you make me feel all weird | solguardia
Era fácil para Domenico sentir raiva. O sentimento era incrivelmente familiar, fazia parte de sua vida como nenhum outro conseguia, isso desde a morte de seus pais. Ele tinha picos de irritação com uma facilidade tão grande que ás vezes nem conseguia explicar racionalmente o motivo para o sentimento surgir, simplesmente se flagrava se agarrando ao calor que lhe proporcionava, como um velho amigo. Nos últimos dias, no entanto, com a aproximação que tivera com Antonina, era como se aquela parte dele que vivia tão cheia de rancor tivesse desaparecido, ou ao menos ficado adormecida. Até mesmo Carla notara que o garoto parecia mais alegre, mais leve, como se algo bom estivesse acontecendo em seus dias. Era difícil admitir, mas sabia que aquilo se devia a garota LaGuardia, porque ela parecia ter um dom de tornar Domenico uma pessoa melhor. Ansiava cada vez mais pela presença dela, como se estivesse viciado pela sua companhia, tanto é que obrigara Stella a convencer a garota a comparecer a festa de aniversário dos dois, porque ele próprio não conseguira, e também não conseguia mais imaginar se divertir sem ela por perto.
Domenico só não podia esperar que Antonina estivesse passando quase toda a noite acompanhada por um cara que não era ele. E então lá estava sua irritação mais uma vez, o fazendo até mesmo discutir com a garota, sem ao menos conseguir controlar seu desagrado. Ele deveria controlar, sabia que sim, porque daquela forma só estava provando o quanto era o idiota que ela pensava que era, mas Dom também não era conhecido por saber tomar as melhores decisões. Algo queimava dentro de si e apenas aumentou, inflamando sua raiva, quando a viu lhe dar as costas e voltar para conversar com Santino, como se nada tivesse acontecido entre eles. Suas mãos tremiam junto ao corpo e sabia que o melhor a se fazer era dar meia volta e seguir para longe daquela cena para tentar se acalmar antes que fizesse alguma bobagem, mas quando se deu por conta seus pés já o levavam na direção de Antonina. “Excuse me.” Disse ao espalmar uma das mãos no peito de Santino, o empurrando para longe para lhe dar espaço. Com a mão livre, agarrou a cintura de Nina, puxando o corpo dela contra o seu, se inclinando para a frente enquanto seus lábios iam de encontro aos dela.
Ela nem queria estar ali. Ela nem deveria estar ali. Giordano não tinha deixado, Isabella que a ajudara a inventar uma desculpa para convencer o irmão mais velho. Tudo que acontecera com Bella ainda era recente e desde então Nina passara muito tempo no apartamento da irmã, fazendo companhia a ela. Antonina ficara nervosa de sair naquele dia, por uma grande sorte de fatores. Não queria deixar Isabella sozinha, mesmo sabendo que Domi estaria com ela. Estava apreensiva com o que aconteceria caso Giordano descobrisse que ela mentira para ele, não tinha certeza se Gianna seria capaz de acalmá-lo. Sabia que o que acontecera com Isabella fora encomendado e não tinha nada a ver com ela ser uma LaGuardia, mas nos últimos tempos ela sentia sempre como se estivesse sendo observada, com medo de que poderia ser a próxima a ser sequestrada. E, por último, mas não menos importante, havia Domenico. Ele por si só já era algo que a deixava completamente nervosa, quando começava a dar muita atenção aos pensamentos que começavam a surgir a respeito dele ou a um certo sonho que tivera com ele algumas noites antes... o suor começava a brotar nas palmas das mãos de Nina e seu coração batia rápido demais. Stella sempre dissera que beber a ajudava com o nervosismo, por isso a garota aceitou uma bebida ou outra que o garçom a oferecia na bandeja, odiando o gosto de todas elas, mas as engolindo mesmo assim. Depois da terceira Nina já se sentia mais leve e capaz de conversar com as pessoas, até mesmo com quem não estava acostumada.
Fora dessa forma que começara a conversar com Santino, que também havia estudado com Stella, Domenico e ela no colégio. Estavam falando sobre como era a vida fora do colégio quando Dom surgiu pela primeira vez. Os olhos de Nina haviam procurado por ele desde que chegara, seu coração sempre pulando uma batida toda vez que via alguém que parecia ser ele. E quando ele a repreendeu daquele jeito, como se ela fosse uma criança, foi pior do que se ele tivesse a ignorado por toda a noite. Se estivesse sóbria, teria lidado melhor com a situação ou teria deixado ele falando sozinho. Mas depois de cinco drinques, ela sentia uma vontade imensa de acertar um tapa nele. E já que não podia fazer isso, acertou ele com palavras. Dera as costas a ele, retornando para onde Santino ainda estava. Queria retomar a conversa, mas estava nervosa demais para conseguir formar frases. Felizmente Santino fora educado o suficiente para começar a puxar conversa, dando a Nina tempo suficiente para se acalmar. Mas toda a calma evaporou quando Domenico surgiu novamente, empurrando Santino para trás. Tudo acontecera rápido demais para que Nina pudesse raciocinar. Em um momento conversava com o outro, no seguinte a mão de Dom estava em sua cintura e os lábios dele estavam nos seus. A realidade a atingiu como um raio, suas mãos se espalmaram no peito dele, o empurrando enquanto tentava se afastar. Nem sequer se lembrara que estava perto da piscina até sentir a água gelada como um choque depois de escorregar e cair na piscina.