? Por que eu me deixava levar por aquela paixão?
Eu dobrei meus joelhos, e quando percebi, já estava sentada no colo dele, enroscando meus dedos nos cabelos ondulados dele e com seus lábios na minha clavícula.
- Você está sóbria, não? – Erick me perguntou em meio aos beijos.
- Não.... – Eu o beijei. – Mas dessa vez não estou bêbada por culpa do álcool....
- Oh.... É culpa do que então...? – Ele sussurrou sorrindo.
- Não seja atrevido, ratinho.... – Eu disse mordendo a orelha dele.
Eu ainda estava vestida apenas com a camisa dele e de calcinha, o que deixava mais fácil para Erick me tocar. As mãos dele passearam minhas pernas enquanto ele as colocava cruzadas na cintura dele e depois pararam na minha bunda.
- Eu achei que você fosse “tentar” .... – Eu sussurrei sorrindo.
- E eu estou.... Deus sabe como eu estou....
Depois de dizer isso ele tirou a camiseta que estava vestida. Eu me sentia envergonhada em ter seus olhos no meu corpo daquele jeito, mas eu não conseguia pensar em fazer outra coisa se não deixa-lo me tocar. Ele me comeu com os olhos por um tempo, com as mãos acariciando meus seios com as mãos frias, antes de beija-los.
Eu gemi quando ele mordeu de leve o bico do meu seio esquerdo. Eu já não controlava mais ações a essa altura do campeonato. Eu o queria, o queria dentro de mim, eu sabia que só estaria realmente completa quando ele estivesse.
- Eu quero você.... – Sussurrei arqueando meu corpo.
- Você tem certeza...? – A respiração dele era pesada.
- Sim.... Eu quero você Erick, agora!
Em poucos movimentos, Erick me deitou no chão e começou a beijar minha barriga, é claro que os beijos não pararam no meu umbigo. Ele foi descendo e beijou minha virilha antes de tirar minha calcinha.
“Ainda bem que eu me depilei hoje!”
Eu corei quando ele me beijou ali. Seus dedos me penetravam e eu senti o quanto estava molhada. Eu gemi alto e coloquei a mão na boca assustada. Erick sorriu.
- Eu gosto de te ouvir gemer.... Não precisa se segurar loirinha.... – Ele disse e voltou a me beijar.
Dessa vez eu fechei os olhos e deixei os gemidos saírem. Eu estava tão envergonhada, mas esse era o menor dos motivos para o calor que fazia meu sangue ferver pelo corpo todo.
Erick me beijava, me chupava, me lambia. Seus dedos se movimentavam, me penetrando num ritmo lento. Eu sentia meu corpo se contrair, minhas mãos buscavam algo que eu pudesse apertar e meus gemidos eram cada vez mais altos.
- Ah.... Erick... Eu vou... Eu quero você.... – Choraminguei com a voz manhosa.
- Merda.... Com você pedindo assim.... – Ele parecia relutante, e essa foi a primeira vez que eu pensei que ele estivesse ‘tentando”.
- Por favor.... – Eu implorei.
- Porra loirinha.... Você é....
Ele não terminou a frase, já que eu joguei meus braços ao redor do pescoço dele e o beijei ofegante.
- Droga Erick.... Eu tô implorando.... – Resmunguei entre o beijo.
Erick me deitou novamente, e ainda me beijando, ele abriu o botão da bermuda. Eu o observei ficar de pé e abaixar a bermuda e a cueca juntas, então fingi que estava escuro demais para ver o corpo dele todo nu e joguei a cabeça pra trás pensando em como eu iria sofrer, porque Deus que me livre, o maldito era bem dotado!
Ele ainda estava de pé quando eu me ajoelhei e beijei a coxa dele, bem perto da virilha. Ele gemeu e eu senti a pele arrepiando. Sorri orgulhosa e beijei outra vez, dessa vez mais perto do “pacote”.
- Ah... Merda... E ela diz que é virgem! – Ele sussurrou enquanto gemia.
- Eu sou! – Eu disse antes de beija-lo bem na ponta do seu sexo. – Só estou retribuindo o favor....
Eu sorri e o chupei. Sem saber bem o que estava fazendo, é claro. Mas eu me deixei guiar pelos sons e reações que ele fazia. Não durou muito, já que ele me parou e me jogou na cama.
- Você é um demônio no corpo de um anjo sabia? – Ele disse ofegante.
Eu sorri travessa e o beijei. As mãos dele foram até minha cintura e ergueram meu quadril.
- Eu vou devagar.... Se machucar, é só me dizer.... – Erick disse sério, mas com o olhar cheio de desejo.
Eu assenti e fechei os olhos enquanto ele começava a me penetrar.
Eu já tinha ouvido muitas conversas sobre a primeira vez e como ela podia ser dolorida. De fato dói pra caralho! Mas naquele momento, eu pensei em tudo, menos na dor que durou apenas alguns segundos. Eu sofreria aquela dor quantas vezes fosse necessário para ter Erick dentro de mim daquele jeito.
Ele era quente, duro e extremamente saboroso.
- Oh, meu Deus...! – Eu murmurei abraçando o pescoço dele. – Isso muito bom...!
Erick então se movimentou cada vez mais rápido, diminuindo o ritmo quando eu estava prestes a gozar.
- Maldito.... Isso é tortura...! – Eu gemi no ouvido dele.
Ele sorriu e se movimentou mais rápido, batendo seu corpo contra o meu com força.
Eu podia sentir ele tão fundo em mim, e essa sensação era maravilhosa. Eu me sentia completa, como se ele nunca tivesse pertencido a outro lugar. Ele era meu e eu era dele. Era assim que tinha que ser, e é assim que seria.
Foi aí que todas as sensações se multiplicaram em mil. Meu corpo se arqueou pra cima e meu quadril se contraiu, cravei minhas unhas na pele dele e acho que ele só não gritou de dor porque estava sentindo o mesmo que eu, minha respiração se foi e tenho certeza que todos que estivessem no corredor ou nos quartos ao lado teriam escutado meus gemidos. Nós chegamos ao ápice juntos.
Meu corpo se relaxou e minha respiração voltou ainda ofegante. Erick deixou seu corpo cair ao lado do meu, tão ofegante quanto eu. Ficamos ali por alguns minutos, até que ele se ajeitou na cama e nos cobriu com o lençol.
Quando ele se deitou ao meu lado, notei que ele estava suado e seu cabelo estava querendo grudar na sua testa. Ele era tão lindo.
- Sabe? – Eu disse depois que ele me abraçou e me aninhou em seu peito. – Acho que vou gostar de ser a Senhora Mickey Mouse.
- Sério? – Ele perguntou sorrindo.
- Sim.... – Eu fechei meus olhos sorrindo e senti meu corpo pedindo por um descanso.
Erick desligou a luz do abajur e eu caí no sono com ele acariciando minha cabeça. Acho que eu estou realmente apaixonada dessa vez....