Dom Quixote - Uma aventura épica no Brasil (parte 3)
* Essa coletânea de textos foi desenvolvida como parte do TCC do curso de Publicidade e Propaganda da Unaerp. Você encontra a parte 1 e 2 dessa história clicando aqui.
O grande cavaleiro de La Mancha continuou sua jornada em busca do ingrediente mágico que faltava para ele se tornar forte e conseguir derrotar todos os seus inimigos. Pedalou por semanas e semanas com seu fiel amigo Sancho. - Engraçado - pensava ele - Nessas terras de Brasil o nome dos lugares é a junção de um sinônimo com um adjetivo. Mato Grosso, Boa Vista, Ribeirão Preto... Essa última, é pra lá que eu vou! E Dom Quixote pedalou pelos estados, conheceu lugares, pessoas e finalmente cruzou a divisa dos estados de Minas Gerais com São Paulo. - Me disseram que após passar pela divisa, Ribeirão Preto é logo ali. Estamos chegando Sancho! - disse para o cachorro que estava na garupa. O cão soltou um latido e balançou o rabo, como um sinal de contentamento. O cavaleiro chegou a Ribeirão Preto às 18h de uma segunda-feira. Devido a todo sol, cansaço, desidratação e o caos do horário de pico, Dom Quixote endoidou de vez. Pedalava mais rápido do que suas pernas podiam aguentar e gritava apontando sua lança para os carros. Dobrou uma esquina e se deparou com um mar de carros, ônibus, pessoas e prédios. Estava na avenida João Fiúsa. - Sancho, veja! Chegou nossa hora de salvar esse lugar dos monstros que aqui habitam. - disse o cavaleiro enquanto descia da bicicleta e colocava o cachorro no chão. Para Dom Quixote, os prédios, ônibus e carros eram inimigos que deviam ser combatidos. Empunhou sua lança e correu em direção a um prédio altíssimo, escalou o muro que cercava o imóvel e conseguiu entrar. Atravessou todo o gramado e chegou à piscina.
- MEU DEUS! – gritou Dom Quixote – não se preocupe criança, eu, Dom Quixote de La Mancha vim até aqui com a missão de salvar essa população dos monstros horríveis que aqui habitam.
A criança, que estava na piscina, se assustou e começou a chorar, chamando por sua mãe.
- Tem um homem estranho aqui! Ele tá armado – gritou a criança, apavorada.
Dom Quixote coçou a cabeça enquanto se perguntava onde estaria a tal arma, e então percebeu que a arma era sua lança.
- Meu pequeno, não se assuste, estou aqui para te salvar. Essa lança não irá te machucar, ela será usada apenas para ferir os monstros e inimigos que tentam nos fazer mal.
Ouvindo os gritos da criança, o porteiro correu até a piscina e se deparou com o nobre cavaleiro que balançava sua lança em todas as direções.
- Senhor, peço para que abaixe essa arma – gritou o porteiro – se não o fizer, terei que chamar a polícia.
- POLÍCIA? – disse Dom Quixote – Como ousa ameaçar um cavaleiro dessa forma? Eu exijo que o senhor se desculpe! – Dom Quixote esbravejava enquanto apontava a lança para o porteiro.
Assustado e com medo de alguém se machucar, o porteiro pegou a criança pela mão, colocou-a no elevador e rumou até a portaria para chamar a segurança. Surgiram então dois homens enormes de terno preto e, sem dizer uma palavra, pegaram Dom Quixote pelo braço e o jogaram na calçada.
O cavaleiro, desnorteado e sem saber o motivo de tanta hostilidade, pegou a bicicleta, o cachorro e decidiu que só ajudaria quem quisesse ser ajudado.
Pedalou pela cidade toda, quando ficou cansado e se sentou em uma calçada para retomar o fôlego, olhou para o céu e viu um dragão gigante voando sobre sua cabeça. Rapidamente se levantou, pegou a lança e começou a cutucar a barriga do dragão - Maldito! Desça aqui e me enfrente! Não posso deixar você aterrorizar essa cidade – e lá ficou Dom Quixote, brigando com o que na verdade era um avião.
Frustrado com a falta de sorte, deitou-se na calçada e dormiu o sono dos justos. Na manhã seguinte, acordou com o sol raiando e saiu em busca do último ingrediente.
Amarrou a bicicleta num poste, pegou Sancho Pança no colo e andou pelo centro perguntando onde poderia encontrar um tal de jerimum.
Ninguém deu muita bola para o pobre Dom Quixote, alguns porque não conheciam a planta, outros porque achavam que ele era louco. E assim passaram-se algumas horas, até que encontrou uma moça – nobre senhorita, poderia me informar onde encontro jerimum? É o último ingrediente magico que me falta.
A moça ficou tentando lembrar de onde conhecia aquele nome e num estalo lembrou-se – Jerimum é o mesmo que abóbora né? Moço, isso é fácil de achar! Em qualquer hortifrúti você encontra. É só pedir pelo nome de abóbora, tem de vários tipos.
Dom Quixote ficou encantado com a informação e muito feliz em saber que na tal cidade de Ribeirão Preto qualquer pessoa poderia ter o ingrediente magico que dava força para combater os inimigos. E lá se foi ele, seu fiel cão escudeiro Sancho Pança, a bicicleta e a lança, todos alegres com o ingrediente que faltava.
Após provar todos os ingredientes, Dom Quixote percebeu que eles não lhe dariam super força, agilidade ou resistência, mas isso nem importava mais, pois sua aventura rendeu diversos amigos e histórias para contar, além de um grande companheiro: o cão Sancho.
Você deve estar se perguntando sobre os tais ingredientes, certo? Bem, eles na verdade eram parte de uma receita e se transformaram em três cervejas deliciosas que Dom Quixote ficará feliz em compartilhar com todos.











