Carta para a mulher que eu ainda vou me tornar
Se você estiver lendo isso, espero que tenha aprendido a respirar sem sentir o peito tão apertado.
Hoje eu escrevo de um lugar onde ainda dói. Ainda existem lembranças que me visitam sem avisar, nomes que ecoam no silêncio e sentimentos que não desapareceram, apenas aprenderam a ficar quietos.
Eu perdoei sem ouvir um pedido de desculpas. Perdoei porque entendi que continuar carregando a dor era continuar presa ao que já tinha partido. E, mesmo tremendo por dentro, eu deixei ir.
Foi difícil.
Algumas pessoas acham que deixar ir é esquecer, mas você sabe que não é. Há amores que não acabam; eles apenas deixam de ocupar o lugar que ocupavam antes. Eles se transformam em saudade, em silêncio, em uma lembrança que às vezes aquece e às vezes machuca.
Espero que você tenha encontrado paz.
Espero que tenha aprendido a escolher a si mesma sem culpa, a descansar sem medo e a acreditar que o seu coração merecia mais do que migalhas. Espero que tenha construído a vida que tantas vezes imaginou nas noites em que se sentia sozinha.
E se ainda houver amor aí dentro, tudo bem.
Não se envergonhe de ter amado de verdade. Não se culpe por ainda sentir algo por quem precisou partir. O amor não é menor porque não foi correspondido da maneira que você esperava. Ele apenas seguiu um caminho diferente.
Quero que se lembre de mim, da mulher que escreve esta carta agora. Ela estava cansada, assustada e cheia de dúvidas, mas ainda assim continuava acreditando. Continuava tentando. Continuava juntando os próprios pedaços, um de cada vez.
Então me diga: nós conseguimos?
Conseguimos encontrar um lugar onde o coração não precisava mais implorar por amor? Conseguimos rir sem carregar tanta tristeza escondida? Conseguimos olhar para trás sem desejar voltar?
Acho que sim.
Porque, mesmo hoje, em meio às perdas e despedidas, existe uma pequena luz dentro de mim dizendo que a nossa história não termina na dor.
Seja gentil comigo quando chegar aí.
Eu fiz o melhor que pude com o coração que tinha.
Com amor,
Eu, a mulher que ainda está aprendendo a partir sem deixar de amar.













